Para que o surfe continuasse a ser praticado mesmo em tempos de pandemia, a Federação Catarinense de Surf, Fecasurf, realizou sua primeira etapa em formato virtual da história. O projeto, que conta com o nome de Surf Talentos Oceano, patrocinado pela empresa joinvilense de roupas Oceano, teve início em junho e conheceu seus campeões em agosto. Por ser a distância, atletas de todo Brasil puderam entrar na disputa.

Mas você deve estar se perguntando como pode acontecer uma etapa de surfe não sendo presencial. De acordo com o regulamento, os participantes poderiam ir a qualquer lugar do Brasil em que houvesse boas condições para a prática do esporte. Com isso, as oito melhores ondas de cada atleta, com comprovação de data e local, foram enviadas, em vídeo, aos juízes da Fecasurf, que julgavam os desempenhos.

A competição seguiu neste formato: duas ondas analisadas na primeira fase, duas nas quartas-de-final, duas para a semifinal e duas para a grande final. Os melhores de cada confronto avançaram até ser definido o campeão.

A etapa contou com a participação nas categorias sub-10 (masculino), sub- 12 (masculino e feminino), sub-14 (masculino e feminino), sub-16 (masculino) e sub-18 (masculino e feminino).

Os surfistas, além de ter um bom desempenho dentro da água, precisavam trabalhar em conjunto com o filmamaker, profissional responsável pelas gravações. A qualidade e o entrosamento entre os dois era fundamental para conquistar o título. Em tempos normais, competições de surfe movimentam todo o mundo e sempre contam com um grande número de pessoas na praia. Neste formato, apenas atleta, técnico e filmamaker participam, mantendo o distanciamento e evitando as aglomerações.

Para o árbitro e técnico da Seleção Brasileira de surf, o barrassulense Balu Schroeder, a competição foi um sucesso. “Foi uma experiência muito boa. Recebemos as ondas e analisamos em casa. Foi show. Com certeza é um evento que veio para ficar.”

Oito surfistas entraram para a história e se tornaram os primeiros campeões virtuais em um circuito da Fecasurf: Luã Silveira e Laura Raupp (sub-18), Léo Casal (sub-16), Gabriel Ogasahara e Nairê Marquez (sub-14), Anuah Chiah e Laura Mandelli (sub-12) e Arthur Vilar (sub-10) foram os vencedores.

Prodígio do surfe catarinense avalia novo formato

O atleta Luiz Mendes, 18, não conquistou o pódio na competição virtual, mas já coleciona outros títulos. Ele foi campeão brasileiro na categoria sub-14 em 2017 e é tetracampeão catarinense. Mendes comentou que a competição virtual vem mantendo o nível dos atletas mesmo com as competições presenciais paradas. “Está sendo legal, a etapa está puxando o nível dos competidores. Mas eu espero que volte tudo ao normal logo, como era antes”, disse.

Mesmo com a competição rolando, a questão psicológica afetou um pouco, pois havia uma grande expectativa para 2020. “Todo atleta tinha metas para alcançar. A pandemia adiou tudo. Mas pelo lado bom, tivemos mais tempo para treinar e aproveitar a família”, finalizou Luiz.

Ex-morador de Barra do Sul, Luiz é uma das promessas do surfe do norte-catarinense, por muitas vezes representando a Seleção Brasileiro de base fora do país. Buscando melhores condições, o surfista mudou-se para Florianópolis, e suas gravações para o campeonato foram feitas por lá, principalmente na praia da Joaquina, mundialmente conhecida pela qualidade e regularidade de suas ondas.

Repórter: Gustavo Mejía
Foto: Marcio Davis
Conteúdo produzido para o Primeira Pauta Digital | Disciplina Jornal Laboratório I, 4ª fase/2020.

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