{"id":558,"date":"2018-06-15T19:10:08","date_gmt":"2018-06-15T22:10:08","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=558"},"modified":"2025-07-04T19:53:15","modified_gmt":"2025-07-04T22:53:15","slug":"socorro-gourmetizaram-a-comida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2018\/06\/15\/socorro-gourmetizaram-a-comida\/","title":{"rendered":"Socorro: gourmetizaram a comida!"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, a popula\u00e7\u00e3o joinvilense tem assistido \u00e0 populariza\u00e7\u00e3o de produtos e estabelecimentos que se autodenominam gourmet. Mas ser\u00e1 que todos sabem o verdadeiro significado desse adjetivo? Nessa reportagem n\u00f3s vamos te explicar o conceito de gourmet e discutir alguns aspectos em torno do fen\u00f4meno da gourmetiza\u00e7\u00e3o da comida.<\/p>\n<p>O termo <strong>gourmet<\/strong> vem do franc\u00eas e significa \u201calgo de bom gosto\u201d ou \u201cpessoa que tem bom gosto\u201d. Acredita-se que o fil\u00f3sofo e cozinheiro Jean Anthelme Brillat-Savarin tenha sido o primeiro a utilizar a palavra em seu livro Fisiologia do Gosto, lan\u00e7ado em 1825.<\/p>\n<figure id=\"attachment_562\" aria-describedby=\"caption-attachment-562\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-562\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/savarin.jpg\" alt=\"savarin\" width=\"800\" height=\"490\"><figcaption id=\"caption-attachment-562\" class=\"wp-caption-text\">Savarin foi o primeiro a utilizar o termo gourmet em seu livro Fisiologia do Gosto (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Com o tempo, o gourmet passou a ser fortemente associado aos restaurantes da alta gastronomia francesa. \u201cCom a queda da monarquia, os cozinheiros que trabalhavam em castelos foram para Paris e formaram pequenos estabelecimentos onde reproduziam aquele tipo de cozinha ornamentada\u201d, aponta a professora e especialista em Enogastronomia Gabriella Kerber.<\/p>\n<p>De acordo com a etimologia da palavra, um produto gourmet precisa aliar, al\u00e9m de uma apresenta\u00e7\u00e3o elaborada, t\u00e9cnicas precisas e rigorosas e ingredientes de primeira qualidade. Esse tipo de ingrediente n\u00e3o \u00e9 necessariamente o mais caro, mas sim aquele que possui denomina\u00e7\u00e3o de origem, selo de qualidade e forma de produ\u00e7\u00e3o artesanal.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Gabriella, n\u00e3o \u00e9 porque um produto \u00e9 chamado de gourmet que ele realmente possui todas essas caracter\u00edsticas: aquilo que se considera gourmet hoje muitas vezes foge do seu significado real. \u201cHoje n\u00f3s vemos muita coisa industrializada, que n\u00e3o tem refer\u00eancia alguma do processo de produ\u00e7\u00e3o. O gourmet na verdade \u00e9 um marketing, uma forma de agregar valor comercial a um produto qualquer\u201d, aponta a especialista.<\/p>\n<p>Para Gabriella, a populariza\u00e7\u00e3o do gourmet talvez seja explicado pela necessidade das pessoas de obterem realiza\u00e7\u00e3o pessoal. \u201cAs pessoas est\u00e3o sempre tentando encontrar uma forma de ter um capital, n\u00e3o necessariamente financeiro, mas cultural. Se eu aprecio um produto gourmet eu me torno distinto da maioria. Com certeza quem vende identificou isso como um bom mercado\u201d, conclui.<\/p>\n<p>O auxiliar de panifica\u00e7\u00e3o Robson Alves da Silva acredita que o termo gourmet se tornou apenas um r\u00f3tulo. Ele explica que, mesmo se o marketing for bom, se o produto foi ruim o neg\u00f3cio n\u00e3o se mant\u00e9m por muito tempo. \u201c\u00c0s vezes a barraquinha de esquina que vende \u2018o\u2019 cachorro-quente e tem um marketing boca a boca vende muito mais [do que quem possui um neg\u00f3cio gourmet\u201d, compara.<\/p>\n<p>Conforme o economista Jo\u00e3o Luiz Bertoli, a principal consequ\u00eancia que se observa com o fen\u00f4meno da gourmetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma segrega\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os onde os produtos s\u00e3o comercializados. \u201cEles acabam por afastar os consumidores de baixa renda e procuram atrair as camadas de alta renda, ou aqueles consumidores mais propensos a gastar, como turistas, por exemplo\u201d, detalha Jo\u00e3o. Ele ressalta que a eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os muitas vezes alteram o perfil dos frequentadores dos bares e restaurantes que optam pelo r\u00f3tulo.<\/p>\n<h2><strong>Gourmet ganha espa\u00e7o com a tecnologia e incentiva o turismo<\/strong><\/h2>\n<p>Durante d\u00e9cadas, os brasileiros estavam acostumados a pedir comida somente por telefone. No entanto, a tecnologia dos aplicativos de <em>delivery<\/em> mexeu de forma significativa com o mercado. Um exemplo disso \u00e9 o iFood, um aplicativo que atua no pedido e entrega de comida pela internet.<\/p>\n<p>O mercado dos aplicativos de <em>delivery<\/em> \u00e9 t\u00e3o atrativo e promissor que mesmo empresas consagradas de outras \u00e1reas j\u00e1 oferecem o servi\u00e7o, como o <em>Uber Eats<\/em>. Quando fizer o pedido, voc\u00ea vai ver o endere\u00e7o de entrega, o tempo estimado e o valor total (incluindo impostos e valor de entrega).<\/p>\n<p>Essas mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas passaram a exigir das empresas e plataformas mais agilidade para a inova\u00e7\u00e3o. \u201cEsses novos modelos est\u00e3o sendo introduzidos e expandidos em um ritmo t\u00e3o r\u00e1pido que, em apenas alguns anos, esperamos que o mercado n\u00e3o se pare\u00e7a com nada do que \u00e9 hoje\u201d, argumenta a chefe de cozinha Alice Dalm\u00f4nico.<\/p>\n<blockquote><p>Esses novos modelos est\u00e3o sendo introduzidos e expandidos em um ritmo t\u00e3o r\u00e1pido que, em apenas alguns anos, esperamos que o mercado n\u00e3o se pare\u00e7a com nada do que \u00e9 hoje. (Alice Dalm\u00f4nico)<\/p><\/blockquote>\n<p>Conforme a chefe de cozinha, espera-se que os restaurantes gourmet tenham um papel de lideran\u00e7a na inova\u00e7\u00e3o do mercado de alimentos. \u201cAs atividades de produ\u00e7\u00e3o nesses restaurantes s\u00e3o caracterizadas por um alto grau de criatividade na elabora\u00e7\u00e3o de novos menus, nova combina\u00e7\u00e3o de sabores e outras experi\u00eancias associadas \u00e0s refei\u00e7\u00f5es\u201d, explica.<\/p>\n<p>Assim, os restaurantes e os produtos gourmet podem ser uma forma de fortalecer o turismo local. \u201cA demanda tur\u00edstica \u00e9 causada por uma oferta existente de restaurantes de renome e\/ou produtores locais de alimentos de qualidade superior\u201d, comenta Alice.<\/p>\n<h2><strong>A grande sacada do marketing<\/strong><\/h2>\n<p>O marketing da gourmetiza\u00e7\u00e3o tem ajudado a elevar a procura por esse tipo de produto. A compra da experi\u00eancia de ter acesso a vers\u00f5es mais caras e luxuosas da comida tem sido cada vez mais vista como um ganho pessoal pelos consumidores.<\/p>\n<p>Segundo o publicit\u00e1rio Ricardo Steiner, os hamb\u00fargueres gourmet, por exemplo, trouxeram novas interpreta\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es sobre o ato de se alimentar: o consumidor n\u00e3o deseja apenas satisfazer a fome, mas tamb\u00e9m obter uma experi\u00eancia de qualidade que lhe d\u00ea prazer. \u201cA onda do artesanal foi aproveitada pelo mercado, mas n\u00e3o necessariamente \u00e9 culpa do marketing e da propaganda em si, mas sim uma resposta desse movimento social.\u201d<\/p>\n<h2><strong>Experi\u00eancia: provando do hamb\u00farguer gourmet<\/strong><\/h2>\n<p><em>O rep\u00f3rter do Primeira Pauta Andr\u00e9 Lima relata a sua experi\u00eancia na degusta\u00e7\u00e3o de hamb\u00fargueres gourmet.<\/em><\/p>\n<p>Existe uma infinidade de restaurantes que oferecem os mais variados tipos de hamb\u00fargueres. Embora o hamb\u00farguer industrializado n\u00e3o seja t\u00e3o atrativo quanto o artesanal, a maionese caseira \u00e9 o que motiva muitos consumidores a se manterem fi\u00e9is ao mercado tradicional.<\/p>\n<p>Em contrapartida, o hamb\u00farguer gourmet traz o molho barbecue como diferencial. O iFood, aplicativo que atua no pedido e entrega de comida pela internet, indica que os pre\u00e7os de um hamb\u00farguer gourmet podem variar de R$ 13 a R$ 57. Os mais tradicionais (e tamb\u00e9m os mais baratos) s\u00e3o de costela bovina. As op\u00e7\u00f5es s\u00e3o v\u00e1rias, tendo at\u00e9 mesmo algumas que j\u00e1 vem com batata frita inclusa no combo.<\/p>\n<p>Entre os diversos sabores que j\u00e1 provei, o mais diferente foi o hamb\u00farguer de siri. Sim, uma homenagem ao famoso desenho e ao chefe de cozinha Bob Esponja. O hamb\u00farguer \u00e9 montado com p\u00e3o tradicional e as batatas fritas s\u00e3o colocadas no prato para parecerem as garras de um siri, uma sacada muito criativa. D\u00e1 para comer com os olhos e o sabor tamb\u00e9m n\u00e3o decepciona, \u00e9 delicioso!<\/p>\n<p>Mas nem todas as experi\u00eancias com hamb\u00fargueres gourmet s\u00e3o assim. Um belo dia resolvi pedir um hamb\u00farguer tradicional de costela, mas \u00e9 claro que tinha que ter uma pitada de gourmet. Nesse caso, era uma geleia de pimenta. A fome apertava at\u00e9 que a moto trazendo o pedido chegou. Finalmente, estava na hora de comer!<\/p>\n<p>Ao morder o primeiro peda\u00e7o, s\u00f3 tive decep\u00e7\u00e3o. A geleia gourmet era horr\u00edvel, muito doce. Talvez meu paladar n\u00e3o seja refinado o suficiente para comer tudo o que passa pelo raio gourmetizador. A \u00fanica certeza que tive naquele momento \u00e9 que trocaria o \u201cmaravilhoso hamb\u00farguer gourmet\u201d que tinha custado R$ 22 por um \u201cX-pila\u201d de R$ 2,50 da barraquinha da esquina.<\/p>\n<p>As vezes criamos a falsa sensa\u00e7\u00e3o de que o mais caro \u00e9 o mais saboroso e que algo barato \u00e9 sin\u00f4nimo de algo ruim. Mas, quando passamos a pensar dessa maneira? Pouco tempo atr\u00e1s quase n\u00e3o existiam hamburguerias gourmet e, mesmo assim, os lanches comuns matavam a fome.<\/p>\n<p>O hamb\u00farguer gourmet \u00e9 saboroso, isso \u00e9 verdade. Mas ele n\u00e3o anula o fato de que os hamb\u00fargueres tradicionais tamb\u00e9m s\u00e3o deliciosos. Os dois s\u00e3o produtos aliment\u00edcios diferentes e possuem a mesma finalidade: matar a fome.<\/p>\n<p><em>Por: Andr\u00e9 Lima, Gustavo Luzzani, J\u00e9ssica Bett, Mar\u00edlia Comelli, Mayara Oliveira e Yan Nero<\/em><br \/>\n<strong>Conte\u00fado produzido para o Primeira Pauta Digital | Disciplina Jornalismo Digital II (2018)<\/strong><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, a popula\u00e7\u00e3o joinvilense tem assistido \u00e0 populariza\u00e7\u00e3o de produtos e estabelecimentos que se autodenominam gourmet. Mas ser\u00e1 que todos sabem o verdadeiro significado desse adjetivo? 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