Como a Internet das Coisas muda o cotidiano

Pelo relógio, Leila monitora os batimentos cardíacos, distância percorrida, qualidade do sono e, é claro, vê as horas. “Até me sinaliza quando estou há muito tempo sem me movimentar, vibra sugerindo uma caminhada”, aponta. De acordo com Leila Cardoso, 31, psicóloga e gerente de RH, o relógio, que utiliza a Internet das Coisas – ou em inglês, Internet of Things (IoT) –  ajuda na manutenção de uma rotina ativa. “Ele gera um histórico de dados gerais sobre minha saúde, dia a dia, me ajuda a ficar atenta e a acompanhar o meu bem-estar”, afirma a psicóloga. A Internet das Coisas, no entanto, pode ir além. Ela vai te conectar ao carro, à casa, a eletrodomésticos, a fim de proporcionar comodidade e velocidade ao acesso de informações.

Para Leila Cardoso, a Internet das Coisas é a conexão de objetos à rede. David Souza, que estudou Computação na USP e trabalha com IoT há três anos, define essa tecnologia como uma rede de equipamentos conectados, capazes de coletar e trocar dados entre si. “Alguns dos benefícios da utilização de IoT são cuidados com a saúde, gerenciamento de energia, monitoramento ambiental, transporte inteligente, entre outros”.

Segundo o engenheiro mecânico Rogério Morrone, que trabalha há um ano com a Internet das Coisas, a IoT é a utilização da lógica da internet aplicada a aparelhos e sensores. “Nós conseguimos tirar informações úteis de equipamentos, de forma remota”, explica. Os dados captados pelos sensores do aparelho são guardados em servidores, como a nuvem, para serem filtrados e analisados. “São coletados realmente muitos dados. Eu estou falando de milhões de linhas e milhões de colunas, que geram inteligência”, esclarece.

A evolução dos smartphones foi fundamental para o desenvolvimento e aplicação dessa tecnologia. Morrone conta que a mobilidade é uma das inovações que ajudaram a popularizar a IoT, opinião compartilhada por David Souza. Para ele, o smartphone é um poderoso computador de bolso, essencial para a Internet das Coisas que necessita de interação humana com dispositivos. “Nós já somos dependentes da internet e a tendência é o aumento dessa necessidade”,  complementa.

Segurança e privacidade

Leila prefere efetuar pagamentos, pelo aplicativo do banco, apenas se estiver conectada à rede 4G. “Wi-fi, em geral, tem mais riscos”, alerta. Sobre a perda de privacidade, a psicóloga acredita que não há como evitar. “Acho que é um ônus de uma vida mais dinâmica e moderna.”

Conforme David Souza, a privacidade e a segurança dos dados ainda são obstáculos a serem vencidos. “Como vemos diariamente nos casos de invasão e vazamento de dados na internet”, exemplifica. Para o profissional, cada vez mais estão surgindo protocolos comuns de comunicação entre equipamentos diferentes, com o objetivo de facilitar a integração e, também, por segurança.

Segundo Morrone, há a possibilidade de alguém mal intencionado ter acesso aos dados, devido a uma falha no sistema.“A preocupação existe, não só para garantir o uso da informação, mas para evitar que ela vaze ou seja usada para outra finalidade”, assegura.

 

Novas oportunidades surgem no mercado

De acordo com David Souza, os novos modelos de negócio prospectam um ambiente mais conectado. “Temos menos perdas com burocracia e análise manual de dados de diferentes sistemas, e ganhos com o que realmente importa para uma melhor experiência do cliente”, comenta. Rogério Morrone dá o exemplo de uma geladeira, em que o usuário tem acesso a dados, como o consumo de energia.

“Remotamente, eu poderia compartilhar minha localização com o meu refrigerador e aumentar sua potência. Porque quando chegar em casa, quero tomar a minha cerveja gelada”, sugere.  O engenheiro acredita que a Internet das Coisas trará novos modelos de negócios. “Nós não fazemos ideia de até onde isso vai chegar. O limite, para mim, é a criatividade das pessoas”.

Por: Catherine Kuehl

Foto: Catherine Kuehl

Conteúdo original do Primeira Pauta Impresso, edição 143.

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