{"id":2014,"date":"2021-07-12T19:09:00","date_gmt":"2021-07-12T22:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=2014"},"modified":"2025-07-04T20:10:53","modified_gmt":"2025-07-04T23:10:53","slug":"leia-mulheres-joinville-uma-das-poucas-formas-de-discutir-literatura-na-cidade-da-danca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2021\/07\/12\/leia-mulheres-joinville-uma-das-poucas-formas-de-discutir-literatura-na-cidade-da-danca\/","title":{"rendered":"Leia Mulheres Joinville: uma das poucas formas de discutir literatura na Cidade da Dan\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Prestes a completar cinco anos, o clube do livro joinvilense tem como objetivo disseminar a literatura escrita por mulheres e leva pluralidade cultural para a cidade<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por: Dielin da Silva<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-black-color\">\u201cPois o sil\u00eancio n\u00e3o tem fisionomia, mas as palavras muitas faces.\u201d <\/mark>A frase \u00e9 de Machado de Assis, escritor carioca apontado 521 vezes na pesquisa <a href=\"https:\/\/prolivro.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/5a_edicao_Retratos_da_Leitura_no_Brasil_IPL-compactado.pdf\">Retratos da Leitura no Brasil 2019<\/a> como o autor mais conhecido e 297 vezes como o preferido dos brasileiros. Realizada entre outubro de 2019 e janeiro de 2020 pelo Instituto Pr\u00f3-Livro (IPL), Ita\u00fa Cultural e IBOPE Intelig\u00eancia, a pesquisa considera leitor toda pessoa que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos 3 meses que antecederam a entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa, que entrevistou 8.076 pessoas de 208 munic\u00edpios brasileiros, teve como p\u00fablico-alvo a popula\u00e7\u00e3o brasileira residente com cinco anos ou mais, alfabetizada ou n\u00e3o. Dos 193 milh\u00f5es de habitantes, apenas 52 milh\u00f5es s\u00e3o considerados leitores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de o estudo ter sido realizado em todas as unidades federativas, o n\u00famero exato de entrevistados por estado n\u00e3o foi divulgado. Na regi\u00e3o Sul se encontram 14% dos participantes da pesquisa &#8211; que apontou que os tr\u00eas estados t\u00eam 16,1 milh\u00f5es de leitores &#8211; o que equivale a 1.181 respondentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Joinville, al\u00e9m de ser a maior cidade de Santa Catarina, tamb\u00e9m \u00e9 onde acontece uma das maiores feiras do livro no estado, evento que j\u00e1 trouxe para a cidade nomes como Thalita Rebou\u00e7as, L\u00e1zaro Ramos, Walcyr Carrasco, Miriam Leit\u00e3o, Concei\u00e7\u00e3o Evaristo e <a href=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/2021\/06\/17\/procura-se-juarez\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Juarez Machado<\/a> (que d\u00e1 nome a um dos mais conhecidos espa\u00e7os culturais de Joinville).<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m,&nbsp; leitores joinvilenses apontam que o fomento cultural da \u00e1rea em outros per\u00edodos do ano \u00e9 insuficiente. Este foi um dos motivos que levaram a jornalista Marcela G\u00fcther a criar o Leia Mulheres Joinville, grupo que discute mensalmente obras escritas por mulheres, com o objetivo dar visibilidade a escritoras que nem sempre receberam o reconhecimento que mereciam.<\/p>\n\n\n\n<p><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\">\u201cEu vejo que na cidade tem muitas iniciativas pro grupo infantojuvenil, at\u00e9 a Feira do Livro reflete isso na sua formata\u00e7\u00e3o e proposta de programa\u00e7\u00e3o, mas o p\u00fablico adulto leitor \u00e9 pouco contemplado e acho que o clube do livro veio para sanar isso\u201d, <\/mark><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-black-color\">explica Marcela.\u00a0<\/mark><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O in\u00edcio do clube de leitura na cidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"2018\" src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/201707-primeiro-encontro-1-1024x699.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2018\"\/><figcaption>O primeiro encontro do Leia Mulheres Joinville ocorreu em julho de 2017 | Foto: arquivo pessoa\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>O clube joinvilense come\u00e7ou em 2017, quando Marcela descobriu o movimento <a href=\"https:\/\/leiamulheres.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leia Mulheres<\/a> nas redes sociais. Inicialmente, pensou que fosse apenas uma <em>hashtag<\/em>, mas logo soube que era uma iniciativa para dar visibilidade a escritoras mulheres. Ela, ent\u00e3o, buscou por um grupo de leitura na cidade, mas na \u00e9poca existiam somente dois em Santa Catarina: em Blumenau e em Florian\u00f3polis. <span class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\">\u201cEnt\u00e3o eu decidi criar\u201d<\/span>, afirma a jornalista, tamanho era o seu desejo de compartilhar experi\u00eancias liter\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Para criar um grupo do movimento em sua cidade \u00e9 preciso entrar em contato diretamente com a organiza\u00e7\u00e3o nacional do Leia Mulheres. <span class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\">\u201cN\u00e3o se pode criar do nada e dizer que \u00e9 Leia Mulheres, porque \u00e9 uma marca registrada&#8221;<\/span>, explica Marcela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s entrar em contato com a organiza\u00e7\u00e3o, a jornalista passou por um processo de entrevista para tornar-se mediadora. Al\u00e9m de mediar os encontros, ela \u00e9 respons\u00e1vel pela escolha das leituras que ser\u00e3o feitas ao longo do ano. J\u00e1 s\u00e3o mais de 40 livros lidos pelo grupo de Joinville.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como est\u00e3o as reuni\u00f5es do grupo em meio a pandemia?<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"2021\" src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Encontro-de-julho_2020-primeiro-online-1024x443.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2021\"\/><figcaption>Primeiro encontro online aconteceu no m\u00eas em que o grupo completava tr\u00eas anos | Foto: Arquivo pessoa\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0 pandemia da Covid-19, os encontros do Leia Mulheres passaram a ser realizados atrav\u00e9s de videochamadas. <span class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\">\u201cPor ser online, a gente tem a oportunidade de receber participantes de fora da cidade\u201d<\/span>, menciona a jornalista e mediadora, Marcela G\u00fcther.<\/p>\n\n\n\n<p>O formato tamb\u00e9m possibilita a realiza\u00e7\u00e3o de encontros conjuntos com outros grupos, como aconteceu com o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/clubedolivrodejguadosul\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Clube do Livro de Jaragu\u00e1 do Sul<\/a> e o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leiamulheresdiv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leia Mulheres Divin\u00f3polis<\/a> (Minas Gerais). Esse \u00faltimo bateu o recorde de tempo de discuss\u00e3o sobre o livro do m\u00eas: foram quatro horas de troca de experi\u00eancias. J\u00e1 em outro encontro, a tradutora do livro participou da conversa, fato que dificilmente aconteceria n\u00e3o fosse o formato online.<\/p>\n\n\n\n<p>A mediadora comenta que alguns clubes do Leia Mulheres optaram por n\u00e3o manter os encontros desta forma, por\u00e9m avalia que para ela e outros participantes de Joinville t\u00eam sido importante dar continuidade aos encontros: <span class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\">\u201c\u00c9 um momento de escape de tudo isso, em que voc\u00ea est\u00e1 conversando, rindo e construindo com pessoas que voc\u00ea gosta. \u00c9 um momento tanto para conversar sobre literatura quanto para ver amigos, ent\u00e3o est\u00e1 sendo bom a gente continuar online, porque refor\u00e7ou esses la\u00e7os, n\u00e3o cortou.\u201d<\/span><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das pessoas que come\u00e7aram a participar do grupo durante a pandemia foi a psic\u00f3loga Angela Maria Hoepfner, de 67 anos. Seu primeiro encontro foi em maio de 2020 e desde ent\u00e3o tornou-se participante ass\u00eddua.<strong> <\/strong><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-amber-color\">\u201cTer com quem dialogar e fazer trocas sobre um livro \u00e9 algo maravilhoso. Porque cada leitor l\u00ea de um jeito e com sua pr\u00f3pria riqueza. Nem sempre os interesses s\u00e3o os mesmos e \u00e9 bom que n\u00e3o seja, pois torna muito mais interessante\u201d<\/span>, argumenta.<\/p>\n\n\n\n<p>O gosto em comum por livros e os interesses diversificados tamb\u00e9m s\u00e3o pontos destacados pela professora Carla Diacui, de 41 anos. \u201c<span class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">\u00c9 estimulante, embora pense que nem todos que participam t\u00eam os mesmos interesses liter\u00e1rios. Acredito que o maior ganho est\u00e1 justamente nessa diversidade. O ponto em comum \u00e9 que os participantes est\u00e3o interessados em obter e compartilhar novas viv\u00eancias, instru\u00e7\u00e3o e cultura\u201d<\/span>, ressalta. Integrante do Leia Mulheres desde o segundo encontro, ela soube da exist\u00eancia do clube na cidade atrav\u00e9s de um boletim na r\u00e1dio, para o encontro sobre o livro \u201cA arte de pedir\u201d, da escritora Amanda Palmer, em agosto de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para Mar\u00edlia Garcia Boldorinia, 32 anos, a melhor parte do clube \u00e9 conhecer pessoas com gostos parecidos com os seus. <span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cQuando encontramos pessoas com quem compartilhar as leituras, discutir sobre os temas e aprender a cada encontro, a vontade de ler fica cada vez mais latente. Agora, na pandemia, estamos todos emocionalmente cansados, mas o grupo&nbsp; incentiva&nbsp; voc\u00ea a n\u00e3o abandonar a leitura, afinal voc\u00ea tem um compromisso: participar do debate do livro\u201d<\/span>, aponta a preparadora textual, que participa dos encontros h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de Angela, Carla e Mar\u00edlia participarem com frequ\u00eancia dos encontros do Leia Mulheres Joinville, a assiduidade n\u00e3o \u00e9 pr\u00e9-requisito para quem deseja participar, basta ter lido a obra que ser\u00e1 discutida no encontro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Marcela, o n\u00famero de pessoas nunca foi uma preocupa\u00e7\u00e3o. <span class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\">\u201cClaro que a gente sempre quer que tenha bastante gente, mas ao longo dos encontros eu fui percebendo que quantidade n\u00e3o \u00e9 qualidade de discuss\u00e3o\u201d<\/span>, analisa a mediadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Participar ativamente das discuss\u00f5es tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio. Marcela destaca que, quando pessoas novas participam dos encontros, mas n\u00e3o se sentem confort\u00e1veis em falar durante a discuss\u00e3o, e ela, como mediadora, respeita o desejo dos participantes. Nas conversas online, os leitores t\u00eam a op\u00e7\u00e3o de participar pelo chat, sem necessariamente ligar o microfone.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Marcela, a m\u00e9dia de participantes por encontro atualmente est\u00e1 entre 15 e 19 pessoas. A jornalista exemplifica os perfis entre os integrantes do grupo: <span class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\">\u201cTem gente que s\u00f3 vem nos encontros dos livros que a pessoa realmente quer ler e tem gente que l\u00ea todos os livros, que abra\u00e7a a proposta de ter experi\u00eancias diferentes do seu lugar-comum.\u201d<\/span><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como funcionam os encontros?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O que antes era uma roda de conversas e discuss\u00f5es tornou-se uma tarde de s\u00e1bado em frente \u00e0 tela do computador ou celular, ainda assim, cheia de trocas de experi\u00eancias sobre o livro do m\u00eas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\">\u201cO objetivo \u00e9 aproximar, ent\u00e3o dependendo do livro a gente tem uma conversa que gira em torno das quest\u00f5es est\u00e9ticas da obra ou das quest\u00f5es de viv\u00eancia de cada uma. Como h\u00e1 muitas personagens mulheres nos livros, as narrativas conversam com a hist\u00f3ria de cada pessoa\u201d,<\/mark> exemplifica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Incentiva e traz conhecimento<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"2028\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/2018-07-1-ano-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2028\"\/><figcaption>Encontro realizado em julho de 2018, quando o clube de leitura completava um ano | Foto: Arquivo Pessoal\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Participar do grupo fez com que Angela, Mar\u00edlia, Carla e tantas outras integrantes tivessem um incentivo a mais para ler. Angela, por exemplo, anota todos os coment\u00e1rios e indica\u00e7\u00f5es de livros feitos nos encontros, depois, vai em busca das obras para ler nas brechas de tempo. Al\u00e9m do Leia Mulheres Joinville, ela participa de outros cinco clubes de leitura e criou o \u201cVontade de (re)ler os cl\u00e1ssicos\u201d que teve in\u00edcio em maio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vida de Carla, o reflexo desse incentivo se estende tamb\u00e9m para a fam\u00edlia. <span class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">\u201cAl\u00e9m dos livros indicados no Leia Mulheres Joinville, consegui inserir na minha rotina a leitura de outras obras. Inclusive, busco incentivar o h\u00e1bito da leitura nos meus filhos. Meu marido e eu nos revezamos para ler com eles a fim de coloc\u00e1-los para dormir\u201d.<\/span> Ela acrescenta, ainda, que acaba aprendendo muito com a literatura infantil e juvenil apreciada nestes momentos com os filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os encontros do grupo joinvilense tamb\u00e9m s\u00e3o cheios de aprendizado. A discuss\u00e3o mais marcante para Mar\u00edlia foi sobre o livro \u201cHolocausto Brasileiro\u201d, da jornalista Daniela Arbex. A obra conta a hist\u00f3ria dos maus-tratos ocorridos no Hospital Col\u00f4nia, em Barbacena, Minas Gerais, algo at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido por Mar\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cA leitura e depois o debate sobre o texto me fizeram conhecer uma realidade t\u00e3o distante e ao mesmo tempo t\u00e3o pr\u00f3xima, acerca de um assunto de suma import\u00e2ncia, mas t\u00e3o omitido. Essas experi\u00eancias nos fazem sair da nossa zona de conforto\u201d,<\/mark> conclui a preparadora textual.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para Marcela, um encontro muito marcante foi quando leram \u201cMulheres, Ra\u00e7a e Classe\u201d, da Angela Davis. <span class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\">\u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, era meio raro aparecerem homens e quando vinham casais, o homem atuava mais como acompanhante do que participante. Era um casal de pessoas mais velhas, eles leram em conjunto o livro e em voz alta, pro outro tamb\u00e9m \u2018ler\u2019\u201d,<\/span> relembra a mediadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela explica que ao final, a autora faz uma reflex\u00e3o sobre o peso do trabalho dom\u00e9stico, como isso sempre foi imposto para as mulheres negras e como at\u00e9 hoje h\u00e1 um grande n\u00famero de mulheres realizando as tarefas de casa. <span class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\">\u201cPelas palavras da Angela Davis, o marido se deu conta de muitas coisas sobre a rela\u00e7\u00e3o familiar e divis\u00e3o de tarefas em casa. Foi um depoimento significativo e muito bonito\u201d,<\/span> ressalta a jornalista.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Descentraliza\u00e7\u00e3o (nos livros e nos encontros)<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"2024\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/encontro-leia-mulheres-joinville-2019_12-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2024\"\/><figcaption>Al\u00e9m de buscar livros escritos por mulheres de pa\u00edses fora do eixo \u201cEstados Unidos \u2013 Europa\u201d, o grupo j\u00e1 realizou encontros em diversos espa\u00e7os em Joinville | Foto: Arquivo pessoal\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>O Leia Mulheres tem em sua proposta tirar a aten\u00e7\u00e3o centrada nos autores homens e dar visibilidade \u00e0s escritoras mulheres, mas a mediadora do clube joinvilense busca ir al\u00e9m neste processo de descentraliza\u00e7\u00e3o da leitura.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, quando prepara o cronograma de leituras do ano seguinte, busca autoras de pa\u00edses de fora do eixo Estados Unidos &#8211; Europa, dando visibilidade a escritoras da \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica do Sul, al\u00e9m de incluir mais mulheres negras e ind\u00edgenas, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>A diversidade tamb\u00e9m est\u00e1 nos g\u00eaneros liter\u00e1rios, tanto livros de contos, fic\u00e7\u00f5es, biografia, livros te\u00f3ricos, tudo pensando na pluralidade das obras a serem lidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a descentraliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o parou nos livros. Por algum tempo o grupo foi itinerante, cada encontro era realizado em um lugar diferente de Joinville. Serviram como local um museu, associa\u00e7\u00e3o de moradores (na Amorabi) e em outros espa\u00e7os culturais da cidade que muitos integrantes do grupo n\u00e3o conheciam e gra\u00e7as ao Leia Mulheres passaram a frequentar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como participar?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Para participar dos encontros, basta fazer a inscri\u00e7\u00e3o em um link dispon\u00edvel no perfil do Instagram do Leia Mulheres (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leiamulheresjoinville\/?hl=pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@leiamulheresjoinville<\/a>). Um dia antes do encontro o participante receber\u00e1 o link para a chamada de v\u00eddeo da reuni\u00e3o.<\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prestes a completar cinco anos, o clube do livro joinvilense tem como objetivo disseminar a literatura escrita por mulheres e leva pluralidade cultural para a cidade Por: Dielin da Silva \u201cPois o sil\u00eancio n\u00e3o tem fisionomia, mas as palavras muitas faces.\u201d A frase \u00e9 de Machado de Assis, escritor carioca apontado 521 vezes na pesquisa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2660,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[345,266],"tags":[294],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2014"}],"collection":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2014"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2014\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2661,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2014\/revisions\/2661"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}