{"id":7705,"date":"2025-09-20T13:21:00","date_gmt":"2025-09-20T16:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=7705"},"modified":"2025-10-06T22:36:55","modified_gmt":"2025-10-07T01:36:55","slug":"denuncias-de-violencia-contra-mulher-aumentam-18-em-itapoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2025\/09\/20\/denuncias-de-violencia-contra-mulher-aumentam-18-em-itapoa\/","title":{"rendered":"Den\u00fancias de viol\u00eancia contra mulher aumentam 18% em Itapo\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Recurso-acessibilidade.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Itapo\u00e1 registrou <strong>322 den\u00fancias de viol\u00eancia contra a mulher<\/strong> nos oito primeiros meses deste ano, um aumento de <strong>18,4%<\/strong> em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2024, quando foram contabilizadas 272 ocorr\u00eancias. Em todo o ano passado, o munic\u00edpio somou 445 registros. Mantido o ritmo atual, a cidade pode encerrar 2025 com um crescimento estimado de <strong>8,5%<\/strong> no n\u00famero de den\u00fancias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Maria*<\/strong>, ao se deparar com os dados se assustou \u201cItapo\u00e1 sempre me pareceu uma cidade calma e tranquila, com um baixo \u00edndice de criminalidade e por isso escolhi aqui de todos os lugares para envelhecer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo <strong>F\u00e1bio Luciano Iarocz<\/strong>, Agente de pol\u00edcia civil, dessas 322 den\u00fancias <strong>99 foram feitas presencialmente na delegacia<\/strong>. \u201cHoje existe a possibilidade de abrir o boletim de ocorr\u00eancia online, ent\u00e3o muitas vezes as mulheres optam por fazer a den\u00fancia pela internet para n\u00e3o se expor ao vir at\u00e9 a delegacia\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A <a href=\"https:\/\/delegaciavirtual.sc.gov.br\/\">delegacia virtual<\/a> tem funcionamento ininterrupto, atendendo 24 horas por dia, onde v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica podem fazer suas den\u00fancias a qualquer hora e de qualquer lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as dificuldades encontradas pela Pol\u00edcia Civil de Itapo\u00e1, F\u00e1bio cita a falta de integra\u00e7\u00e3o entre as institui\u00e7\u00f5es, principalmente em casos de acolhimento. Segundo ele, quando uma v\u00edtima chega at\u00e9 a delegacia para fazer a den\u00fancia e pedir abrigo, n\u00e3o h\u00e1 muito o que possa ser feito at\u00e9 que o juiz da comarca determine o abrigo. Apesar de curto, o tempo entre a den\u00fancia e a determina\u00e7\u00e3o judicial pode ser crucial para manter a denunciante em seguran\u00e7a. \u201cHoje n\u00f3s temos pouca atua\u00e7\u00e3o preventiva em casos de abrigos. Seria necess\u00e1rio que houvesse uma integra\u00e7\u00e3o entre a delegacia e o Cras, ou at\u00e9 mesmo um abrigo para mulheres aqui na cidade onde n\u00f3s pud\u00e9ssemos encaminhar as v\u00edtimas\u201d, declara.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Violencia-contra-mulher.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p>Para <strong>Ana<\/strong>*, de 23 anos, a realidade \u00e9 ainda mais dura. Ela sofreu viol\u00eancia dom\u00e9stica de um ex-companheiro e, ao denunciar, diz n\u00e3o ter se sentido acolhida pela equipe policial. \u201cSenti que faltou compreens\u00e3o. Em nenhum momento me foi negado apoio, mas senti um tratamento frio\u201d, relata. Ela acredita que a aus\u00eancia de uma delegacia da mulher na cidade gera inseguran\u00e7a e pode desestimular outras v\u00edtimas a denunciarem.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de reconhecer a import\u00e2ncia de uma unidade especializada, o agente v\u00ea o projeto distante: &#8220;N\u00e3o existe previs\u00e3o para a inaugura\u00e7\u00e3o de uma delegacia da mulher aqui em Itapo\u00e1 ou at\u00e9 mesmo em Garuva por falta de efetivo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A resist\u00eancia em denunciar pode vir de fatores culturais e religiosos. <strong>Solange*<\/strong>, 40 anos, lembra do caso de uma vizinha que sofreu agress\u00f5es, mas nunca buscou ajuda. \u201cEla acreditava que denunciar seria um grande pecado \u201d, explica. A filha da vizinha, <strong>Luisa*<\/strong>, relembra epis\u00f3dios de viol\u00eancia que presenciou quando crian\u00e7a. &#8220;Eu lembro de muitas discuss\u00f5es entre eles por causa dos ci\u00fames do meu pai. Quase sempre essas discuss\u00f5es terminavam com ele empurrando ou batendo nela&#8221;. Para ela, mesmo com maior conscientiza\u00e7\u00e3o sobre os diferentes tipos de viol\u00eancia, ainda h\u00e1 barreiras que impedem as den\u00fancias. \u201cAcredito que tem mulheres que t\u00eam medo ou que assim como a minha m\u00e3e acreditam que sair desse ciclo seja errado por causa do que foram ensinadas na igreja. E tem tamb\u00e9m as que simplesmente n\u00e3o acreditam que a justi\u00e7a funcione, porque sabem que em alguns casos, o processo \u00e9 lento e falho\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para <strong>Iarocz<\/strong>, a sensa\u00e7\u00e3o de impunidade est\u00e1 ligada a falta de interesse das denunciantes de dar prosseguimento aos processos. \u201cEm alguns casos, as v\u00edtimas n\u00e3o querem levar o processo adiante, apenas buscam medidas protetivas contra o agressor\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento das den\u00fancias em Itapo\u00e1 evidencia n\u00e3o apenas o crescimento dos registros, mas tamb\u00e9m a vulnerabilidade dessas v\u00edtimas. Apesar da facilidade de registrar boletins de ocorr\u00eancia online, ainda existe falhas na oferta de suporte imediato. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>*Os nomes das mulheres citadas s\u00e3o fict\u00edcios para preservar suas identidades.<\/strong><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Itapo\u00e1 registrou 322 den\u00fancias de viol\u00eancia contra a mulher nos oito primeiros meses deste ano, um aumento de 18,4% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2024, quando foram contabilizadas 272 ocorr\u00eancias. Em todo o ano passado, o munic\u00edpio somou 445 registros. 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