{"id":726,"date":"2018-11-19T20:29:40","date_gmt":"2018-11-19T22:29:40","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=726"},"modified":"2025-07-04T19:49:48","modified_gmt":"2025-07-04T22:49:48","slug":"negros-correspondem-a-34-dos-alunos-nas-faculdades-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2018\/11\/19\/negros-correspondem-a-34-dos-alunos-nas-faculdades-brasileiras\/","title":{"rendered":"Negros correspondem a 34% dos alunos nas faculdades brasileiras"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo com o avan\u00e7o que a Lei de Cotas trouxe para as universidades brasileiras, a popula\u00e7\u00e3o negra ainda \u00e9 minoria nas faculdades. Em 2016 eles eram 34% do total, segundo a Sinopse Estat\u00edstica da Educa\u00e7\u00e3o Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep). Neste ano, a Lei n\u00ba 12.711 completa seis anos de exist\u00eancia, mas ainda h\u00e1 luta contra a hegemonia branca nas salas de aula.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estabelecido e comemorado a partir desde 2003, o dia da Consci\u00eancia Negra foi sancionado apenas oito anos depois como lei <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">n\u00ba 12.519 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">que celebra a import\u00e2ncia da hist\u00f3ria afrodescendente no Brasil. Apesar de tanto tempo, ainda hoje, a data n\u00e3o \u00e9 motivo de comemora\u00e7\u00e3o. No pa\u00eds, os negros continuam sendo os mais atingidos pela viol\u00eancia, desemprego e falta de representatividade, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho. De acordo com o Atlas da Viol\u00eancia, disponibilizado atrav\u00e9s do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA) em 2017, a popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m corresponde a mais de 70% de chances de serem v\u00edtimas de homic\u00eddios. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">O reflexo destes dados afeta diretamente a vida cotidiana, em que os obst\u00e1culos encontrados dentro da universidade s\u00e3o evidentes para os alunos. Estudante de Engenharia de Transporte e Log\u00edstica na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), John Thomas Coelho, 22, diz que \u00e9 necess\u00e1rio buscar representatividade nas salas de aula. \u201c\u00c9 raro vermos o negro bem na sociedade, ocupando cargos altos e de poder. N\u00e3o somos bem representados no meio universit\u00e1rio, \u00e9 muito dif\u00edcil, por exemplo, ter um professor negro\u201d, aponta. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A representatividade no ambiente acad\u00eamico \u00e9 essencial para se adquirir a igualdade racial em outros aspectos da sociedade, e ainda, desempenhando o papel das oportunidades educacionais na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa e sem discrimina\u00e7\u00e3o. Marco Ant\u00f4nio Andr\u00e9, advogado, negro e membro atuante do N\u00facleo de Estudos AfroBrasileiros (NEAB) da Universidade Regional de Blumenau (Furb), acredita que existe uma d\u00edvida hist\u00f3rica que a escravid\u00e3o deixou para a popula\u00e7\u00e3o negra. \u201cSabemos que o ideal seria a repara\u00e7\u00e3o financeira por tantas atrocidades, mas ainda vivemos em um Estado Racista\u201d, critica. Para o advogado, apesar de falha em algumas caracter\u00edsticas, as cotas acabam sendo uma forma de repara\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a busca pela igualdade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, a exist\u00eancia de cotas est\u00e1 longe de ser a \u00fanica medida para inserir o aluno na universidade. Rhuan Carlos Fernandes, licenciado em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e cursando Hist\u00f3ria na Universidade da Regi\u00e3o de Joinville (Univille), acredita que h\u00e1 muito a ser feito. \u201cFalta di\u00e1logo, percep\u00e7\u00e3o, bolsas de estudo, moradia, restaurantes universit\u00e1rios, transporte\u2026 Essa estrutura que todo acad\u00eamico negro passa certamente cria obst\u00e1culos maiores\u201d, sugere. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Mulher, negra e estudante: as desigualdades de ra\u00e7a nas carreiras universit\u00e1rias<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo o artigo \u201cMulheres brancas e negras na Universidade Federal de Mato Grosso\u201d, de 2008, uma das marcas mais significativas do s\u00e9culo XX nos pa\u00edses ocidentais foi o ingresso das mulheres nas universidades. No Brasil, elas j\u00e1 representam mais de 50% do total de matriculados nas universidades p\u00fablicas federais. Entretanto, apesar da participa\u00e7\u00e3o das mulheres no meio, ainda h\u00e1 um vazio quando se trata da mulher negra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sabrina Quariniri \u00e9 jornalista, atuante em movimentos ativistas e negra. Para ela, a representatividade da mulher negra \u00e9 importante para buscar a igualdade entre g\u00eaneros e racial. \u201c\u00c9 importante para entendermos que nosso lugar n\u00e3o \u00e9 apenas nas cozinhas e nem sendo sexualizadas nos meios de comunica\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo inserida no meio acad\u00eamico, onde este tema \u00e9 debatido e conhecido pelos estudantes, o racismo e machismo que rodeia a mulher negra s\u00e3o reconhecidos em atitudes que, quase despercebidas, ocorrem diariamente. \u201cA abordagem de uma minoria me incomodava muito, principalmente pela sexualiza\u00e7\u00e3o da mulher negra contida em suas palavras e algumas \u201cpiadas\u201d de mau gosto que eram ditas em sala de aula\u201d, exemplifica. Quariniri ainda acredita que a inten\u00e7\u00e3o de ofensa poderia n\u00e3o estar contida na fala, mas \u00e9 necess\u00e1rio se educar. \u201cAcredito que, em pleno s\u00e9culo XXI, j\u00e1 deu tempo de repensarmos certos ditados populares, g\u00edrias e piadas\u201d, questiona.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m de debater o assunto e faz\u00ea-lo pauta di\u00e1ria nas institui\u00e7\u00f5es, a jornalista cita a publicidade entre os meios que podem ser usados como combate ao racismo. \u201cAcredito que existe uma falta de representatividade do negro tanto no coro estudantil quanto nas publicidades veiculadas pela institui\u00e7\u00e3o\u201d, frisa. \u201cPor mais que a maioria dos estudantes sejam brancos, h\u00e1 uma minoria negra que tamb\u00e9m quer se ver em comerciais de TV, outdoors e divulga\u00e7\u00f5es\u201d.<\/span><\/p>\n<p>Por: Rafaela Fran\u00e7a<\/p>\n<p>Foto: Roger Caetano<\/p>\n<p><strong>Conte\u00fado original do Primeira Pauta Impresso, edi\u00e7\u00e3o 143.<\/strong><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com o avan\u00e7o que a Lei de Cotas trouxe para as universidades brasileiras, a popula\u00e7\u00e3o negra ainda \u00e9 minoria nas faculdades. 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