Consumo de vinho aumenta durante a pandemia da Covid-19

Pesquisa aponta crescimento de 72% entre os meses de abril e junho

Uma pesquisa feita pela Ideal Consulting aponta que o consumo de vinho entre abril e junho de 2020 aumentou 72% em comparação ao primeiro trimestre deste ano. A professora universitária e enófila Beatriz Cavenaghi reforça as estatísticas. Como passa mais tempo em casa, devido à pandemia da covid-19, consome mais a bebida.

A professora confirma que neste período de quarentena consome vinho todos os dias. “Não pretendo manter assim. Mas não é uma garrafa inteira por dia, obviamente”, relatou. Por ter uma relação próxima com produtores, distribuidores e importadores, ela tem acesso a promoções em kits de vinho e confirmou conseguir bons preços nas compras, mesmo em comparação ao período anterior a quarentena.

Beatriz se diz uma entusiasta de vinhos brasileiros. “O vinho não precisa necessariamente cruzar o oceano para você ter uma experiência legal”, afirmou. Para ela, as pessoas precisam valorizar produtos que são feitos aqui.

Outra pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul afirma que o vinho é a bebida da quarentena. Segundo o estudo, a venda de vinho nos primeiros quatro meses deste ano aumentou 39%. Esse estudo reflete a situação da Adega Di Bacco, em Joinville, onde as vendas aumentaram 123% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Além do atendimento na loja física, a adega atende a pedidos feitos pelo Instagram e WhatsApp. Segundo Barbara Cardoso, funcionária da loja, no início da quarentena, quando os atendimentos no local estavam paralisados devido a pandemia, os atendimentos por delivery cresceram de forma exponencial.

Mario Kutianski, proprietário do local, não acredita que o consumo tenha aumentado. Para ele, houve apenas a formalização da venda, com o consumidor deixando de comprar dos contrabandos, para comprar no mercado formal.

Essa não é a realidade de Patricia Villar, também professora universitária. A forma de comprar vinho não mudou, mesmo em relação ao período anterior à pandemia. “Vou no mercado e compro lá. Não compro pela internet, e adega só se tiver promoção”, afirmou.

Patricia confirmou que no início da quarentena o consumo de vinho dela e do marido duplicou. “A gente está tentando dar uma equilibrada. Não beber todos os dias”, afirmou. Assim como Cavenaghi, a professora também disse que o consumo aumentou, já que ela passa mais tempo em casa. “Acho que essa questão do ‘Vamos dar uma relaxada? Vamos abrir um vinho.’ Isso motiva muito.”

O vinho realmente faz bem ao coração?

O cardiologista Rafael Zoppi explica que não é bem assim. Segundo ele, o vinho possui dois compostos principais: o etanol (álcool), e um antioxidante chamado flavonoide, vindo da casca da uva que propicia benefícios para o sistema cardiovascular. Zoppi disse que não se aconselha prescrever vinho para prevenir doenças cardiovasculares, já que o álcool é tóxico para o organismo e pode causar dependência. Para esses benefícios ele recomenda uma boa alimentação além de atividades físicas regulares.

Repórter: Beatriz Kina

Foto: Beatriz Kina

Conteúdo produzido para o Primeira Pauta Digital | Disciplina Jornal Laboratório I, 4ª fase/2020.

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