{"id":15268,"date":"2026-09-10T16:18:42","date_gmt":"2026-09-10T19:18:42","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=15268"},"modified":"2026-09-15T12:51:29","modified_gmt":"2026-09-15T15:51:29","slug":"falta-de-moradia-dificulta-saida-de-mulheres-de-situacoes-de-violencia-em-joinville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2026\/09\/10\/falta-de-moradia-dificulta-saida-de-mulheres-de-situacoes-de-violencia-em-joinville\/","title":{"rendered":"Falta de moradia dificulta sa\u00edda de mulheres de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia em Joinville"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Al\u00e9m da prote\u00e7\u00e3o contra o agressor, v\u00edtimas precisam de renda, documentos, cuidado com os filhos e apoio para reconstruir a vida<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A den\u00fancia n\u00e3o \u00e9 o fim da hist\u00f3ria. Deixar uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia pode significar abandonar a pr\u00f3pria casa sem saber onde ser\u00e1 a pr\u00f3xima noite. Para algumas mulheres, romper com o agressor envolve tamb\u00e9m proteger os filhos, encontrar uma fonte de renda, recuperar documentos e construir uma rotina longe de quem representa amea\u00e7a. Denunciar pode ser apenas o primeiro passo de uma trajet\u00f3ria que ainda envolve uma pergunta b\u00e1sica: para onde ir depois?\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <strong>Joinville<\/strong>, existe uma estrutura p\u00fablica destinada ao momento de fuga quando o caso \u00e9 extremo. A <strong>Casa Abrigo Viva Rosa<\/strong>, servi\u00e7o da Secretaria de Assist\u00eancia Social, <strong>oferece prote\u00e7\u00e3o e moradia sigilosa para mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar com risco de morte, acompanhadas ou n\u00e3o dos filhos<\/strong>. A nova sede, inaugurada em julho deste ano, tem capacidade para 24 vagas e recebeu investimento de cerca de R$ 1,8 milh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a Prefeitura, a unidade atendeu 63 mulheres e mais de 70 crian\u00e7as e adolescentes em 2025. Isso n\u00e3o significa que todas tenham precisado do abrigo simultaneamente, mas mostram que o servi\u00e7o recebe um fluxo que vai al\u00e9m da sua capacidade f\u00edsica em um \u00fanico momento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a advogada <strong>Ana Paula Nunes<\/strong>, que atua com casos de <strong>viol\u00eancia contra mulheres em Joinville<\/strong>, romper com o agressor n\u00e3o significa necessariamente encontrar prote\u00e7\u00e3o, o julgamento social ainda \u00e9 um dos obst\u00e1culos enfrentados pelas v\u00edtimas. A mulher que decide denunciar pode continuar sendo responsabilizada pela viol\u00eancia que sofreu, dificultando a ruptura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na avalia\u00e7\u00e3o da advogada, tamb\u00e9m falta articula\u00e7\u00e3o entre os diferentes servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o. Ela cita como refer\u00eancia a <strong>Casa da Mulher Brasileira<\/strong>, modelo que re\u00fane em um mesmo espa\u00e7o servi\u00e7os relacionados \u00e0 den\u00fancia, documenta\u00e7\u00e3o, atendimento m\u00e9dico, busca por trabalho, transfer\u00eancia escolar de filhos e medidas protetivas, evitando que a v\u00edtima precise reconstruir sua hist\u00f3ria diante de diferentes \u00f3rg\u00e3os.\u00a0\u201cIsso \u00e9 trabalhar em rede. Isso \u00e9 efetivar de fato a prote\u00e7\u00e3o dessa mulher\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A moradia aparece como uma das principais dificuldades. Uma mulher que deixa a casa onde sofreu viol\u00eancia pode n\u00e3o ter renda para pagar outro aluguel, precisar cuidar dos filhos e n\u00e3o contar com familiares capazes de receb\u00ea-la. Por isso, a especialista defende pol\u00edticas que combinem prote\u00e7\u00e3o e autonomia, como aux\u00edlio-aluguel, acesso ao trabalho e servi\u00e7os de cuidado para os filhos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mulheres criam casa para acolhimento de forma independente<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1600\" height=\"1066\" src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-14-at-15.34.06.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15270\" srcset=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-14-at-15.34.06.jpeg 1600w, https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-14-at-15.34.06-1536x1023.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Durante Sarau de mulheres diversos jovens se re\u00fanem na casa de acolhimento Elvira Boni em demonstra\u00e7\u00e3o de apoio ao movimento<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Na Ocupa\u00e7\u00e3o Elvira Boni surgiu o Movimento de Mulheres Olga Ben\u00e1rio<\/strong>. A coordenadora do movimento em Santa Catarina, <strong>Lu\u00edsa Scheibe Wolff<\/strong>, relata que as integrantes come\u00e7aram a acolher mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia que n\u00e3o tinham para onde ir. \u201cEu j\u00e1 cheguei a acolher na minha casa uma companheira que sofreu viol\u00eancia. E n\u00e3o \u00e9 seguro isso porque o homem vem atr\u00e1s\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia, segundo a coordenadora, ajudou a transformar situa\u00e7\u00f5es individuais em uma reivindica\u00e7\u00e3o coletiva: criar um espa\u00e7o onde mulheres pudessem encontrar acolhimento quando n\u00e3o tivessem outro lugar para ficar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta deu origem \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de um im\u00f3vel da Uni\u00e3o, na Rua Aquidaban, que o movimento pretende transformar em uma <strong>Casa de Refer\u00eancia da Mulher Oper\u00e1ria<\/strong>. A coordenadora conta que mais de cem mulheres j\u00e1 passaram pelo espa\u00e7o desde o in\u00edcio das atividades e entre 25 a 30 participam diariamente da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrutura \u00e9 mantida por trabalho volunt\u00e1rio e doa\u00e7\u00f5es, sem financiamento p\u00fablico. Enquanto o Viva Rosa \u00e9 uma pol\u00edtica p\u00fablica institucionalizada, destinada a situa\u00e7\u00f5es de risco de morte; a Elvira Boni \u00e9 uma iniciativa de movimento social ainda em estrutura\u00e7\u00e3o que procura ajudar mulheres antes que se torne um problema maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Disputa judicial pela casa de acolhimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta da ocupa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, foi esbarrada. O pr\u00e9dio pertence \u00e0 Uni\u00e3o e a entrada do movimento levou o caso \u00e0 Justi\u00e7a Federal. Ap\u00f3s uma decis\u00e3o inicial de devolver a posse para o propriet\u00e1rio, novas negocia\u00e7\u00f5es passaram a discutir a perman\u00eancia do grupo e a destina\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o <strong>Movimento Olga Ben\u00e1rio<\/strong>, o im\u00f3vel estava sem utiliza\u00e7\u00e3o e poderia cumprir uma fun\u00e7\u00e3o social como espa\u00e7o de acolhimento. A posi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 de discuss\u00e3o popular e n\u00e3o substitui decis\u00e3o judicial sobre o caso. A preocupa\u00e7\u00e3o do grupo \u00e9 o destino das mulheres que procuram o abrigo.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As experi\u00eancias relatadas pela advogada e pela coordenadora do movimento se encontram nesse ponto. Uma fala a partir da advocacia; a outra, de um grupo que passou a acolher mulheres antes mesmo de possuir uma estrutura pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambas apontam para o mesmo intervalo: a prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o termina com a den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reportagem questionou a Secretaria de Assist\u00eancia Social sobre a capacidade da rede, o fluxo de ocupa\u00e7\u00e3o do Viva Rosa e os encaminhamentos realizados quando o servi\u00e7o n\u00e3o pode acolher uma mulher. At\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve resposta.<\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m da prote\u00e7\u00e3o contra o agressor, v\u00edtimas precisam de renda, documentos, cuidado com os filhos e apoio para reconstruir a vida A den\u00fancia n\u00e3o \u00e9 o fim da hist\u00f3ria. Deixar uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia pode significar abandonar a pr\u00f3pria casa sem saber onde ser\u00e1 a pr\u00f3xima noite. 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