{"id":700,"date":"2018-11-19T20:01:44","date_gmt":"2018-11-19T22:01:44","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=700"},"modified":"2025-07-04T19:49:28","modified_gmt":"2025-07-04T22:49:28","slug":"maes-universitarias-passam-por-dificuldades-ao-enfrentar-jornada-dupla","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2018\/11\/19\/maes-universitarias-passam-por-dificuldades-ao-enfrentar-jornada-dupla\/","title":{"rendered":"M\u00e3es universit\u00e1rias passam por dificuldades ao enfrentar jornada dupla"},"content":{"rendered":"<p>Em 2007 Margarethe Puccini, 37, cursava administra\u00e7\u00e3o na Faculdade Cenecista de Joinville. Com uma filha de oito anos, a estudante divida seu tempo entre trabalhar, cuidar de uma crian\u00e7a e estudar. Quando n\u00e3o era poss\u00edvel deixar a menina com os av\u00f3s para frequentar a faculdade, &nbsp;Margarethe a levava junto para a sala de aula. Essa rotina durou at\u00e9 Margarethe completar seus estudos \u201ceu s\u00f3 conseguia levar minha filha para casa nos finais de semana\u201d afirma ela, pois na segunda feira acordava de manh\u00e3, pegava um \u00f4nibus e deixava a filha Gabriela na casa dos av\u00f3s para eles levarem ela para a escolinha. Atualmente, com 48 anos, ela v\u00ea a necessidade de um espa\u00e7o nas institui\u00e7\u00f5es para m\u00e3es estudantes deixarem seus filhos. \u201cA maioria n\u00e3o conclui os estudos por n\u00e3o ter onde deixar os filhos\u201d, conta ela. \u201cEu podia contar com meus pais, mas a maioria n\u00e3o pode\u201d, completa.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para T\u00e1rsila Elbert a hist\u00f3ria se passa em um contexto diferente. Ela engravidou aos 23 anos enquanto cursava Jornalismo, por\u00e9m n\u00e3o foi sua primeira vez. Antes disso teve dois abortos e nessas duas vezes teve que interromper seus estudos para poder cuidar da gesta\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s um tratamento ginecol\u00f3gico, veio a not\u00edcia que estava gr\u00e1vida de novo e como era uma gravidez de risco, n\u00e3o poderia mais estudar. Tendo que ficar deitada 24 horas por dia, Tarsila passou os nove meses de gesta\u00e7\u00e3o vivendo em fun\u00e7\u00e3o de Benjamin, seu filho de agora dois anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A jovem teve depress\u00e3o e foi acompanhada por uma doula (assistente de parto) at\u00e9 o dia do parto, que ocorreu tranquilamente. Ap\u00f3s esse al\u00edvio veio outra preocupa\u00e7\u00e3o, a de ter que atrasar seu curso pela segunda vez. \u201cA parte mais dif\u00edcil foi largar a faculdade, pois jornalismo \u00e9 algo que eu sonho<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">h\u00e1 muito tempo\u201d, declarou. Antes de trancar o curso, ela conta que sofria preconceito de outros alunos, pois uma gravidez n\u00e3o \u00e9 bem vista para uma garota nova e que ainda estuda. Os professores sempre a incentivaram e a ajudaram a continuar. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSe a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui infraestrutura para acolher os filhos de estudantes, estes s\u00e3o acolhidos dentro das salas de aula\u201d, afirma Maria Elisa M\u00e1ximo, doutora em Antropologia Social. Ela conta que enquanto lecionava j\u00e1 teve presenciou alguns casos em que suas alunas ficaram gr\u00e1vidas e pegavam a licen\u00e7a maternidade, podendo realizar as atividades em casa tendo avalia\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m j\u00e1 teve alunas que precisaram levar seus filhos para a sala. \u201cEles at\u00e9 faziam perguntas e interagiram durante as minhas aulas\u201d. Maria Elisa explica que isso nunca atrapalhou as aulas, pelo contr\u00e1rio, para ela, a sala de aula \u00e9 um espa\u00e7o de di\u00e1logo e intera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para que a aula flua bem, alunas e alunos devem se sentir acolhidos e confort\u00e1veis. A antrop\u00f3loga fala que \u00e9 a favor das institui\u00e7\u00f5es terem um espa\u00e7o para acolher essas crian\u00e7as a fim de que os alunos possam cuidar dos filhos sem interromper os estudos. O psic\u00f3logo Kal\u00e9u Fernando de Lima, 27, n\u00e3o acha que levar uma crian\u00e7a para dentro da sala de aula seja algo apropriado, nem para a crian\u00e7a e nem para os colegas. \u201cAs pessoas que est\u00e3o ali com voc\u00ea s\u00e3o estudantes e t\u00eam o mesmo objetivo que voc\u00ea, o que pode causar atritos na pr\u00f3pria turma\u201d. Se isso n\u00e3o for um h\u00e1bito, mas sim em ocasi\u00f5es especiais o psic\u00f3logo afirma que n\u00e3o haver\u00e1 complica\u00e7\u00f5es, o psic\u00f3logo conclui, \u201cse for comunicado que isso ocorrer\u00e1 e todos concordarem, n\u00e3o vejo problemas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em um momento como esse, o apoio dos familiares e amigos \u00e9 fundamental, tendo esse pilar, a mulher consegue conciliar a nova fase de sua vida, que \u00e9 ser m\u00e3e, com seus estudos e um futuro promissor. Organizar uma rotina, as possibilidades, o tempo dispon\u00edvel, tudo isso tem que ser planejado da melhor forma poss\u00edvel. A crian\u00e7a passa a se tornar prioridade na vida dos pais e suas vontades e necessidades s\u00e3o colocadas em primeiro lugar, por\u00e9m com uma boa organiza\u00e7\u00e3o e suporte \u00e9 poss\u00edvel se ajustar aos dois. A falta desse apoio \u00e9 o que faz aproximadamente 309 mil m\u00e3es largarem os estudos, segundo o levantamento do Movimento Todos pela Educa\u00e7\u00e3o, com base no Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios). \u201c\u00c9 de extrema import\u00e2ncia entender que a crian\u00e7a n\u00e3o foi gerada sozinha e se cada um se encarregar de suas tarefas a chance da m\u00e3e continuar sua vida \u00e9 muito maior e muito mais saud\u00e1vel\u201d, afirma Kal\u00e9u.<\/span><\/p>\n<p><strong>Aux\u00edlio Creche<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Muitos trabalhadores desconhecem o aux\u00edlio creche, uma ajuda para custear a creche de seu filho. Esse benef\u00edcio \u00e9 garantido constitucionalmente para pessoas com carteira assinada e que trabalham em empresas que tenham mais de 30 funcion\u00e1rios. Essas empresas podem tamb\u00e9m disponibilizar um espa\u00e7o f\u00edsico para as m\u00e3es deixarem os filhos at\u00e9 os seis meses de idade. Caso n\u00e3o ofere\u00e7am esse espa\u00e7o, \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o o aux\u00edlio creche. Se a empresa tem menos de 30 funcion\u00e1rios, o espa\u00e7o \u00e9 facultativo, podendo ou n\u00e3o oferec\u00ea-lo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O aux\u00edlio n\u00e3o \u00e9 uma lei, mas sim um direito. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) tamb\u00e9m aderiu ao benef\u00edcio. Ele pode ser solicitado <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">pelos estudantes que tenham vulnerabilidade econ\u00f4mica, com o objetivo de estimular sua perman\u00eancia na Universidade. Para isso existem regras. O estudante precisa estar matriculado, frequentar as aulas, ter a guarda legal da crian\u00e7a e ser inscrito na lista de espera. O Senado j\u00e1 discute um projeto de lei que permite a m\u00e3e se afastar durante tr\u00eas meses da faculdade sem ser prejudicada, do oitavo m\u00eas ao segundo m\u00eas p\u00f3s-parto, por\u00e9m existe um outro projeto em discuss\u00e3o, do deputado Jean Willys, que amplia esse parecer em at\u00e9 seis meses, do oitavo m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o ao quinto m\u00eas p\u00f3s parto, dando um tempo maior para a m\u00e3e se recuperar e dar amparo ao seu filho antes de voltar aos estudos. Esses projetos s\u00e3o vistos com bons olhos e de grande ajuda para as mulheres que batalham diariamente para concluir a sua gradua\u00e7\u00e3o e dar uma boa cria\u00e7\u00e3o aos seus filhos.<\/span><\/p>\n<p>Por: Emilly Huida<\/p>\n<p>Foto: Arquivo pessoal<\/p>\n<p><strong>Conte\u00fado original do Primeira Pauta Impresso, edi\u00e7\u00e3o 143.<\/strong><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2007 Margarethe Puccini, 37, cursava administra\u00e7\u00e3o na Faculdade Cenecista de Joinville. Com uma filha de oito anos, a estudante divida seu tempo entre trabalhar, cuidar de uma crian\u00e7a e estudar. 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