Inclusão em forma de arte: um novo espaço em Joinville

No dia 25 de fevereiro, com um sarau especial e muitas atividades artísticas, o Centro de [Trans]formação Cultural – Arte para Todos, do Instituto de Pesquisa da Arte pelo Movimento (Impar) e da Associação Joinvilense de Apoio e Inclusão de Crianças Especiais (Ajaice), inaugurou seu novo espaço localizado na Rua Salgado Filho, no Saguaçu. O Centro é uma associação cultural privada, de utilidade pública municipal e também sem fins lucrativos. É voltado para a formação, fomento e também para a pesquisa das atividades que são desenvolvidas pelo Centro, entre elas: dança, música, teatro, linguagem corporal e memória, e tendo como objetivo contribuir com o desenvolvimento humano e social através de ações e projetos culturais desenvolvidos por eles.

Oferecendo atividades para pessoas com ou sem deficiência, o Centro foi criado no início de 2012 entre a união do Impar e da Ajaice. Por ser considerado um espaço cultural novo na cidade, a proposta é fazer a inclusão e o desenvolvimento das pessoas por meio da arte, além de oferecer atividades para pessoas com ou sem deficiência. O Instituto conta com o apoio de pessoas físicas, empresas e instituições para a realização de suas atividades e também com doações de materiais e dinheiro.

As oficinas de vivência artística oferecidas são destinadas a crianças, adolescentes, adultos e idosos. Possuem também atendimento para pessoas surdas, cegas, com transtorno mental, deficiência física ou intelectual. A equipe de professores conta com Robson Benta, Nathielle Wougles, Manoella Carolina Rego e André Felipe que dão aula de teatro; Fábio Cabelo, professor de música; Maria Fortuna, professora de dança e José Mauro Silva, professor de artes visuais que atuam junto com as terapeutas ocupacionais Nathielle Wougles e Mônica Dias.

O Centro abriu as inscrições para a primeira turma de Oficina de Libras – Aprendendo Línguas de Sinais, dividido em dois níveis: Nível Um e Nível Dois, com a professora Juliana Cipriano Martins Moreira, que é pós-graduada em Libras. As aulas tiveram início no dia 2 de abril.

A professora de Libras, Juliana Cipriano Martins Moreira, explicou que o motivo que a fez se tornar professora, foi para ajudar os surdos. “E ensinar as pessoas a se comunicarem em Libras para que aconteça realmente a inclusão das pessoas surdas na escola, trabalho e sociedade.” Além disso, Juliana ressalta que por ser deficiente auditiva gosta de trabalhar com os alunos e também a ter paciência de ensinar para que eles realmente aprendam. “Para eles aprenderem de verdade e não num ensino faz de conta, só por eles ser deficientes e acharem que não tem capacidade de aprender.”

Manoella Carolina Rego, professora de teatro e diretora do Grupo de Libração fez aulas de libras no Sesi e treinava com surdos. E após mencionar que trabalhava com teatro, uma menina surda contou que não havia nada de teatro e libras em Joinville para eles. Manoella conta que após terminar o avançado no curso de Libras, a menina a questionou sobre abrir um lugar para aulas. “Eu não sabia muito bem por onde começar, não sabia o que fazer, mas falei “Vamos fazer”, e deixei a menina responsável por convidar as pessoas para o curso.”

A primeira turma foi aberta em agosto de 2011 no local em que trabalhava e contou com cerca de 6 alunos. “Foi legal, foi um aprendizado e foi onde tudo começou”, ressalta.

A terapeuta ocupacional, Nathielle Wougles conta que antes de trabalhar com Terapia Ocupacional, ela fazia teatro. “Desde os 12 anos, eu sempre gostei da área da saúde e quando terminei o ensino médio, fui buscar uma profissão que contemplasse a reabilitação e o fazer artístico, foi onde encontrei a terapia ocupacional”. Questionada sobre o que a motiva a trabalhar com pessoas com deficiência, ela menciona que é perceber os ganhos e registrar cada pessoa com o seu potencial artístico e produzir coisas lindas e emocionantes.

As aulas de Vivência em Artes Visuais, Dança, Música e Teatro são destinadas ao público em geral e contam com atendimento especializado a pessoas com deficiência ou transtornos mentais. O principal objetivo dos cursos que são oferecidos é fazer com que os alunos vivenciam as expressões artísticas, identificando e se apropriando das que melhor contribuírem para o seu desenvolvimento pessoal. As turmas terão até no máximo 12 alunos, divididos por modalidades artísticas e faixa etária. As aulas possuem duração de até duas horas, é uma vez por semana e serão realizadas durante todo o ano.

Além disso, o atendimento será gratuito aos usuários atendidos pelo NAIPE – Núcleo de Assistência Integral ao Paciente Especial e também aos usuários do SOIS – Serviços Organizados de Inclusão Social e também o fornecimento de vagas gratuitas para famílias de baixa renda atendidas por outras instituições da cidade ou cadastradas diretamente no Centro.

Outras atividades são oferecidas além das oficinas, são elas:

  • Encontro de vivência artística
  • Encontros didáticos “Diálogos Arte para Todos”
  • Atividades laborais e vivências artísticas para pais e idosos
  • Grupos de estudo e suporte terapêutico
  • Workshops de capacitação profissional
  • Programa de acolhimento e suporte para famílias de crianças com deficiência (0 a 6 anos)
  • Espetáculos e eventos culturais
  • Atividades dos grupos de teatro Libração, Arte para Todos e Coletivo Impar de Teatro.

Por: Destiny Goulart
Conteúdo produzido para o Primeira Pauta Digital | Disciplina Jornalismo Digital II
5º Fase | 2018 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *