{"id":748,"date":"2018-11-19T20:43:47","date_gmt":"2018-11-19T22:43:47","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=748"},"modified":"2022-06-22T20:06:39","modified_gmt":"2022-06-22T23:06:39","slug":"transtornos-alimentares-estimulam-a-busca-pelo-emagrecimento-excessivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2018\/11\/19\/transtornos-alimentares-estimulam-a-busca-pelo-emagrecimento-excessivo\/","title":{"rendered":"Transtornos alimentares estimulam a busca pelo emagrecimento excessivo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O estabelecimento do primeiro e, at\u00e9 o momento, \u00fanico banco de c\u00e9rebro dedicado \u00e0 pesquisa em transtornos alimentares aconteceu em mar\u00e7o deste ano em uma parceria da universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e da Funda\u00e7\u00e3o para Pesquisa e Educa\u00e7\u00e3o em Transtornos Alimentares (FREED). O banco est\u00e1 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">localizado no Hospital McLean, institui\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica de Massachusetts, nos EUA, e de acordo com o site oficial <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">o objetivo \u00e9 o avan\u00e7o nos estudos sobre o assunto para encontrar as causas dos dist\u00farbios e a evolu\u00e7\u00e3o na busca por tratamentos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, cerca de 0,5% a 1% das mulheres sofrem de anorexia, 1% a 2%, de bulimia e a compuls\u00e3o alimentar atinge aproximadamente 3% da popula\u00e7\u00e3o, os tr\u00eas dist\u00farbios mais comuns, segundo a se\u00e7\u00e3o Equil\u00edbrio e Sa\u00fade do jornal Folha de S.Paulo. A anorexia acontece quando a pessoa tem uma imagem distorcida de seu pr\u00f3prio corpo e se enxerga com excesso de peso quando na realidade apresenta baixo peso ou desnutri\u00e7\u00e3o. Com isso, ela deixa de comer para n\u00e3o engordar ou conta as calorias antes de cada refei\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a bulimia \u00e9 caracterizada por epis\u00f3dios frequentes de compuls\u00e3o alimentar, em que o indiv\u00edduo come exageradamente mesmo quando n\u00e3o sente fome e em seguida pratica comportamentos compensat\u00f3rios como for\u00e7ar o v\u00f4mito, usar laxantes ou ficar sem comer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A joinvilense Daiane Borgert, 20, come\u00e7ou a apresentar dificuldades em aceitar e gostar do seu corpo aos 16 anos. Ela pesava 90kg na \u00e9poca e se sentia mal por suas amigas serem sempre \u201cmagrinhas\u201d, como ela mesma as definiu. Ainda cursando o ensino m\u00e9dio e sem trabalhar, a escola em que estudava entrou em greve e com o ac\u00famulo de press\u00e3o psicol\u00f3gica ela acabou tendo depress\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A quantidade de comida das refei\u00e7\u00f5es foi ficando menor a cada dia e quando Daiane almo\u00e7ava praticamente n\u00e3o comia. Depois de um tempo a tudo isso somaram-se comportamentos compensat\u00f3rios como for\u00e7ar o v\u00f4mito, caracter\u00edstica da bulimia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dia enquanto tomava banho a vis\u00e3o de Daiane escureceu. Ela conseguiu chegar at\u00e9 a porta do banheiro e desmaiou. Seus pais a tiraram do ch\u00e3o e devido \u00e0 seriedade da situa\u00e7\u00e3o a levaram ao m\u00e9dico. Desde esse epis\u00f3dio ela n\u00e3o teve mais problemas com a bulimia, por\u00e9m desenvolveu anemia e at\u00e9 hoje, quando descuida de sua alimenta\u00e7\u00e3o, fica p\u00e1lida e tem momentos de tontura. Durante os cinco meses em que teve bulimia Daiane perdeu 30 kg.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com a nutricionista do <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Instituto Catarinense de Endocrinologia e Diabetes (ICED), <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ana Paula Krieger, \u00e9 preciso que haja um acompanhamento nutricional para trabalhar a qualidade de uma alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada em nutrientes essenciais para adquirir ou manter a sa\u00fade e prevenir as doen\u00e7as de ordem metab\u00f3lica. Um acompanhamento rotineiro para que a reeduca\u00e7\u00e3o alimentar perdure para o resto da vida tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio &nbsp;em alguns casos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A m\u00eddia como influenciadora<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente, grande parte da popula\u00e7\u00e3o tem acesso a algum ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o, seja o r\u00e1dio, os meios impressos, a televis\u00e3o e principalmente a internet. \u00c9 um universo rico em informa\u00e7\u00f5es, conhecimento e entretenimento, mas tamb\u00e9m pode ser um canal de bullying, preconceito e n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o para aqueles que n\u00e3o se encaixam no que \u00e9 imposto como beleza, devido a grande tend\u00eancia que estes ve\u00edculos t\u00eam para ditar regras e padr\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo do tempo os padr\u00f5es de beleza impostos pela sociedade foram se modificando. Hoje, o que temos como refer\u00eancia corresponde a um corpo cada vez mais magro e atl\u00e9tico. Segundo a psic\u00f3loga Tatiane Pedroso Yoshii, os indiv\u00edduos sentem-se pressionados a atender ao tal \u201cpadr\u00e3o\u201d de beleza, exaustivamente colocado pela m\u00eddia. Quando a pessoa n\u00e3o consegue corresponder a este padr\u00e3o, passa a se sentir inferior e pouco atraente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A busca por atingir o padr\u00e3o de beleza faz com que a necessidade em controlar o peso vire uma forma de viver, que \u00e9 rigorosamente seguida e respeitada. Com isso o indiv\u00edduo passa a desacreditar de si mesmo, passando a crer nesse padr\u00e3o, na maioria das vezes, inalcan\u00e7\u00e1vel. Essa press\u00e3o pode acabar gerando uma s\u00e9rie de problemas emocionais, entre eles os dist\u00farbios alimentares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cH\u00e1 uma necessidade de conscientiza\u00e7\u00e3o das pessoas a respeito desse assunto, em especial os jovens. Estes se encontram em fase transicional, em que h\u00e1 uma mudan\u00e7a e posterior estabiliza\u00e7\u00e3o da personalidade, momento delicado em que o sujeito fica mais suscet\u00edvel a desencadear transtornos ou outras patologias\u201d, alerta a psic\u00f3loga.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em agosto deste ano uma marca de lingerie do Reino Unido lan\u00e7ou a campanha #MyBodyVictory (ou &#8220;minha vitoria do corpo&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas), incentivando mulheres a publicar fotos de calcinha e suti\u00e3. V\u00e1rias mulheres com diferentes biotipos aderiram \u00e0 hashtag da campanha e postaram fotos contando nas legendas como venceram a vergonha e aprenderam a lidar com o pr\u00f3prio corpo, mostrando que \u00e9 poss\u00edvel estar \u201cfora do padr\u00e3o\u201d e mesmo assim se aceitar.<\/span><\/p>\n<p>Por: Thalita Pires<br \/>\nFoto: Arquivo pessoal<br \/>\n<strong>Conte\u00fado original do Primeira Pauta Impresso, edi\u00e7\u00e3o 143.<\/strong><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estabelecimento do primeiro e, at\u00e9 o momento, \u00fanico banco de c\u00e9rebro dedicado \u00e0 pesquisa em transtornos alimentares aconteceu em mar\u00e7o deste ano em uma parceria da universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e da Funda\u00e7\u00e3o para Pesquisa e Educa\u00e7\u00e3o em Transtornos Alimentares (FREED). 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