Com abastecimento normalizado, desafio são os preços do combustível

Desde sábado, 2, a gasolina está sendo vendida nas refinarias por R$2,0113, mas esse não é o preço pago pelo consumidor, já que os postos de combustíveis estipulam os valores tendo como base o valor médio do mercado e o lucro sobre o valor inicial. Na segunda, 4, todos os postos de Joinville já haviam recebido o combustível. Alguns deles, que vendem a gasolina podium, composto especial, estavam aguardando caminhões de São Paulo.

Devido a greve dos caminhoneiros, o diesel teve uma baixa de 0,46 centavos, estipulada em acordo com o governo federal. Porém, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindipetro), ainda haverá negociações para definir de que forma esse valor será aplicado nas bombas, já que algumas distribuidoras e postos ainda tem diesel que foi adquirido pelo valor anterior, antes da redução.

Isso porque durante a greve muitos postos ficaram sem gasolina, mas ainda vendiam diesel, devido à baixa demanda do produto ao longo da paralisação. Nos lugares que ainda comercializavam gasolina, as filas eram enormes, como explica Thaís da Cunha, 21, analista de engenharia. Na sexta-feira, 25, ela ficou 30 minutos na fila do posto para abastecer seu carro. Nos nove dias em que a greve durou, Thaís apenas utilizou o automóvel para ir trabalhar, já que mora na zona sul da cidade e trabalha na zona norte. Preferiu economizar combustível e apenas ir até o trabalho, já que considera os horários de ônibus muito ruins.

Com a falta de gasolina, apenas um posto da cidade recebeu combustível, mas esse estava disponível apenas para carros oficiais de órgãos do município. A distribuição para a população começou a ser feita na quarta-feira, 30. Com a gasolina escassa nos últimos dias de paralisação, o Procon de Joinville precisou trabalhar muito para averiguar se o comércio da cidade não estava cobrando preços abusivos. Um posto de gasolina no bairro Vila Nova que ainda tinha gasolina, foi autuado por cobrar R$5,00 reais o litro do combustível.

Com a média do preço da gasolina ultrapassando os R$ 4, o jeito é economizar, como explica Wildson Ribeiro, 47, ferramenteiro na Krona, “Há outras opções para transitar, o ônibus, moto e até a bicicleta, isso vai depender do percurso a ser trafegado”.

O gerente do posto Ipiranga, no bairro Floresta, Bruno da Silva, ficou sem gasolina para vender de sábado, 26, até a terça-feira, 29. O combustível chegou apenas na quarta-feira, 30. O local ainda não estava vendendo o diesel, pois o produto ainda não havia chegado. A gasolina estava custando R$ 4,09. Até a sexta-feira, 1, o abastecimento dos postos da cidade ainda não estava totalmente normalizado. Segundo o Sindipetro, a base de Guaramirim, que abastece Joinville, trabalhou durante todo o feriado de Corpus Christi.

Justiça impede greve dos petroleiros

Se a greve dos caminhoneiros se prolongou por mais de dez dias, o mesmo não ocorreu com a paralisação dos petroleiros, trabalhadores que atuam na indústria do petróleo. Mesmo tendo um caráter de advertência, com duração prevista para três dias, a greve foi considerada ilegal e encerrada antes mesmo de causar qualquer impacto na produção.

Enquanto a greve dos caminhoneiros completava uma semana, com as negociações ainda indefinidas, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e suas entidades afiliadas decidiram fazer uma greve de advertência de 72 horas, marcada para começar dali a três dias, em 30 de maio. O objetivo era interromper o trabalho nas refinarias para exigir que o governo federal reduzisse o preço do gás de cozinha e dos combustíveis, além de denunciar ameaças de privatização da Petrobras e pedir a demissão do agora ex-presidente da empresa, Pedro Parente.

A mobilização dos trabalhadores, coordenada por uma federação e seus braços sindicais, foi rapidamente considerada ilegal pela ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Maria de Assis Calsing. O órgão concedeu liminar a favor da Advocacia Geral da União, que registrava que o desabastecimento poderia piorar ainda mais caso a greve de advertência fosse mantida. Caso não cumprisse a determinação, a multa diária à FUP seria de R$ 500 mil.

A entidade se defendeu e, em artigo publicado no site oficial, alegou que já havia aprovado uma greve nacional antes de iniciarem os protestos dos caminhoneiros, “para deter a escalada descontrolada de aumentos do gás de cozinha e dos derivados, cobrando a retomada da produção a plena carga das refinarias e o fim das importações de derivados”. Com o título “Não nos calarão”, o texto denuncia a tentativa de criminalização do movimento e registra que “essa multa abusiva e extorsiva jamais seria aplicada contra os empresários que submetem o país a locautes para se beneficiarem política e economicamente”.

Mesmo com o fim prematuro do movimento, a FUP considera que a greve cumpriu sua missão e ainda atribui a queda de Pedro Parente à mobilização encampada pela federação. Em Santa Catarina, de acordo com um balanço publicado no site da entidade, trabalhadores do Edifício Administrativo da Transpetro de Joinville (Ediville) e dos terminais de Biguaçu (Teguaçu), São Francisco do Sul (Tefran) e de Itajaí (Tejaí) paralisaram as atividades e se deslocaram até o Terminal de Guaramirim (Temirim) para a realização de um ato conjunto na manhã no primeiro dia de paralisação, na quarta-feira (30). A FUP também se defendeu alegando que não havia qualquer risco de desabastecimento em virtude da paralisação.

Reportagem: Fernanda Eliza
Foto: Mariana Costa
Conteúdo original do Primeira Pauta Impresso, Edição 139

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