Isolamento social não regrediu o desempenho das pessoas

Neste período, as pessoas se reinventaram para não deixar as atividades físicas de lado

Com a pandemia do novo coronavírus, os atletas tiveram que se adaptar e realizar parte dos exercícios físicos em suas casas, de forma limitada, mas com segurança. Alguns atletas resolvem continuar no ambiente tradicional da academia, enquanto outros correm nas calçadas de máscaras, descumprindo as medidas sanitárias.

O enfermeiro David Willian Sperber Sell afirma que correr com máscara pode sobrecarregar o funcionamento dos pulmões, pois eles estão trabalhando com mais força e recebendo menos oxigênio. Essa atitude pode causar hipóxia, hipoxemia, falta de oxigênio tecidual, falta de oxigênio no sangue, síncopes e entre outros problemas. “As pessoas devem entender os seus limites e seu bem-estar, não extrapolando eles”, comenta.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) não recomenda o uso de máscaras durante a prática de exercícios, pois as pessoas ficam mais ofegantes e a respiração desconfortável. A entidade alertou que o suor pode molhar a máscara, dificultando a respiração e promovendo o crescimento de micro-organismos. 

Embora haja riscos em praticar exercícios neste período, o corpo não pode ficar parado. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) aponta que praticar 150 minutos de atividades físicas por semana reduz em 34% o risco de internação por COVID-19.

David adverte que a falta de exercícios físicos também traz problemas, como doenças cardiovasculares hipertensão, angina, arteriosclerose, levando até mesmo a um possível AVC ou infarto; diabetes tipo II, obesidade, fadiga. 

Sedentarismo na pandemia

O isolamento social fez o nível de sedentarismo no Brasil aumentar com a falta de atividades físicas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70% das pessoas do mundo são sedentárias e 54% das causas de infartos são por falta de atividade física. (hiperlink-  

O enfermeiro Andriel Vinícios Cardoso indica aos sedentários começar a praticar atividade físicas o mais rápido possível, juntamente com uma alimentação correta, pois, o quanto antes começar, mais problemas podem ser evitados no futuro.

As diferenças dos praticantes de exercícios e dos não praticantes costumam ficar evidentes. “A aparência física é notável, pessoas que praticam atividade física tendem a ter menos alterações nos exames laboratoriais”, diz.

A personal trainer Ana Caroline Mateus faz recomendações aos sedentários.

Na academia onde trabalha, Ana pratica musculação quatro vezes por semana e joga vôlei desde os dez anos de idade. Ela chegou a jogar no profissional, mas optou por largar o esporte para se graduar em Educação física.

Para Ana, as pessoas que treinam estão menos propícias a desenvolver qualquer tipo de doença, conseguindo ser mais fortes e mais velozes. As que não treinam adotam hábitos ruins para o corpo, podendo entrar em uma fase de sobrepeso e até obesidade. “O ideal é não parar drasticamente de treinar, para não perder o rendimento e o desempenho, assim vai reduzir as capacidades físicas que acaba ganhando durante a prática”, indica a personal trainer.

Riscos e benefícios no esporte

Neste período, a prática das atividades físicas devem ser feitas para manter o corpo sempre em movimento. Porém, deve se pensar nos riscos de acidentes, lesões e contusões.

Para o profissional de Educação Física Matheus Rodrigues todo esporte tem seu risco. Os atletas vivem ultrapassando seus limites físicos, afinal, essa é a atração principal. “Esportes que provocam um risco na vida das pessoas são os mais perigosos. Exemplos são Highline, Bang Jumping e Fórmula 1”. Para ele, os menos arriscados são tênis, futebol e vôlei. Por outro lado, ressalta os riscos de lesões pela repetição, intensidade e execução. Rodrigues afirma que exercícios de treinamento resistido ajudam na manutenção dos ossos e músculos, emagrecimento e melhora do sono. Porém, a prática de exercícios em excesso pode provocar alguns problemas no corpo.

O professor de taekwondo Jean Cristiano dos Santos, 50 anos, diz que esse excesso pode levar a pessoa a sentir fadiga, cansaço e dores musculares. “Em atletas de rendimento é “normal” haver lesões musculares, bem como articulares e ósseos. O mesmo pode acontecer com pessoas sem experiência, que resolvem fazer alguma atividade sem as devidas orientações”, comenta.

Para Jean, as atividades como yoga, pilates e tai chi chuan são seguras porque promovem um equilíbrio entre corpo e mente. Em relação aos mais perigosos, ele afirma ser o MMA, por promover o contato total entre seus lutadores e causar lesões com possibilidade de ser fatal.

Reportagem: Arthur Lincoln Foto: Ana Caroline Mateus

Conteúdo produzido para o Primeira Pauta Digital | Disciplinas de Jornal Laboratório I e Jornalismo Digital, 4ª fase/2020

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