A nova rotina dos bailarinos do Bolshoi

Dificuldades com a infraestrutura domiciliar tem impacto no aproveitamento das aulas remotas

Os mais de 200 bailarinos do Bolshoi viram suas rotinas mudarem completamente de um dia para o outro. O porte físico desses atletas exige constante manutenção e ficar um dia sem treinar está fora de cogitação. Com suspensão das as aulas presenciais no Teatro Bolshoi, eles precisaram se adaptar com a estrutura que possuem em casa.

Foi em 15 de março que Marina Vilela Souza, 16 anos, viu toda sua rotina regrada mudar. Ela faz o primeiro ano do ensino médio no período da manhã, costumava almoçar no Bolshoi, fazia treinos na academia e tinha o resto da tarde de ensaios. Com a pausa das aulas de dança, começou a treinar sozinha em casa, com atividades voltadas para força e flexibilidade. Juan Fleitas Negreira, 16 anos, tinha rotina parecida. Com a paralisação das aulas, passou a acompanhar as lives dos professores e vídeos do YouTube para se exercitar por conta própria. A professora Ariate Costa, formada no Bolshoi, diz que a disciplina é a maior fonte para a vida de um bailarino, tanto profissional como pessoal. Valor passado para todos os alunos da escola, que buscaram se manter ativos no período atípico.

Os dois alunos relatam que a maior dificuldade é a falta de estrutura que têm em casa. “Para mim, especificamente, foi o espelho e o ambiente, lá estamos acostumados a nos olharmos muito no espelho, buscando a perfeição”, revelou Juan, que está na 7º série do curso, a penúltima para se formar bailarino profissional. São poucos estudantes que têm uma barra de ballet ou o piso ideal para a prática, conta ele. Como não tem espelho em casa, acaba não acompanhando seu rendimento, devido ao tamanho pequeno da tela do computador na reunião da aula online. Já Marina, na 6° fase do curso, reclama da falta de espaço. “Acho que já me acostumei, mas ainda sim é bem desconfortável se comparar com as aulas que tínhamos no Bolshoi.”

Para os alunos que não possuem internet em casa, é possível ir até o Bolshoi realizar as aulas online. A Companhia Jovem, por exemplo, está realizando ensaios presenciais, com máscara e distanciamento. Eles estão se apresentando nas “sextas com arte” e realizando os espetáculos online.

Mas algumas aulas não estão acontecendo, mesmo remotamente, como os ensaios em grupo e em pares, o que coloca o rendimento em xeque. Mas a maior preocupação de Juan não é essa, e sim a manutenção corporal. “Para não sofrer com o rendimento quando eu voltar”, conta ele. Para a professora Ariate, a volta das aulas será muito positiva, embora lembre da provável falta de resistência dos bailarinos para fazer grandes saltos, atividade que não está sendo realizada no formato remoto.

Festival de dança 2020

Devido à pandemia do novo coronavírus, o nacionalmente conhecido Festival de Dança de Joinville foi cancelado. A 38º edição ocorreria no fim de julho deste ano, mas foi remarcado para dia 20 a 31 de julho de 2021. Entretanto, um Web Festival de Dança foi realizado no primeiro trimestre. As votações foram todas online e a divulgação dos resultados foi por uma live na rede social, Facebook. A organização do festival contou que ficou surpresa com o número de vídeos inscritos, foram 1.406 coreografias e quase 18 mil participantes.

Além do evento online, a organização do Festival de Dança Joinville montou o projeto “A Dança não pode parar”, voltado para a arrecadação de recursos para instituições de dança em situação vulnerável. Ao todo, 7 instituições do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina receberam o auxílio.

Repórter: Isabel Lima

Foto: Marina Vilela/Arquivo Pessoal

Conteúdo produzido para o Primeira Pauta Digital | Disciplina Jornal Laboratório I, 4ª fase/2020.

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