Adoção: Projeto resgata coelhos mal cuidados em Santa Catarina

Inteligentes, formosos e delicados. Apenas quem está disposto a dividir a casa, dedicar tempo e atenção pode conhecer o mundo doce e de personalidade dos coelhos. O projeto “Adote um Orelhudo” tem como ideia principal o cuidado e a adoção responsável dos animais. Muitas famílias desejam ter um por serem fofos, porém, quando crescem e começam a exigir mais cuidados, acabam sendo abandonados ou presos em gaiolas.

Os coelhos são comercializados ainda filhotes, não recebem espaço e cuidados apropriado, adoecem rapidamente e, já que são mamíferos frágeis, acabam morrendo repentinamente. Um dos motivos mais comuns para o óbito destes animais é de infarto, pois seus batimentos são muito sensíveis. Um fato curioso é que esses animais são muito brincalhões, por isso, podem acabar destruindo muitas decorações da casa se forem deixados de lado por seus donos. Os mamíferos são de natureza sociável, sofrem de solidão e são mais felizes quando vivem em companhia, inclusive de um ser humano.

Muitos coelhos acabam morrendo abandonados, sem cuidados, em parques públicos municipais. O Parque Municipal Córrego Grande, em Florianópolis acolhia esses animais, porém, segundo a administração do parque, não vivem mais lá há aproximadamente dois anos. Quando viviam lá, a empresária Sabine Fontana que mora em Florianópolis, criou o Projeto Adote um Orelhudo, que surgiu da necessidade de encontrar novos lares para os que são abandonados por famílias em diversas situações. Tudo começou quando Sabine ganhou um coelho e pegou grande carinho pelo companheiro. Em 2008 foi informada sobre os que viviam no parque, e então começou a frequentá-lo para alimentá-los e higienizar o ambiente.

Segundo a empresária, voluntários começaram a se dividir durante os dias da semana para contribuir, os que estavam doentes eram levados por ela para maiores cuidados. “Com o tempo ficou difícil mantê-los lá, eles são sensíveis e exigem além de cuidado, compromisso. Então trouxe todos pra minha casa,” enfatiza. A maioria dos coelhos que chegam ao projeto estão desnutridos, desidratados, com lesões, e até sarna. Os que se recuperam são castrados e colocados para adoção. “Já tive 40 peludos,” como chama carinhosamente. “Hoje estou com 23. Alguns acabaram morrendo, e outros foram adotados,” explica a idealizadora do projeto.

A administradora Bruna Freitas, que também mora em Florianópolis, começou a pesquisar sobre os mamíferos há cinco anos, quando decidiu ter um. Ela não conseguiu adotar nenhum do projeto porque não tinham disponíveis. Bruna acompanhou o grupo e, quando Sabine precisou de ajuda no parque, contribuiu como voluntária. “Eu também virei lar temporário para uma coelha resgatada que vivia presa em uma gaiola. Ela foi castrada e eu me disponibilizei para cuidar dela até encontrar um novo dono,” explica Bruna. “Acabei adotando ela, vive aqui junto com a que já tinha” conta.

 

Troféu serve de incentivo para a proteção de animais

Em 2017, o projeto recebeu o troféu Onda Verde na categoria “Bem-estar animal”. Relatos no site do projeto afirmam: Todo esse mérito é fruto do esforço da nossa amiga e coordenadora Sabine Fontana que sempre nos motivou e guiou nessa jornada de amor aos orelhudinhos. Adote um Orelhudo também auxilia outras ONGs e protetores que precisam de dicas e informações de como cuidar de coelhos. O projeto ganhou força no Facebook e atualmente tem mais de 15.000  curtidas. A boa ação chegou inclusive em Joinville. A coordenadora de Recursos Humanos, Elen Pinheiro, entrou em contato com o grupo, mas adotou outro que havia sido abandonado. “Vi o anuncio no Facebook, e entrei em contato. Um vizinho da doadora havia pego ele na rua e ia engordá-lo para comer. Ela pagou R$ 60,00 por ele, e como não conseguiu ficar, doou” explicou Elen. A coordenadora já teve 30 coelhos e, segundo ela, são muito frágeis e não se adaptam tão bem com crianças. Ela explica que os mamíferos não podem pegar muita umidade pois podem pegar pneumonia, e também tem medo do escuro. “Meu companheiro fica livre, só tomo cuidado pra ele não ir na chuva. Durante a noite ele dorme na garagem, e deixo a luz acesa porque tem medo”.

Em setembro de 2018, foi aprovado um projeto de lei que proíbe a distribuição de animais como brindes na área Urbana de Joinville. A vereadora Ana Rita Negrini Hermes (PROS), autora do projeto, informa que o objetivo é garantir o bem estar dos animais, e não tratá-los como coisas. Segundo a vereadora, a lei já foi sancionada pelo atual prefeito, Udo Döhler (PMDB).

Por: Juliana Mews

Foto: Arquivo pessoal

Conteúdo original do Primeira Pauta Impresso, edição 143.

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