{"id":648,"date":"2018-07-10T16:35:48","date_gmt":"2018-07-10T19:35:48","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=648"},"modified":"2022-06-22T19:59:11","modified_gmt":"2022-06-22T22:59:11","slug":"brasil-esta-longe-de-legalizar-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2018\/07\/10\/brasil-esta-longe-de-legalizar-aborto\/","title":{"rendered":"Brasil est\u00e1 longe de legalizar aborto"},"content":{"rendered":"<p>O <strong>aborto<\/strong> foi legalizado na <strong>Irlanda<\/strong> e aprovado pelos deputados na <strong>Argentina<\/strong>. A conquista do direito das mulheres em v\u00e1rios pa\u00edses esbarra no <strong>Brasil<\/strong> em quest\u00f5es sociais, religiosas e econ\u00f4micas. A discuss\u00e3o ainda n\u00e3o chegou ao meio pol\u00edtico como deveria e o pa\u00eds sofre com abandono de crian\u00e7as, <strong>gravidez precoce<\/strong> e com a dificuldade para encontrar um lar para quem precisa.<\/p>\n<p>No Brasil, est\u00e1 acontecendo uma <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/ecidadania\/visualizacaomateria?id=119431&amp;voto=favor\">consulta p\u00fablica<\/a> na p\u00e1gina do Senado para saber a opini\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre regular a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez, dentro das doze primeiras semanas de gesta\u00e7\u00e3o, pelo <strong>Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"line-height: 1.71429; margin-bottom: 1.71429rem;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-655 size-full\" style=\"margin-top: 0.857143rem; margin-bottom: 0.857143rem;\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Dados-de-aborto-ilegal.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"2000\"><\/p>\n<p>Ane Eliza Assis \u00e9 estudante, mora na Argentina h\u00e1 quatro meses e acompanhou de perto o debate no pa\u00eds. Ane engravidou aos 20 anos e a sua gesta\u00e7\u00e3o era considerada de risco, j\u00e1 que o feto apresentava uma arritmia card\u00edaca grave.<\/p>\n<p>Ela foi internada e fez acompanhamento m\u00e9dico at\u00e9 a 30\u00aa semana de gravidez, quando foi necess\u00e1rio realizar uma ces\u00e1rea de emerg\u00eancia. \u201cMesmo com muito medo de como tudo seria, decidimos continuar juntos nessa aventura\u201d, relata Ane.<\/p>\n<p>A nova residente de <strong>Buenos Aires<\/strong> acredita que a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto salvar\u00e1 a vida de muitas mulheres, mas talvez o ato fique \u201cmarginalizado\u201d. \u201cMuitas mulheres fariam em qualquer circunst\u00e2ncia, talvez apenas por ser uma gesta\u00e7\u00e3o indesejada\u201d, opina.<\/p>\n<p>Em maio, na Irlanda, 66,4% dos votos foram a favor da retirada da oitava emenda da <strong>Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong>, que igualava a vida da mulher a do feto.<\/p>\n<p>Para o jornalista Luis Arana, que mora em <strong>Du<\/strong><strong>blin<\/strong>, capital da Irlanda, a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto foi um marco hist\u00f3rico para o pa\u00eds. \u201cAcredito que esse seja um direito da mulher de decidir em continuar ou n\u00e3o a gesta\u00e7\u00e3o, afinal, \u00e9 o corpo e a vida dela\u201d, defende.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rosana Rosar tamb\u00e9m \u00e9 jornalista e mora em <strong>Cork<\/strong>, a mais de 200 km da capital irlandesa, desde novembro de 2014. Assim que chegou ao pa\u00eds come\u00e7ou a acompanhar as vota\u00e7\u00f5es populares favor\u00e1veis \u00e0s pautas progressistas. \u201cA vit\u00f3ria do &#8216;Sim&#8217; demonstrou que a maioria da popula\u00e7\u00e3o irlandesa compreende que a mulher tem direito \u00e0 escolha em um momento de crise\u201d, relata.<br \/>\nSegundo Rosana, a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 aliviada em saber que at\u00e9 o final do ano o governo dever\u00e1 implementar a legisla\u00e7\u00e3o que legalizar\u00e1 o aborto no pa\u00eds. \u201c\u00c9 claro que ainda existe gente contr\u00e1ria \u00e0 decis\u00e3o popular democr\u00e1tica, mas eles s\u00e3o minoria\u201d, conta.<\/p>\n<p>A jornalista \u00e9 a favor da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto por entender&nbsp;que o procedimento \u00e9 uma quest\u00e3o de <strong>sa\u00fade p\u00fablica<\/strong>. Atualmente na Irlanda, as mulheres que precisam interromper a gravidez t\u00eam duas op\u00e7\u00f5es. A primeira, se houver tempo, \u00e9 encomendar uma p\u00edlula abortiva do exterior e tom\u00e1-la em casa, sem supervis\u00e3o m\u00e9dica. A segunda \u00e9 viajar para outro pa\u00eds da<strong> Europa<\/strong> (em geral a Inglaterra) e realizar o procedimento cir\u00fargico legalmente. \u201cNa Irlanda, as mortes s\u00e3o raras, mas tamb\u00e9m acontecem\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Rosana hoje \u00e9 bolsista do mestrado em Women&#8217;s Studies (Estudos Feministas), na Universidade College Cork (UCC), e conta que a vit\u00f3ria irlandesa parece ter dado novo f\u00f4lego \u00e0 luta das ativistas argentinas que venceram a vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados e aguardam agora a vota\u00e7\u00e3o do Senado. \u201cEspero que essa onda feminista traga mudan\u00e7as tamb\u00e9m para o Brasil.\u201d<\/p>\n<h2>Vis\u00e3o da sa\u00fade<\/h2>\n<p>Os <strong>abortos ilegais<\/strong> geralmente ocorrem em <strong>cl\u00ednicas clandestinas<\/strong>, j\u00e1 que se faz em desconformidade com a lei. Por conta disso, muitas vezes, os profissionais que atuam nesses locais podem n\u00e3o ser capazes de realizar os procedimentos nas pacientes.<\/p>\n<p>A ginecologista e obstetra Gabriele Anzolin explica que as principais complica\u00e7\u00f5es ap\u00f3s o aborto s\u00e3o hemorragia excessiva, perfura\u00e7\u00e3o do \u00fatero ou de \u00f3rg\u00e3os pr\u00f3ximos a essa regi\u00e3o e infec\u00e7\u00e3o intrauterina &#8211; quando n\u00e3o acontece o aborto completo e o material fica retido no \u00fatero -, que pode agravar-se para uma infec\u00e7\u00e3o generalizada. \u201cEm muitos casos, as pacientes procuram essas cl\u00ednicas depois de tentarem realizar o aborto em casa e n\u00e3o obter sucesso\u201d, afirma.<\/p>\n<p>No Brasil, <a href=\"https:\/\/mdemulher.abril.com.br\/saude\/saiba-quando-e-legal-fazer-um-aborto-no-brasil-e-como-proceder\/\">o aborto \u00e9 permitido em apenas tr\u00eas casos<\/a>: quando h\u00e1 risco de morte da m\u00e3e, em caso decorrente de estupro ou quando o feto \u00e9 anenc\u00e9falo. Segundo Gabriele, existem v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e cir\u00fargicas que podem ser respons\u00e1veis por uma gesta\u00e7\u00e3o de risco, como hipertens\u00e3o, diabetes e outros problemas. \u201cTodas as op\u00e7\u00f5es em que houver a possibilidade de tratamento, n\u00e3o h\u00e1 libera\u00e7\u00e3o legal para aborto\u201d, esclarece a ginecologista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ainda h\u00e1 os casos de tentativa de aborto caseira, que algumas mulheres realizam devido aos atrasos menstruais. A ginecologista Gabriele explica que usar desses recursos n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel, pois pode causar um aborto incompleto. Ela ainda ressalta que em casos de rela\u00e7\u00f5es sexuais desprotegidas ou de falhas do m\u00e9todo <strong>anticoncepcional<\/strong>, nos postos de sa\u00fade h\u00e1 dispon\u00edvel a anticoncep\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, que deve ser utilizada em casos excepcionais e n\u00e3o como substituto dos m\u00e9todos anticoncepcionais de rotina.<\/p>\n<p>Gabriele tamb\u00e9m esclarece que nenhum m\u00e9todo \u00e9 completamente seguro. At\u00e9 mesmo os procedimentos cir\u00fargicos possuem efetividade pr\u00f3xima, mas n\u00e3o totalmente. Os mais efetivos s\u00e3o, al\u00e9m dos cir\u00fargicos, o <strong>DIU de cobre de levonorgestrel<\/strong> &#8211; dispositivo intrauterino em forma de T -, e o implante. Com menos efetividade, mas ainda assim acima de 90% de efetividade, as p\u00edlulas, os injet\u00e1veis e adesivos. \u201cA combina\u00e7\u00e3o entre os m\u00e9todos, como uso de anticoncepcional e preservativo, aumentam a efic\u00e1cia.\u201d<\/p>\n<p>Para Gabriele, a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto pode diminuir os riscos e preservar a sa\u00fade de muitas mulheres, mas ainda h\u00e1 muito para realizar nas pol\u00edticas p\u00fablicas de promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o populacional para evitar epidemias de <strong>doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis<\/strong> <strong>(DST)<\/strong>. \u201c\u00c9 uma decis\u00e3o multifatorial em que h\u00e1 necessidade de um avan\u00e7o na educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o al\u00e9m de infraestrutura. Isso sem entrar no m\u00e9rito religioso.\u201d<\/p>\n<p>Para a mestra em sa\u00fade mental Joice Pacheco, a sociedade sempre aponta a mulher como culpada pela gravidez. De acordo com a psic\u00f3loga, essa vis\u00e3o \u00e9 errada, visto que os m\u00e9todos contraceptivos existem tanto para as mulheres como para os homens. \u201cO uso da camisinha, por exemplo, \u00e9 t\u00e3o eficaz quanto o uso da p\u00edlula anticoncepcional\u201d, acrescenta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_657\" aria-describedby=\"caption-attachment-657\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-657\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Legaliza\u00e7\u00e3o-do-aborto-Foto-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\"><figcaption id=\"caption-attachment-657\" class=\"wp-caption-text\">Protesto no Rio de Janeiro pede a libera\u00e7\u00e3o do aborto | Foto: Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>Joice analisa tr\u00eas tipos de pensamentos das pessoas com rela\u00e7\u00e3o ao aborto: os que n\u00e3o acham errado porque n\u00e3o creem que exista algum tipo de puni\u00e7\u00e3o espiritual; os que acham errado por causa de puni\u00e7\u00e3o espiritual; e os que n\u00e3o t\u00eam cren\u00e7as, mas acreditam estar tirando uma vida.<\/p>\n<p>\u201cQuando um beb\u00ea e uma m\u00e3e est\u00e3o em risco se preserva a vida da mulher, porque a vida j\u00e1 est\u00e1 formada\u201d afirma. A ado\u00e7\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, mas apenas mulheres que n\u00e3o querem abortar e nem serem m\u00e3es s\u00e3o adeptas. Na opini\u00e3o de Joice, ter que entregar uma crian\u00e7a \u00e0 ado\u00e7\u00e3o por falta de condi\u00e7\u00f5es financeiras \u00e9 algo desumano. \u201cEnquanto fatores econ\u00f4micos, religiosos e verdades \u00fanicas prevalecerem sobre o direito da escolha n\u00e3o vamos avan\u00e7ar como sociedade.\u201d<\/p>\n<h2>Vis\u00e3o dos especialistas<\/h2>\n<p>Para a antrop\u00f3loga e professora universit\u00e1ria Maria Elisa M\u00e1ximo, o <strong>direito da mulher<\/strong> de decidir sobre o seu corpo e sua vida \u00e9 a ess\u00eancia da discuss\u00e3o sobre aborto. O debate sobre a quest\u00e3o da morte de um feto nunca \u00e9 feita do ponto de vista da vida feminina. \u201cPara que um beb\u00ea nas\u00e7a, uma mulher precisa estar viva\u201d, expressa. Ela ainda destaca que, \u00e0s vezes, uma gesta\u00e7\u00e3o acontece porque os homens se sentem donos do corpo da mulher.<\/p>\n<p>A antrop\u00f3loga tamb\u00e9m considera o aborto um problema de sa\u00fade p\u00fablica. \u201c\u00c9 como se a legaliza\u00e7\u00e3o fosse aumentar o n\u00famero de abortos, quando, na verdade, as pr\u00e1ticas clandestinas s\u00e3o elevadas e existe alto \u00edndice de <strong>mortalidade materna<\/strong>, com quest\u00f5es de classe muito marcadas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Maria Elisa ressalta que as mulheres sempre abortaram, mas que no ponto de vista da lei, isso n\u00e3o \u00e9 considerado. \u201cQuem t\u00eam dinheiro t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de buscar cl\u00ednicas especializadas para realizar esse procedimento de forma minimamente segura. As mulheres pobres fazem isso em casa com t\u00e9cnicas question\u00e1veis e, muitas vezes, com medicamentos falsificados\u201d, lamenta a professora.<\/p>\n<p>Maria Elisa M\u00e1ximo coloca em debate as condi\u00e7\u00f5es financeiras e psicol\u00f3gicas para se criar um filho hoje. Escute o \u00e1udio:<\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-648-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Maria-Elisa-sobre-legaliza\u00e7\u00e3o-do-aborto.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Maria-Elisa-sobre-legaliza\u00e7\u00e3o-do-aborto.mp3\">http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Maria-Elisa-sobre-legaliza\u00e7\u00e3o-do-aborto.mp3<\/a><\/audio>\n<p>A antrop\u00f3loga explica que quando a mulher pode contar com um atendimento especializado, os n\u00fameros de abortos diminuem. \u201cO aborto legal abre a possibilidade dessas mulheres serem assistidas a ponto de, por vezes, desistirem de abortar\u201d, explica. A ideia de inserir esse tipo de procedimento em um sistema de sa\u00fade organizado \u00e9 pela sensibilidade da mulher passar por todas etapas at\u00e9 ter seguran\u00e7a de que \u00e9 isso que deseja fazer.<\/p>\n<figure id=\"attachment_658\" aria-describedby=\"caption-attachment-658\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-658\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Legaliza\u00e7\u00e3o-do-aborto-Foto-3-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\"><figcaption id=\"caption-attachment-658\" class=\"wp-caption-text\">Protesto a favor do aborto no Rio de Janeiro, em 2018 | Foto: Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>O advogado e doutor em filosofia Leandro Hofst\u00e4tter acredita que a vis\u00e3o puritanista do pa\u00eds, a falta de educa\u00e7\u00e3o e cren\u00e7as religiosas afetam as discuss\u00f5es sobre aborto. \u201cEssa vis\u00e3o puritanista de vida s\u00f3 vale na concep\u00e7\u00e3o. Observe se as <strong>crian\u00e7as de rua<\/strong> que morrem por desnutri\u00e7\u00e3o t\u00eam ajuda. J\u00e1 se a mulher abortar, a\u00ed sim \u00e9 um problema\u201d, pontua.<\/p>\n<p>O machismo tamb\u00e9m \u00e9 fator determinante no pa\u00eds. \u201cN\u00e3o conseguimos discutir a quest\u00e3o de <strong>g\u00eanero<\/strong> ainda. Tamb\u00e9m h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre o ser mulher e o ser homem. Assim fica dif\u00edcil falar em aborto\u201d, lamenta Hofst\u00e4tter.<\/p>\n<p>Em uma sociedade que s\u00f3 aceita o aborto em casos de risco na gravidez, <strong>crian\u00e7as anenc\u00e9falas<\/strong> e estupro, a medida que se pode tomar \u00e9 a <strong>preven\u00e7\u00e3o<\/strong>. O advogado exp\u00f5e que mesmo nos casos de preven\u00e7\u00e3o o puritanismo religioso aparece. Para ele, h\u00e1 um complexo quando se fala em g\u00eanero no pa\u00eds. \u201cQuerem falar em ci\u00eancia, em avan\u00e7o, mas na hora de falar de g\u00eanero querem deixar como est\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>Para o advogado, mesmo existindo na lei quest\u00f5es de estupro, h\u00e1 complicadores no pa\u00eds. \u201cFam\u00edlias n\u00e3o apoiam a mulher. E pior: ju\u00edzes que complicam o processo e quando a libera\u00e7\u00e3o vem a crian\u00e7a j\u00e1 nasceu\u201d, relata.<\/p>\n<p>Hofst\u00e4tter comenta que essas complica\u00e7\u00f5es deixam as mulheres sem alternativas, o que faz com que procurem meios ilegais. \u201cAs ricas pagam bons m\u00e9dicos e ningu\u00e9m fica sabendo. Mas as pobres n\u00e3o t\u00eam dinheiro, v\u00e3o em qualquer lugar e acabam morrendo. Mas elas podem morrer n\u00e9? Porque s\u00e3o pobres\u201d, indigna-se.<\/p>\n<h2>O aborto na Am\u00e9rica Latina<\/h2>\n<p>Apenas quatro pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina permitem o aborto volunt\u00e1rio: <strong>Guiana<\/strong>,<strong> Cuba<\/strong>,<strong> Porto Rico<\/strong>, e<strong> Uruguai<\/strong>. Por outro lado, a Am\u00e9rica Latina domina a lista mundial de pa\u00edses onde vigora a proibi\u00e7\u00e3o absoluta de abortar em qualquer hip\u00f3tese &#8211; casos da <strong>Nicar\u00e1gua<\/strong>,<strong> Honduras<\/strong>,<strong> Haiti<\/strong>,<strong> El Salvador <\/strong>e<strong> Rep\u00fablica Dominicana<\/strong>. O restante dos pa\u00edses permitem a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gesta\u00e7\u00e3o em alguns casos espec\u00edficos, como estupro e risco de morte da gestante.<\/p>\n<p>O M\u00e9xico \u00e9 o pa\u00eds que tem a lei do aborto mais controversa. Na capital, Cidade do M\u00e9xico, a mulher pode realizar o aborto at\u00e9 as doze primeiras semanas da gesta\u00e7\u00e3o, algo que acontece em outros 12 estados. Por\u00e9m, no restante do pa\u00eds, 18 estados, o aborto \u00e9 proibido.<\/p>\n<p>Em 2012, um pa\u00eds com 3,5 milh\u00f5es de habitantes, quase quatro vezes menor que Rio Grande do Sul, deu o passo in\u00e9dito para um assunto tabu no continente. Foi h\u00e1 cinco anos, no dia 18 de outubro, que o senado do Uruguai aprovou a lei do aborto, tornando-se o primeiro pa\u00eds da Am\u00e9rica do Sul e o terceiro da Am\u00e9rica Latina a aprovar a lei do aborto.<\/p>\n<p>Desde 1968 o aborto \u00e9 gratuito e livre em Cuba, uma decis\u00e3o deixada por Fidel Castro. Hoje, 40% das gesta\u00e7\u00f5es que se tem conhecimento em Cuba terminam em aborto, tornando, assim, o pa\u00eds com maior n\u00famero de abortos do mundo. Uma das explica\u00e7\u00f5es para o n\u00famero t\u00e3o alto, \u00e9 a falta de esperan\u00e7a que os pais depositam no futuro. A expectativa baixa contribui para o aborto no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por ser um territ\u00f3rio ultramarino da <strong>Fran\u00e7a<\/strong>, a Guiana Francesa adota a legisla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds europeu e permite o aborto at\u00e9 a 14\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o. Na Guiana, \u00e9 permitido abortar at\u00e9 a 12\u00aa semana.<\/p>\n<p>Confira a opini\u00e3o dos brasileiros sobre o assunto nas redes sociais:<\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"550\" data-dnt=\"true\">\n<p lang=\"pt\" dir=\"ltr\">gurizada rapid\u00e3o:<br \/>ngm \u00e9 a favor d abortar, o aborto acontece, e \u00e9 uma realidade e as vezes na vis\u00e3o dos pais \u00e9 uma alternativa p diversos problemas que n nos interessam<br \/>por\u00e9m quem \u00e9 a favor da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto quer controla-lo, tornar mais seguro e evitar q mulheres morram<\/p>\n<p>&mdash; vitinho \ud83c\udde7\ud83c\uddfc\u26a1\ufe0f (@Vitor_Pezzini3) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/Vitor_Pezzini3\/status\/1013545395601969152?ref_src=twsrc%5Etfw\">July 1, 2018<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n<p>https:\/\/twitter.com\/mariaaantoniadh\/status\/1014866750792400897<\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"550\" data-dnt=\"true\">\n<p lang=\"pt\" dir=\"ltr\">Eu n apoio a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto!!!<\/p>\n<p>&mdash; GABRIEL VIVE \u2728 (@mari_2020emilly) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/mari_2020emilly\/status\/1014607082421661697?ref_src=twsrc%5Etfw\">July 4, 2018<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"550\" data-dnt=\"true\">\n<p lang=\"pt\" dir=\"ltr\">legaliza\u00e7\u00e3o de aborto n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de moral \u00e9 quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica, que dificuldade senhor<\/p>\n<p>&mdash; dine (@BolzanNadi) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BolzanNadi\/status\/1013198766973825024?ref_src=twsrc%5Etfw\">June 30, 2018<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n<p>https:\/\/twitter.com\/Giovanna_Res\/status\/1014360564464791552<\/p>\n<p><strong>Conte\u00fado produzido para o Primeira Pauta Digital. | Disciplina Jornalismo Digital II, 5\u00aa Fase\/2018<br \/>\n<\/strong><em>Reportagem: Diego Mahs, Gustavo Luzzani, Liandra Tank e Mariana Costa<br \/>\nInfogr\u00e1fico: Liandra Tank<br \/>\nFotos: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aborto foi legalizado na Irlanda e aprovado pelos deputados na Argentina. 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A discuss\u00e3o ainda n\u00e3o chegou ao meio pol\u00edtico como deveria e o pa\u00eds sofre com abandono de crian\u00e7as, gravidez precoce e com a dificuldade para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2355,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[233],"tags":[99,100,101,102],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/648"}],"collection":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=648"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/648\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2356,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/648\/revisions\/2356"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2355"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}