{"id":3758,"date":"2022-08-09T21:19:47","date_gmt":"2022-08-10T00:19:47","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=3758"},"modified":"2025-07-04T20:13:57","modified_gmt":"2025-07-04T23:13:57","slug":"libido-on-demand-a-nova-forma-de-consumir-pornografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2022\/08\/09\/libido-on-demand-a-nova-forma-de-consumir-pornografia\/","title":{"rendered":"Libido on demand: a nova forma de consumir pornografia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Na internet, a plataforma OnlyFans re\u00fane mais de 150 milh\u00f5es de usu\u00e1rios ao redor do mundo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:14px\">por Pedro Novais, Maria Fernanda e Kevin Eduardo<\/p>\n\n\n\n<p>De um lado, algu\u00e9m abre um notebook. Olhos sedentos encaram a tela. Do outro lado, uma pessoa sorri e morde os l\u00e1bios, com express\u00e3o que vai da mais pura simpatia ao tes\u00e3o latente. H\u00e1 um v\u00ednculo de exclusividade, que deixa tudo mais excitante. Naquela tela, nenhum pudor. A nudez \u00e9 apenas um detalhe em meio \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o exacerbada da intimidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cenas como essa s\u00e3o cada vez mais comuns com plataformas como a <em>OnlyFans <\/em>crescendo e se popularizando na internet. A busca pela nova queridinha dos internautas mais sapecas vem acompanhada de questionamentos, como \u201co que \u00e9?\u201d, ou pelo nome de alguma figura feminina em alta. \u00c9 o que mostram os dados disponibilizados pela ferramenta <em>Google Trends<\/em>, que apresenta os termos mais populares e buscados na web. A curva no gr\u00e1fico que representa o crescimento de pesquisas relacionadas \u00e0 <em>OnlyFans<\/em> \u00e9 notavelmente brusca e repleta de contextos e debates sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O conte\u00fado \u00e9 oferecido por assinatura, em que criadores de conte\u00fado podem ganhar dinheiro de outros usu\u00e1rios. A plataforma permite que os criadores vendam v\u00eddeos, fotos e mensagens diretamente aos assinantes em uma base <em>pay-per-view<\/em>, assinatura mensal ou doa\u00e7\u00f5es, com a empresa recebendo 20% dos pagamentos. Apesar de hospedar os mais diversos conte\u00fados, sua popularidade, sem d\u00favidas, se deve ao entretenimento adulto e expl\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundada em 2016 pelo brit\u00e2nico Timothy Stokely, a rede social conta atualmente com mais de 150 milh\u00f5es de usu\u00e1rios e mais de 1,5 milh\u00e3o de criadores de conte\u00fado, segundo dados do pr\u00f3prio site. Em 2020, ano do grande <em>boom<\/em>, a plataforma acumulou um total de R$ 12,72 bilh\u00f5es, um crescimento de 553% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 receita do ano anterior. O n\u00famero de usu\u00e1rios cresceu de 20 milh\u00f5es para mais de 120 milh\u00f5es em meses.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia o ano de destaque ser justamente 2020. A procura pela plataforma est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 pandemia da Covid-19. A vis\u00e3o de Stokely era desenvolver um site onde os criadores de conte\u00fado de \u201ctodos os g\u00eaneros\u201d pudessem monetizar sem anunciantes. A iniciativa logo chamou a aten\u00e7\u00e3o de atrizes e atores porn\u00f4, que a viram como um meio de trabalho mais independente. Por\u00e9m, \u00e0 medida em que as restri\u00e7\u00f5es impostas pela pandemia come\u00e7aram a empatar atividades mais \u201cf\u00edsicas\u201d, acompanhantes e seus clientes tamb\u00e9m passaram a utilizar a plataforma.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a popularidade do site e nomes como o da atriz Bella Thorne, no exterior, e MC Mirella e Anitta, no Brasil, lucrando com a plataforma, muitas pessoas viram uma oportunidade de complementar a renda, principalmente ap\u00f3s perderem seus empregos durante o per\u00edodo pand\u00eamico, ou, em alguns casos, de come\u00e7arem o pr\u00f3prio neg\u00f3cio. Este foi o caso da <em>streamer<\/em> Flaviane Vasconcelos. Com apenas 22 anos, ela afirma receber entre cinco a dez mil reais por m\u00eas apenas com seu trabalho na internet.<\/p>\n\n\n\n<p>Flaviane, que \u00e9 paulista, formou-se no ensino m\u00e9dio em Joinville e logo se mudou para Florian\u00f3polis, onde come\u00e7ou a estudar economia. Ao perceber que n\u00e3o se identificava com o curso, tentou outras \u00e1reas, como Geografia e Hist\u00f3ria, por\u00e9m, foi em Administra\u00e7\u00e3o que ela se sentiu em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, Flaviane j\u00e1 trabalhava na \u00e1rea administrativa, em uma empresa familiar, mas uma fonte de renda extra come\u00e7ou a chamar sua aten\u00e7\u00e3o: o <em>close friends<\/em>, do Instagram. A pr\u00e1tica, no contexto de conte\u00fado adulto, consiste em postar fotos sensuais nos <em>stories<\/em> apenas para uma lista de seguidores selecionados, que neste caso pagam para estarem l\u00e1. \u201cEu via dando certo para algumas amigas e, por achar algo relativamente simples e que estava dando dinheiro, resolvi fazer\u201d, relata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Rapidamente, o que era para ser uma renda extra ultrapassou o que ela recebia trabalhando um m\u00eas inteiro. Com o crescimento do neg\u00f3cio, sem demora, Flaviane teve que escolher entre continuar no emprego fixo ou mergulhar de vez no mundo do entretenimento para maiores.<\/p>\n\n\n\n<p>Sincera, a <em>ca<\/em><em>m girl<\/em> diz que sempre se interessou por conte\u00fados adultos e que trabalhar com isso foi como um curso natural em sua vida. Por\u00e9m, ela revela que a principal dificuldade que teve foi \u201cter peito\u201d para assumir a escolha que fez, assim como as consequ\u00eancias \u2014 ainda n\u00e3o muito claras para a profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>A fam\u00edlia dela sabia desde o come\u00e7o, mas todos pensavam ser uma atividade passageira. Com a sa\u00edda de Flaviane do emprego, seus pais ficaram preocupados por conta do preconceito social, principalmente por ela ser uma mulher negra. \u201cN\u00e3o \u00e9 o que eles queriam, mas respeitam.\u201d Em meio a risadas, ela lembra uma frase do pai que a marcou: \u201cFilha, existe puta de cem e de mil reais. Seja a de mil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do \u00f3timo relacionamento familiar, foi na fam\u00edlia que Vasconcelos passou pelo seu pior epis\u00f3dio de preconceito. Ainda quando decidiu largar o emprego formal, seu cunhado, e antigo patr\u00e3o, a proibiu de ver o sobrinho, pois \u201cn\u00e3o era um bom exemplo para ele\u201d. Hoje, ela ri ao contar a hist\u00f3ria, mas revela ter ficado muito triste e chocada na \u00e9poca. \u201c\u00c9 um neg\u00f3cio que precisa ter um \u00f3timo retorno para valer a pena\u201d, desabafa.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, segura quanto ao seu trabalho, a jovem conta com o <em>Instagram<\/em>, <em>WhatsApp<\/em>, <em>Telegram<\/em>, <em>Twitter<\/em>, C\u00e2mera Priv\u00ea e <em>OnlyFans<\/em>, onde transita desde conversas exclusivas a conte\u00fados expl\u00edcitos com parceiros. Colocando em pr\u00e1tica tudo o que aprendeu na forma\u00e7\u00e3o de administra\u00e7\u00e3o, Flaviane se tornou, segundo ela, \u201cuma empreendedora\u201d. \u201cSou meu pr\u00f3prio produto\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quanto custa?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para a psic\u00f3loga e professora Bruna Morsch, plataformas como a <em>OnlyFans<\/em> desumanizam e objetificam o sexo e a \u201cl\u00f3gica do amor\u201d. Ela v\u00ea a ascens\u00e3o desta plataforma como uma resposta sintom\u00e1tica \u00e0s redes sociais, em especial ao Instagram. \u201cEm uma mesma plataforma [Instagram] mistura-se exposi\u00e7\u00e3o do corpo, venda de produtos, autoestima e ego\u201d, explica ela, que ainda chama aten\u00e7\u00e3o para o fato de tudo isso ocorrer sob uma l\u00f3gica ditada por algoritmos \u2014 na computa\u00e7\u00e3o, uma sequ\u00eancia de instru\u00e7\u00f5es ou comandos realizados de maneira sistem\u00e1tica para resolver um problema, ou executar uma tarefa. \u201cDiferente do passado, hoje, estamos mais a servi\u00e7o das tecnologias\u201d, completa Morsch.<\/p>\n\n\n\n<p>Flaviane n\u00e3o curte a ideia de redes sociais separadas entre vida pessoal e trabalho, pois \u201cs\u00e3o uma coisa s\u00f3\u201d. Para ela, as redes sociais s\u00e3o como uma vitrine e, tanto a <em>OnlyFans<\/em>, quanto o C\u00e2mera Priv\u00ea, s\u00e3o portas para outras oportunidades de neg\u00f3cios, como relacionamentos <em>sugar&nbsp; \u2014 <\/em>relacionamentos rom\u00e2nticos entre duas pessoas de idades distintas, nas quais uma das partes \u00e9 sustentada por dinheiro, presentes ou outros benef\u00edcios em troca da rela\u00e7\u00e3o amorosa \u2014 e servi\u00e7os de acompanhante.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, Flaviane trabalha sozinha, contando apenas com um assessor para cuidar das redes sociais. Em rela\u00e7\u00e3o aos conte\u00fados que produz, ela diz que o C\u00e2mera Priv\u00ea \u00e9 \u201cmais art\u00edstico\u201d, j\u00e1 a <em>OnlyFans<\/em> \u00e9 mais \u00edntimo, expl\u00edcito, trazendo inclusive parcerias. Quanto a servi\u00e7os, como o de acompanhante, ela faz companhia em eventos e viagens, onde pode ou n\u00e3o envolver sexo.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a paulista confessa que o trabalho, \u00e0s vezes, pode ser um pouco desgastante. \u201c\u00c9 preciso entreter, manter uma conversa, estar sempre sorrindo\u2026 Precisa recarregar as energias, \u00e0s vezes.\u201d Nestes momentos, \u00e9 normal Flaviane tirar um tempo para si. \u201cMeu limite, em qualquer situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 at\u00e9 onde me sinto confort\u00e1vel, e os caras respeitam isso\u201d, relata Flaviane, que aponta essa \u201chumaniza\u00e7\u00e3o\u201d como um ponto positivo da <em>OnlyFans<\/em>. \u201cDiferente do porn\u00f4, eles me veem como pessoa\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga Bruna Morsch n\u00e3o v\u00ea a <em>OnlyFans<\/em> como um meio de conte\u00fado adulto humanizado e educativo. \u201cIsso depende muito da inten\u00e7\u00e3o de quem produz e quem consome, o que n\u00e3o \u00e9 a maioria dos casos.\u201d A especialista acredita que o fato de n\u00e3o haver produtoras por tr\u00e1s das produ\u00e7\u00f5es, como acontece na ind\u00fastria pornogr\u00e1fica tradicional, pode ser bom, mas tamb\u00e9m perigoso, \u201ctendo em vista o modelo indiscriminat\u00f3rio da plataforma, em que n\u00e3o existem diretrizes muito r\u00edgidas em rela\u00e7\u00e3o aos usu\u00e1rios e produtores de conte\u00fado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pornografia e Internet<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Da literatura \u00e0s fotografias francesas do s\u00e9culo 19, o erotismo est\u00e1 presente na humanidade h\u00e1 s\u00e9culos, sempre explorando, sobretudo, o corpo feminino. Com a ascens\u00e3o do capitalismo liberal, tornou-se uma ind\u00fastria multibilion\u00e1ria, extremamente massificada, que gera acumula\u00e7\u00e3o de capital em cima de uma estrutura que cria hierarquias e gera desigualdades, incluindo raciais e de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro <em>The Erotic Engine \u2013 How Pornography has Powered Mass Communication, from Gutenberg to Google, <\/em>o jornalista e pesquisador Patchen Barss afirma que a ind\u00fastria pornogr\u00e1fica est\u00e1 diretamente ligada ao desenvolvimento e populariza\u00e7\u00e3o de in\u00fameras tecnologias, como a fotografia, v\u00eddeos em VHS, DVD e <em>Blu-ray<\/em>, <em>Pay-Per-View, streaming<\/em>, <em>e-commerce <\/em>e at\u00e9 mesmo a internet banda larga.<\/p>\n\n\n\n<p>Casos como o da <em>sex tape <\/em>vazada do casal de celebridades Pamela Anderson e Tommy Lee, nos anos 1990, e do <em>topless <\/em>acidental da cantora Janet Jackson, durante o Super Bowl de 2005, foram cruciais para a comercializa\u00e7\u00e3o e disponibiliza\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos na internet. A demanda por esse tipo de conte\u00fado ainda rendeu a cria\u00e7\u00e3o de in\u00fameros sites e plataformas, como o <em>YouTube<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas que curtem \u201cmalhar o bra\u00e7o\u201d enquanto d\u00e3o aquela espiadinha devem manter a aten\u00e7\u00e3o. A psic\u00f3loga Bruna Morsch afirma que o consumo de pornografia \u00e9 algo normal, por\u00e9m, pode ser um problema quando come\u00e7a a afetar o cotidiano do indiv\u00edduo. \u201cA pornografia \u00e9 um gatilho de prazer, de recompensa, por meio do orgasmo, podendo, assim, tamb\u00e9m ser um gatilho de v\u00edcio, como qualquer droga\u201d, adverte.<\/p>\n\n\n\n<p>Morsch ainda chama aten\u00e7\u00e3o para alguns problemas sociais e comportamentais resultantes do consumo da pornografia, como a naturaliza\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio, misoginia, e, em casos mais extremos, estupro.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, uma pesquisa realizada em 2020 pelo Instituto Karolinska, na Su\u00e9cia, em parceria com a Universidade de Washington, nos Estados Unidos, mostrou que jovens da gera\u00e7\u00e3o Z, nascidos entre os anos 1995 e 2010, est\u00e3o fazendo menos sexo. Entre as diversas causas apontadas pelos especialistas est\u00e3o a Revolu\u00e7\u00e3o Digital, que impacta diretamente nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, que passaram a ser mais vol\u00e1teis \u2014 com intera\u00e7\u00f5es muitas vezes totalmente digitais, incluindo a troca de \u201cnudes\u201d \u2014, e o crescimento do consumo de conte\u00fado sexual, devido ao livre acesso na internet.<\/p>\n\n\n\n<p>A <em>cam girl<\/em> Flaviane afirma que n\u00e3o trabalharia na ind\u00fastria pornogr\u00e1fica tradicional, pois o pouco que conhece a respeito n\u00e3o lhe agrada. Ela concorda que este pode ser um ambiente muito mis\u00f3gino, na maioria das vezes comandado por homens, onde n\u00e3o h\u00e1 muita autonomia para as mulheres. \u201cPor se tratar de algo t\u00e3o sens\u00edvel, que \u00e9 o nosso corpo e a nossa imagem, se n\u00e3o fosse numa perspectiva aut\u00f4noma, eu n\u00e3o trabalharia\u201d, reflete ela, que prefere plataformas, como a <em>OnlyFans<\/em>, por conta da visibilidade e oportunidades que a marca proporciona.<\/p>\n\n\n\n<p>O gerente de vendas Ronald (nome fict\u00edcio), 21, chegou a assinar perfis nas plataformas <em>Privacy<\/em> e <em>OnlyFans<\/em>, onde pagava, por m\u00eas, cerca de R$300 e R$100, respectivamente. Ele conta que n\u00e3o navegava muito nas plataformas. \u201cS\u00f3 abria e consumia\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>O jovem afirma ter consci\u00eancia de que esse mercado pode contribuir para a explora\u00e7\u00e3o sexual, em especial do corpo feminino. \u201cTem muita \u2018mina\u2019 que faz, n\u00e3o porque quer, mas, porque precisa levantar uma grana\u201d, ponderou ele. Quando questionado por que pagar por pornografia, tendo em vista o vasto acervo dispon\u00edvel na internet gratuitamente, Ronald afirmou se tratar de \u201cgosto pessoal\u201d. \u201c\u00c9 sobre olhar para a pessoa e se sentir totalmente atra\u00eddo por ela, a ponto de pagar por seu conte\u00fado, o que nem sempre acontece com a pornografia tradicional\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Morsch salienta que, apesar das in\u00fameras problem\u00e1ticas, a pornografia tamb\u00e9m pode ter pontos positivos, como a emancipa\u00e7\u00e3o sexual, para pessoas sexualmente reprimidas, e at\u00e9 mesmo ser educativa, como prop\u00f5e alguns movimentos, como a pornografia feminista e amadora, focadas em trabalhar com \u201ccorpos reais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Minha imagem, minhas regras!<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Ser exclusivo n\u00e3o significa que a imagem de uma pessoa possa ser \u201croubada\u201d e vendida em outras plataformas.&nbsp; Seja em p\u00fablico ou pela internet, no Brasil, o C\u00f3digo Civil garante que conte\u00fados sejam resguardados de poss\u00edveis usos indevidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 20 veda a utiliza\u00e7\u00e3o indevida de conte\u00fados que contenham a imagem de outra pessoa sem autoriza\u00e7\u00e3o que atinjam sua honra, respeito e comercializa\u00e7\u00e3o. No caso da pornografia, ou cenas expl\u00edcitas de sexo, pode ser considerado crime, conforme previsto no artigo 218-C do C\u00f3digo Penal, a divulga\u00e7\u00e3o de imagem sem consentimento da v\u00edtima.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Art. 218-C.<\/strong> Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor \u00e0 venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio \u2014 inclusive por meio de comunica\u00e7\u00e3o de massa ou sistema de inform\u00e1tica ou telem\u00e1tica \u2014, fotografia, v\u00eddeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulner\u00e1vel ou que fa\u00e7a apologia ou induza a sua pr\u00e1tica, ou, sem o consentimento da v\u00edtima, cena de sexo, nudez ou pornografia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A lei surgiu principalmente para evitar que mulheres e crian\u00e7as, p\u00fablico mais atingido, continuassem a sofrer estupro e exposi\u00e7\u00e3o de imagem indevida. Um exemplo pr\u00f3ximo da realidade s\u00e3o v\u00eddeos captados no transporte p\u00fablico onde homens utilizam da&nbsp; c\u00e2mera celular para filmar corpos de mulheres. Recentemente, Carolina Brand\u00e3o, usu\u00e1ria do <em>Twitter<\/em>, exp\u00f4s em seu perfil pessoal uma situa\u00e7\u00e3o de abuso que aconteceu no transporte p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>No tweet, ela explica que estava com o <em>airdrop<\/em> ligado, um recurso exclusivo da <em>Apple<\/em> que permite que o usu\u00e1rio envie e receba arquivos de forma simples. E percebeu que, um homem, sentado no ch\u00e3o pr\u00f3ximo a ela, estava olhando e tentando compartilhar seu contato de telefone com ela. Ap\u00f3s perceber que a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o resultou no interesse da mulher, ele novamente insistiu e come\u00e7ou a mandar fotos expl\u00edcitas de suas partes \u00edntimas, conforme a v\u00edtima relata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o se tratar da filmagem da pr\u00f3pria v\u00edtima, a importuna\u00e7\u00e3o e o abuso sexual tamb\u00e9m s\u00e3o proibidos no Brasil. Para acompanhar a hist\u00f3ria completa, acesse o QR Code abaixo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos sites mais famosos de pornografia no Brasil, como <em>Pornhub<\/em> ou<em> XVideos<\/em>, a fiscaliza\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 muito prec\u00e1ria. Mas no <em>Onlyfans,<\/em> um site fechado, existe regula\u00e7\u00e3o? O dono do perfil \u201cMaster Fetish\u201d, 26, relata que considera o site rigoroso em rela\u00e7\u00e3o ao uso indevido de imagem. \u201cUma vez eu quase perdi minha conta, meu gato acabou passando atr\u00e1s de um dos meus v\u00eddeos, e ap\u00f3s um tempo minha conta foi bloqueada\u201d, relata.Desde outubro de 2021, a plataforma adotou regras mais r\u00edgidas acerca de conte\u00fados considerados adultos. O objetivo desta mudan\u00e7a tem rela\u00e7\u00e3o direta com o direito de imagem das pessoas. Portanto, est\u00e3o proibidas grava\u00e7\u00f5es ao ar livre, transmiss\u00f5es ao vivo e em locais p\u00fablicos. Tamb\u00e9m \u00e9 estritamente proibido publicar conte\u00fados do <em>OnlyFans <\/em>que contenham nudez p\u00fablica, e que no estado, pa\u00eds ou prov\u00edncia seja uma atividade ilegal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Para assistir com calma<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea sabia que no mundo acad\u00eamico existe pesquisa sobre esse assunto? A advogada Lu\u00edsa Neis Ribeiro, 22, abordou o tema no Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (TCC) de Direito. Ela quis entender como a sexualidade foi reconfigurada pelo neoliberalismo \u2014 doutrina pol\u00edtica e socioecon\u00f4mica que defende \u201ca prioridade do mecanismo de pre\u00e7os, o livre empreendedorismo, a competi\u00e7\u00e3o, e um Estado imparcial e forte\u201d \u2014, como o mercado pornogr\u00e1fico se tornou a principal institui\u00e7\u00e3o a falar sobre sexualidade e como isso impacta o direito das mulheres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sua conclus\u00e3o, no trabalho, foi de que o neoliberalismo n\u00e3o permite a contesta\u00e7\u00e3o da forma como a pornografia se configura hoje, contribuindo para percep\u00e7\u00f5es conservadores da sexualidade. \u201cEle (neoliberalismo) abafa outras narrativas sobre sexo e reduz o erotismo \u00e0 objetifica\u00e7\u00e3o pornogr\u00e1fica\u201d, conclui.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lu\u00edsa formou-se recentemente na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e partiu para um mestrado acad\u00eamico em Teoria Cr\u00edtica e Neoliberalismo, para avan\u00e7ar na sua pesquisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais, confira a entrevista exclusiva feita pelo Primeira Pauta com a acad\u00eamica clicando <a href=\"https:\/\/youtu.be\/c2X6781mZig\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/youtu.be\/c2X6781mZig\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na internet, a plataforma OnlyFans re\u00fane mais de 150 milh\u00f5es de usu\u00e1rios ao redor do mundo por Pedro Novais, Maria Fernanda e Kevin Eduardo De um lado, algu\u00e9m abre um notebook. Olhos sedentos encaram a tela. 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