{"id":8517,"date":"2025-11-12T14:30:00","date_gmt":"2025-11-12T17:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=8517"},"modified":"2025-12-11T14:38:04","modified_gmt":"2025-12-11T17:38:04","slug":"camara-de-joinville-aprova-restricao-e-reacende-debate-ao-proibir-criancas-em-eventos-como-a-parada-lgbtqia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2025\/11\/12\/camara-de-joinville-aprova-restricao-e-reacende-debate-ao-proibir-criancas-em-eventos-como-a-parada-lgbtqia\/","title":{"rendered":"C\u00e2mara de Joinville aprova restri\u00e7\u00e3o e reacende debate ao proibir crian\u00e7as em eventos como a parada LGBTQIA+"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/A-Camara-de-Joinville-aprovou-um-projeto-que-restringe-criancas-em-eventos-LGBTQIA.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Projeto segue para an\u00e1lise do prefeito Adriano Silva enquanto movimentos sociais pressionam por veto e citam decis\u00f5es judiciais que j\u00e1 consideraram medidas semelhantes inconstitucionais<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Design-sem-nome.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o gerou rea\u00e7\u00e3o imediata de coletivos e lideran\u00e7as LGBTQIA+. <strong>Kika Salom\u00e3o<\/strong>, integrante da organiza\u00e7\u00e3o da Semana e Parada da Diversidade de Joinville, afirma que o processo ocorreu sem di\u00e1logo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>Recebemos a not\u00edcia com surpresa e indigna\u00e7\u00e3o<\/strong>. N\u00e3o fomos consultados, o que refor\u00e7a a tentativa de silenciamento das nossas pautas\u201d, diz. Segundo Kika, a medida envia um recado negativo \u00e0s fam\u00edlias LGBTQIA+. \u201cDiz que <strong>nossas identidades n\u00e3o pertencem ao espa\u00e7o p\u00fablico<\/strong>, que devem se esconder. Para jovens j\u00e1 vulner\u00e1veis, isso \u00e9 cruel\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, a <strong>Parada do Orgulho<\/strong> tem car\u00e1ter cultural e pol\u00edtico, e o projeto ignora que esses eventos s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas garantidas pela Constitui\u00e7\u00e3o. Ela aponta que restringir a presen\u00e7a de fam\u00edlias fere o direito de conviv\u00eancia e contraria a legisla\u00e7\u00e3o municipal que reconhece fam\u00edlias LGBTQIA+. Kika tamb\u00e9m afirma que o movimento est\u00e1 preparado para contestar a lei e que, caso haja tentativa de implementa\u00e7\u00e3o, deve acionar o Minist\u00e9rio P\u00fablico, lembrando que uma medida semelhante em Chapec\u00f3 j\u00e1 foi considerada inconstitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o tamb\u00e9m mobiliza jovens da comunidade. <strong>Karolina Galv\u00e3o dos Santos, <\/strong>26 anos, pansexual, afirma que a lei refor\u00e7a estigmas e amplia a repress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>Esperamos muito para ter uma parada na cidade<\/strong> e agora que tivemos, inicia-se a discuss\u00e3o absurda de uma lei que sequer \u00e9 constitucional. Esse tipo de lei refor\u00e7a repress\u00e3o, falta de visibilidade e viola os direitos da comunidade\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTentar <strong>esconder as pessoas LGBT+<\/strong> como se fosse um crime elas existirem ou como se nossas crian\u00e7as n\u00e3o pudessem conviver conosco \u00e9 apagamento. \u00c9 sufocar ainda mais a comunidade que s\u00f3 pede um pouco de espa\u00e7o\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Karolina rebate o argumento de \u201csexualiza\u00e7\u00e3o precoce\u201d, afirmando que esse tipo de discurso representa uma forma velada de homofobia, baseada na falsa ideia de que pessoas LGBT+ estariam sexualizando crian\u00e7as, algo que ela considera absurdo e covarde. Ela tamb\u00e9m defende que a comunidade tenha uma rea\u00e7\u00e3o firme, enfatizando que aceitar a lei significaria permitir repress\u00e3o e viol\u00eancia, algo que, segundo ela, n\u00e3o pode ser tolerado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Especialistas contestam associa\u00e7\u00e3o entre diversidade e sexualiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisadora e educadora <strong>Larissa Stephanie Pereira<\/strong> afirma que a associa\u00e7\u00e3o entre diversidade e erotiza\u00e7\u00e3o \u00e9 incorreta. \u201c<strong>Diversidade n\u00e3o tem nada a ver com erotiza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Ensinar que fam\u00edlias podem ter duas m\u00e3es ou dois pais \u00e9 ensinar cidadania\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa alerta para os impactos que a medida pode ter na forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, apontando que a censura \u00e0 diversidade contribui para a ideia de que pessoas LGBTQIA+ seriam imorais, o que refor\u00e7a viol\u00eancias que come\u00e7am ainda no ambiente escolar. Ela tamb\u00e9m relata sua experi\u00eancia na Parada de Joinville, lembrando que o evento contava com feirinha, m\u00fasica e brincadeiras em um ambiente familiar. Segundo ela, festas onde o consumo de \u00e1lcool \u00e9 liberado recebem crian\u00e7as sem qualquer restri\u00e7\u00e3o, o que evidencia a incoer\u00eancia do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga <strong>Camila Paola Baier<\/strong> refor\u00e7a que n\u00e3o h\u00e1 fundamentos cient\u00edficos para a tese defendida pelo projeto. \u201c<strong>N\u00e3o existe qualquer evid\u00eancia cient\u00edfica<\/strong> de que conviver com pessoas LGBTQIA+ cause sexualiza\u00e7\u00e3o precoce. Se isso fosse verdade, conviver com heterossexuais tamb\u00e9m causaria\u201d, afirmou ela. <\/p>\n\n\n\n<p>Para Camila, a verdadeira amea\u00e7a est\u00e1 na invisibilidade. Ela afirma que, quando a diversidade \u00e9 tratada como algo impr\u00f3prio, o sofrimento psicol\u00f3gico se intensifica e crian\u00e7as LGBTQIA+ podem se sentir invalidadas em ambientes que negam sua exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A historiadora <strong>Valdete Daufemback<\/strong>, professora e integrante do Centro de Direitos Humanos de Joinville, avalia que a medida se insere em uma tend\u00eancia conservadora em crescimento. Ela afirma que a cultura \u00e9 din\u00e2mica e que cada gera\u00e7\u00e3o impulsiona mudan\u00e7as, enquanto rea\u00e7\u00f5es conservadoras surgem como contratend\u00eancias. Valdete tamb\u00e9m aponta que discursos moralistas t\u00eam ganhado for\u00e7a em Santa Catarina e que grupos conservadores utilizam a inf\u00e2ncia como pretexto para ocultar interesses pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a historiadora, impedir crian\u00e7as de participarem de eventos LGBTQIA+ n\u00e3o oferece prote\u00e7\u00e3o real.<br>\u201cSe a preocupa\u00e7\u00e3o fosse com a inf\u00e2ncia, haveria investimento em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e moradia. Restringir direitos refor\u00e7a <strong>contradi\u00e7\u00f5es e hipocrisias<\/strong>\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Movimentos sociais, especialistas e entidades defendem o veto ao projeto e classificam a medida como censura. Parte de grupos conservadores considera a proposta uma forma de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 inf\u00e2ncia. Entre disputas morais, an\u00e1lises jur\u00eddicas e tens\u00e3o pol\u00edtica, o debate segue aberto em Joinville. Para Kika Salom\u00e3o, a mobiliza\u00e7\u00e3o continua. \u201c<strong>A Parada vai acontecer. Seguimos firmes na defesa dos nossos direitos<\/strong>\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como s\u00e3o eventos LGBTQIA+?<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo a <em>ILGA World<\/em>, eventos LGBTQIA+ ao redor do mundo t\u00eam car\u00e1ter <strong>cultural, pol\u00edtico e educativo<\/strong>, reunindo fam\u00edlias, coletivos e organiza\u00e7\u00f5es sociais. A ILGA destaca que Paradas do Orgulho s\u00e3o espa\u00e7os abertos e p\u00fablico, com feiras, m\u00fasica, oficinas e a\u00e7\u00f5es sociais, onde a presen\u00e7a de crian\u00e7as acompanhadas \u00e9 <strong>pr\u00e1tica habitual<\/strong> em diversos pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es como a <em>American Psychological Association (APA)<\/em> afirmam que <strong>a conviv\u00eancia com pessoas LGBTQIA+ n\u00e3o causa sexualiza\u00e7\u00e3o precoce<\/strong> nem qualquer risco adicional ao desenvolvimento infantil. Para a ILGA, essas manifesta\u00e7\u00f5es fortalecem <strong>direitos humanos, visibilidade e conviv\u00eancia democr\u00e1tica<\/strong>, al\u00e9m de promoverem ambientes seguros de acolhimento para jovens e fam\u00edlias diversas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sofreu discrimina\u00e7\u00e3o por ser LGBTQIA+?<\/h2>\n\n\n\n<p>\u2022 <strong>Disque 100<\/strong> \u2014 atendimento 24h para denunciar viol\u00eancia e viola\u00e7\u00f5es de direitos.<br>\u2022 <strong>Delegacia Virtual de SC<\/strong> \u2014 registre ocorr\u00eancia on-line: <a href=\"https:\/\/delegaciavirtual.sc.gov.br\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/delegaciavirtual.sc.gov.br\/\">delegaciavirtual.sc.gov.br<\/a><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto segue para an\u00e1lise do prefeito Adriano Silva enquanto movimentos sociais pressionam por veto e citam decis\u00f5es judiciais que j\u00e1 consideraram medidas semelhantes inconstitucionais A aprova\u00e7\u00e3o gerou rea\u00e7\u00e3o imediata de coletivos e lideran\u00e7as LGBTQIA+. 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