{"id":1961,"date":"2021-06-17T13:41:33","date_gmt":"2021-06-17T16:41:33","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=1961"},"modified":"2025-07-04T20:25:25","modified_gmt":"2025-07-04T23:25:25","slug":"procura-se-juarez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2021\/06\/17\/procura-se-juarez\/","title":{"rendered":"Procura-se Juarez"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1961\" class=\"elementor elementor-1961\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-32e1ff06 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"32e1ff06\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4cb4e120\" data-id=\"4cb4e120\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1279a7f0 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1279a7f0\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;ekit_we_effect_on&quot;:&quot;none&quot;}\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<style>\/*! elementor - v3.21.0 - 26-05-2024 *\/\n.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-stacked .elementor-drop-cap{background-color:#69727d;color:#fff}.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-framed .elementor-drop-cap{color:#69727d;border:3px solid;background-color:transparent}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap{margin-top:8px}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap-letter{width:1em;height:1em}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap{float:left;text-align:center;line-height:1;font-size:50px}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap-letter{display:inline-block}<\/style>\t\t\t\t<!-- wp:paragraph -->\n<p><em>Por T\u00e1rsila Elbert e J\u00falia de Almeida<\/em><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>\u00c9 uma festa de anivers\u00e1rio, mas o aniversariante ainda n\u00e3o foi visto. Bolo e champagne est\u00e3o servidos sobre a mesa retangular, apinhada de pessoas que se espremem \u00e0 sua volta. Homens fortes, de fei\u00e7\u00e3o parecida, seguram as tradicionais ta\u00e7as longas ainda cheias da bebida, enquanto s\u00e3o abordados pelas mulheres voluptuosas que ir\u00e3o esvazi\u00e1-las. Na ponta esquerda do cen\u00e1rio, uma mulher de cabelos lisos ouve sussurros galanteadores de um homem com a face escondida. Na ponta direita, uma mulher de cabelos crespos descuida da al\u00e7a do seu vestido, que escorrega pelo bra\u00e7o e deixa \u00e0 mostra o que j\u00e1 deve ter sido perdi\u00e7\u00e3o e para\u00edso de quem chegou \u00e0quele lugar. A lux\u00faria \u00e9 palp\u00e1vel em todos os cantos da cena, da sala e, principalmente, da mesa, onde embaixo de bolo, champagne, toalha branca e madeira, um casal esconde-se dos olhos curiosos e engalfinha-se nu, com seus desejos e gemidos abafados pelo burburinho dos convidados.\u00a0<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>Os movimentos que parecem t\u00e3o vivos, n\u00e3o s\u00e3o, e as vozes que parecem t\u00e3o altas, n\u00e3o existem. No mundo real essa cena \u00e9 est\u00e1tica, criada e decorada ricamente \u00e0 m\u00e3o, para ser exposta em uma parede sortuda.\u00a0 A imagem, que poderia mesmo ser de uma festa de anivers\u00e1rio, \u00e9 mais um dos quadros emblem\u00e1ticos de Juarez Machado, o aniversariante faltante, que, assim como na pintura, desapareceu dos olhares do p\u00fablico desde o in\u00edcio da pandemia da Covid-19.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>Juarez nasceu artista. O primeiro desenho registrado dele foi feito aos tr\u00eas anos de idade, quando o mundo vivia o auge da Segunda Guerra Mundial. O objeto? Um tanque de guerra rabiscado no canto de um jornal di\u00e1rio, provavelmente descartado mais cedo pelo pai. Ah, o pai. Juarez teve o pai que todo artista gostaria de ter.\u00a0<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":1963,\"width\":462,\"height\":300,\"sizeSlug\":\"large\",\"linkDestination\":\"none\"} -->\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1963\" src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/PRIMEIRO-DESENHO-JM-AOS-3-ANOS-1944-ACERVO-IIJM-1024x667.jpg\" alt=\"\" width=\"462\" height=\"300\" \/>\n<figcaption>Primeiro desenho de Juarez Machado. <br \/>Foto de arquivo do Instituto Juarez Machado<\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n<!-- \/wp:image --><!-- wp:paragraph -->\n<p>Jo\u00e3o Machado era um colecionador de coisas e de causos. Como caixeiro viajante, sustentava as necessidades da casa; como escultor e fot\u00f3grafo, alimentava suas outras paix\u00f5es. Pai dedicado, encontrou, na mesma dist\u00e2ncia que o afastava da esposa e dos filhos,\u00a0 uma forma de estar presente: trazia na mala extra &#8211; montada s\u00f3 para a fam\u00edlia &#8211; as bugigangas e experi\u00eancias mais interessantes da viagem. Juarez e o irm\u00e3o mais novo, Edson, adoravam o presente, e toda a saudade era perdoada quando se reuniam, ap\u00f3s o jantar, para cear as hist\u00f3rias do pai.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>Com a fam\u00edlia completa, as noites eram sempre as mesmas. Ap\u00f3s a refei\u00e7\u00e3o, a mesa que servia o jantar preparado pela m\u00e3e se transformava em uma esta\u00e7\u00e3o de trabalho para o pai, onde suas melhores fotos e esculturas eram espalhadas. Leonora, a matriarca, contribu\u00eda para a exposi\u00e7\u00e3o com o resultado do trabalho fora de casa, feito para complementar a renda da fam\u00edlia. Confeccionava leques de seda impecavelmente detalhados, que pintava para a Companhia Hansen, atual Tigre.\u00a0 Tanta aten\u00e7\u00e3o e est\u00edmulo s\u00f3 poderiam ter um resultado:\u00a0 os dois filhos passaram a dividir, al\u00e9m do quarto, a inspira\u00e7\u00e3o pela arte.\u00a0<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>Apesar do mesmo amor, os irm\u00e3os seguiram carreiras diferentes. Juarez queria criar, Edson preferiu a curadoria &#8211; escolhas distintas na juventude, mas que se uniriam na vida adulta. \u201cJuarez sempre foi muito generoso. H\u00e1 uma afinidade e um respeito muito grande, desde muito tempo atr\u00e1s. Nossos interesses pela arte foram se afunilando e isso criou uma parceria divertida e competente em nosso trabalho, que vai al\u00e9m da fam\u00edlia\u201d, conta Edson.\u00a0<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>Sem qualquer d\u00favida sobre seus objetivos, Juarez iniciou aos 19 anos os estudos na Escola de M\u00fasica e Belas Artes do Paran\u00e1, mudando-se para Curitiba. A decis\u00e3o sobre o curso j\u00e1 estava tomada desde sua primeira experi\u00eancia de trabalho. Ainda na adolesc\u00eancia, teve contato com a produ\u00e7\u00e3o de materiais art\u00edsticos ao criar\u00a0 r\u00f3tulos de rem\u00e9dio, embalagens e cartazes no Laborat\u00f3rio Catarinense.\u00a0<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>A primeira mostra individual de Juarez aconteceu ainda no \u00faltimo ano de faculdade, na Galeria de Arte Cocaco, em Curitiba, com um tema conhecido da terra natal do artista: as bicicletas. Na ocasi\u00e3o, a obra \u201cOper\u00e1rios do Itaum&#8221;, criada em 1960, levou o primeiro dos in\u00fameros pr\u00eamios que o joinvilense receberia ao longo de sua carreira.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>Ap\u00f3s o diploma, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde viveu por 20 anos. L\u00e1, contribuiu ativamente para o movimento cultural da cidade e tornou-se amigo de personalidades importantes para a dramaturgia brasileira, como Ary Fontoura, Paulo Goulart, Nicette Bruno, Ziraldo e Fernanda Montenegro. Nesse per\u00edodo, explorou seu talento em lugares diferentes da arte, criando charges para grandes jornais e ilustrando capas de discos, cadernos e livros. Chegou at\u00e9 a produzir pe\u00e7as para Oscar Niemeyer e a atuar na televis\u00e3o, quando estrelou um quadro de sucesso no Fant\u00e1stico como m\u00edmico \u2013 ou, em sua pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o, \u201cdesenhista de gestos\u201d. A atra\u00e7\u00e3o foi exibida at\u00e9 1978.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":1964,\"width\":365,\"height\":543,\"sizeSlug\":\"large\",\"linkDestination\":\"none\"} -->\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1964\" src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Juarez-Machado-Programa-Fantastico-anos-70-80-Acervo-IIJM.jpg\" alt=\"\" width=\"365\" height=\"543\" \/>\n<figcaption>Juarez Machado no programa Fant\u00e1stico nos anos 70. Foto de arquivo do Instituto Juarez Machado<\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n<!-- \/wp:image --><!-- wp:paragraph -->\n<p>No trabalho que produz, o artista \u00e9 meticuloso, motivo que o levou a criar seu principal ateli\u00ea em Paris, no bairro de Montmartre. O lugar tamb\u00e9m foi casa e inspira\u00e7\u00e3o para ningu\u00e9m mais, ningu\u00e9m menos, do que Picasso, Renoir e Edith Piaf. V\u00e1rias de suas obras mais importantes foram concebidas na Rue des Abbesses, ap\u00f3s a Fran\u00e7a acolher Juarez com o mesmo amor do que o Brasil.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>A for\u00e7a da presen\u00e7a do artista \u00e9 tanta que levou o cineasta Jean-Pierre Jeunet a replicar a mesma paleta de tons, caracter\u00edsticos das obras do joinvilense, nas cenas do filme &#8220;O Fabuloso Destino de Am\u00e9lie Poulain&#8221; (2001), um cl\u00e1ssico do cinema franc\u00eas contempor\u00e2neo . Al\u00e9m das cores \u00e9 poss\u00edvel perceber no filme, gravado tamb\u00e9m em Montmartre, quadros de Juarez decorando o quarto da protagonista.\u00a0\u00a0<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>Sonhador como todo artista, Juarez sempre falou sobre a import\u00e2ncia de levar arte a todos os lugares &#8211; algo que fez por onde passou, inclusive em sua cidade natal.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>Em 2014, foi inaugurado em Joinville o <a href=\"http:\/\/www.institutojuarezmachado.com.br\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"http:\/\/www.institutojuarezmachado.com.br\/\">Instituto Juarez Machado<\/a>, uma pinacoteca para exposi\u00e7\u00e3o de suas telas, esculturas e mem\u00f3rias de vida. Enganam-se os que acham que o instituto foi obra de ego ou idolatria pr\u00f3pria. N\u00e3o. A constru\u00e7\u00e3o veio de uma promessa feita a si mesmo, logo ap\u00f3s o diploma de ensino m\u00e9dio no Col\u00e9gio Bom Jesus: trazer mais cultura a uma cidade fabril. Para o projeto, aliou seu trabalho com o do irm\u00e3o, Edson, diretor art\u00edstico do espa\u00e7o.\u00a0\u00a0<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>Apesar das roupas impecavelmente passadas e do sapato sempre lustrado, o local escolhido para abrigar o instituto \u00e9 a prova mestra de sua simplicidade: a casa dos Machado. A mesma cozinha onde sua m\u00e3e preparava o jantar, o mesmo quarto que os irm\u00e3os dividiam, a mesma porta que recebia o pai de volta em todas as viagens continuam l\u00e1. Agora, como lar exclusivo da arte do filho mais velho, administrado pelo filho mais novo.\u00a0<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>Neste ano, em meio \u00e0 pandemia, Juarez completou sua octog\u00e9sima volta ao sol. N\u00e3o houve festa, n\u00e3o houve champagne, n\u00e3o houve bolo servido sob uma mesa retangular adornada com toalha branca e apinhada de pessoas \u00e0 volta.\u00a0<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>O artista est\u00e1 recluso em uma fazenda no Rio de Janeiro, um local de dif\u00edcil acesso e quase nenhum contato com o mundo externo. Ele s\u00f3 conversa com a fam\u00edlia. Ningu\u00e9m mais sabe o que Juarez est\u00e1 fazendo.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>Quem sabe esteja criando, quem sabe esteja se reinventando, quem sabe esteja s\u00f3 tomando sol todas as tardes, sentado em uma varanda extensa e com uma ta\u00e7a de vinho na m\u00e3o, sua companheira de longa data&#8230; Quem sabe. O que sabemos \u00e9 que seu legado e sua hist\u00f3ria inspiraram e inspiram pessoas de todo o mundo e, para a nossa\u00a0 sorte, podemos encontr\u00e1-lo muito perto, em cada um dos cantos do n\u00famero 994 da rua Lages, no bairro Am\u00e9rica, em Joinville.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":1965,\"width\":616,\"height\":410,\"sizeSlug\":\"large\",\"linkDestination\":\"none\"} -->\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1965\" src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/JM-foto-Max-Schwoelk-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"616\" height=\"410\" \/>\n<figcaption>Juarez Machado. Foto Max Schwoelk<\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n<!-- \/wp:image -->\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por T\u00e1rsila Elbert e J\u00falia de Almeida \u00c9 uma festa de anivers\u00e1rio, mas o aniversariante ainda n\u00e3o foi visto. Bolo e champagne est\u00e3o servidos sobre a mesa retangular, apinhada de pessoas que se espremem \u00e0 sua volta. 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