São Bento do Sul tem número recorde de candidatos à prefeitura

São seis concorrentes disputando as eleições de 2020, maior número desde 1992

Pela primeira vez na história de São Bento do Sul, tantos candidatos a prefeito disputam as eleições: são seis candidatos ao todo. Até então, o ano com maior número de candidatos era 1992, com cinco candidatos.

Concorrem nessa eleição Magno Bollmann (PP), que tenta a reeleição, e seus adversários: Antonio Tomazini (PSDB), Edimar Salomon (Pros), Ismar Becker (PSD), Nivaldo Bogo (Pode) e Tadeu do Nascimento (PT). Entre as principais propostas, é possível notar o interesse por uma nova gestão pública, novos investimentos econômicos e a luta por uma cidade mais democrática.

Magno Bollmann, do Partido Progressistas (PP), em coligação com o DEM e o PDT, pretende ampliar o número de mulheres em cargos de primeiro escalão e dar espaço para elas contribuírem de forma consistente para o crescimento da cidade, diminuir o número de cargos comissionados e buscar mais investimentos para o município.

O candidato Antonio Tomazini, do PSDB, coligado com o PL e Cidadania, visa transformar o município em um lugar inclusivo, participativo, digital e pensado para o cidadão a longo prazo. Segundo Tomazini, o objetivo é deixar a cidade cada vez melhor e, principalmente, com uma saúde que funcione para todos. Por isso, a principal frente de trabalho será na área da saúde, pois ele acredita que São Bento do Sul enfrenta graves problemas por falta de diálogo da Prefeitura com o hospital, com os médicos e também por falta de investimentos em infraestrutura e tecnologia. “Vamos transformar São Bento do Sul em um polo de saúde e atender nossos pacientes aqui, sem precisar encaminhá-los a outros municípios para exames e consultas”, assegura.

Ele também fala sobre mudanças na área da educação: quer integrar novas disciplinas à rede municipal de ensino, no contra turno escolar, dando estrutura e treinamentos para os professores inovarem em seus conteúdos. “Outro compromisso importante é no desenvolvimento econômico. Queremos buscar novas empresas e setores para diversificar e potencializar nossa economia”, destaca.

O candidato Ismar Becker, do Partido Social Democrático (PSD), coligado ao MDB, PSC e PSL, possui cinco pilares como propostas para o município: saúde (prevenir é melhor do que curar), educação (jovens preparados para a nova economia), social (cuidar de quem mais precisa), gestão (fazer mais e melhor com menos) e planejamento (planos para 30 anos, não para um mandato).

O candidato Edimar Salomon, do Partido Republicano da Ordem Social (Pros), em chapa pura, busca uma mudança com transparência para promover a participação de todos. De acordo com Salomon, o modelo de gestão implantado será focado no desenvolvimento de instrumentos de planejamento, rigoroso acompanhamento de metas e igualmente sustentado sobre uma forte disciplina de execução, meritocracia e conhecimento técnico em cada área. “Nas nossas conversas com a população, construímos o nosso plano de governo, que é uma peça em mutação, para que possamos atender todas as realidades em cada região do município”, salienta.

O candidato Nivaldo Bogo do Partido Podemos (Pode), chapa pura, propõe uma administração jovem e experiente, com uma administração responsável e competente, na qual a voz da população será ouvida e com foco na gestão pública de excelência e na busca constante do desenvolvimento sustentável. Ele acredita que, quando há preparo e convicção de fazer a diferença para a população, é necessário dar um passo adiante “Após anos de preparação e atividades em prol do município, percebi que era possível fazer mais. É preciso renovar. Mudar conceitos. É preciso eficiência de gestão”, defende Nivaldo.

O candidato Tadeu do Nascimento, do Partido dos Trabalhadores (PT), também em chapa pura, planeja uma gestão democrática, popular, participativa e digital para fazer uma cidade administrada democraticamente, cuidar das pessoas e realizar a mudança de verdade com democracia e o povo no poder. Como principal “bandeira”, buscará a “Implantação do Programa Orçamento Participativo”, no qual todos os habitantes de São Bento do Sul poderão decidir juntamente onde serão aplicados os recursos do município. 

Alianças políticas

Para Antonio, a busca pelo rompimento do ciclo de alternância de poder em São Bento do Sul, onde dois partidos se revezam na administração municipal há 40 anos, fez com que se unisse a outros dois partidos, Partido Liberal e Cidadania. Ele ainda disse que não acredita em acordos políticos e nem em lotear cargos públicos em nome de votos, mas sim, em profissionais de carreira e técnicos nos cargos de confiança. “Essa aliança pela ‘mudança’ surge da inquietação de homens e mulheres que buscam transformar São Bento do Sul”, ressalta.

Já Nivaldo entende que, com a coligação partidária, terá mais pessoas para firmar compromisso, o que prejudica a administração e, com isso, o número de funcionários comissionados aumenta. “Nós decidimos ir de chapa pura para não ter amarras políticas. Queremos diminuir o número de indicados políticos, caso o partido logre êxito nesta eleição, e também queremos diminuir o número de cargos comissionados, não aumentar”, frisa.

Edimar acredita que é preciso dar uma chance ao eleitor são-bentense de poder escolher um candidato que não está preso a alianças políticas, que depois não precise distribuir cargos para construir o governo. “Por outro lado, também entendemos que a nossa grande aliança é com o eleitor, com ele vamos vencer e com ele vamos governar.”

Campanhas eleitorais

Devido a pandemia do novo coronavírus, os partidos e candidatos tiveram que se reinventar e modernizar a maneira de fazer campanhas eleitorais. Apesar de uma grande rejeição por parte da população, essas mudanças são necessárias para manter o protocolo de precaução seguido desde o início da pandemia, como o uso de máscaras, evitar aglomerações e aperto de mãos. “Estamos seguindo todas as normativas impostas pela Justiça Eleitoral e os decretos estadual e municipal. Todo nosso pessoal está ciente da importância de medidas de contenção do Covid-19. Prevenção sempre”, afirma Bogo.

Tomazini também cumpre as medidas de segurança e evita aglomerações, estimulando seus apoiadores e equipe a preservarem a vida. “Mas também gosto de estar em contato direto com a população, e construir nosso plano de governo com base nas ideias e projetos que surgem das conversamos olho no olho. Por isso, com todo cuidado, estou realizando algumas visitas e indo aos bairros diariamente”, conta.

Apesar de ser uma campanha diferente de todas as outras já vivenciadas e tendo uma certa dificuldade em levar as propostas a cada eleitor, com as mídias sociais em alta e ganhando cada vez mais espaço, se tornou fácil a divulgação das ações dos candidatos. “Estamos na era digital, em que nossas ideias podem facilmente chegar ao eleitor na palma da mão através de um smartphone. Acredito que os homens públicos também devem evoluir e estarem presentes onde suas comunidades estão, inclusive online”, conclui Tomazini.

Para Salomon, que já utilizava as redes sociais antes da pandemia para divulgar suas ações, a campanha eleitoral pode ser prejudicada por conta da pandemia. “O período eleitoral é curto, e não facilita a nossa possibilidade de visitas junto ao eleitor”, acredita.

Expectativas

Com a campanha eleitoral iniciada, as expectativas dos candidatos são grandes. Salomon espera uma eleição com muito diálogo, tolerância e respeito, onde todos os candidatos e candidatas entendam que é apenas um momento eleitoral, e que interesses pessoais não sejam colocados em discussão. “Espero também que cada eleitor saiba avaliar seu candidato, que busque informações sobre o passado, o presente e o que pretende esse candidato caso eleito no futuro. Por isso, entendo que o Plano 90 é de suma importância, construímos ali um “raio xis” de toda nossa ação”, enfatiza.

Tomazini espera que o eleitor esteja seguro de suas decisões. “Espero que a verdade sempre prevaleça às fake news, e a vontade da população e a democracia sejam sempre soberanas às intrigas e às conspirações políticas que só interessam a poucos políticos de carreira, que não aceitam perder privilégios. Vamos nos unir, olhar para o futuro e promover a transformação social que queremos”, reforça. Nivaldo diz estar esperançoso. “O Podemos é um partido menor, porém, com pessoas altamente qualificadas. O povo quer mudança”, afirma. 

Cinco dos seis candidatos possuem vínculo com a política em eleições anteriores

A maioria dos candidatos a prefeito nas eleições de 2020 de São Bento do Sul já possui uma relação antiga com a política. Magno Bollmann, Antonio Tomazini, Edimar Salomon, Nivaldo Bogo e Tadeu do Nascimento, em algum momento já se candidataram a vereador ou a prefeito, e se elegeram em alguns cargos.

Magno foi vereador por dois mandatos na cidade e se elegeu, pela primeira vez, como prefeito nas eleições de 2008, e ficou no mandato de 2009 a 2012. Como tentou a reeleição em 2012 e não ganhou, voltou a se candidatar em 2016, onde ganhou e está até hoje no comando da prefeitura.

Antonio concorreu para o cargo de vereador em 2008 e ganhou. Chegou a se candidatar a vice-prefeito em 2012, e em 2016 a prefeito, mas não se elegeu em nenhuma das duas vezes. Em abril deste ano, Tomazini foi condenado a devolver 332 mil reais aos cofre público por falso ponto, devido a uma investigação que ocorreu há dois anos na cidade sobre médicos que batiam o cartão e após isso saiam dos locais de trabalho.

Tomazini alega que foi vítima de uma perseguição política por parte do atual prefeito, que por revanchismo, promoveu um processo administrativo. Ele afirma que essa denúncia ocorreu de forma injusta para expulsá-lo do serviço público após 30 anos de trabalho, sendo que no processo constam todas as provas de que cumpriu os acordos estabelecidos. “Infelizmente ainda vemos a velha política presente em nossa cidade, mas graças a Deus a justiça está sendo feita e através de decisão judicial sou candidato a prefeito, e com a ajuda da população poderei quebrar esse ciclo vicioso em São Bento do Sul”, declara. Ele acredita que isso não afetará sua campanha eleitoral. “As pessoas já estão mais críticas e buscam informações de credibilidade para tomar sua decisão nas urnas e confio no discernimento do cidadão para poder realizar a mudança que esperamos em São Bento do Sul.”

Salomon foi eleito sete vezes vereador e três vezes presidente da Câmara Municipal, assumindo também o cargo de presidente da Câmara quando estava no exercício da vice-presidência. Além de trabalhar como secretário de obras, infraestrutura, agricultura, meio ambiente e de governo. Ele conta que foi convidado pela direção estadual do Pros para filiar-se ao partido. “Depois de tantos anos militando na política entendemos que chegou a hora de contribuir muito mais, e o Executivo nos permite além de legislar, criarmos políticas públicas que contribuam para melhorar a vida das pessoas”, explica.

Nivaldo está na política de São Bento do Sul desde as eleições de 2012, quando foi eleito vereador, cargo para o qual foi reeleito em 2016. “Fui vereador por dois mandatos, e sei que com pulso firme e ações planejadas é possível fazer mais para a população”, ressalta.

Tadeu ganhou as eleições de 2000 e 2008 como vereador, e disputou as eleições de 1998 a 2010 para deputado estadual, ficando com o cargo de suplente. Até o fechamento da matéria, os candidatos Ismar Becker, Magno Bollmann e Tadeu do Nascimento não se pronunciaram.

Reportagem: Aline Cristiane dos Santos

Arte: Kevin Eduardo da Silva

Conteúdo produzido para o Primeira Pauta Digital | Disciplina Jornal Laboratório I, 4ª fase/2020

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