Estudantes criam projeto que incentiva a redução de atitudes de corrupção

Além das disciplinas que fazem parte rotina do ensino básico brasileiro, outro assunto virou tema das aulas da turma do 5º ano do Colégio Adventista do bairro Saguaçu, em Joinville. Criado pelos próprios estudantes, o projeto “Jeitinho Brasileiro Contra a Corrupção” busca estudar a história da corrupção no Brasil e incentivar mudanças de atitudes do dia a dia.

De acordo com a professora do 5º ano, Eliane Carvalho, o interesse dos alunos pelo tema surgiu após eles estudarem a história da República Brasileira desde o seu início, no final do século XIX. “Ao explorarem o material didático, eles detectaram que os atos de corrupção persistem desde essa época no País. A partir de então trouxeram curiosidades para a sala de aula, e nós investimos no projeto por acreditar no futuro das crianças. Por elas terem uma página em branco, há mais facilidade de haver mudanças”, acredita a professora.

Ao tomar conhecimento do trabalho, a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente e ao Idoso de Joinville fez uma parceria com os estudantes e, juntos, criaram uma cartilha com oito dicas de como educar um filho sem que ele se torne corrupto.

Entre os itens, há um alerta para os pais que só conseguem fazer com que o filho ajude nas tarefas domésticas mediante a recompensas. Segundo a dica, as crianças precisam entender os afazeres de casa como voluntários e sentir-se responsável por manter o ambiente limpo e organizado, sem ganhar por isso.

Além da sala de aula

O trabalho foi além da escola e, junto com os policiais civis, os estudantes dividiram o que aprenderam em sala de aula com os visitantes do Shopping Garten de Joinville, em uma exposição. A apresentação ocorreu entre os dias 25 e 28 de agosto. No espaço, montado próxima à praça de alimentação, as crianças abordaram e convidaram as pessoas para responderem um questionário sobre atitudes corruptas praticadas no dia a dia.

Os visitantes responderam se já utilizaram aparelhos de TV a cabo não autorizados, se baixaram conteúdos na internet de forma ilegal e se não mentem na Declaração de Imposto de Renda. O material coletado nos questionários será utilizado posteriormente pela Polícia Civil para criar ações de conscientização e promover uma reflexão ética em torno de atitudes como essas.

Entre os policiais que acompanharam a apresentação no shopping estava a delegada da Polícia Civil Georgia Bastos. Para a agente, o projeto foi criado em uma ocasião essencial no País. “Nós acreditamos que o debate desse trabalho é muito importante no momento em que vivemos de crise política e ética, então nós entendemos que a Polícia Civil que combate crimes contra a administração pública também tem sua participação na prevenção”, avalia a delegada. Segundo ela, a ideia é expandir o projeto para as escolas da rede pública de ensino de Joinville.

Por: Paulo Ribeiro

Foto: Paulo Ribeiro

Conteúdo original do Primeira Pauta Impresso, edição 143.

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