{"id":351,"date":"2018-06-06T23:52:08","date_gmt":"2018-06-07T02:52:08","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=351"},"modified":"2022-06-22T19:48:04","modified_gmt":"2022-06-22T22:48:04","slug":"em-meio-a-greve-grupos-se-mobilizaram-em-apoio-aos-caminheiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2018\/06\/06\/em-meio-a-greve-grupos-se-mobilizaram-em-apoio-aos-caminheiros\/","title":{"rendered":"Em meio \u00e0 greve, grupos se mobilizaram em apoio aos caminhoneiros"},"content":{"rendered":"<p>A greve dos caminhoneiros mobilizou milhares de pessoas em todo o pa\u00eds. Em Joinville, a Pra\u00e7a da Bandeira foi ponto de concentra\u00e7\u00e3o para atos e serviu at\u00e9 de acampamentos para manifestantes. O advogado Rodrigo Cesar Limas, 39, \u00e9 um dos organizadores das passeatas em apoio aos grevistas e respons\u00e1vel por dormir no local e cuidar de toda a estrutura.<\/p>\n<p>Rodrigo explica que, mesmo com um n\u00facleo interno, o grupo n\u00e3o possui nome e nem corrente ideol\u00f3gica. Para ele, os caminhoneiros, no in\u00edcio da mobiliza\u00e7\u00e3o, paralisaram por pautas espec\u00edficas, mas quando o presidente Michel Temer apresentou alguns sindicatos como l\u00edderes, as reivindica\u00e7\u00f5es foram mudando. \u201cOs caminhoneiros nunca pediram redu\u00e7\u00e3o do diesel, eles pediram diminui\u00e7\u00e3o dos impostos dos combust\u00edveis em geral\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O advogado pensa que o governo federal fez isso para confundir as pessoas e deslegitimar a causa. \u201cCertas pessoas comunistas querem ouvir motivos para ficar em casa. Mas as pessoas cr\u00edticas foram atr\u00e1s das verdadeiras informa\u00e7\u00f5es e viram que n\u00e3o era bem isso\u201d, opina.<\/p>\n<p>O movimento come\u00e7ou com arrecada\u00e7\u00f5es de alimentos para os caminhoneiros, n\u00e3o possui l\u00edder na organiza\u00e7\u00e3o e as a\u00e7\u00f5es realizadas s\u00e3o discutidas em conjunto. \u201cNo ato do dia 31 de maio, por exemplo, pessoas propuseram de irmos \u00e0 Expoville. Discutimos entre os organizadores, assim como qualquer ideia. N\u00f3s s\u00f3 administramos as coisas\u201d, explica Rodrigo.<\/p>\n<p>O advogado conta que as manifesta\u00e7\u00f5es tiveram apoio de empres\u00e1rios do setor de transporte e do a\u00e7ougue, por exemplo. Al\u00e9m disso, ficou feliz com o comportamento da Pol\u00edcia Militar (PM), lembrando que em um dos atos, caminhoneiros fecharam as entradas do terminal central e os policiais n\u00e3o agiram.<\/p>\n<figure id=\"attachment_354\" aria-describedby=\"caption-attachment-354\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-354\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Acampanhados-apoiam-caminhneiros-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\"><figcaption id=\"caption-attachment-354\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lucas Koehler<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os acampados tamb\u00e9m tiveram apoio das empresas do transporte coletivo, Gidion e Transtusa, que liberaram os banheiros para o grupo. Segundo o supervisor do terminal central, Victor Toninello, os manifestantes estavam liberados para usar os espa\u00e7os sem pagar passagem por uma quest\u00e3o de bom-senso. \u201cEles est\u00e3o lutando por uma causa justa e n\u00e3o teriam outros banheiros para usar gratuitamente\u201d, explica. Por\u00e9m, Rodrigo n\u00e3o concordou com o tratamento da Prefeitura. \u201cQuem complicou foi a Prefeitura. N\u00f3s precis\u00e1vamos de um ponto de luz aqui na Pra\u00e7a e n\u00e3o nos deram\u201d, reclama.<\/p>\n<p>J\u00e1 no dia 1\u00ba de junho, quem ocupou a Pra\u00e7a da Bandeira foram os estudantes. Com o lema \u201c#Interven\u00e7\u00e3oLiter\u00e1- ria\u201d, 40 jovens caminharam da Pra\u00e7a Tiradentes, no bairro Floresta, at\u00e9 a regi\u00e3o central. Ao lado do terminal, os alunos realizaram uma roda de conversa sobre a greve dos caminhoneiros, interven\u00e7\u00e3o militar, machismo nas escolas e sobre as ocupa\u00e7\u00f5es escolares em S\u00e3o Paulo e no Paran\u00e1, em 2015 e 2016, respectivamente. A estudante Marya Clara Cardoso, 17, explica que o objetivo da manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrar que a juventude est\u00e1 se mobilizando para reivindicar seus direitos. Para ela, a greve dos caminhoneiros \u00e9 importante pois os trabalhadores est\u00e3o lutando pelos direitos. \u201cEles provaram que, apesar de serem uma classe subestimada, podem se organizar e parar o Brasil\u201d, opina.<\/p>\n<figure id=\"attachment_355\" aria-describedby=\"caption-attachment-355\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-355\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Estudantes-apoiam-caminhoneiros-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\"><figcaption id=\"caption-attachment-355\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lucas Koehler<\/figcaption><\/figure>\n<p>O lema que destaca o mundo liter\u00e1rio surgiu para contrapor quem pede interven\u00e7\u00e3o militar. \u201c#Interven\u00e7\u00e3oLiter\u00e1ria \u00e9 um trocadilho. Queremos que as pessoas leiam mais sobre o tema da ditadura militar. N\u00e3o faz sentido fazer manifesta\u00e7\u00e3o pedindo uma coisa que vai proibir voc\u00ea se manifestar\u201d, desabafa. Sobre os militares no poder, Marya \u00e9 clara. Diz ser completamente contra e que a liberdade de express\u00e3o \u00e9 fundamental. \u201cTalvez para quem aceita ser mandado ou se conforma com pouco, seja bom. Mas para quem quer conquistar coisas e revolucionar, a interven\u00e7\u00e3o militar \u00e9 uma viagem\u201d, destaca. Estudantes das escolas Rudolfo Meyer, Tufi Dippe, Dom Pio de Freitas e Jo\u00e3o Colin participaram da manifesta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>De carona<\/strong><\/p>\n<p>O grupo \u201cBolsonaro Joinville\u201d, que se formou em um encontro no shopping, em fevereiro de 2018, dia ap\u00f3s dia, tem como principais metas apoiar o candidato \u00e0 presid\u00eancia pelo Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro, lutar pelo conservadorismo e construir a direita. Para isso, o grupo pensa que \u00e9 preciso voltar \u00e0s bases, ter representatividade em escolas e universidades, por exemplo. Atualmente, na cidade joinvilense, h\u00e1 sete grupos online e um grupo com sete integrantes org\u00e2nicos em defesa do pol\u00edtico. Eles realizam uma atividade por m\u00eas, sendo reuni\u00e3o, encontro p\u00fablico ou palestra. \u201cNesses eventos, pedimos um quilo de alimento para os participantes e doamos para algum local que n\u00f3s temos proximidade\u201d, explicam.<\/p>\n<p>Para eles, a greve dos caminhoneiros foi leg\u00edtima e prestaram apoio, por\u00e9m, at\u00e9 certo momento. O projeto apresentado por Bolsonaro na C\u00e2mara de Deputados, em agosto de 2016, que prev\u00ea at\u00e9 quatro anos de pris\u00e3o para quem obstruir vias p\u00fablicas, segundo os integrantes do \u201cBolsonaro Joinville\u201d, foi mal interpretado. \u201cO Bolsonaro mesmo disse: eu apoio os caminhoneiros, desde que n\u00e3o obstruam as rodovias\u201d, dizem.<\/p>\n<p>O Sindicato dos Servidores P\u00fablicos Municipais de Joinville (Sinsej) avalia como justa a reivindica\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros, contr\u00e1rios ao aumento do pre\u00e7o dos combust\u00edveis. Al\u00e9m do apoio, o sindicato realizou, no dia 30, uma paralisa\u00e7\u00e3o da categoria em apoio aos caminhoneiros aut\u00f4nomos e contra a proposta de reajuste salarial proposta pelo prefeito Udo D\u00f6hler. O presidente do Sinsej, Ulrich Beathalter, conta que n\u00e3o foram aos pontos de bloqueio porque sabiam da rejei\u00e7\u00e3o aos sindicatos no local. Para Ulrich, os caminhoneiros n\u00e3o t\u00eam representa\u00e7\u00e3o sindical e est\u00e3o divididos em v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es e federa\u00e7\u00f5es, e, nesta paralisa\u00e7\u00e3o, foram representados &#8211; em sua maioria &#8211; por entidades patronais. Para ele, portanto, os funcion\u00e1rios das empresas de transporte n\u00e3o estavam em greve. \u201cIsso tem outro nome: locaute\u201d, opina.<\/p>\n<h3><strong>Discurso de horizontalidade prevalece<\/strong><\/h3>\n<p>Durante a greve dos caminhoneiros, nos pontos de paralisa\u00e7\u00e3o e nas falas dos trabalhadores, prevaleceu o destaque para as discuss\u00f5es horizontais, a nega\u00e7\u00e3o pelas bandeiras de partidos pol\u00edticos, grupos e sindicatos de esquerda e a descren\u00e7a em candidatos. Numa organiza\u00e7\u00e3o sem l\u00edderes, os grevistas deixam claro que mobiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ideol\u00f3gica, mas sim, pelo Brasil. Para o cientista pol\u00edtico e professor de jornalismo, Bruno Lima Rocha, a horizontalidade dos caminhoneiros \u00e9 t\u00edpica de uma categoria bastante atomizada, onde cada pessoa depende de sua for\u00e7a de trabalho e de seu pr\u00f3prio equipamento. \u201cN\u00e3o \u00e9 nem por concep\u00e7\u00e3o, me parece que \u00e9 pela pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d, opina.<\/p>\n<p>O professor analisa que a horizontalidade entre os caminhoneiros \u00e9 um reflexo da aus\u00eancia de capacidade organizativa dos partidos pol\u00edticos eleitorais e pela falta de organiza\u00e7\u00e3o social mais org\u00e2nica, sendo uma perigo para os instrumentos mais cl\u00e1ssicos da luta direta, como o federalismo e a democracia interna. \u201cEstas lutas deveriam vir acompanhadas de uma maior capacidade organizativa, e n\u00e3o um elogio espontane\u00edsta\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para ele, existe uma tradi\u00e7\u00e3o negativa da esquerda que se organiza como partido de massas e busca, como vanguarda, se apossar de lutas, retirando o protagonismo das lutas diretas. O cientista pol\u00edtico explica que a desconfian\u00e7a do senso comum, responsabilizando a \u201cesquerda\u201d pela crise e corrup\u00e7\u00e3o, junto com uma confus\u00e3o ideol\u00f3gica realizada pela extrema-direita, afastam a popula\u00e7\u00e3o dos partidos pol\u00edticos em geral e dos movimentos de esquerda. \u201cH\u00e1 uma confus\u00e3o enorme entre partido eleitoral e partido pol\u00edtico\u201d, diz.<\/p>\n<p>Com adesivos colados em caminh\u00f5es e presente no pensamento de alguns grevistas, a pauta da interven\u00e7\u00e3o militar ganhou destaque na paralisa\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros. Para Rocha, as For\u00e7as Armadas est\u00e3o sendo vistas como quem pode salvar a popula\u00e7\u00e3o, sendo \u00fanica institui\u00e7\u00e3o \u201ccapaz de parar com a roubalheira\u201d e outros absurdos do tipo, comenta. Segundo ele, o pr\u00f3prio Ex\u00e9rcito n\u00e3o tem posicionamento claro. \u201cOs generais disseram que \u2018se trata de malucos\u2019, mas tamb\u00e9m deixaram escapar que \u2018n\u00e3o h\u00e1 consenso a respeito da interven\u00e7\u00e3o\u2019\u201d.<\/p>\n<p>O cientista pol\u00edtico, pensa que situa\u00e7\u00e3o para os sindicatos e movimento de esquerda est\u00e1 dif\u00edcil. Para ele, no plano imediato, \u00e9 necess\u00e1rio estes grupos prestarem apoio solid\u00e1rio. \u201cCom muita humildade, criar la\u00e7os no momento de luta\u201d, analisa. Por\u00e9m, pensa que as rela\u00e7\u00f5es se d\u00e3o no m\u00e9dio e longo prazo. \u201cAlian\u00e7a entre setores populares \u00e9 uma urg\u00eancia e n\u00e3o se constr\u00f3i de uma hora para a outra\u201d, finaliza.<\/p>\n<p><em>Reportagem e fotos: Lucas Koehler<\/em><br \/>\n<strong>Conte\u00fado original do Primeira Pauta Impresso, Edi\u00e7\u00e3o 139<\/strong><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A greve dos caminhoneiros mobilizou milhares de pessoas em todo o pa\u00eds. Em Joinville, a Pra\u00e7a da Bandeira foi ponto de concentra\u00e7\u00e3o para atos e serviu at\u00e9 de acampamentos para manifestantes. 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