Relação também diminui sintomas de doenças agravadas pelo isolamento social como depressão e ansiedade

Ficar muito tempo isolado, sem o convívio social, pode trazer consequências negativas, mesmo essa sendo a única maneira de conter o avanço da Covid-19. Uma pesquisa realizada pela Universidade do Rio de Janeiro (Uerj) no primeiro semestre deste ano mostrou que os índices de depressão dobraram na quarentena. E os casos de ansiedade e estresse, em pessoas, aumentaram em 80%.

Uma das maneiras de evitar esses problemas é dividir o lar com um animal de estimação durante o período de isolamento. O convívio com animais ajuda a combater problemas psiquiátricos e a suportar o luto e a solidão.

Pequenos companheiros

Judite é pequena, seu pelo é uma mistura das cores amarelo, branco e preto. Aliás, ela tem um belo bigode. A cachorra foi adotada em agosto deste ano, pela estudante de psicologia Leticia Delfino Nunes, 21. “Eu fico o dia todo em casa. Trabalho em home office durante a tarde, e à noite tenho aula online. Por causa do isolamento, me sinto muito sozinha no dia a dia. Então, Judite me faz muita companhia”, contou a acadêmica.

Leticia já tinha a pretensão de adotar um animal há algum tempo, pois sentia falta desse convívio. Mas a morte de Kiara, cachorra que acompanhou sua família há 13 anos, fez com que a decisão de adotar fosse postergada. “Eu e minha mãe demoramos muito para superar. Na época, não queríamos mais adotar.”

Porém, tudo mudou quando a estudante passou a conviver frequentemente com as cadelas e o gato do namorado. Por causa disso, ela relembrou como era bom conviver com animais. Com a pandemia, ela tomou a decisão de adotar. “Ficando o dia todo em casa, eu percebi que esse era o melhor momento para adotar, porque poderia dar mais atenção nesse período de adaptação até ela (Judite) se acostumar com a casa”, explicou.

Leticia encontrou Judite na ONG de animais Garra Joinville. A intituição, que existe há quatro meses, já recolheu 122 animais até o momento. Desse total, 68 foram adotados.

“Resolvemos adotar um gatinho nesse período por dois motivos: primeiro, teríamos mais tempo para nos dedicarmos ao novo membro da família. Segundo, precisávamos de algo a mais para que os nossos dias fossem menos angustiantes”, contou o assessor de marketing Mario Daniel Pereira, 55. Ele e a família também decidiram adotar um animal durante a pandemia. Em casa, já tinham quatro cachorros e optaram por ampliar a família. Um dos principais motivos que levaram a essa adoção foi a filha de Mario, Vitória. “Diante da pandemia, minha filha estava muito ociosa e se aproximando de um quadro de depressão”, contou.

De acordo com o psicólogo Hudelson dos Passos, especialista em neuropsicologia, os animais de estimação podem oferecer distração, afeto e outros benefícios durante o isolamento, minimizando os impactos da pandemia à saúde mental. Além disso, ele explica que esse convívio pode trazer sensações semelhantes àquelas produzidas por hormônios como a serotonina, endorfina e oxitocina. “Essas substâncias são sintetizadas a partir do consumo de alimentos e outros processos fisiológicos, mas sua liberação provoca sensações de prazer, bem estar, alegria e amor. A convivência com animais pode propiciar essas sensações e, desta forma, agir de maneira protetiva à saúde mental das pessoas”, explicou. O psicólogo, assim com os outros entrevistados, também adotou animais durante o período de isolamento.

A maioria dos abrigos de animais permanecem abertos durante a pandemia. Caso deseje adotar, atente-se às normas e requisitos necessários.

Reportagem: Kevin Eduardo 
Foto: Kevin Eduardo
Conteúdo produzido para o Primeira Pauta Digital | Disciplina Jornal Laboratório I, 4ª fase/2020.

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