Venda de alimentos orgânicos cresce durante o primeiro semestre do ano

Agricultores relatam aumento da procura e lojas estimam aumento de 45% nas vendas

Pesquisa divulgada pela Associação de Promoção de Orgânicos (Organis) aponta que a venda desses produtos aumentou mais de 50% no varejo, nos últimos seis meses. Os orgânicos são frutas, verduras e hortaliças produzidos sem adição de agrotóxicos. Em Joinville, a tendência nacional se confirma. Paula Plodowski, dona do serviço Orgânicos Joinville, afirma que as vendas aumentaram cerca de 45%. Com a opção do serviço de entrega a domicílio, as cestas orgânicas se tornaram uma saída para quem respeitou as medidas de distanciamento social. 

A Orgânicos Joinville é um perfil comercial no Instagram que tem o delivery como serviço principal há quatro anos. Os produtos podem ser adquiridos por pacotes semanais ou mensais. Somente neste ano, a loja fez parcerias com outros comércios e estabeleceu cinco pontos de vendas físicos, onde os produtos podem ser comprados avulsos. 

Já Carla Jane Weber, responsável da loja de alimentação saudável Jequitibá, optou pela montagem de kits para entrega como forma de manter  o rendimento durante a pandemia e notou aumento nas vendas. “O crescimento da popularidade dos orgânicos está relacionada à preocupação com a saúde, dado o cenário atual, e também do aumento da consciência alimentar”, observa Carla. 

O perfil dos clientes das lojas orgânicas é formado por mulheres de 25 a 70 anos, com ensino médio completo e com filhos. Como Maria Elisa Máximo, professora universitária, que opta preferencialmente por alimentos orgânicos há seis anos. Ela adotou esse hábito pela saúde e também pelo bem-estar e aumento de imunidade. “Eu tenho dois filhos pequenos, a minha filha mais nova, por exemplo, eu tentei desde cedo priorizar o consumo de alimentos orgânicos e não processados”, conta a professora.  

Carlos Alberto Noronha do Amaral, gerente da Unidade de Desenvolvimento Rural de Joinville e produtor orgânico, atribui o aumento da procura à preocupação com a saúde. “As pessoas estão mais atentas com aquilo que comem. Cada vez mais escutamos que doenças estão diretamente relacionadas com a nossa alimentação”, afirma, “Existe muito espaço para novos produtores ou a expansão da produção”, completa.

Carlos ainda comenta que os agricultores certificados também perceberam aumento da procura e estão animados com a popularização de seus insumos. Porém, ele avalia que a produção joinvilense é mais baixa que a demanda atual.

Em Joinville, atualmente, há 43 produtores orgânicos certificados pelo Ministério da Agricultura, Pecuário e Abastecimento (Mapa) e mais 80 produtores que participam de grupos na cidade, onde a certificação é feita de forma autônoma por certificadores privados. 

“Precisamos ter certeza da qualidade do alimento e ele não precisa ser só orgânico mas também agroecológico, que não atinge o meio ambiente”, afirma Paula, dona da Orgânicos Joinville. Tanto Paula quanto Carla só repassam produtos que são produzidos de forma certificada. A professora Maria Elisa ressalta que consumir alimentos orgânicos também envolve questões sociais e ambientais, que é importante saber quem produz e de que forma produz aquele insumo. 

Os agrotóxicos

Agrotóxicos são substâncias sintéticas que são utilizados no cultivo de frutas, verduras e hortaliças para evitar pragas e doenças. Em curto prazo, não causa nenhum problema à saúde de quem consome, porém, em grandes quantidades ao longo dos anos, pode acarretar doenças. Além disso, o uso indiscriminado atinge a biosfera e mata milhares de insetos e pequenos animais. Somente em 2019, 475 novos defensivos foram aprovados pelo governo e neste ano, só nos primeiros cinco meses, 150 novos agrotóxicos foram registrados.

Repórter: Nadine Quandt
Foto: Arquivo pessoal Paula Plodowski

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