{"id":5952,"date":"2024-11-15T18:19:51","date_gmt":"2024-11-15T21:19:51","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=5952"},"modified":"2025-07-04T20:32:08","modified_gmt":"2025-07-04T23:32:08","slug":"geracao-z-transforma-sexualidade-e-redefine-relacionamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2024\/11\/15\/geracao-z-transforma-sexualidade-e-redefine-relacionamentos\/","title":{"rendered":"Gera\u00e7\u00e3o Z transforma sexualidade e redefine relacionamentos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Jovens de 18 a 24 anos praticam menos sexo e enfrentam novos desafios emocionais e sociais<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um fen\u00f4meno crescente tem chamado a aten\u00e7\u00e3o de estudiosos e profissionais de sa\u00fade: o <strong>apag\u00e3o sexual na Gera\u00e7\u00e3o Z<\/strong>, que engloba jovens nascidos entre 1997 e 2012, sendo essa a gera\u00e7\u00e3o sucessora da Gera\u00e7\u00e3o Y, os <em>millenials<\/em>. Ao contr\u00e1rio de gera\u00e7\u00f5es anteriores, essa faixa et\u00e1ria, nativa digital e que convive com in\u00fameras telas, demonstra um distanciamento significativo do sexo, que reflete em uma diminui\u00e7\u00e3o no interesse e na pr\u00e1tica sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>O termo &#8220;apag\u00e3o sexual&#8221; refere-se \u00e0 queda na frequ\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es sexuais, \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do desejo e ao aumento do n\u00famero de jovens que se identificam como assexuados ou optam por uma vida sexual mais moderada. Um estudo recente da Universidade de <em>Yale<\/em>, liderado pela pesquisadora <strong>Kyung Mi Lee<\/strong>, revela que os membros da Gera\u00e7\u00e3o Z se envolvem em menos relacionamentos sexuais e um n\u00famero crescente se identifica como assexual ou busca outras formas de prazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Para muitos da gera\u00e7\u00e3o Z, ter uma vida sexual satisfat\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 mais visto como uma prioridade. Eles concentram suas energias em \u00e1reas como <strong>carreira<\/strong>, <strong>sa\u00fade mental<\/strong> e <strong>desenvolvimento pessoal<\/strong>. A estudante Isabela (<em>nome fict\u00edcio utilizado para preservar a identidade da entrevistada<\/em>), 19 anos, observa que, enquanto para a gera\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e o sexo era um tabu, nas gera\u00e7\u00f5es seguintes, como a dos <em>millennials<\/em>, houve uma maior liberdade. &#8220;Apesar dessa liberdade, a atitude em rela\u00e7\u00e3o ao sexo ainda \u00e9 influenciada por comportamentos conservadores, que eu descreveria como &#8216;quase de freira'&#8221;, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Isabela tamb\u00e9m nota um padr\u00e3o nos relacionamentos de sua irm\u00e3, de 28 anos, que participa de relacionamentos mais casuais, por\u00e9m com um certo compromisso, j\u00e1 que os encontros n\u00e3o s\u00e3o espor\u00e1dicos. Sua irm\u00e3 teve sua primeira experi\u00eancia sexual aos 20 anos, sempre se relacionando com pessoas que j\u00e1 havia encontrado anteriormente. Para Isabela, essa abordagem \u00e9 casual, mas ainda carrega um fundo de afeto. Ela, no entanto, ainda n\u00e3o teve nenhuma experi\u00eancia sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre <strong>aplicativos de namoro<\/strong>, Isabela menciona sua experi\u00eancia negativa com o <em>Tinder<\/em>, descrevendo-a como traum\u00e1tica devido \u00e0 abordagem de muitos homens, que costumam iniciar conversas com cantadas, o que ela considera desrespeitoso. Apesar de ter amigas que gostam desse tipo de intera\u00e7\u00e3o, ela expressa frustra\u00e7\u00e3o com a superficialidade e as inten\u00e7\u00f5es que est\u00e3o por tr\u00e1s dessas abordagens. Ela acredita que muitos homens buscam apenas aten\u00e7\u00e3o ou sexo casual, sem o desejo de estabelecer uma conex\u00e3o mais profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contraste, Mateus (<em>nome fict\u00edcio utilizado para preservar a identidade do entrevistado<\/em>), 25 anos, publicit\u00e1rio e fot\u00f3grafo, acredita que pessoas de gera\u00e7\u00f5es anteriores est\u00e3o mais maduras em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida sexual. Para ele, como jovem gay, o sexo surgiu mais tarde devido \u00e0 repress\u00e3o familiar. Mateus v\u00ea a falta de interesse sexual como uma escolha consciente ou uma mudan\u00e7a de prioridades, mas que pode gerar consequ\u00eancias para a sa\u00fade mental, levando \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de isolamento emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nascido no interior, nunca estive em um relacionamento est\u00e1vel e me sinto inseguro quanto \u00e0 minha apar\u00eancia&#8221;, revela. Embora use aplicativos de relacionamento, ele confessa que est\u00e1 em um per\u00edodo de desintoxica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEu consumia muito do meu tempo, usava aplicativos como o <em>Grindr<\/em>, mais para saber quem estava ao meu redor do que pra colocar em pr\u00e1tica os meus desejos\u201d, confessa.<\/p>\n<cite><em>Mateus, publicit\u00e1rio e fot\u00f3grafo<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Diferentemente de Isabela, Mateus compreende sua vida sexual de maneira mais definida, j\u00e1 tendo v\u00e1rias experi\u00eancias e entendendo melhor seus desejos e <strong>parafilias <\/strong>(termo que refere-se a padr\u00f5es de comportamento sexual que envolvem objetos, situa\u00e7\u00f5es, ou atividades incomuns como principal fonte de excita\u00e7\u00e3o. O termo, de origem grega &#8211; <em>para<\/em>, &#8220;al\u00e9m de&#8221;, e <em>philia<\/em>, &#8220;amor ou afinidade&#8221;, surgiu no campo da psicologia no s\u00e9culo XX para descrever desvios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s normas sexuais convencionais).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perspectiva psicol\u00f3gica e implica\u00e7\u00f5es emocionais<\/h2>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga e gestalt-terapeuta <strong>Suane Souza<\/strong> analisa as complexidades da gera\u00e7\u00e3o Z, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade, ao lidar com pacientes em terapia. Ela destaca que muitos jovens n\u00e3o buscam experimentar ou sair de suas zonas de conforto, representando uma resist\u00eancia \u00e0s normatividades sociais, como a heteronormatividade e a monogamia compuls\u00f3ria. \u201cQuando voc\u00ea n\u00e3o experimenta, n\u00e3o descobre o que realmente gosta, e acaba sendo dominado pela normatividade\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Se tratando de rela\u00e7\u00f5es, de sexo, que \u00e9 uma coisa que tem muito tabu, ent\u00e3o a gente vai encontrar v\u00e1rios introjetos. No momento em que voc\u00ea n\u00e3o vai para a pr\u00e1tica, busca experimentar e n\u00e3o descobre o que voc\u00ea gosta de verdade, voc\u00ea vai ser dominado pela normatividade.&#8221;<\/p>\n<cite><em>Suane Souza<\/em>,<em> gestalt-terapeuta<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Suane observa que a vis\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es anteriores sobre o <strong>conservadorismo da gera\u00e7\u00e3o Z <\/strong>pode ser, na verdade, uma adapta\u00e7\u00e3o mais passiva \u00e0s normas sociais. Ela argumenta que a <strong>fluidez sexual<\/strong>, frequentemente associada a essa gera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o predominante quanto se discute. \u201cAs pessoas est\u00e3o mais preocupadas em se identificar com r\u00f3tulos, como <strong>demisexual <\/strong>ou <strong>sapiossexual<\/strong>, do que em vivenciar suas sexualidades de forma mais aberta\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foco na identifica\u00e7\u00e3o, segundo Suane, est\u00e1 ligado \u00e0 influ\u00eancia da internet e das redes sociais, onde muitos tentam definir sua sexualidade de forma autocentrada, distantes das experi\u00eancias diretas. Em rela\u00e7\u00e3o aos aplicativos de namoro, ela menciona a discrep\u00e2ncia entre a persona virtual e a realidade, em que a \u201cperformatividade\u201d se torna comum. \u201cAs pessoas criam uma imagem de si mesmas que n\u00e3o conseguem sustentar pessoalmente. Isso pode ser uma forma de autoprote\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as intera\u00e7\u00f5es virtuais s\u00e3o mais control\u00e1veis e seguras\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Suane tamb\u00e9m destaca que a acelera\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es digitais reflete uma tend\u00eancia social onde tudo precisa ser mais r\u00e1pido, incluindo as intera\u00e7\u00f5es sexuais. A pandemia, segundo a psic\u00f3loga, intensificou esse processo. \u201cDurante o isolamento, as intera\u00e7\u00f5es virtuais aumentaram. A pandemia acelerou a virtualiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es e trocas sexuais, que j\u00e1 era uma tend\u00eancia, mas se intensificou durante o isolamento social\u201d, conclui.<\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>R\u00f3tulos implicam na liberdade sexual dos jovens. Especialistas comportamentais apontam que a gera\u00e7\u00e3o z pratica menos sexo e passa por novos desafios emocionais e sociais.<\/p>\n","protected":false},"author":49,"featured_media":5953,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[345,346,609],"tags":[471,485,217,486,470,482,472,155,483,484],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5952"}],"collection":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/49"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5952"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5952\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6016,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5952\/revisions\/6016"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5953"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}