Dezembro Verde e a conscientização sobre o abandono de animais

De acordo com a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, estima-se que entre dezembro e janeiro o abandono de animais aumenta cerca de 30% em Joinville

Por Heloisa Krzeminski

O Dezembro Verde é considerado em todo o Brasil como o mês de conscientização do abandono de animais, que, apesar de ser crime, são 170 mil, entre cães e gatos abandonados, que estão sob o cuidado de ONGs. De acordo com o Instituto Pet Brasil, quase 31 mil deles estão no sul do país.
Em Joinville, a campanha foi instituída pela Lei Complementar número 518, de 10 de dezembro de 2018. Ela tem como objetivo conscientizar a população sobre abandono de animais domésticos, que, de acordo com o secretário do SAMA (Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Joinville), Caio Pires do Amaral, cresce principalmente nos meses de dezembro e janeiro.

 

A Casa da Mama é um espaço de passagem para cães resgatados em situações de maus tratos. Lá, eles podem se recuperar para serem encaminhados para a adoção. A idealizadora da casa, Marli Piekarski, acredita que uma das formas de combater o abandono de animais é por meio da conscientização. Para ela o assunto não ganha o destaque que deveria receber. “Por mais que isso seja falado, ainda é fraco”, disse. “A falta de conscientização vem de longe, as pessoas pensam que os animais são descartáveis.”
A Constituição Federal proíbe práticas que submetam os animais a crueldade, entre elas o abandono. Para o advogado e professor Mauro Cerri, apesar de muitas leis federais contra maus tratos a animais existirem há mais de 20 anos, é inegável a ineficiência do poder público na fiscalização e aplicação das normas. “Por outro lado, com o aumento da importância que a população em geral têm dado aos animais, a cobrança por fiscalização e punição em casos de maus-tratos tem crescido cada vez mais, sobretudo a partir do surgimento das redes sociais”, acredita o advogado especializado em direito animal.

A ONG Abrigo Animal, localizada na Estrada Blumenau, no Vila Nova, promove a conscientização do abandono e maus tratos desde 2001, assumindo o papel de proteger cães e gatos abandonados e maltratados. Além disso, providenciam atendimento veterinário, castração, vacinação e procuram novos lares para esses bichos. Para a organização, resgatar animais da rua é uma forma de combater as práticas repudiadas pela Constituição. “Primeiro, abandono é crime, segundo, nenhum ser indefeso merece ser abandonado à própria sorte”, disse Samara Silva, voluntária da ONG, ao ressaltar os problemas que o abandono ocasiona não só para os cães, mas a todos. “Terceiro, animais abandonados costumam causar acidentes, procriar sem controle e etc.”


É comum que os filhotes sejam adotados com mais facilidade, enquanto os adultos e idosos ficam anos aguardando por um lar, de acordo com Sabrina. Atualmente são cerca de 300 cães e 30 gatos resgatados pelo abrigo, alguns deles conseguiram um lar, mas os familiares voltaram atrás e os devolveram. Como o cão conhecido por Costelinha, que retornou para o abrigo duas vezes depois de ter sido adotado.

No Brasil, a pena para quem abandonar animais é de três meses a um ano de detenção e multa. As denúncias de maus tratos a animais devem ser feitas pela Ouvidoria da Prefeitura (156) e da Polícia Civil (181) ou registrar Boletim de Ocorrência na Segunda Delegacia, no bairro Fátima.

Projeto de apadrinhamento de animais abandonados é alternativa para quem não pode adotar

O projeto Cãofilhado é realizado pelo Abrigo Animal e consiste em um programa de apadrinhamento de cães que foram abandonados e acolhidos pela organização. Por meio dele, cerca de 50 animais idosos recebem auxílio de seus padrinhos e madrinhas para adquirir remédios, pagar consultas veterinárias e despesas em geral. A iniciativa é uma opção para pessoas que gostam de bichos, mas que não podem adotar um.

Jéssica Moresco é madrinha do casal de vira-latas Nemo e Filomena há três meses. Os cachorros tem aproximadamente oito anos e ainda não conseguiram ser adotados por uma família, mas recebem a visita de Jéssica todo mês. Ela presenteia os “afilhados” com mimos e muito carinho, quando os reencontra. “Pra mim esse projeto é muito gratificante”, contou. “Com certeza recomendo ele para outras pessoas. Todos os cães do abrigo precisam de ajuda, principalmente os idosos.”

Depois da morte de sua cachorrinha, Jéssica decidiu apadrinhar os animais para amenizar a dor e a saudade dela. De acordo com a madrinha de Nemo e Filomena, o projeto foi a solução ideal já que não pode adotar outro cão neste momento.

Assim como a Filomena (direita) e o Nemo (esquerda), todos os cães do Abrigo, principalmente os idosos, podem ser apadrinhados.

Para participar do programa é necessário preencher a Ficha de Apadrinhamento que pode ser encontrada no site do Abrigo Animal. Nela, é possível escolher o valor e o período de tempo que deseja contribuir financeiramente com os tratamentos do cão apadrinhado. Além disso, é possível encontrar o nome, a idade e a foto de todos os animais disponíveis do projeto.

 

Fotos: Heloisa Krzeminski
Conteúdo original do Primeira Pauta Impresso, edição 149.

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