{"id":727,"date":"2018-11-19T20:36:55","date_gmt":"2018-11-19T22:36:55","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=727"},"modified":"2022-06-22T20:07:45","modified_gmt":"2022-06-22T23:07:45","slug":"pesquisa-aponta-que-heroinas-tem-mais-chances-de-serem-hipersexualizadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2018\/11\/19\/pesquisa-aponta-que-heroinas-tem-mais-chances-de-serem-hipersexualizadas\/","title":{"rendered":"Pesquisa aponta que hero\u00ednas t\u00eam mais chances de serem hipersexualizadas"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um importante instituto americano realizou uma pesquisa que &nbsp;revela os estere\u00f3tipos ligados \u00e0 representa\u00e7\u00e3o feminina usado pela ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica internacional. A pesquisa analisou os filmes de maior bilheteria nos pa\u00edses mais lucrativos, incluindo, o Brasil e notou que aqui, quando as mulheres aparecem, t\u00eam quatro vezes mais chances de serem expostas de uma forma sexual, com roupas curtas e decotadas, corpos com cintura fina e peitos grandes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa realizada pelo Instituto Geena Davis sobre G\u00eanero na M\u00eddia, com o apoio da ONU Mulheres e da Funda\u00e7\u00e3o Rockefeller realizado zado pela Dra. Stacy L. Smith e sua equipe de pesquisa da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o Annenberg de Jornalismo da Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia, tamb\u00e9m aponta que em filmes com a classifica\u00e7\u00e3o indicativa livre, as mulheres aparecem tr\u00eas vezes menos do que os homens. Dos filmes analisados entre 2006 e 2009, nenhuma das personagens estavam nos campos da medicina, da ci\u00eancia, da lei ou da pol\u00edtica. Os n\u00fameros mostram, ainda, que nesses filmes 80,5% dos trabalhadores eram homens.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu nunca me vi sendo representada pela Mulher Maravilha. O m\u00e1ximo que eu sentia era tristeza porque nunca seria igual a ela: sarada e maravilhosa\u201d, comenta a feminista militante, Maria Carolinie Cardoso. A economista que participa do Coletivo Hist\u00e9ricas, criado em 2014 por alunas de gradua\u00e7\u00e3o da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o e Contabilidade da Universidade de S\u00e3o Paulo (FEA-USP) comenta que o uniforme das personagens geralmente preza pela exibi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pela praticidade. Isso \u00e9 apenas um reflexo do mundo constru\u00eddo pelos autores. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA Arlequina, personagem do filme Esquadr\u00e3o Suicida, por exemplo, luta contra o mal, igual aos outros companheiros de encena\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 a \u00fanica que tem um microshorts, uma micro blusa e saltos. Quem usa saltos para lutar contra o mal?\u201d, acrescenta a militante. Ao exibir hero\u00ednas e vil\u00e3s com corpo cheio de curvas, cintura fina, quadril e seios perfeitamente arredondados, sustentados por um par de pernas compridas e de contornos delicados, criamos uma personagem que s\u00f3 serve para o deleite masculino. Para Maria, \u00e0s mulheres, tanto nos quadrinhos, quanto nas telas, fixam padr\u00f5es de belezas a serem seguidos e consumidos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A primeira hist\u00f3ria em quadrinhos que retratou uma personagem feminina com superpoderes nasceu em 1936, pelo artista George Brenner. Ap\u00f3s isso, surgiram outros quadrinhos como o Super-Homem e o Capit\u00e3o Am\u00e9rica, entretanto, as mulheres continuavam sendo coadjuvantes. Assim, foi criada a Mulher Maravilha, em 1941, na oitava edi\u00e7\u00e3o da revista All Star Comics, e essa personagem n\u00e3o nasceu por acaso. A Mulher Maravilha surgiu com o prop\u00f3sito de atrair leitores para as hist\u00f3rias em quadrinhos e dar conta de uma demanda at\u00e9 ent\u00e3o ignorada pelas grandes editoras. As curvas eram discretas, a roupa um pouco maior, mas isso n\u00e3o deu visibilidade para os quadrinhos. A maior parte do p\u00fablico consumidor, ainda era masculino, ent\u00e3o foi preciso que os editores apelassem para a sensualidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos anos 40, conhecidos como a \u201cera de ouro dos quadrinhos\u201d &#8211; que seguiu at\u00e9 os anos 1950 &#8211; a figura feminina tinham apenas dois pap\u00e9is: ou faziam as protagonistas \u2013 e a\u00ed n\u00e3o escapavam de trajes just\u00edssimos, curtos e decotados e cenas de luta com poses er\u00f3ticas \u2013 ou as coadjuvantes. Nestes casos, eram as mo\u00e7as fr\u00e1geis, culpadas por colocar os mocinhos em perigo e, claro, n\u00e3o menos sexys.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Contudo, depois da Mulher Maravilha surgiram diversas super-hero\u00ednas no mundo, como por exemplo a Zatanna, em 1964, a Miss Marvel, em 1968 e a SuperGirl, em 1984 e mesmo assim, a forma como a mulher era retratada nas hist\u00f3rias n\u00e3o mudou. Elas sempre aparecem de uma forma redutora, como se fossem mocinhas desamparadas. J\u00e1 as vil\u00e3s tentam seduzir os her\u00f3is, com roupas e posi\u00e7\u00f5es que destacam mais ainda seus \u201catributos\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 por acaso que a maioria, com algumas exce\u00e7\u00f5es, das personagens sexualizadas foram desenhadas por homens. Mesmo hoje, com mais mulheres na produ\u00e7\u00e3o de desenhos de personagem, a propor\u00e7\u00e3o continua crescendo. Natalia Rubio, formada em desenho de anima\u00e7\u00e3o pela Faculdade Belas Artes de S\u00e3o Paulo, aponta que as quadrinistas fogem deste estere\u00f3tipo das hero\u00ednas americanas. \u201cMuitas das minhas amigas que s\u00e3o quadrinistas n\u00e3o consomem esses tipos de quadrinhos, pois eles n\u00e3o nos representam e n\u00e3o representam a verdadeira mulher. Al\u00e9m de ser raro uma mulher sexualizar outra &nbsp;mulher\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p>Por: Bruna Milany<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Glee Chan<\/p>\n<p><strong>Conte\u00fado original do Primeira Pauta Impresso, edi\u00e7\u00e3o 143.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um importante instituto americano realizou uma pesquisa que &nbsp;revela os estere\u00f3tipos ligados \u00e0 representa\u00e7\u00e3o feminina usado pela ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica internacional. 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