{"id":1839,"date":"2020-12-17T19:52:28","date_gmt":"2020-12-17T22:52:28","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=1839"},"modified":"2022-06-22T19:57:19","modified_gmt":"2022-06-22T22:57:19","slug":"os-cem-anos-de-clarice-lispector","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2020\/12\/17\/os-cem-anos-de-clarice-lispector\/","title":{"rendered":"Os cem anos de Clarice Lispector"},"content":{"rendered":"\n<p><em>De romances a contos infantis, a contribui\u00e7\u00e3o da escritora para a literatura brasileira \u00e9 reconhecida at\u00e9 hoje<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em 10 de dezembro deste ano a autora <a href=\"https:\/\/claricelispectorims.com.br\/vida\/\">Clarice Lispector<\/a> completaria cem anos. De fam\u00edlia judaica, Clarice foi naturalizada brasileira. Com o nome de Haia Lispector, a ca\u00e7ula de tr\u00eas irm\u00e3s na verdade nasceu na Ucr\u00e2nia em uma vila chamada <a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/place\/Chechelnyk,+Vinnytska,+Ucr%C3%A2nia\/@48.2157757,29.3132147,13z\/data=!3m1!4b1!4m5!3m4!1s0x40cdb3934b1d4c95:0x51cd7246e772d52!8m2!3d48.2129069!4d29.3421635\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tchetchelnik<\/a>, na \u00e9poca territ\u00f3rio do Imp\u00e9rio Russo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, sua contribui\u00e7\u00e3o para a Cultura Brasileira permitiu um novo olhar sobre a literatura. Benjamin Moser, autor de<em> Clarice, uma biografia<\/em>, classifica-a como a <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/16\/cultura\/1508155832_784760.html\">melhor <\/a>escritora judia desde Franz Kafka. Ela foi a porta de entrada para abordagens mais voltada ao psicol\u00f3gico, fugindo da escrita voltada ao regionalismo comum nas d\u00e9cadas de 1930 e 1940.<\/p>\n\n\n\n<p>Clarice foi uma escritora que fez parte da terceira fase do <a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/literatura\/modernismo.htm#:~:text=Principal%20movimento%20liter%C3%A1rio%20do%20s%C3%A9culo,identidade%20genuinamente%20brasileira%20na%20literatura.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">modernismo<\/a>, movimento art\u00edstico do in\u00edcio do s\u00e9culo 20 que moldou a escrita brasileira. Praticamente n\u00e3o h\u00e1 g\u00eanero liter\u00e1rio que Clarice n\u00e3o se aventurou. Com uma escrita peculiar e estilo pr\u00f3prio, ela conseguia transformar pensamentos e cenas do cotidiano em jornadas repletas de reflex\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es. Uma das caracter\u00edsticas de seu texto era o fluxo de consci\u00eancia, ou seja: devaneios durante situa\u00e7\u00f5es cotidianas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Caio Bona Moreira, doutor em Teoria Liter\u00e1ria pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), \u201csem a Clarice nossa literatura seria mais pobre\u201d. O encantamento produzido pela leitura do texto de Clarice est\u00e1 mais em sua for\u00e7a do que em sua forma. Ela convida o leitor para uma rela\u00e7\u00e3o de cumplicidade com a autora durante seus textos. \u201cImposs\u00edvel explicar Clarice. \u00c9 mais poss\u00edvel ler com ela, escrever com ela, conversar com ela\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cPodemos at\u00e9 tentar apontar caracter\u00edsticas que tornaram seus textos memor\u00e1veis. Mas nenhuma caracter\u00edstica daria conta de explicar porque amamos tanto a Clarice. \u00c9 um mist\u00e9rio\u201d<\/strong> Caio Bona Moreira doutor em Teoria Liter\u00e1ria pela UFSC<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Caio diz que demorou a ler Clarice Lispector. S\u00f3 foi ler os textos durante a gradua\u00e7\u00e3o em Letras com o livro<em> A Hora da Estrela<\/em>. \u201cMe impressionou bastante. Nunca havia lido nada semelhante\u201d, conta. Clarice \u00e9 uma autora muito amada, mas Caio n\u00e3o acha que existe um porqu\u00ea espec\u00edfico. \u201cPodemos at\u00e9 tentar apontar caracter\u00edsticas que tornaram seus textos memor\u00e1veis. Mas nenhuma caracter\u00edstica daria conta de explicar porque amamos tanto a Clarice. \u00c9 um mist\u00e9rio\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1943, Clarice publicou seu primeiro romance, <em>Perto do Cora\u00e7\u00e3o Selvagem<\/em>. No ano seguinte, o livro recebeu o pr\u00eamio de Melhor Romance de Estreia pela Funda\u00e7\u00e3o Gra\u00e7a Aranha e foi elogiado pela cr\u00edtica especializada.<\/p>\n\n\n\n<p>O escritor e cr\u00edtico liter\u00e1rio S\u00e9rgio Milliet elogiou o livro na \u00e9poca, afirmando que era a mais s\u00e9ria tentativa de romance com enfoque nos conflitos internos da protagonista. \u201cPela primeira vez, um autor nacional vai al\u00e9m, nesse campo quase virgem de nossa literatura\u201d, escreveu em ensaio de 1944.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro cr\u00edtico liter\u00e1rio a escrever sobre o primeiro romance de Clarice foi Antonio Candido. Escreveu, no extinto peri\u00f3dico Folha da Manh\u00e3, que \u201ca intensidade com que [Clarice] sabe escrever e a rara capacidade da vida interior poder\u00e3o fazer desta jovem escritora um dos valores mais s\u00f3lidos e, sobretudo, mais originais da nossa literatura\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E Candido estava certo. A publica\u00e7\u00e3o do livro seria o primeiro sucesso de uma s\u00e9rie de romances que Clarice publicou nos anos subsequentes. Dentre os mais aclamados est\u00e3o: <em>A Paix\u00e3o Segundo G.H.<\/em> (1964), <em>\u00c1gua Viva<\/em> (1973) e <em>A Hora da Estrela<\/em> (1977) &#8211; que recebeu <a href=\"https:\/\/www.premiojabuti.com.br\/premiados-por-edicao\/premiacao\/?ano=1978&amp;categoria=bea378fd-481e-e811-a837-000d3ac0bcfe\">Pr\u00eamio Jabuti de Literatura<\/a> em 1978 .<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Audio-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas o prest\u00edgio \u00e0 Clarice Lispector, hoje, n\u00e3o esconde o fato de que a autora passou por maus bocados antes mesmo de aprender a escrever. Seu nascimento se deu em meio a uma tentativa de emigra\u00e7\u00e3o, eles queriam deixar o pa\u00eds para fugir da viol\u00eancia contra os judeus e da guerra civil; ocasionada devido aos conflitos entre a monarquia russa e o partido bolchevique.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 1922, a fam\u00edlia Lispector desembarcou do navio a vapor Cuyab\u00e1 em Macei\u00f3. No Brasil. os nomes russos da fam\u00edlia foram adaptados \u00e0 l\u00edngua portuguesa. O pai, Pinkouss, virou Pedro, e a m\u00e3e, Mania, virou Marieta. Leia, a primog\u00eanita, virou Elisa, Tania, a irm\u00e3 do meio, n\u00e3o adaptou o nome e Haia virou Clarice. A fam\u00edlia se mudou para Recife e, ap\u00f3s a morte da m\u00e3e, para o Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos romances, Clarice tamb\u00e9m publicou contos, cr\u00f4nicas e hist\u00f3rias infantis. Al\u00e9m de transparecer sua habilidade de escrita nas cartas que enviava \u00e0s irm\u00e3s e colegas escritores, como Rubem Braga e N\u00e9lida Pi\u00f1on. Cartas que postumamente seriam reunidas e publicadas tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Clarice Lispector est\u00e1 ligada \u00e0s hist\u00f3rias que escrevia. Ela j\u00e1 se inseriu inclusive como personagem do livro infantil <em>A Mulher que Matou os Peixes<\/em>. A narrativa do livro \u00e9 um mon\u00f3logo entre a pr\u00f3pria autora com o leitor. O livro come\u00e7a com uma confiss\u00e3o, \u201cEssa mulher que matou os peixes infelizmente sou eu\u201d. Este foi o segundo livro de Clarice Lispector voltado \u00e0 literatura infantil.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro, intitulado <em>O mist\u00e9rio do Coelho Pensante,<\/em>&nbsp; foi escrito devido a um pedido de seu filho, <a href=\"https:\/\/youtu.be\/G7kndLPsKaA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Paulo Gurgel <\/a><a href=\"https:\/\/youtu.be\/G7kndLPsKaA\">Valente<\/a>. O livro foi redigido nos anos 1950, sendo inicialmente&nbsp; uma obra de cunho pessoal e publicada s\u00f3 em 1967.<\/p>\n\n\n\n<p>Rafael Miguel Alonso J\u00fanior doutor em literatura pela UFSC come\u00e7ou a ler Clarice por volta dos quatorze anos, fruto de uma leitura escolar obrigat\u00f3ria. \u201cFoi uma leitura que me gerou um estranhamento. No entanto, me gerou um estranhamento de muita curiosidade\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Audio-2.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>A obra de Clarice tem sido amplamente estudada no meio acad\u00eamico. A psicanalista Djulia Justen, doutora em Literatura pela UFSC, estudou textos da autora para a disserta\u00e7\u00e3o de seu mestrado e tese de seu doutorado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua disserta\u00e7\u00e3o intitulada: <em>Das Revela\u00e7\u00f5es aos clich\u00eas: As Imagens Aleg\u00f3ricas da Sexualidade em Clarice Lispector<\/em>, Djulia faz um par\u00e2metro entre textos de Clarice e analisa personagens idosas que descobrem um desejo sexual ainda latente.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em seu doutorado: <em>SVEGLIAMAQUIA, Instantes de despertar em Clarice Lispector<\/em>, Djulia se apropria de algumas ideias do mestrado e analisa a quest\u00e3o do tempo sobre personagens idosas. O <em>despertar <\/em>seria um \u201cacorda pro agora\u201d. Como se ela deixasse de ser idosa no momento em que adquirisse essa consci\u00eancia. No sentido de despertar-se.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Djulia comentou sobre os t\u00edtulos atrelados \u00e0 figura de Clarice. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o nome Clarice Lispector \u00e9 amplamente conhecido, rotulada por vezes como \u201cA Grande Escritora Brasileira\u201d ou \u201cA Escritora Metaf\u00edsica\u201d. Mas Djulia provoca: \u201cAs pessoas sabem o nome mas n\u00e3o conhecem tanto o texto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Djulia tamb\u00e9m critica as compara\u00e7\u00f5es que a autora recebia. Em<em> Perto do Cora\u00e7\u00e3o Selvagem <\/em>comparam-na \u00e0 escritora brit\u00e2nica Virginia Woolf. Em 1974, publicou o conto <em>A Via Crucis do Corpo<\/em> e foi comentado que Clarice estaria imitando o escritor Dalton Trevisan. A literatura \u00e9 feita de leituras e \u201cum texto sempre est\u00e1 remetendo \u00e0 outro. O escritor \u00e9 um leitor voraz, \u00e9 o leitor que l\u00ea de tudo. Fica muito taxativo dizer que um escritor est\u00e1 imitando o outro\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Audio-3.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Clarice lia muito e de tudo. Em uma <a href=\"https:\/\/youtu.be\/ohHP1l2EVnU\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">entrevista<\/a> concedida \u00e0 TV Cultura, em 1977, afirmou: \u201ceu misturei tudo. Eu lia romance pra mocinha misturado com Dostoievski. Eu escolhia os livros pelos t\u00edtulos e n\u00e3o pelos autores. Fui ler aos 13 anos Hermann Hesse\u201d. Desde muito jovem demonstrou um fasc\u00ednio pela literatura. Come\u00e7ou a escrever pequenas hist\u00f3rias a partir do momento em que aprendeu a ler.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo antes de publicar o primeiro livro, j\u00e1 publicava seus contos em revistas e jornais. \u201cEu sou t\u00edmida e ousada ao mesmo tempo, eu chegava l\u00e1 na revista e dizia: eu tenho um conto, voc\u00ea n\u00e3o quer publicar?\u201d, afirmou na mesma entrevista. Clarice deu essa entrevista \u00e0 TV Cultura em fevereiro de 1977. No fim do ano, no dia 9 de dezembro, Clarice morreu de um c\u00e2ncer de ov\u00e1rio. Um dia antes de completar 57 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pintora que poucos conhecem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/WAJbLrvRbqKf5D6qVCpAz0qfa9JBGxNuIMDWDOE7igkNYRmBnWjuaBGuTrmeubGVGp7EFHjTJLLUUtFVvLTHNyaoRM5A2SdNMAh0PCkAL-cJlqykXlytUghsiEaWk-jzV_H4O8Y5\" style=\"width: undefinedpx;\"><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quadro abstrato Sem T\u00edtulo de Clarice Lispector pintado \u00e0 \u00f3leo sobre madeira. Medindo 40cm de largura e 30cm de altura. Na pintura se destaca o fundo vermelho com formas pretas e detalhes em amarelo. O quadro foi pintado em 7 de maio de 1976. Acervo de N\u00e9lida Pi\u00f1on.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Todos j\u00e1 ouviram falar da autora Clarice Lispector, mas o que nem todos sabem \u00e9 que al\u00e9m da literatura, outro campo que tamb\u00e9m interessava Clarice era a pintura. Ao longo de sua vida pintou 22 quadros, a maioria em madeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de tinta, Clarice tamb\u00e9m usava canetas, esmalte de unha e vela derretida para trabalhar nas obras. Suas pinturas eram sumariamente abstratas, mas tamb\u00e9m envolviam figuras relacionadas \u00e0 est\u00e9tica do feio.<\/p>\n\n\n\n<p>A autora j\u00e1 chegou a afirmar que atrav\u00e9s do texto n\u00e3o alcan\u00e7ou a paz que queria, mas na pintura sim. O ato de mexer com as cores sem se preocupar com t\u00e9cnica alguma \u201c\u00e9 relaxante e ao mesmo tempo excitante\u201d, como disse em uma confer\u00eancia na Universidade do Texas, em 1963.<\/p>\n\n\n\n<p>Patr\u00edcia Villar, mestra em Antropologia Social e professora de Est\u00e9tica e Arte Contempor\u00e2nea, explica que um quadro abstrato \u00e9 formado por elementos irreconhec\u00edveis. E quando h\u00e1 uma figura reconhec\u00edvel, mas que foge dos par\u00e2metros de normal e de belo, se enquandra na chamada est\u00e9tica do feio. Um rosto com um olho costurado ou uma orelha faltando por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Audio-4.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Patr\u00edcia explica que o feio na arte, por vezes causa uma maior rea\u00e7\u00e3o de quem v\u00ea a obra. Por isso \u00e9 comum que esse tipo de express\u00e3o receba mais aten\u00e7\u00e3o. Em meio a tantas obras belas, o feio acaba sendo um corpo estranho e causa uma reflex\u00e3o maior.&nbsp; \u201cIsso \u00e9 experi\u00eancia est\u00e9tica, a experi\u00eancia sens\u00edvel que a gente tem a partir da apar\u00eancia das coisas\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO abstracionismo \u00e9 atemporal, mas a est\u00e9tica do feio n\u00e3o. O que \u00e9 feio hoje, amanh\u00e3 pode ser lindo\u201d, explica. Patr\u00edcia conta que h\u00e1 uma desvaloriza\u00e7\u00e3o que o dito \u201cfeio\u201d e \u201cgrotesco\u201d t\u00eam no mundo da arte. E por isso muitos artistas usam dessa est\u00e9tica para chamar aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Patr\u00edcia, a mesclagem nas pinturas de Clarice com o abstracionismo e, por vezes, a est\u00e9tica do feio, foram inseridos pela autora espontaneamente. \u201cApesar dela dizer que pintava muito mal, ela era uma artista com muita sensibilidade,\u201d conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que Clarice n\u00e3o gostasse dos pr\u00f3prios quadros, h\u00e1 muitos que gostam. Um quadro de Clarice Lispector <em>sem nome <\/em>foi <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/blogs.oglobo.globo.com\/ancelmo\/post\/nelida-pinon-compra-quadro-raro-de-clarice-lispector-por-r-220-mil.html\" target=\"_blank\">arrematado<\/a> em um leil\u00e3o promovido pela marchand Soraia Cals, no Rio de Janeiro, em julho de 2019. O lance inicial era de 8 mil reais. A escritora e amiga de Clarice N\u00e9lida Pi\u00f1on arrematou-o por 225 mil reais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reportagem:<\/strong> Roger Cardoso dos Santos <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado produzido para o Primeira Pauta Digital<\/strong>&nbsp;| Disciplinas de Jornal Laborat\u00f3rio I e Jornalismo Digital, 4\u00aa fase\/2020<\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De romances a contos infantis, a contribui\u00e7\u00e3o da escritora para a literatura brasileira \u00e9 reconhecida at\u00e9 hoje Em 10 de dezembro deste ano a autora Clarice Lispector completaria cem anos. De fam\u00edlia judaica, Clarice foi naturalizada brasileira. 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