Doença que afeta cães pode ser controlada com vacinação

Presente em todo o mundo, a Cinomose é uma doença altamente contagiosa causada por vírus, e uma das mais fatais para cães domésticos. Os sintomas podem variar de acordo com espécie, idade, estado geral e imunológico do animal, e os principais sinais clínicos são percebidos nos sistemas respiratórios, gastrointestinais, cutâneos e neurológicos, podendo ocorrer simultaneamente ou não, o que dificulta o diagnóstico, pois existem outras doenças com sintomas parecidos, como por exemplo, parvovirose, coronavirus, parainfluenza, raiva e toxoplasmose.

A doença é transmitida por meio de urina, fezes, saliva e secreções nasais ou dos olhos. Os cães são infectados ao entrarem em contato direto com outros animais portadores do vírus, ou indireto, a partir de secreções e ambientes contaminados. De acordo com a médica veterinária Deolinda Carneiro, é necessário contato próximo entre os animais para que a transmissão ocorra, uma vez que o vírus é rapidamente espalhado no ambiente.

Segundo Deolinda, até o momento não há nenhum tratamento disponível que seja efetivo quando o animal já está infectado. Além disso, o uso de medicamentos objetiva apenas o tratamento dos sintomas do vírus e a vacinação é o único meio efetivo para evitar a Cinomose. Elas devem ser realizadas seguindo o protocolo: duas ou três doses da vacina em intervalos de 21 a 30 dias, com revacinação dos cães adultos.

Atualmente, devido à vacinação, a Cinomose não é uma doença tão comum como há alguns anos. Apesar disso, a médica veterinária recomenda: “Ainda há circulação viral, portanto, é fundamental a conscientização dos tutores sobre a importância da vacinação na prevenção desta grave enfermidade”. Sua orientação é que todo animal, filhote ou adulto, seja levado ao veterinário após a adoção para uma avaliação da saúde e vacinas.

O médico veterinário Ricardo Alexandre Schultz explica que humanos não podem contrair o vírus, mas podem transmiti-lo para os cães através de calçados e roupas, por exemplo. “Se as pessoas tiverem contato com um cachorro com cinomose, e esse cachorro porventura urinar na pessoa, espirrar ou tiver secreção, essa roupa pode vir a contaminar outro cão.” Outros animais domésticos, como gatos, podem ser contaminados com o  vírus, mas não desenvolvem a doença.

Mesmo após a retirada do animal contaminado do ambiente onde vivia, o parasita pode permanecer devido urina e secreções, resistindo dependendo da temperatura do lugar. Locais mais secos e frios possuem maior tendência de continuarem infectados durante meses. “O vírus é sensível a qualquer desinfetante comum e facilita bastante a questão de manejo de ambientes contaminados”, explica Ricardo.

Sobreviventes

Em 2012, a estudante Patrine Cagnini, 23 anos, adotou dois Dachshund ou “salsichas”, como são popularmente conhecidos os cães dessa raça. Quiko, um macho, e Flique, uma fêmea, foram vacinados contra Cinomose com a vacina nacional, cada um com um lote diferente e comprados em locais distintos. Mesmo após a medicação, a cadela contraiu o vírus.

Os primeiros sinais foram neurológicos. A cadelinha tinha convulsões e, após as crises, não parava de correr por 15 minutos. No segundo dia, após apresentar os sinais, Flique foi levada até o veterinário e recebeu tratamento em casa, mas não resistiu. Na mesma época, Quiko começou a apresentar diarréia, vômitos e parou de comer. A família acreditava que o filhote também poderia ter contraído a doença, mas logo os sintomas desapareceram e não foi preciso nenhum tratamento.

Os cães da cabeleireira Rosangela Oliveira, 51 anos, também receberam medicações diferentes uns dos outros: um deles tomou a vacina internacional v10 e os outros dois foram vacinados com a dose nacional. Obama e Tuca, que receberam a vacina brasileira, contraíram o vírus. Já o que recebeu a dosagem diferente, não foi impactado com a doença.

Rosangela conta que a fêmea havia pego a doença primeiro. O tratamento demorou a ser feito, pois no início a suspeita era de que Tuca tinha doença do carrapato, porque teve conjuntivite e parou de comer. Como a cachorrinha ficou cega, estava muito magra e tinha convulsões, foi necessário sacrificá-la. Quando Obama, o macho, começou a adoecer, foi levado ao veterinário. Segundo Rosangela, o especialista disse que seria difícil salvar o cachorro, mas ele continuou recebendo a medicação de oito em oito horas e sobreviveu.  A terceira cachorrinha, que recebeu a vacina importada, não desenvolveu a doença. “Tenho mais uma agora, mas só dou a (vacina) v10. Aprendi a lição,” desabafa Rosangela.

A especialista Deolinda explica que as vacinas disponíveis no mercado são diversas, e possuem fabricações diferentes, o que pode interferir na capacidade de proteção. Outros fatores podem ainda determinar a falha na proteção, como a forma de armazenamento, variação de temperatura e transporte inadequado. O papel do Médico Veterinário no processo também é fundamental, pois somente a avaliação da saúde do animal determinará se este estará apto ou não a ser vacinado, e se a vacina será eficaz. De acordo com o especialista Ricardo Alexandre Schultz, todos esses cuidados são tomados durante a consulta pré vacinal. “Essa já é uma diferença entre as vacinas nacionais e importadas, já que as importadas são manuseadas apenas por veterinários”, explica.

Deolinda diz que os animais devem ser vacinados novamente a cada três semanas até completarem 14 semanas de idade, este é um dos esquemas mais utilizados, “é prático e resulta na imunização de 95% ou mais dos cãezinhos”, finaliza. Ricardo reforça que é necessário tanto para filhotes, quanto para cães idosos, pois nessa idade eles apresentam falhas imunológicas, por isso também é importante verificar a necessidade de vacinação dos mais velhos.

Por: Fernanda Eliza

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