{"id":246,"date":"2018-06-06T20:00:52","date_gmt":"2018-06-06T23:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=246"},"modified":"2025-07-04T19:54:10","modified_gmt":"2025-07-04T22:54:10","slug":"especialistas-sugerem-alternativas-ao-transporte-rodoviario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2018\/06\/06\/especialistas-sugerem-alternativas-ao-transporte-rodoviario\/","title":{"rendered":"Especialistas sugerem alternativas ao transporte rodovi\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>A crise gerada em torno da greve dos caminhoneiros traz \u00e0 tona a quest\u00e3o da depend\u00eancia das rodovias no Brasil. Poucos dias sem caminh\u00f5es rodando nas autoestradas foram suficientes para que surgissem as primeiras imagens de prateleiras de supermercados vazias e <a href=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/2018\/06\/07\/senso-coletivo-e-esquecido-durante-greve-conclui-sociologa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>filas de carros<\/strong><\/a> nos postos de gasolina. Aulas foram canceladas por falta de alimenta\u00e7\u00e3o e hospitais tiveram que priorizar atendimentos. Especialistas sugerem que o cen\u00e1rio poderia ser diferente se houvesse investimento em outros modais.<\/p>\n<p>Cerca de 65% de tudo o que \u00e9 comercializado no pa\u00eds passa e depende das pistas de rodagem, conforme dados da Empresa de Planejamento e Log\u00edstica S.A. (EPL). A explica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica vem da d\u00e9cada de 1950, quando come\u00e7aram as primeiras ideias de desenvolvimento do pa\u00eds, lideradas pelo ent\u00e3o presidente Juscelino Kubistchek.<\/p>\n<p>O ex-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Joinville (Ippuj) e doutor em planejamento urbano, Luiz Alberto de Souza, explica que existia uma vis\u00e3o de futuro, quando todos iriam ter um carro pr\u00f3prio e, assim, a sociedade teria liberdade.<\/p>\n<p>\u201cA grande cr\u00edtica que podemos fazer \u00e9 ao abandono das ferrovias e o n\u00e3o investimento em hidrovias, j\u00e1 que o pa\u00eds tem grandes rios naveg\u00e1veis e que poderiam ser alternativas\u201d, avalia Luiz. \u201cEm Santa Catarina, por exemplo, o rio Itaja\u00ed-A\u00e7u \u00e9 naveg\u00e1vel e poderia levar produtos de Blumenau at\u00e9 os portos de Navegantes e Itaja\u00ed\u201d, completa.<\/p>\n<p>Mesmo com a chegada dos autom\u00f3veis, pa\u00edses como Argentina, Espanha, Alemanha e Estados Unidos mantiveram a malha ferrovi\u00e1ria para locomo\u00e7\u00e3o de transportes em longa dist\u00e2ncia, havendo uma moderniza\u00e7\u00e3o neste modal. Luiz Alberto compara dizendo que no Brasil, que hoje tem cerca de 30 mil quil\u00f4metros de linhas f\u00e9rreas, houve um abandono proposital para vender mais autom\u00f3veis e caminh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para ele, esse foi um dos motivos que acabou gerando essa depend\u00eancia que n\u00f3s temos hoje. \u201cMas elas (linhas de trem) ainda devem e podem ser recuperadas e alguns trechos novos podem ser implantados, como alternativas futuras\u201d, comenta.<\/p>\n<h3><strong>Fiesc defende constru\u00e7\u00e3o das ferrovias da Integra\u00e7\u00e3o e Litor\u00e2nea<\/strong><\/h3>\n<p>Um estudo da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) indica que uma composi\u00e7\u00e3o de trem com 100 vag\u00f5es pode substituir 357 caminh\u00f5es em trajetos de longo curso, reduzindo as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono. A entidade defende a constru\u00e7\u00e3o das ferrovias da Integra\u00e7\u00e3o e Litor\u00e2nea e argumenta que ainda que ampliados, os eixos rodovi\u00e1rios de Santa Catarina, n\u00e3o ter\u00e3o a capacidade de absorver o aumento da popula\u00e7\u00e3o, das cidades, da atividade econ\u00f4mica, da movimenta\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria e do turismo.<\/p>\n<p>O professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Cassiano Augusto Isler, que \u00e9 engenheiro civil e doutor em engenharia de transportes, explica que mesmo que acontecesse investimento em ferrovias, o desabastecimento dificilmente seria resolvido sem o transporte rodovi\u00e1rio. \u201cPara suprir a necessidade em uma crise como a de semana passada, invariavelmente a gente vai ter que passar pelo transporte rodovi\u00e1rio. Ao menos na dist\u00e2ncia mais curta, do centro de distribui\u00e7\u00e3o at\u00e9 o consumidor final\u201d, explica Cassiano.<\/p>\n<p>No entanto, o professor diz que a estrutura nacional seria menos prejudicada se houvesse \u201cinvestimento sistem\u00e1tico, a m\u00e9dio e longo prazo\u201d no transporte ferrovi\u00e1rio. \u201cO desgaste rodovi\u00e1rio vai ser menor, porque voc\u00ea tira os caminh\u00f5es que t\u00eam um alto peso que danifica o pavimento e transfere para outro modo. Obviamente que isso tem um impacto na economia, na quest\u00e3o de empregos e na produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. N\u00e3o d\u00e1 para negligenciar a import\u00e2ncia do transporte rodovi\u00e1rio, mas a gente viu que essa depend\u00eancia total acaba sendo prejudicial\u201d.<\/p>\n<p>Uma das quest\u00f5es a ser considerada, diz o engenheiro, \u00e9 financeiro. \u201cProporcionalmente, as ferrovias conseguem transportar muito mais cargas, em termos absolutos, do que os ve\u00edculos rodovi\u00e1rios. S\u00f3 que os custos de constru\u00e7\u00e3o das ferrovias, em geral, s\u00e3o muito maiores. Para come\u00e7ar a operar uma ferrovia, voc\u00ea precisa de um investimento inicial muito mais alto do que o modo rodovi\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>O transporte ferrovi\u00e1rio, explica Cassiano, \u00e9 mais vi\u00e1vel para transportar cargas com densidade alta e baixo valor agregado. \u201cO ideal seria conseguir variar mais os produtos que s\u00e3o transportados atualmente pelo modo ferrovi\u00e1rio, que s\u00e3o as commodities\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>Ele lembra que produtos como min\u00e9rio, soja e a\u00e7\u00facar s\u00e3o bastante transportados por trens no Brasil. \u201cPra voc\u00ea ter uma lucratividade, voc\u00ea tem que vender uma quantidade muito grande\u201d, acrescenta. H\u00e1 vag\u00f5es espec\u00edficos para transporte de combust\u00edvel l\u00edquido e os postos poderiam ser reabastecidos por trens, destaca Cassiano. \u00c9 o que acontece em Bauru, no interior de S\u00e3o Paulo. Durante a greve, conforme <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/bauru-marilia\/noticia\/com-abastecimento-garantido-por-trem-bauru-ve-invasao-de-motoristas-em-busca-de-combustivel.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>reportagem do G1<\/strong><\/a>, moradores da regi\u00e3o procuraram pelos postos da cidade que ainda tinham combust\u00edvel.<\/p>\n<h3><strong>Malha ferrovi\u00e1ria de Joinville n\u00e3o \u00e9 adequada para transporte de passageiros<\/strong><\/h3>\n<p>Em Joinville, h\u00e1 uma malha de trem que passa pela cidade, mas n\u00e3o \u00e9 adequada para o transporte de passageiros no cotidiano. Um dos motivos deve-se ao fato dos trilhos terem sentido Leste-Oeste, o que n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel, visto que as maiores empresas concentram-se na regi\u00e3o Norte e parte dos trabalhadores moram na zona Sul. \u201cPortanto, para a exist\u00eancia de ferrovias, deveria haver estudos de Origem Pesquisa e Origem Destino que, v\u00e3o retratar onde as pessoas est\u00e3o e onde elas querem ir, avaliando por onde passaria este terminal ferrovi\u00e1rio, examinando a necessidade e a capacidade do modal\u201d, explica Luiz Alberto de Souza.<\/p>\n<p>Para o futuro e otimiza\u00e7\u00e3o da log\u00edstica, a ideia \u00e9 de n\u00e3o transporte, diz Luiz. Tanto para transporte de passageiros como de cargas. Pois, quanto menos precisar se locomover melhor. \u201cBuscamos, hoje em dia, o modelo de cidades compactas\u201d, atesta. Por\u00e9m, como muitas pessoas moram longe de seus locais de trabalho, a sugest\u00e3o de Souza s\u00e3o os ve\u00edculos leves sobre trilhos (VLT) ou at\u00e9 mesmo trens urbanos. Em casos de cidades m\u00e9dias (at\u00e9 700 mil habitantes) podem ser implantados de corredores de \u00f4nibus bem estruturados, com \u00f4nibus articulados, com manuten\u00e7\u00e3o (BRT) e tarifas justas, al\u00e9m de ciclovias e cal\u00e7adas adequadas para incentivar os pedestres e ciclistas.<\/p>\n<p>As tecnologias tamb\u00e9m podem contribuir para este processo de deslocamentos. \u201cAplicativos de bancos online, caronas, transportes de curtas dist\u00e2ncias, faz parecer que esta gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o precise mais de carros, pois o modo de vida ser\u00e1 diferente\u201d, finaliza.<\/p>\n<p><em>Reportagem: Alex Sander Magdyel e Leonardo Fernandes<\/em><br \/>\n<em>Foto: Markito\/Fiesc<\/em><br \/>\n<strong>Conte\u00fado original do Primeira Pauta Impresso, Edi\u00e7\u00e3o 139<\/strong><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise gerada em torno da greve dos caminhoneiros traz \u00e0 tona a quest\u00e3o da depend\u00eancia das rodovias no Brasil. 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