{"id":403,"date":"2018-06-15T12:27:50","date_gmt":"2018-06-15T15:27:50","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=403"},"modified":"2022-06-29T21:40:33","modified_gmt":"2022-06-30T00:40:33","slug":"mulheres-transformam-artesanato-em-uma-forma-de-resistencia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2018\/06\/15\/mulheres-transformam-artesanato-em-uma-forma-de-resistencia-2\/","title":{"rendered":"Mulheres transformam artesanato em uma forma de resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Muito al\u00e9m de combinar tecidos, cores e texturas, o <strong>artesanato<\/strong> \u00e9 uma forma das mulheres se expressarem e se autoafirmarem em uma sociedade machista e patriarcal. O <strong>Primeira Pauta Digital<\/strong> conversou com tr\u00eas iniciativas que possuem um objetivo em comum: fazer as mulheres se sentirem <strong>empoderadas<\/strong>!<\/p>\n<h2>Bordados da Matilda<\/h2>\n<p>A <strong>Matilda<\/strong> \u00e9 uma loja de <strong>bordados<\/strong> manuais formada pelas jornalistas Karoline Lopes e Marcela G\u00fcther. A marca foi criada no ano passado, a partir de uma a\u00e7\u00e3o para o Dia da Mulher. Na ocasi\u00e3o, o coletivo <strong>Mulheres em Luta<\/strong> estava organizando um ato para a data e Karoline sugeriu uma oficina gratuita. Ao contr\u00e1rio do que ela esperava, em vez de tr\u00eas ou quatro pessoas, apareceram 20.<\/p>\n<p>Depois dessa experi\u00eancia, Marcela e Karoline criaram um grupo sobre bordado no Facebook e oficializaram a cria\u00e7\u00e3o da Matilda pouco tempo depois, em maio de 2017. O nome da loja faz refer\u00eancia ao filme de com\u00e9dia estadunidense hom\u00f4nimo, dirigido por Danny DeVito e lan\u00e7ado em 1996.<\/p>\n<p>As produ\u00e7\u00f5es come\u00e7aram com os tradicionais bastidores de madeira. Hoje, os bordados s\u00e3o aplicados em qualquer tipo de material: an\u00e9is, colares, brincos, bolsas, camisetas, almofadas e muito mais. A Matilda tamb\u00e9m faz experimenta\u00e7\u00f5es com folhas naturais, fotografias e madeira.<\/p>\n<p>O Primeira Pauta Digital conversou com a Karoline Lopes, uma das fundadoras da Matilda, sobre a proposta da loja e os planos para o futuro. Confira:<\/p>\n<p><iframe title=\"Empoderamento feminino e bordados\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bsja_N9wG68?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas j\u00e1 pensavam na quest\u00e3o do empoderamento feminino quando criaram a Matilda?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, toda a proposta da Matilda foi pensada para ressignificar o bordado. Quando pensamos em algu\u00e9m bordando, temos em mente a av\u00f3 ou a tia enfeitando panos de prato, por exemplo. Nosso objetivo \u00e9 passar uma mensagem. Falar sobre feminismo, sobre o lugar da mulher na sociedade, sobre os nossos corpos e os espa\u00e7os que ocupamos e queremos ocupar.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, n\u00f3s tamb\u00e9m somos uma empresa e precisamos de lucro para continuar. Observamos que os bordados mais \u201cexpl\u00edcitos\u201d faziam com que a marca fosse mal recebida nos eventos de Joinville, que tem um p\u00fablico bastante conservador. Por isso, tamb\u00e9m fazemos pe\u00e7as que s\u00e3o menos contestadoras, mais \u201csuaves\u201d, quando vamos vender em algum lugar da cidade que tenha esse perfil.<\/p>\n<p><strong>Como funcionam as atividades de voc\u00eas? Costumam se reunir na casa de algu\u00e9m?<\/strong><\/p>\n<p>Como n\u00f3s duas trabalhamos no mesmo local, costumamos organizar as coisas da marca nos intervalos que temos. A parte pr\u00e1tica do ato de bordar depende muito dos eventos que participamos.<\/p>\n<p>No ano passado, testamos os produtos em feiras e eventos. Assim, conseguimos definir o nosso p\u00fablico, que tipo de bordado sai e o que fica encalhado no estoque. Temos um calend\u00e1rio de eventos anual organizado, ent\u00e3o, programamos os bordados que ser\u00e3o levados em cada um deles.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, aceitamos encomendas de pedidos \u2013 costumam chegar pelas redes sociais \u2013, organizamos oficinas e damos aulas particulares.<\/p>\n\n<p><strong>Voc\u00ea se sente empoderada quando borda? O bordado, assim como outros trabalhos manuais, \u00e9 frequentemente desvalorizado, associado \u00e0 submiss\u00e3o feminina e \u00e0 baixa produtividade&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que sim. O bordado \u00e9 um meio de me empoderar. \u00c9 a plataforma que eu uso hoje para disseminar as ideias em que eu acredito. Embora seja jornalista, acabo me expressando muito melhor com o bordado do que em palavras. E tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de empoderar outras mulheres.<\/p>\n<p>Muitas chegam inseguras nas oficinas e n\u00e3o acreditam que v\u00e3o conseguir bordar. As tr\u00eas horas que passamos juntas s\u00e3o uma forma de restabelecer a autoconfian\u00e7a. \u00c9 o meu jeito de falar \u201cvai l\u00e1, acredita em voc\u00ea\u201d.<\/p>\n<p><strong>Tem alguma oficina planejada para os pr\u00f3ximos meses?<\/strong><\/p>\n<p>Por enquanto, as oficinas est\u00e3o paradas. Estamos fazendo aulas particulares e nos preparando para o EPPA. Al\u00e9m de levar os produtos, durante o evento vamos fazer um bordado colaborativo. Quem passar pelo estande da Matilda vai poder contribuir. Tamb\u00e9m vamos participar de uma exposi\u00e7\u00e3o durante a Feira do Livro e estamos finalizando os preparativos para a nossa primeira interven\u00e7\u00e3o urbana nos muros de Joinville.<\/p>\n<p>Para quem se interessou pelo trabalho das bordadeiras, pode fazer suas encomendas pelo <a href=\"https:\/\/pt-br.facebook.com\/asmatildas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Facebook<\/a>, pelo <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bordadosdamatilda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instagram<\/a> ou pelo e-mail contatodamatilda@gmail.com.<\/p>\n<h2>Sempre Viva<\/h2>\n<p>O Sempre Viva \u00e9 um grupo que promove o empreendedorismo feminino por meio da produ\u00e7\u00e3o de artesanato e possibilita \u00e0s mulheres uma fonte de renda extra. A iniciativa, existe no munic\u00edpio h\u00e1 11 anos e \u00e9 desenvolvida atrav\u00e9s de uma parceria entre o Departamento de Design da Universidade da Regi\u00e3o de Joinville (Univille) e a Secretaria de Assist\u00eancia Social. As reuni\u00f5es ocorrem \u00e0s quintas na universidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_420\" aria-describedby=\"caption-attachment-420\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-420\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/artesanato-1024x576.png\" alt=\"artesanato\" width=\"1024\" height=\"576\"><figcaption id=\"caption-attachment-420\" class=\"wp-caption-text\">Parceria entre Univille e SAS ensina mulheres a costurar e empreender (Cr\u00e9dito: J\u00e9ssica Bett)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O projeto \u00e9 destinado preferencialmente para mulheres que estiverem dentro do perfil do Cadastro \u00danico de Assist\u00eancia Social. As alunas que possuem renda familiar de at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos ou meio sal\u00e1rio m\u00ednimo por pessoa t\u00eam direito de receber vale-transporte.<\/p>\n<p>O Sempre Viva \u00e9 indicado para mulheres que est\u00e3o iniciando o aprendizado sobre os trabalhos manuais. L\u00e1 elas aprendem no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de costura, fazem moldes e participam de oficinas de empreendedorismo, gerenciamento, administra\u00e7\u00e3o, marketing e vendas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a inicia\u00e7\u00e3o, as mulheres est\u00e3o habilitadas para participar do projeto Ame Viva, que aprofunda as t\u00e9cnicas aprendidas.<\/p>\n<h2>Ame Viva<\/h2>\n<p>O projeto Ame Viva \u00e9 dividido em tr\u00eas subgrupos:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Tiwa:<\/strong> Produzem mochilas a partir de lonas de sombrinhas.<\/li>\n<li><strong>Red Carpet:<\/strong> Criam vestidos de festas utilizando sobras de tecidos.<\/li>\n<li><strong>Aviva:<\/strong> Fazem bolsas e carteiras com tecidos ecologicamente corretos e restos de ind\u00fastrias.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Luana Graf, acad\u00eamica do curso de Design e Programa\u00e7\u00e3o Visual, \u00e9 bolsista do projeto e para ela a maior satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 quando as alunas conseguem obter uma renda extra atrav\u00e9s do artesanato. \u201cAqui elas aprendem desde o b\u00e1sico e aos poucos produzem itens novos. Algumas j\u00e1 conseguem ganhar dinheiro\u201d, orgulha-se.<\/p>\n<p>As aulas tamb\u00e9m ocorrem \u00e0s quintas, das 14h \u00e0s 17h, no Campus Universit\u00e1rio da Univille. Atualmente participam 40 alunas, com idade entre 40 a 50 anos. Algumas mulheres encaram o projeto como uma terapia. Este \u00e9 o caso de Karin Krelling, 62, que frequenta o grupo h\u00e1 seis anos. \u201cQuando meu marido morreu eu tive medo da solid\u00e3o, mas aqui sempre me sinto t\u00e3o bem acolhida que n\u00e3o perco um encontro\u201d, conta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_421\" aria-describedby=\"caption-attachment-421\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-421\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/artesanato-croche-1024x576.png\" alt=\"artesanato-croche\" width=\"1024\" height=\"576\"><figcaption id=\"caption-attachment-421\" class=\"wp-caption-text\">Karin Krelling \u00e9 uma das participantes do Ame Viva. Ela frequenta o projeto h\u00e1 6 anos (Cr\u00e9dito: J\u00e9ssica Bett)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A artes\u00e3 relata que produz v\u00e1rios itens e que boa parte de sua renda \u00e9 proveniente da venda. \u201cEu fa\u00e7o de tudo: croch\u00ea, tric\u00f4, patchwork\u2026 Al\u00e9m de costurar, eu ainda me divirto\u201d, comenta.<\/p>\n<p>As turmas do Ame Viva s\u00e3o anuais e, ao final do curso, cada participante recebe um certificado de conclus\u00e3o. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio ter no m\u00ednimo 70% de presen\u00e7a nas aulas.<\/p>\n<p><strong>Reportagem: Mar\u00edlia Oliveira e J\u00e9ssica Bett.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Conte\u00fado produzido para o Primeira Pauta Digital. | Disciplina Jornalismo Digital, 5\u00aa Fase\/2018.<\/strong><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito al\u00e9m de combinar tecidos, cores e texturas, o artesanato \u00e9 uma forma das mulheres se expressarem e se autoafirmarem em uma sociedade machista e patriarcal. O Primeira Pauta Digital conversou com tr\u00eas iniciativas que possuem um objetivo em comum: fazer as mulheres se sentirem empoderadas! 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