{"id":331,"date":"2018-06-06T21:17:24","date_gmt":"2018-06-07T00:17:24","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=331"},"modified":"2022-06-22T19:42:25","modified_gmt":"2022-06-22T22:42:25","slug":"entenda-a-politica-de-precos-da-petrobras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2018\/06\/06\/entenda-a-politica-de-precos-da-petrobras\/","title":{"rendered":"Entenda a pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobras"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 dois anos na presid\u00eancia da Petrobras, maior empresa estatal brasileira, Pedro Parente renunciou seu cargo no dia 01 de junho, ap\u00f3s a greve dos caminhoneiros e petroleiros, que afetaram diretamente a empresa e consequentemente sua gest\u00e3o. A atual pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobras era questionada e criticada pelos grevistas desde o come\u00e7o das paralisa\u00e7\u00f5es, que tinham por objetivo a redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do diesel, entre outras reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s negociar a redu\u00e7\u00e3o de R$ 0,46 centavos com os grevistas, o governo anunciou um plano que visa fixar o pre\u00e7o do diesel durante dois meses e, ap\u00f3s esse per\u00edodo, o reajuste ser\u00e1 mensal, valor que antes era alterado diariamente, pois assim, segundo a empresa, poderia acompanhar o valor do d\u00f3lar e do mercado internacional. Essa a\u00e7\u00e3o era parte da pol\u00edtica de pre\u00e7os criada para recuperar a empresa e aliviar as d\u00edvidas, que no final de 2017 era de R$ 88 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A \u201csa\u00fade financeira\u201d, segundo Parente, seria alcan\u00e7ada em 2022, ap\u00f3s anos reduzindo investimentos. Em outras palavras, tinha que optar entre continuar no mesmo ritmo de investimentos e crescimento ou reduzir para manter a casa arrumada, tentando diminuir as d\u00edvidas.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) emitiu diversas notas contr\u00e1rias a atual pol\u00edtica de pre\u00e7os da pr\u00f3pria empresa. Ao encontro do que explicou o economista, a estatal n\u00e3o precisaria vender seus ativos (privatizar) para reduzir o n\u00edvel de endividamento. \u201cAo contr\u00e1rio, na medida em que vende ativos ela reduz sua capacidade de pagamento da d\u00edvida no m\u00e9dio prazo e desestrutura sua cadeia produtiva, em preju\u00edzo \u00e0 gera\u00e7\u00e3o futura de caixa, al\u00e9m de assumir riscos empresariais desnecess\u00e1rios. A meta de alavancagem poderia ser atingida em 2020 ou 2021, sem vender ativos, mas a atual administra\u00e7\u00e3o antecipou a meta de 2020 para 2018\u2019, explica a nota.<\/p>\n<p>A atual pol\u00edtica de pre\u00e7os, al\u00e9m de tentar recuperar o caixa da empresa, tinha por objetivo dar competitividade \u00e0 estatal no mercado internacional e recuperar o valor da companhia na bolsa de valores, por\u00e9m, segundo o economista, n\u00e3o quer dizer que seja melhor para o bolso dos brasileiros. \u201cA valoriza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es n\u00e3o significa melhorias para o povo, mas sim, a gera\u00e7\u00e3o de lucro, para satisfazer os investidores privados que possuem cada vez mais os ativos da empresa\u201d, justifica. Al\u00e9m disso, ele explica que esse desmonte ocorre na venda de parte dos po\u00e7os de petr\u00f3leo para empresas estrangeiras, com o objetivo de utilizar esse valor arrecadado para pagamento da d\u00edvida p\u00fablica do Brasil. \u201cEmbora os pre\u00e7os dos combust\u00edveis tenham sempre se mantido em patamares muito altos em todos os governos, no per\u00edodo Temer tais altas de pre\u00e7os foram mais absurdas, para se fazer ajuste fiscal com tributos sobre o consumo e devido a uma maior exposi\u00e7\u00e3o ao mercado internacional.\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s dois anos com a atual pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o de investimentos para controlar a d\u00edvida, a sa\u00edda de Parente diz muito sobre o que pode acontecer com a empresa brasileira daqui para frente. Quem assumiu a presid\u00eancia foi Ivan Monteiro, que fez parte do plano para recuperar a empresa antes mesmo de Parente chegar \u00e0 estatal. Michel Temer, ao indicar o nome de Monteiro no mesmo dia da queda de Pedro Parente, refor\u00e7ou que o objetivo continua sendo a redu\u00e7\u00e3o de gastos para manter a \u201csa\u00fade financeira\u201d . Explicou ainda que a atual pol\u00edtica de pre\u00e7os n\u00e3o sofrer\u00e1 mudan\u00e7as com a nova gest\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Por op\u00e7\u00e3o, Brasil continua dependente de importa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo<\/strong><\/h3>\n<p>Em 2006, com a descoberta da reserva de petr\u00f3leo na camada pr\u00e9-sal, localizada nas Bacias de Santos, Campos e Esp\u00edrito Santo, o pa\u00eds especulava alcan\u00e7ar uma real autossufici\u00eancia em petr\u00f3leo. At\u00e9 o momento, o pa\u00eds produzia a quantidade de petr\u00f3leo equivalente ao consumo, mas era dependente do petr\u00f3leo importado para auxiliar no refino de alguns derivados.<\/p>\n<p>Existem duas variedades de petr\u00f3leo, denominados \u201cleve\u201d e \u201cpesado\u201d, de acordo com a sua densidade. No Brasil, o tipo predominante \u00e9 o pesado, que dificulta e encarece o processo de destila\u00e7\u00e3o, realizado nas refinarias para separar os \u00f3leos derivados. Com o objetivo de suprir a necessidade, o Brasil importava o petr\u00f3leo leve para auxiliar no refino e exportava parte do \u00f3leo pesado, excedente no processo.<\/p>\n<p>As reservas na camada pr\u00e9-sal n\u00e3o desapontaram as expectativas, apresentando grande ac\u00famulo de \u00f3leo leve e alto valor comercial. No entanto, as importa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo continuaram ocorrendo em grande escala, com apenas algumas oscila\u00e7\u00f5es no decorrer dos anos. Pouco mais de uma d\u00e9cada da descoberta, apesar dos resultados e aperfei\u00e7oamentos em refinarias, o pa\u00eds continua dependente de importa\u00e7\u00f5es, dessa vez por op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com base nos dados da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP), a produ\u00e7\u00e3o de derivados do petr\u00f3leo nas refinarias brasileiras come\u00e7ou a apresentar queda em 2015, chegando a 16,7% de redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 dezembro de 2017. Em compensa\u00e7\u00e3o, no per\u00edodo 2015-2017 a exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru continuou crescendo (35%) e a importa\u00e7\u00e3o de derivados voltou a apresentar resultados positivos (40%). Ou seja, as refinarias come\u00e7aram a reduzir seu trabalho, enquanto a importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o cresceram.<\/p>\n<p>Em abril deste ano, a estatal oficializou suas inten\u00e7\u00f5es, dando in\u00edcio ao processo de venda de 60% de quatro de suas refinarias \u2013 Landulpho Alves (BA), Abreu e Lima (PE), Alberto Pasqualini (RS) e Presidente Get\u00falio Vargas (PR). Juntas elas somam 36% da capacidade nacional de refino, e ser\u00e3o divididas entre duas subsidi\u00e1rias. Hoje, a Petrobras controla 13 de 17 refinarias instaladas no Pa\u00eds. As outras quatro s\u00e3o de capital privado: Manguinhos (RJ), Riograndense (RS), Univen \u2013 (SP) e DAX OIL (BA).<\/p>\n<p>Para o economista Rodrigo \u00c1vila, trata-se de uma l\u00f3gica comercial que visa a obten\u00e7\u00e3o de lucro, com interesse no benef\u00edcio de investidores ao inv\u00e9s da popula\u00e7\u00e3o. Com a pol\u00edtica de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel cobrar dos consumidores brasileiros valores nivelados ao mercado internacional, pois diminui a oferta interna e os valores ficam suscet\u00edveis \u00e0 varia\u00e7\u00e3o da taxa cambial e cota\u00e7\u00e3o do barril. Esse sintoma foi evidenciado com mais intensidade a partir de junho de 2017, quando as altera\u00e7\u00f5es no pre\u00e7o do combust\u00edvel passaram a ser praticamente di\u00e1rias.<\/p>\n<p>A Aepet chamou essa pol\u00edtica de \u201cAmerica first\u201d, que significa \u201cos Estados Unidos primeiro\u201d. Segundo eles, as altera\u00e7\u00f5es na pol\u00edtica da estatal beneficiaram os produtores norte-americanos e os importadores e distribuidores de capital privado no Brasil, em detrimento dos consumidores brasileiros, Petrobras, e at\u00e9 mesmo da Uni\u00e3o, que t\u00eam que arcar com as taxas elevadas. Apesar disso, a Companhia alega que a pol\u00edtica de pre- \u00e7os \u00e9 necess\u00e1ria para reduzir endividamentos da Empresa, juntamente com outras metas do plano de desinvestimento.<\/p>\n<h3><strong>Carros el\u00e9tricos podem se tornar alternativa para uso de gasolina<\/strong><\/h3>\n<p>Um ar cada vez mais puro e menos impacto negativo no meio ambiente \u00e9 o que os carros el\u00e9tricos prometem. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade registra 3 milh\u00f5es de mortes por ano devido \u00e0 polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, sendo que, segundo o Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), o setor de transportes responde por 14% das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Uma solu- \u00e7\u00e3o plaus\u00edvel encontrada para diminuir esse impacto foram os carros el\u00e9tricos, que j\u00e1 est\u00e3o presentes em pa\u00edses como Fran\u00e7a, Alemanha, Noruega, \u00cdndia, China, Inglaterra e Estados Unidos. Mas no Brasil essa realidade ainda n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel.<\/p>\n<p>Atualmente, apenas a BYD Company Limited e a Renault vendem ve\u00edculos 100% el\u00e9tricos e em condi\u00e7\u00f5es especiais no Brasil, mas s\u00e3o vendidos apenas em unidades e, geralmente, para pessoas jur\u00eddicas. Existe tamb\u00e9m o Nissan Leaf que chega \u00e0 segunda gera\u00e7\u00e3o no pr\u00f3ximo ano (2019). Entretanto, s\u00e3o comercializados dezenas de ve\u00edculos h\u00edbridos plug-in, como o Volvo XC90 e os Porsche Panamera PHEV, Cayenne PHEV e Toyota Prius. O estoque dos BMW i3 e i8 acabou no ano passado e a BMW ainda n\u00e3o h\u00e1 novos lotes de ve\u00edculos el\u00e9tricos ou h\u00edbridos plug-in.<\/p>\n<p>Os ve\u00edculos com sistema h\u00edbrido combinam duas fontes de energia. T\u00eam um motor el\u00e9trico e um \u00e0 gasolina. As duas fontes funcionam em conjunto ou individualmente coordenadas por um sistema inteligente. O motor \u00e0 gasolina auxilia na recarga da bateria de alta tens\u00e3o que alimenta o motor el\u00e9trico. Ele n\u00e3o precisa das esta\u00e7\u00f5es de recarga e tamb\u00e9m tem a mesma manuten\u00e7\u00e3o de um carro convencional. J\u00e1 o autom\u00f3vel el\u00e9trico n\u00e3o tem motor \u00e0 combust\u00e3o, ou seja, n\u00e3o utiliza nem uma \u00fanica gota de combust\u00edvel. Eles emitem t\u00e3o pouco ru\u00eddo que o departamento de tr\u00e2nsito dos Estados Unidos os obriga a produzir um som apenas para evitar o atropelamento de pedestres distra\u00eddos.<\/p>\n<p>Segundo os dados da ANEEL (Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica), at\u00e9 fins de 2017 o custo do kWh (Quilowatt-hora) era de R$ 0,50. Um carro el\u00e9trico anda 160 km com 30 kWh, isto significa que para andar 160 km o consumidor gastaria R$ 15 ou R$ 18 para ir de Joinville a Florian\u00f3polis. Mas existem alguns entraves que o afastam um pouco da realidade brasileira, pelo menos em curto prazo. \u00c9 dif\u00edcil prever o que pode acontecer com o pre\u00e7o da energia el\u00e9trica, pois se a circula\u00e7\u00e3o de carros el\u00e9tricos aumentar, provavelmente ir\u00e1 demandar maior eletricidade, isso pode elevar os pre\u00e7os das tarifas. Outro fator \u00e9 que o carro el\u00e9trico exige demais investimentos em infraestrutura, como os postos de reabastecimento e uma rede de recarga preparada. Al\u00e9m disso, o tempo de recarga \u00e9 longo, levando de 6 a 12 horas.<\/p>\n<p>Em 2016, o Brasil tinha uma frota de 2.500 carros sustent\u00e1veis, sendo 0,006% do total, somando os de carregar na tomada, os com gerador adicional \u00e0 combust\u00e3o e os h\u00edbridos. No mundo, os el\u00e9tricos representam apenas 1% da frota, mas ano passado (2017) foi um marco para esse mercado. Para o vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Propriet\u00e1rios de Ve\u00edculos El\u00e9tricos Inovadores (Abravei), Ricardo de Almeida, 45, o principal obst\u00e1culo para o aumento das vendas e do uso dos el\u00e9tricos no Brasil \u00e9 o pre\u00e7o e, neste momento, a aus\u00eancia de modelos novos \u00e0 venda no mercado. Ele explica que uma vez que o pre\u00e7o reduza, pela redu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria atual, ser\u00e1 necess\u00e1rio investir em comunica\u00e7\u00e3o para que o consumidor entenda quese ele tem uma tomada comum em sua resid\u00eancia ou garagem do trabalho, ele tem seu pr\u00f3prio posto de gasolina para carregar o carro durante a noite ou durante o expediente. \u201cH\u00e1 muita desinforma\u00e7\u00e3o em rela- \u00e7\u00e3o ao uso dos carros el\u00e9tricos no dia-a-dia e sua autonomia. Mais de 90% dos deslocamentos feitos por um carro s\u00e3o em regi\u00f5es urbanas. Para tal deslocamento, a autonomia dos carros el\u00e9tricos atenderia perfeitamente a absoluta maioria dos usu\u00e1rios\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>De acordo com o economista Jo\u00e3o Luis Bertoli, para saber o quanto custaria um carro el\u00e9trico no Brasil em m\u00e9dia, produzido nas mesmas condi\u00e7\u00f5es que um carro normal, seria necess\u00e1rio um estudo explorando in\u00fameras possibilidades e ainda assim estaria sujeito a erros. \u201cDe qualquer maneira, esse estudo n\u00e3o existe, o que existe s\u00e3o iniciativas, especialmente nas universidades, procurando pesquisar sobre a viabilidade da produ\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio de carros el\u00e9tricos no Brasil\u201d, afirma.<\/p>\n<p><em>Reportagem: Maria Luiza Parisotto, Rhaiana Rhizzi e Sabrina de Oliveira<\/em><br \/>\n<em>Foto:&nbsp;Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><br \/>\n<strong>Conte\u00fado original do Primeira Pauta Impresso, Edi\u00e7\u00e3o 139<\/strong><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dois anos na presid\u00eancia da Petrobras, maior empresa estatal brasileira, Pedro Parente renunciou seu cargo no dia 01 de junho, ap\u00f3s a greve dos caminhoneiros e petroleiros, que afetaram diretamente a empresa e consequentemente sua gest\u00e3o. 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