{"id":1712,"date":"2020-12-19T12:00:00","date_gmt":"2020-12-19T15:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=1712"},"modified":"2025-07-04T20:08:48","modified_gmt":"2025-07-04T23:08:48","slug":"baixa-cobertura-vacinal-contra-a-poliomielite-em-joinville-reflete-problema-nacional-de-imunizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2020\/12\/19\/baixa-cobertura-vacinal-contra-a-poliomielite-em-joinville-reflete-problema-nacional-de-imunizacao\/","title":{"rendered":"Baixa cobertura vacinal contra a poliomielite em Joinville reflete problema nacional de imuniza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:17px\"><strong><strong><em>Campanhas vacinais, como as da Multivacina\u00e7\u00e3o e a da pr\u00f3pria Poliomielite, v\u00eam perdendo for\u00e7a no pa\u00eds nos \u00faltimos anos<\/em><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo estendida por mais duas semanas, a Campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra a Poliomielite n\u00e3o atingiu a meta de cobertura em Joinville pelo segundo ano consecutivo. At\u00e9 o dia 11 de novembro, o munic\u00edpio cumpriu apenas 63,73% da meta, ainda restando 10.293 crian\u00e7as n\u00e3o vacinadas. A Tr\u00edplice Viral tamb\u00e9m segue em baixa, mesmo ap\u00f3s o surto de sarampo vivenciado em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>As Campanhas Nacionais de Multivacina\u00e7\u00e3o e contra a Poliomielite encerraram no dia 30 de outubro, mas devido \u00e0 baixa procura, o governo de Santa Catarina decidiu por ampliar o prazo at\u00e9 o dia 13 de novembro. Apesar da medida, o estado, assim como Joinville, permanece com a cobertura vacinal abaixo do esperado, sendo que apenas 73,18% do p\u00fablico alvo foram vacinados. O cen\u00e1rio se repete em outros estados, como \u00e9 o caso do Distrito Federal e S\u00e3o Paulo, onde cerca de <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2020-11\/sp-campanhas-contra-poliomielite-e-de-multivacinacao-sao-prorrogadas\">1 milh\u00e3o de crian\u00e7as ainda n\u00e3o tomaram a vacina<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A poliomielite, tamb\u00e9m chamada de p\u00f3lio ou paralisia infantil, \u00e9 uma doen\u00e7a infecciosa viral transmitida de pessoa para pessoa, podendo causar paralisia ou at\u00e9 mesmo a morte. Em 1994, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) deu ao Brasil o certificado de erradica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, gra\u00e7as \u00e0 vacina. O \u00faltimo caso oficial no pa\u00eds foi em 1989. Entretanto, o v\u00edrus ainda circula em alguns pa\u00edses, como \u00e9 o caso do Afeganist\u00e3o e do Paquist\u00e3o, o que faz com que exista o risco de acontecer casos importados.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com dados do Datasus, de 2000 a 2018, a m\u00e9dia da cobertura vacinal contra a poliomielite em Joinville foi de 98,71%. Em 2019, foi de 63,49%, sendo esta a primeira vez, em 21 anos, que o munic\u00edpio n\u00e3o atingiu a meta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de um pouco mais inst\u00e1vel, esse mesmo padr\u00e3o tamb\u00e9m acontece com a cobertura da Tr\u00edplice Viral na cidade. A m\u00e9dia entre 2000 e 2018 \u00e9 de 99,87%, e 69,74% em 2019. A Tr\u00edplice Viral protege contra o sarampo, rub\u00e9ola e caxumba. A primeira dose \u00e9 geralmente aplicada em crian\u00e7as entre os 9 e 15 meses de idade e a segunda dose entre os 15 meses e 6 anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Cobertura-Vacinal-Poliomielite-e-Triplice-Viral-em-Joinville-Fonte_-Datasus-2000-2019-.png\" alt=\"Cobertura vacinal da Poliomielite e Tr\u00edplice Viral tiveram queda brusca em 2019. - Dados: Datasus (2000-2019) - Imagem: Pedro Novais\" class=\"wp-image-1713\"\/><figcaption>Cobertura vacinal da Poliomielite e Tr\u00edplice Viral tiveram queda brusca em 2019. &#8211; Dados: Datasus (2000-2019) &#8211; Imagem: Pedro Novais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Coincidentemente, em 2019, Santa Catarina passou por um surto de sarampo. Segundo o Dive-SC, o estado registrou 288 casos da doen\u00e7a no ano passado. Destes, 129 foram de Joinville, que liderou em n\u00famero de casos. Neste ano, o surto de sarampo permaneceu ativo at\u00e9 o dia 4 de abril, com 110 casos confirmados. Mesmo ap\u00f3s o t\u00e9rmino do surto, as a\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia do sarampo continuam ativas em todo o estado, sendo que at\u00e9 o final de agosto foram investigados e descartados outros 305 casos, conforme protocolos confirmados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS).<\/p>\n\n\n\n<p>Em escala nacional, segundo relat\u00f3rio da OMS em parceria com o Centro de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as dos Estados Unidos (CDC), a cobertura vacinal contra o sarampo foi de 95%. Entretanto, o relat\u00f3rio aponta que, no mesmo ano, cerca de 207,5 mil pessoas tenham morrido da doen\u00e7a, e que o sarampo atingiu o maior n\u00famero de casos em 23 anos.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><strong>Problemas na sa\u00fade p\u00fablicas aliados \u00e0 falta de conhecimento e discursos vazios resultam na baixa cobertura vacinal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o Brasil n\u00e3o atingiu a meta em nenhuma vacina prevista no calend\u00e1rio de 2019. Foi a primeira vez desde 1994 que o pa\u00eds alcan\u00e7a esse preocupante feito.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s raz\u00f5es para a queda, que vem ocorrendo de forma gradual na \u00faltima d\u00e9cada, especialistas n\u00e3o t\u00eam uma resposta exata, mas apontam alguns fatores. O mais especulado \u00e9 justamente a efic\u00e1cia das campanhas no final do s\u00e9culo passado. \u201cHoje, como a doen\u00e7a desapareceu, os pais que foram beneficiados pela vacina e que por isso n\u00e3o conviveram com a doen\u00e7a, muitas vezes n\u00e3o percebem a import\u00e2ncia da imuniza\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou a ex-coordenadora do Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00e3o (PNI), Carla Domingues, em <a href=\"https:\/\/www.conass.org.br\/consensus\/queda-da-imunizacao-brasil\/\">entrevista sobre o assunto para a revista Consensus<\/a>,&nbsp; um dos principais ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o social do Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Sa\u00fade (Conass).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com Carla, outro fator seria o descolamento da Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria de Sa\u00fade (APS) das demais demandas prevalentes dentro do modelo de servi\u00e7o de sa\u00fade atual, faltando uma integra\u00e7\u00e3o cont\u00ednua entre preven\u00e7\u00e3o, vigil\u00e2ncia e promo\u00e7\u00e3o desses servi\u00e7os. Ou seja, as Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS) deveriam promover o acompanhamento da sa\u00fade das comunidades, e n\u00e3o apenas atender \u00e0 demanda volunt\u00e1ria e moment\u00e2nea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O PNI vem trabalhando para resolver este problema, de modo que, com a ajuda dos governos estaduais e secretarias de sa\u00fade dos munic\u00edpios, possam acompanhar caso a caso, de forma individual e mais detalhada, por meio de um sistema ainda em desenvolvimento. Este processo de mudan\u00e7a tamb\u00e9m tem contribu\u00eddo para as quedas nas coberturas vacinais.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a historiadora e cientista social Valdete Daufemback chama aten\u00e7\u00e3o para a redu\u00e7\u00e3o de investimentos nas campanhas de vacina\u00e7\u00e3o, a partir da aprova\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional n\u00ba 95 pelo governo Temer, em 2016, que alterou a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, congelando por 20 anos a aplica\u00e7\u00e3o de recursos \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. \u201cCom isso, muitas das fam\u00edlias n\u00e3o tiveram a possibilidade de obterem informa\u00e7\u00e3o sobre a vacina\u00e7\u00e3o\u201d, destaca. \u201cEnt\u00e3o foi uma somat\u00f3ria de acontecimentos para que houvesse essa baixa na vacina\u00e7\u00e3o, contando ainda, que no presente, o Presidente da Rep\u00fablica n\u00e3o tem incentivado a popula\u00e7\u00e3o a aderirem \u00e0s campanhas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das raz\u00f5es t\u00e9cnicas, h\u00e1 tamb\u00e9m quest\u00f5es sociais envolvidas no problema. \u201cN\u00e3o podemos ignorar que o negacionismo das doen\u00e7as, disseminado, inclusive, por pessoas influentes nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tenham responsabilidade nesta quest\u00e3o\u201d, diz a cientista social. \u201cHouve um discurso irrespons\u00e1vel sobre \u2018malef\u00edcios\u2019 das vacinas, que se propagou pelas redes sociais, legitimando certa desconfian\u00e7a que grupos de pessoas nutriam referente aos efeitos da vacina\u00e7\u00e3o\u201d, completa ela. Por pessoas influentes, pode-se citar o autoproclamado fil\u00f3sofo e guru bolsonarista Olavo de Carvalho, que dentre muitas de seus discursos, sem nenhuma base cient\u00edfica, est\u00e1 a contrariedade \u00e0 pr\u00e1tica da vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio das campanhas de vacina\u00e7\u00e3o, h\u00e1 registro de pessoas contra o uso das vacinas. Por\u00e9m, os discursos antivacina se tornaram mais fortes ap\u00f3s um estudo do m\u00e9dico brit\u00e2nico Andrew Wakefield, publicado na revista <em>Lancet, <\/em>em 1998, relacionar a&nbsp; Tr\u00edplice Viral com autismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, o estudo foi comprovado como fraude, a revista <em>Lancet <\/em>se retratou e o retirou de seus arquivos. Mesmo assim, o autismo continua sendo um dos principais argumentos utilizados por pessoas que falam em nome dos atuais movimentos antivacinas em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos, onde o movimento tem grande for\u00e7a.<br>Em 2018, <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/bbc\/2018\/11\/20\/movimento-antivacina-causou-maior-surto-de-catapora-em-decadas-nos-eua.htm\">uma escola estadunidense foi centro do maior surto de catapora em d\u00e9cadas no pa\u00eds<\/a>, tendo 36 crian\u00e7as diagnosticadas. Na \u00e9poca, dos 152 alunos matriculados no jardim de inf\u00e2ncia da escola, que fica localizada na Carolina do Norte, 110 n\u00e3o foram vacinados. A principal alega\u00e7\u00e3o dos pais era por motivo religioso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/YQQUHYFWYFFYLODNOWK4J3LZ7Q-1024x795.jpg\" alt=\"Grupo antivacina protesta contra vacinas e confinamento em resposta \u00e0 pandemia da Covid-19, na Calif\u00f3rnia, Estados Unidos, em junho de 2020. - Foto: Mark Ralston \/ AFP\" class=\"wp-image-1714\"\/><figcaption>Grupo antivacina protesta contra vacinas e confinamento em resposta \u00e0 pandemia da Covid-19, na Calif\u00f3rnia, Estados Unidos, em junho de 2020. &#8211; Foto: Mark Ralston \/ AFP<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No Brasil, recentemente, o Tribunal de Justi\u00e7a do Rio Grande do Sul (TJRS) <a href=\"http:\/\/www.radiorural.com.br\/noticias\/40449-justica-mantem-decisao-que-reconhece-obrigacao-de-pais-vacinarem-filho\">manteve decis\u00e3o que reconhece a obriga\u00e7\u00e3o dos pais em vacinarem seus filhos<\/a>. Outro caso semelhante aconteceu em S\u00e3o Paulo, onde ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) <a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/29102020-Ministro-nega-pedido-para-afastar-possivel-obrigatoriedade-da-vacina-do-novo-coronavirus.aspx\">negou pedido que afastava poss\u00edvel obrigatoriedade da vacina contra o novo coronav\u00edrus<\/a>. \u201cN\u00e3o precisar\u00edamos de obriga\u00e7\u00e3o para a vacina\u00e7\u00e3o se o Brasil, enquanto Estado, tivesse comprometimento para com a popula\u00e7\u00e3o, quanto ao direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 politiza\u00e7\u00e3o e ao conhecimento cient\u00edfico\u201d, opina Daufemback.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Afinal, o que \u00e9 a vacina?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A vacina \u00e9 uma importante, e a mais eficaz, forma de preven\u00e7\u00e3o contra doen\u00e7as. Seu uso consiste na introdu\u00e7\u00e3o do agente infeccioso &#8211; atenuado ou morto -, ou subst\u00e2ncias que esses agentes produzem, no corpo de uma pessoa, fazendo com que o sistema imunol\u00f3gico produza anticorpos e c\u00e9lulas de mem\u00f3ria. Deste modo, a vacina garante que, quando o agente causador da doen\u00e7a infecta o corpo dessa pessoa, seu sistema imunol\u00f3gico j\u00e1 esteja preparado para responder de maneira r\u00e1pida, antes mesmo do surgimento dos sintomas.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira vacina surgiu no s\u00e9culo XVIII, a partir dos estudos e observa\u00e7\u00f5es do&nbsp; m\u00e9dico ingl\u00eas Edward Jenner. Em 1798, Jenner utilizou uma enfermidade de gado, chamada de <em>cowpox,<\/em> para criar uma vacina contra var\u00edola, doen\u00e7a viral extremamente grave que causou milhares de mortes ao longo da hist\u00f3ria da humanidade. O \u00faltimo caso da doen\u00e7a foi diagnosticado em 1977, ap\u00f3s intensas campanhas de vacina\u00e7\u00e3o ao longo da d\u00e9cada. Em 1980, a OMS declarou o v\u00edrus como erradicado, sendo a primeira e \u00fanica doen\u00e7a contagiosa eliminada mundialmente at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>A vacina em solo brasileiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a primeira vacina, contra a var\u00edola, foi trazida em 1804 pelo militar e pol\u00edtico brasileiro Marqu\u00eas de Barbacena, que tamb\u00e9m foi a primeira pessoa a tomar a dose no pa\u00eds. Entretanto, foi s\u00f3 no s\u00e9culo XX que come\u00e7ou se popularizar em solo nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos de 1900 e 1901, foram criados o Instituto Soroter\u00e1pico do Rio de Janeiro, com dire\u00e7\u00e3o de Oswaldo Cruz &#8211; futura Fiocruz- e em S\u00e3o Paulo, surgia o Instituto Serumther\u00e1pico, comandado por Vital Brazil &#8211; que viria a ser o atual Instituto Butantan -, ambos importantes para o desenvolvimento de estudos referentes a vacinas e soros no pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Instituto Butantan tem uma parcela substancial de import\u00e2ncia na produ\u00e7\u00e3o de vacinas, distribu\u00eddas pelo SUS (Sistema \u00fanico de Sa\u00fade), \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d, conta a historiadora Valdete Daufemback. \u201cNo Brasil, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel abordar este tema sem falar do trabalho do m\u00e9dico Oswaldo Cruz e sua luta para a vacina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, inicialmente, contra a var\u00edola, o que gerou uma revolta na Capital do Pa\u00eds, em 1904\u201d, completa ela, se referindo \u00e0 Revolta da Vacina.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1904, o Rio de janeiro sofria, entre outros problemas, com uma epidemia de var\u00edola, por conta da falta de saneamento b\u00e1sico na cidade. Neste contexto, o ent\u00e3o presidente, Rodrigues Alves, juntamente com o m\u00e9dico e sanitarista, Oswaldo Cruz &#8211; que na \u00e9poca exercia um cargo equivalente ao que \u00e9 o Ministro da Sa\u00fade hoje &#8211; tomaram diversas medidas, dentre elas, a imposi\u00e7\u00e3o da Lei da Vacina Obrigat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A obrigatoriedade da vacina\u00e7\u00e3o somada \u00e0 falta de informa\u00e7\u00e3o sobre a efic\u00e1cia e seguran\u00e7a das vacinas causaram grande pavor na popula\u00e7\u00e3o, que chegou a espalhar boatos de que a campanha era s\u00f3 uma desculpa para autoridades tocarem nas partes \u00edntimas das mulheres. Esse movimento ficou conhecido como a Revolta da Vacina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rias pessoas sa\u00edram \u00e0s ruas em protesto. Grandes confrontos entre a popula\u00e7\u00e3o e as for\u00e7as da pol\u00edcia e ex\u00e9rcito aconteceram no Rio de Janeiro, entre os dias 10 e 16 de novembro de 1904. De acordo com o Centro Cultural do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o conflito deixou um saldo de 30 mortos, 110 feridos e 945 presos, dos quais 461 foram deportados para o Acre. Essa semana de tens\u00e3o tornou-se o maior motim da hist\u00f3ria do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/revolta-da-vacina-1-1024x553.jpg\" alt=\"Charge da revista O Malho, de 1904, representa o caos da Revolta da Vacina, no Rio de Janeiro.\" class=\"wp-image-1716\"\/><figcaption>Charge da revista O Malho, de 1904, representa o caos da Revolta da Vacina, no Rio de Janeiro.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A historiadora conta que durante todo s\u00e9culo XX, no Brasil, as campanhas de vacina\u00e7\u00e3o para prevenir doen\u00e7as tiveram um desenvolvimento gradativamente efetivo. Em 1925 foi introduzida a vacina BCG no Brasil, que segue sendo utilizada at\u00e9 hoje em rec\u00e9m nascidos, a fim de proteger contra formas graves de tuberculose.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pulando para a d\u00e9cada de 1960 e 1970, s\u00e3o criadas e realizadas as primeiras campanhas vacinais, como as contra a poliomielite, var\u00edola, sarampo e meningite. Em 1973, foi criado o PNI, com o objetivo de controlar ou erradicar doen\u00e7as infecto-contagiosas e imunoprevin\u00edveis. No mesmo ano, o pa\u00eds recebeu certifica\u00e7\u00e3o internacional da erradica\u00e7\u00e3o da var\u00edola. Em 1977, foram definidas as vacinas obrigat\u00f3rias para menores de um ano de idade em todo o Brasil e foi aprovado o modelo de Caderneta de Vacina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes, outras campanhas surgiram, enquanto as j\u00e1 existentes foram intensificadas. Em 1994 a poliomielite tamb\u00e9m foi erradicada em solo brasileiro. Mas antes, em 1988, era criado, pela Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira, o SUS, fundamental para as grandes coberturas vacinais conquistadas pelo pa\u00eds ao longo desses anos &#8211; o que vem mudando nos \u00faltimos tempos. \u201cFoi com a cria\u00e7\u00e3o do SUS que a vacina\u00e7\u00e3o em massa se tornou obrigat\u00f3ria, especialmente para as crian\u00e7as, visando a erradica\u00e7\u00e3o de certas doen\u00e7as\u201d, explica Daufemback.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reportagem:<\/strong>&nbsp;Pedro Novais&nbsp;<br><strong>Conte\u00fado produzido para o Primeira Pauta Digital<\/strong>&nbsp;| Disciplina Jornalismo Digital I, 4\u00aa fase\/2020.<\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Campanhas vacinais, como as da Multivacina\u00e7\u00e3o e a da pr\u00f3pria Poliomielite, v\u00eam perdendo for\u00e7a no pa\u00eds nos \u00faltimos anos Mesmo estendida por mais duas semanas, a Campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra a Poliomielite n\u00e3o atingiu a meta de cobertura em Joinville pelo segundo ano consecutivo. 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