{"id":363,"date":"2018-06-07T00:17:53","date_gmt":"2018-06-07T03:17:53","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=363"},"modified":"2022-06-22T19:52:33","modified_gmt":"2022-06-22T22:52:33","slug":"senso-coletivo-e-esquecido-durante-greve-conclui-sociologa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2018\/06\/07\/senso-coletivo-e-esquecido-durante-greve-conclui-sociologa\/","title":{"rendered":"Senso coletivo foi esquecido durante greve, diz soci\u00f3loga"},"content":{"rendered":"<p>Postos de gasolina lotados, horas de espera na fila, pre\u00e7os acima do normal e medo da falta de combust\u00edvel. Apesar de descrever uma situa\u00e7\u00e3o vivida pela popula\u00e7\u00e3o nos primeiros dia da greve dos caminhoneiros, essa cena \u00e9 sobre um acontecimento mais antigo. \u00c9 o come\u00e7o de uma not\u00edcia de setembro de 2015, em que joinvilenses correram \u00e0s bombas de combust\u00edveis ap\u00f3s rumores de bloqueios nas estradas por uma greve de motoristas de caminh\u00f5es.<\/p>\n<p>A principal diferen\u00e7a entre a paralisa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas anos atr\u00e1s e a ocorrida nas \u00faltimas duas semanas foi a intensidade. Neste ano, durante dez dias a greve dos caminhoneiros parou o pa\u00eds. A popula\u00e7\u00e3o demorou cerca de tr\u00eas dias para come\u00e7ar a sentir os primeiros efeitos como a redu\u00e7\u00e3o na frota do transporte p\u00fablico, cancelamento de voos, suspens\u00e3o de cirurgias eletivas e a paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em algumas ind\u00fastrias.<\/p>\n<p>No entanto, um dos efeitos mais sentidos pela popula\u00e7\u00e3o foi a falta de combust\u00edvel e de alguns produtos no mercado, como carnes, derivados do leite e verduras. A principal causa da falta desses produtos foi a grande procura. Com medo do desabastecimento, as pessoas fizeram o que podiam para garantir seus estoques pessoais, o que inclu\u00eda passar horas na fila.<\/p>\n<p>De acordo com a psic\u00f3loga Carina de Aguiar, o grande consumo nos primeiros dias da greve serviu para alarmar ainda mais a popula\u00e7\u00e3o. \u201cClaro que temos medo que ir\u00e1 faltar mantimentos e gasolina quando a greve \u00e9 real, quando nos damos conta do que a greve pode acarretar. Mas esquecemos do senso coletivo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>No dia 31 de maio, por exemplo, a coordenadora de servi\u00e7os, Sirlei Rodrigues, esperou por duas horas e meia para abastecer seu ve\u00edculo. \u201cEstava totalmente sem gasolina para uma emerg\u00eancia, n\u00e3o tinha nem para voltar para casa\u201d, conta.<\/p>\n<p>Para entender o que leva \u00e0 urg\u00eancia do consumo nesse tipo de situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso olhar para como as pessoas est\u00e3o sendo informadas, segundo a soci\u00f3loga Eliane de Oliveira. \u201cA cobertura da m\u00eddia, em geral, trabalha muito com a l\u00f3gica do espet\u00e1culo, do show, exagerando em alguns aspectos da situa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. Muitas pessoas sequer sabem como funciona a rede de abastecimento das cidades, por exemplo, ou o que querem os caminhoneiros. Este seria um dos reflexos de uma cobertura superficial da imprensa, segundo a soci\u00f3loga.<\/p>\n<p>Outro fator que contribui para a confus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 o fen\u00f4meno das not\u00edcias falsas que circulam na internet. Segundo um estudo feito pela Ag\u00eancia Advice em 2016, 78% dos brasileiros se informam pelas redes sociais. Deste total, apenas 39% checa as informa\u00e7\u00f5es antes de compartilh\u00e1-las. Isso faz com que os boatos consigam se espalhar quase que instantaneamente em momentos de crise como esse. Uma das recomenda\u00e7\u00f5es do coordenador regional da Defesa Civil, Ant\u00f4nio Edival Pereira, para popula\u00e7\u00e3o que enfrenta uma situa\u00e7\u00e3o de crise \u00e9 justamente se informar com fontes oficiais.<\/p>\n<p>Um dos boatos que se espalhou era uma mensagem com um \u00e1udio do suposto presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Brasil, em que ele orientava as pessoas a estocarem alimentos. O site da BBC Brasil checou a informa\u00e7\u00e3o e constatou que se tratava de uma not\u00edcia falsa, afinal nem existe um Sindicato dos Caminhoneiros nacional. Outro exemplo do poder dos rumores aconteceu em Joinville, quando se formaram filas quilom\u00e9tricas em postos que sequer tinham combust\u00edveis. Ant\u00f4nio Edival orienta tamb\u00e9m que a popula\u00e7\u00e3o compre somente o suficiente para o seu consumo. \u201cAl\u00e9m de j\u00e1 ter uma reserva feita em per\u00edodo de normalidade, deve-se comprar o necess\u00e1rio e pensar nas demais pessoas afetadas. Tamb\u00e9m \u00e9 recomend\u00e1vel usar o transporte solid\u00e1rio ou coletivo\u201d, orienta.<\/p>\n<p>A ansiedade que leva a popula\u00e7\u00e3o ao consumo exagerado em momentos de crise tamb\u00e9m \u00e9 fruto da falta de conhecimento hist\u00f3rico e educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 o que acredita Carina. \u201cO que faz as pessoas correrem para garantir sua parte \u00e9 o sentimento de que o povo n\u00e3o tem poder e que nada pode ser feito, a n\u00e3o ser estocar\u201d. Ela explica que falta conhecimento sobre o impacto que a falta dos produtos causaria na sociedade. Nesses casos, o que fala mais forte \u00e9 o individualismo, ou seja, garantir o necess\u00e1rio para si pr\u00f3prio. Esse \u00e9 justamente o oposto do ideal de uma greve, que \u00e9 a uni\u00e3o para atingir um bem comum.<\/p>\n<p><em>Reportagem: Bruno Nunes e Thuany Marcelino<\/em><br \/>\n<em>Foto: Thuany Marcelino<br \/>\n<\/em><strong>Conte\u00fado original do Primeira Pauta Impresso, Edi\u00e7\u00e3o 139<\/strong><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Postos de gasolina lotados, horas de espera na fila, pre\u00e7os acima do normal e medo da falta de combust\u00edvel. 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