Falta de tratamento de esgoto põe saúde dos moradores em risco

A população atendida pelo tratamento de esgoto sanitário em Joinville é de 32%, de acordo com a Companhia Águas de Joinville, índice que se encontra abaixo da média nacional de 35%. Mesmo com o aumento de cobertura de 16,55% desde 2010, segundo IPPUJ (Fundação Instituto de pesquisa e planejamento para desenvolvimento sustentável de Joinville) mais da metade dos joinvilenses ainda sofre pela falta de saneamento, fato que afeta diretamente a saúde pública. Vanessa Cardoso, especialista em saúde da família, explica que o tratamento de esgoto é importante para boa qualidade de vida das pessoas. Para que se conviva em ambientes saudáveis que condicionam e determinam a forma como as pessoas vivem.

Apesar de Joinville ter crescido economicamente ao longo do tempo, o tratamento de esgoto não acompanhou. “A saúde e a qualidade de vida de uma população são definidas pela forma como a sociedade se organiza, para que o crescimento econômico impacte de forma positiva na vida e na saúde”, afirma Vanessa. Segundo ela, quando o crescimento econômico não considera as pessoas, ele gera desigualdade, pobreza e, consequentemente, mais doenças. Algumas provocadas pela falta de tratamento de esgoto são hepatite A, distúrbios gastrointestinais como diarreias, infecções de pele, leptospirose (contaminação pela urina do rato), esquistossomose, conhecida como doença do caramujo ou bexiga d’água e cólera.

Conforme o estudo  Esgotamento Sanitário Inadequado e Impactos na Saúde da População realizado pelo Trata Brasil, quase 400 mil pessoas foram internadas por diarreia no país em 2011. Em 2008, 5 mil casos foram de crianças com menos de cinco anos. Inclusive, a região sul foi responsável por 61,7% do total de internações, ano em que Joinville, de acordo com dados da prefeitura, só havia 15,2% de esgoto tratado.

Segundo a assessoria de imprensa da Águas de Joinville, foram investidos R$ 15 milhões nessa área em 2017. A intenção é chegar a 50% de cobertura em 2023. O ideal é chegar a 100%, mas para isso precisa-se de recursos. Atualmente, o foco de ampliação de rede de esgoto está na região sul, mais precisamente nos bairros Itaum, Guanabara, Petrópolis, Fátima, Jarivatuba com obras até o final de 2019, João costa e Parque Guarani. No momento está sendo instalada a rede em regiões da zona sul e será retomada as obras no Jardim Sofia e no Vila Nova.

A especialista Vanessa Cardoso ressalta a importância de investir nessa área: “investimentos em saneamento fazem com que as pessoas convivam em ambientes saudáveis, favoráveis à promoção da saúde, dessa forma, as pessoas adoecem menos e necessitam menos dos serviços de saúde, permitindo que a utilização dos recursos seja otimizada”, avalia.

Joinville, com 577.077 mil habitantes, está em 73º entre as 100 maiores cidades no Ranking do saneamento básico realizado pelo Instituto Trata Brasil. Quanto mais acima na tabela, melhor é o atendimento de saneamento. Do estado, perde para Florianópolis, segunda maior cidade, que ocupa o 49º lugar, com 59,76% de atendimento de esgoto. Quando comparada com municípios com quase o mesmo número de população, a cidade mais populosa de Santa Catarina perde para algumas. Londrina, por exemplo, com 548.249 mil habitantes, está em 9º lugar no ranking e 100% de seus moradores são atendidos pelo tratamento de esgoto. Juiz de Fora presta atendimento a 94,73% de 555.284 mil habitantes. Considerando todas as 100 cidades, apenas 61,40% da população tem coleta de esgoto. Entre as dez melhores e as dez piores cidades no ranking, a diferença de internações e óbitos entre os anos 2007 e 2015 é significativa. Joinville encontra-se 23 posições acima do 90º município. Nas dez melhores, a média de internações por diarreia e leptospirose foi respectivamente de 22.746 e 212. Enquanto nas dez piores foi de 92.338 e 1.124 internações.

 

Por: Bruna Coelho

Foto: Águas de Joinville

Conteúdo original do Primeira Pauta Impresso, edição 143.

 

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