{"id":15633,"date":"2026-09-28T22:05:17","date_gmt":"2026-09-29T01:05:17","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=15633"},"modified":"2026-10-21T10:25:56","modified_gmt":"2026-10-21T13:25:56","slug":"origem-como-alvo-migrantes-enfrentam-acusacoes-sobre-violencia-sem-evidencias-em-joinville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2026\/09\/28\/origem-como-alvo-migrantes-enfrentam-acusacoes-sobre-violencia-sem-evidencias-em-joinville\/","title":{"rendered":"Origem como alvo: migrantes enfrentam acusa\u00e7\u00f5es sobre viol\u00eancia sem evid\u00eancias em Joinville"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Dados de seguran\u00e7a n\u00e3o sustentam associa\u00e7\u00e3o entre migra\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia na cidade\u00a0<br><\/em><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cerca de <strong>34 mil migrantes do Norte e Nordeste escolheram Joinville para morar de forma cont\u00ednua na \u00faltima d\u00e9cada, conforme aponta o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) em 2022<\/strong>. O fluxo migrat\u00f3rio tamb\u00e9m \u00e9 acompanhado por relatos de xenofobia e discursos que associam a chegada de nordestinos e nortistas ao aumento da criminalidade, sem base em evid\u00eancias estat\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Na sondagem aplicada pelo Primeira Pauta com 13 migrantes nortistas e nordestinos residentes em Joinville refor\u00e7a esse cen\u00e1rio de tens\u00e3o silenciosa<\/strong>. Embora o n\u00famero de participantes n\u00e3o represente estatisticamente a popula\u00e7\u00e3o migrante, os relatos ajudam a ilustrar situa\u00e7\u00f5es de preconceito vivenciadas por eles. A grande maioria (10\/13) veio para a cidade em busca de trabalho, visto que a regi\u00e3o \u00e9 conhecida por ser o polo industrial de Santa Catarina. Apesar de estarem inseridos no mercado local, os moradores relatam um cotidiano marcado por preconceito, 11 deles afirmam ter sofrido discrimina\u00e7\u00e3o por causa do sotaque, dos h\u00e1bitos ou da forma de agir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Todos os entrevistados relataram que j\u00e1 leram ou ouviram, nas redes sociais, coment\u00e1rios que associam a chegada de migrantes nortistas ao aumento da viol\u00eancia em Joinville<\/strong>. \u201cExistem muitos coment\u00e1rios de joinvilenses dizendo que quem veio de fora deveria voltar para o seu estado se sente falta de l\u00e1, da pr\u00f3pria cultura e dos costumes, ou falando como se determinadas pessoas fossem donas da cidade\u201d, comenta Isabela da Silva (nome alterado a pedido do entrevistado). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a desconfian\u00e7a ultrapassa as telas, dez dos participantes mencionaram que em algum momento se sentiram vigiados em lojas por conta do seu sotaque. Isabela completa afirmando que a seguran\u00e7a deveria ser discutida com base em fatos e responsabilidades individuais, e n\u00e3o na origem de quem mora na cidade. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-cyan-bluish-gray-background-color has-background wp-block-paragraph\">\u201cUma pessoa n\u00e3o se torna criminosa porque nasceu no Norte ou no Nordeste, assim como algu\u00e9m n\u00e3o deixa de ser respons\u00e1vel por um crime&nbsp; porque nasceu em Santa Catarina.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Registros oficiais da <strong>Secretaria de Prote\u00e7\u00e3o Civil e Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/strong> (Seprot) de Joinville apontam que em janeiro de 2026, apesar do crescimento populacional e do fluxo migrat\u00f3rio, a cidade apresenta queda pelo terceiro ano consecutivo no \u00edndice de criminalidade. Esse cen\u00e1rio contrasta com o discurso de que a chegada de novos moradores estaria diretamente relacionada ao aumento da viol\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A diretora-executiva da Secret\u00e1ria de Assist\u00eancia Social, Valqu\u00edria Foster, afirma que a prefeitura n\u00e3o possui uma verba espec\u00edfica destinada \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de migrantes<\/strong>. Ela tamb\u00e9m declara, por\u00e9m, que o atendimento acontece de forma igualit\u00e1ria. \u201cQuando uma fam\u00edlia vinda de outro estado busca a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o para matricular os filhos, ela \u00e9 encaminhada para as vagas conforme o zoneamento, do mesmo jeito que ocorre com as fam\u00edlias joinvilenses e o atendimento na \u00e1rea da sa\u00fade segue a mesma l\u00f3gica\u201d, informa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O preconceito se reinventa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o soci\u00f3logo <strong>Dauto Jo\u00e3o da Silveira<\/strong>, doutor em Sociologia pela UFPR e com est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado em Tecnologia e Sociedade pela UTFPR, <strong>o preconceito contra trabalhadores vindos de outras regi\u00f5es n\u00e3o \u00e9 algo novo nem exclusivo de Joinville<\/strong>. Foi algo que, segundo ele, ganhou cap\u00edtulos dram\u00e1ticos na sociedade capitalista. Embora a cidade tenha sido marcada pela imigra\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica, os pr\u00f3prios alem\u00e3es tamb\u00e9m passaram por processos de exclus\u00e3o ainda no s\u00e9culo XIX. Para ele, isso mostra que o mecanismo se repete ao longo do tempo, sempre elegendo um novo \u201coutro\u201d contra quem a cidade reage.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dauto cita Karl Marx para ilustrar, que no s\u00e9culo XIX, a rivalidade entre trabalhadores ingleses e irlandeses na Inglaterra industrial. Segundo o autor mencionado, o trabalhador ingl\u00eas comum via o irland\u00eas como um concorrente que reduzia seu padr\u00e3o de vida, quando a Inglaterra era o pa\u00eds mais importante economicamente do mundo. Esse preconceito tamb\u00e9m aconteceu entre os trabalhadores estadunidenses e ingleses. \u201cA xenofobia e o preconceito servem como instrumento em torno do qual a burguesia local controla e divide a classe trabalhadora\u201d, cita Dauto. Ele explica que ocorre uma disputa no terreno material por melhores condi\u00e7\u00f5es sociais e que se repete na forma de pensar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O soci\u00f3logo tamb\u00e9m defende que o debate sobre preconceito e migra\u00e7\u00e3o seja mantido de forma permanente<\/strong>. Ele critica tanto a \u201cdireita conservadora\u201d quanto o que classifica como uma \u201cesquerda liberal e identit\u00e1ria\u201d. \u201cPara a burguesia da cidade, industriais e grandes comerciantes, n\u00e3o h\u00e1 risco algum. Inclusive, \u00e9 algo constitutivo da din\u00e2mica contradit\u00f3ria da cidade. Isso exige, para n\u00f3s intelectuais revolucion\u00e1rios, professores cr\u00edticos, o debate permanente\u201d. Ele argumenta que ambas as posi\u00e7\u00f5es contribuem, de maneiras diferentes, para a divis\u00e3o entre trabalhadores. \u201cA nossa luta tem de ser travada contra essas duas posi\u00e7\u00f5es\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados de seguran\u00e7a n\u00e3o sustentam associa\u00e7\u00e3o entre migra\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia na cidade\u00a0 Cerca de 34 mil migrantes do Norte e Nordeste escolheram Joinville para morar de forma cont\u00ednua na \u00faltima d\u00e9cada, conforme aponta o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) em 2022. O fluxo migrat\u00f3rio tamb\u00e9m \u00e9 acompanhado por relatos de xenofobia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":115,"featured_media":15894,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[581,354,609,570],"tags":[1243,1246,1245,1241,1121,1242,1247],"class_list":["post-15633","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-4o-semestre","category-joinville-e-regiao-2","category-jornalismo-digital-i","category-seguranca","tag-migracao","tag-regiao-nordeste","tag-regiao-norte","tag-secretaria-de-protecao-civil-e-seguranca-publica","tag-seguranca-publica-2","tag-seprot","tag-xenofobia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/115"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15633"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15633\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16141,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15633\/revisions\/16141"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}