{"id":6156,"date":"2024-12-01T12:02:00","date_gmt":"2024-12-01T15:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=6156"},"modified":"2025-07-04T20:35:06","modified_gmt":"2025-07-04T23:35:06","slug":"dezembro-vermelho-promove-reflexao-sobre-convivencia-com-ist-na-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2024\/12\/01\/dezembro-vermelho-promove-reflexao-sobre-convivencia-com-ist-na-sociedade\/","title":{"rendered":"Dezembro Vermelho promove reflex\u00e3o sobre conviv\u00eancia com IST na sociedade"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Dezembro Vermelho<\/strong> \u00e9 o m\u00eas de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o HIV\/Aids e outras infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis (IST), levanta uma reflex\u00e3o sobre os avan\u00e7os no tratamento e a aceita\u00e7\u00e3o social. No entanto, uma contradi\u00e7\u00e3o existe: embora os avan\u00e7os cient\u00edficos tenham transformado essas doen\u00e7as em condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas control\u00e1veis, o debate sobre o tema perdeu espa\u00e7o. E esse sil\u00eancio pode ser t\u00e3o prejudicial quanto o preconceito anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>No passado, receber o diagn\u00f3stico de uma doen\u00e7a sexualmente transmiss\u00edvel (DST) era, para muitos, uma senten\u00e7a dupla: al\u00e9m do impacto na sa\u00fade, as pessoas enfrentavam o preconceito e a exclus\u00e3o social. O estigma era tamanho que termos como \u201cgrupo de risco\u201d e \u201cdoen\u00e7as moralmente conden\u00e1veis\u201d se tornaram comuns, marginalizando ainda mais quem j\u00e1 lidava com o peso do tratamento. <strong>Bruna Medeiros<\/strong>, de 42 anos, relembra como esse assunto era tratado com desrespeito na sua adolesc\u00eancia: \u201cEu via a grande maioria da sociedade discriminando quem recebia o diagn\u00f3stico, como se aquela pessoa fosse a pior do mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A epidemia de HIV\/Aids trouxe \u00e0 tona uma onda de desinforma\u00e7\u00e3o e medo<\/strong>. A sociedade rotulava pessoas com HIV como \u201cimorais\u201d ou \u201cculpadas\u201d, relacionando a doen\u00e7a \u00e0 homossexualidade. E al\u00e9m de sofrerem homofobia, tamb\u00e9m sofriam com a exclus\u00e3o no ambiente de trabalho e at\u00e9 mesmo familiares. Campanhas de preven\u00e7\u00e3o carregavam tons alarmistas, refor\u00e7ando estere\u00f3tipos e alimentando o preconceito j\u00e1 existente.<\/p>\n\n\n\n<p>A historiadora <strong>Maria Helena Costa<\/strong>, especializada em estudos sobre direitos humanos e sa\u00fade p\u00fablica, lembra que a luta contra a Aids tem uma longa trajet\u00f3ria. \u201cNos anos 1980 e 1990, a doen\u00e7a era vista como uma praga, muitas vezes associada ao medo e ao preconceito contra a comunidade gay. Embora hoje a medicina tenha avan\u00e7ado, o estigma ainda permanece em muitas sociedades\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, enquanto o preconceito persistia, avan\u00e7os cient\u00edficos come\u00e7avam a transformar o cen\u00e1rio. Nos anos 1990, o desenvolvimento da terapia antirretroviral, popularmente conhecida como \u201ccoquetel\u201d, foi um divisor de \u00e1guas. Combinando diferentes medicamentos, o tratamento tornou poss\u00edvel controlar o v\u00edrus e evitar sua progress\u00e3o para a Aids, possibilitando uma vida saud\u00e1vel e produtiva para os pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o HIV, por exemplo, o conceito de \u201cindetect\u00e1vel = intransmiss\u00edvel\u201d (I=I) \u00e9 uma conquista cient\u00edfica e social que merece destaque. Quem segue o tratamento corretamente pode atingir n\u00edveis t\u00e3o baixos do v\u00edrus no organismo que n\u00e3o o transmite para outras pessoas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Do sil\u00eancio \u00e0 conscientiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Hoje, uma pessoa com IST pode viver sem grandes complica\u00e7\u00f5es, especialmente quando o tratamento \u00e9 iniciado precocemente. Para que isso aconte\u00e7a, contudo, o teste deve ser feito pouco tempo ap\u00f3s a doen\u00e7a ser contra\u00edda. De acordo com o infectologista e professor universit\u00e1rio <strong>C\u00e9sar Hornburg<\/strong>, o medo do preconceito \u00e9 um dos principais agentes que impedem as pessoas de realizar testes e buscar tratamento. \u201cA estigmatiza\u00e7\u00e3o da pessoa com HIV ainda \u00e9 uma realidade em muitas partes do mundo, e isso tem um impacto direto na sa\u00fade p\u00fablica\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a agente comunit\u00e1ria de sa\u00fade <strong>Anne Caroline Schlogl<\/strong> acredita que as campanhas de Dezembro Vermelho ser\u00e3o eternas e que nunca sair\u00e3o de moda por serem extremamente necess\u00e1rias para a comunidade. \u201cAinda n\u00e3o se fala o suficiente sobre <strong>educa\u00e7\u00e3o sexual<\/strong>. Ao mesmo tempo que as campanhas alertam que o HIV e a Aids existem, mostram que h\u00e1 tratamento, o que acaba causando uma sensa\u00e7\u00e3o de falsa seguran\u00e7a nas novas gera\u00e7\u00f5es. Como se pela exist\u00eancia de tratamento, eles n\u00e3o precisem se prevenir contra a doen\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de campanhas abrangentes e de di\u00e1logo aberto nos dias atuais refor\u00e7a um novo tipo de invisibilidade. Se antes o problema era a discrimina\u00e7\u00e3o expl\u00edcita, hoje \u00e9 a aus\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o, que dificulta a preven\u00e7\u00e3o e perpetua mitos.<\/p>\n\n\n\n<p>O preconceito associado a IST \u00e9, muitas vezes, alimentado pela falta de conhecimento. A educa\u00e7\u00e3o sexual, a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es claras e o acesso aos tratamentos s\u00e3o ferramentas essenciais para quebrar estigmas. Al\u00e9m disso, campanhas que reforcem a import\u00e2ncia do acolhimento e do respeito podem contribuir para uma sociedade mais inclusiva.<\/p>\n\n\n\n<p>O Dezembro Vermelho \u00e9 uma oportunidade para resgatar o debate. Mais do que relembrar os avan\u00e7os cient\u00edficos, \u00e9 preciso promover empatia e inclus\u00e3o, garantindo que o preconceito e o sil\u00eancio fiquem no passado.<\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Dezembro Vermelho \u00e9 o m\u00eas de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o HIV\/Aids e outras infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis (IST), levanta uma reflex\u00e3o sobre os avan\u00e7os no tratamento e a aceita\u00e7\u00e3o social. No entanto, uma contradi\u00e7\u00e3o existe: embora os avan\u00e7os cient\u00edficos tenham transformado essas doen\u00e7as em condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas control\u00e1veis, o debate sobre o tema perdeu espa\u00e7o. 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