Greve afetou quase 80% dos empresários em SC, indica Fiesc

A greve dos caminhoneiros dificultou a produção das indústrias em Joinville. Nomes reconhecidos em todo país e fora dele optaram por dar férias coletivas aos trabalhadores, casos da Tupy, Embraco e Whirpool. A Krona optou por parar sua produção por alguns dias, enquanto a Tigre não optou por dar férias coletivas. Alguns vendedores da marca trabalhavam direto de casa. E como ficam os trabalhadores dessas empresa?

Cleverson Custódio Jorge é operador de máquina em uma indústria e ficou parado durante quatro dias. Ele conta que chegou na fá- brica e foi dispensado para casa. A maior preocupação é como serão compensados esses dias, pois, na visão de Cleverson, os trabalhadores não devem recompensar essas datas sem trabalhar. “Não sei como vamos repor esses dias, mas eu acho que não devíamos. Foram eles que mandaram a gente para casa, acho que deveria haver uma negociação com o sindicato para pagar esses dias”, afirma.

Cleverson concordou com a paralisação dos caminhoneiros e não sofreu tanto com a greve. Ele afirma ter abastecido o carro antes de a gasolina acabar nos postos, além de ter que comer menos verduras e legumes por não encontrar nos supermercados. Sua maior preocupação é se terá que trabalhar no final de semana para repor os dias que ficou em casa, além de não saber como ficará a questão salarial. “Essa greve vai prejudicar só se eu tiver que trabalhar quatro sábados seguidos e se eles descontarem do salário. Eu espero que não, até agora não sabemos como vai ser”, disse.

Em relação ao corte de salários, a assessoria de imprensa da indústria informou que isso não irá acontecer. De acordo com a empresa, a maior parte ficou como férias e outra como licença com remuneração. Sobre os impactos financeiros, eles afirmaram que ainda não podem calcular os números. Eles explicam que a empresa trabalha com projetos encomendados pelos clientes.

O ramo alimentício também sofreu com a greve poucos dias depois da repercussão nacional. De acordo com a Associação Catarinense de Supermercados (ACATS), os principais produtos que sofreram desabastecimento foram: frutas, verduras, legumes, leite UHT, pães industrializados, derivados do leite em geral e demais itens perecíveis lácteos. Outro setor que sofreu foi o de higiene pessoal: em alguns mercados faltou papel higiênico e uma quantidade foi limitada por cliente. O abastecimento dos supermercados foi normalizado, em algumas cidades, dez dias após a paralisação. No interior do estado, dependendo da distância percorrida para entrega, a situação pode ter sido normalizada entre quinze e vinte dias após a greve.

O comércio também não escapou dos impactos ocasionados pela greve dos caminhoneiros. Quem conseguiu realizar uma pesquisa mais profundo sobre todos os impactos foi a Fecomércio/SC. Foram entrevistados cerca de 100 empresários catarinenses, nas cidades de Balneário Camboriú, Blumenau, Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Itajaí, Joaçaba, Joinville, Lages, Laguna e Rio Negrinho. Os dados foram coletados com empresas de diversos segmentos: farmácia, restaurantes, material de constru- ção, comércio entre outros. Para 79,2% dos empresários, a paralisação dos caminhoneiros afetou o abastecimento ou a atividade da empresa de alguma forma. Ainda de acordo com a Fecomércio/ SC, os empresários foram pegos de surpresa e 51,49% das empresas acabaram não tomando medidas para contornar os problemas causados pelo desabastecimento. Em relação ao faturamento durante o período da paralisação, o setor de hotéis foi o mais afetado, com uma perda estimada em 41,7%, seguido do atacado com 41,4% Já o comércio, serviços e o turismo o percentual de prejuízo foi de 32,4%. Somente as farmácias sofreram pouco com a greve, tendo 10% de perdas. O impacto financeiro no setor de comércio, serviços e turismo, único que conseguiu calcular o dado absoluto até o momento, foi de R$ 350 milhões.

Serviços de educação e saúde normalizados

Por causa da greve dos caminhoneiros, instituições de ensino precisaram cancelar suas aulas e os serviços de saúde também tiveram de se readequar. Serviços básicos foram suspensos para que casos mais graves pudessem ser atendidos e a população fosse menos prejudicada com a paralisação. A reposição das aulas deve acontecer em breve e os setores atingidos voltaram a funcionar normalmente na segunda-feira (4).

Conforme divulgado no site do Governo do Estado de Santa Catarina, nenhuma escola estadual da cidade de Joinville precisou suspender as aulas no período da greve. As municipais também, só pararam durante o feriado. Em contrapartida, institui- ções de ensino superior como a Faculdade IELUSC, INESA, Católica, Univille, UniSociesc, Assessoritec, Anhanguera e a Universidade Federal cancelaram as aulas. Os dias letivos perdidos devem ser repostos até o final do semestre. A UDESC Joinville suspendeu as aulas na segunda-feira (28) e retomou normalmente nos dias 29 e 30 de maio.

Alunos de cidades vizinhas também foram afetados pelo cancelamento dos ônibus responsáveis pelo transporte. A Associação dos Universitá- rios de São Francisco do Sul (A.U.S.F.S.) parou os serviços na quinta-feira (24) por causa das manifestações. A aluna Kálita Cidral, 18 anos, utiliza os serviços de transporte da empresa que sai todos os dias da cidade com destino a Joinville e comentou a situação em uma de suas redes sociais. “Sobre a greve dos caminhoneiros, vocês realmente têm meu apoio, estão lutando e infelizmente no Brasil é só assim para se conseguir alguma coisa! A questão é que assim como vocês estão lutando por essa causa, nós, alunos universitários, estamos na luta, todos os dias, indo para Joinville e voltando para São Francisco do Sul”, desabafa. A empresa retomou os serviços na segunda-feira (4).

Apesar dos transtornos, os serviços de transporte coletivo não foram totalmente afetados. As empresas priorizaram momentos de maior demanda nos dias 29 e 30 de maio. Algumas linhas de ônibus foram reduzidas, mas o serviço já está normalizado.

Segundo a Secretaria de Comunicação de Joinville (SECOM), a Secretaria da Saúde organizou um plano de contingência que define suas responsabilidades frente a emergência. Cirurgias precisaram ser canceladas para a prevenção da falta de insumos. Casos mais graves foram atendidos. Os Pronto Atendimentos (PAs) funcionaram normalmente e as unidades básicas de saúde pararam apenas no dia 31 de maio e primeiro de junho, por causa do feriado de Corpus Christi e ponto facultativo. O Hemosc realizou uma campanha na busca de voluntários para o Hemocentro Regional de Joinville. A unidade, aumentou os estoques, mas ainda não é suficiente, principalmente, para a tipagem negativa. A instituição lembra que é necessário que haja doações.

Reportagem: Kaue Vezentaner e Mariane Machado
Foto: Filipe Scotti/Fiesc
Conteúdo original do Primeira Pauta Impresso, Edição 139

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