Escola João Bernardino reúne esforços e estreia coral remoto

Professores gravaram guias de ensaio e juntaram dinheiro para pagar a edição do vídeo

Recentemente, o coral da escola João Bernardino, localizada no bairro João Costa, zona sul de Joinville, fez uma apresentação remota no Youtube. Por causa do isolamento social, cada aluno tocou um instrumento e soltou a voz em casa. Isso não os impediu de dar um show: o resultado é uma performance de encher os ouvidos.

À primeira vista, parece que a apresentação da música Mulher Rendeira foi feita ao vivo, mas não foi bem assim: cada aluno gravou uma voz e um instrumento separadamente. A professora do coral, Michele Priscila Mohr, gravou vozes guia e enviou para cada aluno cantar e tocar de forma sincronizada. O resultado final, com todas as vozes e instrumentos juntos, veio de um árduo trabalho de edição. “A gente pagou um profissional para fazer a edição. Os professores ajudaram, cada um deu uma quantia”, conta a professora.

A ideia do vídeo é inspirada em outros corais que fizeram vídeos nesse formato. Mas não foi fácil: o processo de ensaio e produção durou cerca de 2 meses e os alunos já ensaiavam a música antes da pandemia. E o coral da escola João Bernardino não para por aí: o próximo vídeo já está em produção. Dessa vez, a música escolhida foi a internacional Stand By Me.

Meu primeiro violino

Além do coral, outro projeto cultural que faz sucesso na escola JB é o Meu Primeiro Violino. Coordenado pelo professor Pedro Mickucz, o projeto consiste em aulas de violino gratuitas para os alunos. Quando começou, em 2012, Pedro precisava correr atrás de jovens que estivessem interessados. “Eles não conheciam realmente. Achavam que era música tradicional, clássica, então eu tinha que convencer”, conta. Hoje, 8 anos depois, é necessário um processo seletivo, pois muitos alunos querem participar. “O JB virou uma referência musical na cidade”, afirma o professor.

Os dois projetos – Meu Primeiro Violino e Coral JB – são como melodia e harmonia, andam de mãos dadas. Esse crossover já rendeu apresentações até na Sociedade Harmonia Lyra e no Teatro Juarez Machado. O frio na barriga, entretanto, vem mais no professor do que nos alunos. Pedro conta que, antes de subir no palco, a tensão vem. De vez em quando, são até necessárias algumas broncas para que os pequenos violinistas tomem suas posições. “A Michele é a mãezona e eu sou o pai bravo”, brinca o professor.

No momento, o Meu Primeiro Violino está parado devido à carga horária do professor, que dá aula em outras escolas. Mas a ansiedade para voltar é grande. “Eu defendo muito esse projeto. É o projeto da minha vida”, afirma Pedro. Ele frisa a importância de ver os alunos da escola pública ocupando espaços como a Sociedade Harmonia Lyra, que era restrita à elite há algum tempo. “Já ouvi algumas coisas ofensivas, dizendo que eu deveria ir para outros lugares [escolas particulares], como se os meus alunos de escola pública não merecessem meu projeto”, conta. “Pessoas que têm mais condições não dão tanto valor quanto essas crianças.”

Pedro conta que já deu aulas em conservatórios particulares, mas a empolgação não é a mesma, pois muitos alunos não possuem real interesse em aprender os instrumentos. Na verdade, são comuns as matrículas apenas por exigência dos pais. Na escola pública, os alunos abraçam os projetos, pois não possuem a mesma oportunidade fora dali.

Reportagem: Guilherme Martins Rosa
Foto: Guilherme Martins Rosa
Conteúdo produzido para o Primeira Pauta Digital | Disciplina Jornal Laboratório I, 4ª fase/2020.

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