{"id":869,"date":"2019-05-16T20:51:57","date_gmt":"2019-05-16T23:51:57","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=869"},"modified":"2025-07-04T20:37:22","modified_gmt":"2025-07-04T23:37:22","slug":"slam-poetry-a-popularizacao-da-poesia-no-seculo-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2019\/05\/16\/slam-poetry-a-popularizacao-da-poesia-no-seculo-21\/","title":{"rendered":"Slam Poetry: a populariza\u00e7\u00e3o da poesia no s\u00e9culo 21"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">No meio da pra\u00e7a central, no misto de barulho incessante do tr\u00e2nsito,<strong> vozes<\/strong> se confundem e se misturam, um grito se manifesta alto e claro. Da boca, <strong>palavras<\/strong> que soam por vezes bonitas, outras provocativas, muitas que cutucam e algumas que machucam. \u00c9 a <strong>poesia<\/strong> em sua mais bela natureza. Desta vez, feita por diversas pessoas que tamb\u00e9m se misturam e se diferem: cada um querendo ser ouvido. Este \u00e9 o <strong>movimento<\/strong> conhecido como <strong>Slam Poetry<\/strong>, em portugu\u00eas \u201cBatida Po\u00e9tica\u201d ou <strong>poesia falada<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em <strong>Joinville<\/strong>, a competi\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio em janeiro deste ano, e ocorre todo \u00faltimo domingo do m\u00eas, na<strong> Pra\u00e7a Nereu Ramos<\/strong>, trecho movimento da Rua do Pr\u00edncipe. L\u00e1, os <strong>poetas<\/strong> <strong>contempor\u00e2neos<\/strong>, em sua maioria jovens, se re\u00fanem para falar em voz alta poesias em uma competi\u00e7\u00e3o ainda pouco conhecida no Brasil. As regras s\u00e3o simples: cada participante, chamado de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">slammer<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, tem at\u00e9 tr\u00eas minutos para recitar sua<strong> poesia<\/strong> e o p\u00fablico \u00e9 o jurado. Os pr\u00eamios, al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o oferecidos pelos parceiros do<strong> Slam Joinville<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bCaUd24LV0w\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><em>Filmagem: Lucas Pacifico<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A <strong>poesia falada<\/strong> do movimento evidencia a import\u00e2ncia de dar principalmente para aqueles que n\u00e3o conseguem ser ouvidos de outras formas. Nos trechos escritos pelos jovens, a poesia <strong>confronta e debate<\/strong> temas importantes da atualidade. A estudante Hist\u00f3ria, Mariana Passos primeira ganhadora do <strong>Slam<\/strong> na cidade, utiliza em seus<strong> versos<\/strong>, palavras que lhe permitem <strong>express\u00e3o<\/strong>. Segundo ela, levantar a discuss\u00e3o sobre <strong>feminismo<\/strong>, g\u00eanero, autorismo e opress\u00e3o, \u201cs\u00e3o coisas para serem gritadas, provocadas e chorada, tudo ao mesmo tempo mas com amor e paix\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><b>Sonhar alto e realizar\u2026<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por mais que o<strong>&nbsp;Slam<\/strong> fuja dos clich\u00eas da <strong>poesia<\/strong>, podemos dizer que aqui em Joinville seu in\u00edcio tem rela\u00e7\u00e3o com o <strong>amor<\/strong>. Na segunda edi\u00e7\u00e3o do Slam Tiago Schult, 20 anos, criador do <strong>Slam Joinville<\/strong> fala sobre sua segunda tentativa em trazer o evento para a cidade, e deixa claro que sem os incentivos de sua noiva, Maria Eduarda, isso n\u00e3o teria se tornado poss\u00edvel. O pedido de casamento aconteceu na terceira edi\u00e7\u00e3o, em cima do palco e rodeado pelos <strong>poetas e plateia<\/strong> que o casal conquistou. Ali, Tiago e Madu deram in\u00edcio a uma nova fase de suas vidas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Maria Eduarda, Joinville tinha uma necessidade de um <strong>moviment<\/strong>o que desse <strong>voz<\/strong> \u00e0s pessoas, e \u00e9 por isso que o casal resolveu trazer o <strong>Slam<\/strong> para a cidade. Para Tiago \u00e9 importante que as pessoas tenham um espa\u00e7o para se expressarem e serem ouvidas, pois aquilo gera uma troca de ideias. Ele tamb\u00e9m fala sobre sua vontade de levar algu\u00e9m de Joinville para a<strong> Copa Slam<\/strong>. \u201cO ganhador final \u00e9 considerado o melhor poeta do mundo em forma critica ou construtiva\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p><b>Por todo o canto\u2026<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Slam chegou no Brasil em 2008, em S\u00e3o Paulo, mas teve seu in\u00edcio em Chicago, nos Estados Unidos por volta da d\u00e9cada de 80. O pioneiro no movimento foi Marc Smith, que <strong>escrevia poesias<\/strong> desde os 19 anos. Ele acreditava que a poesia era parte do ser humano e que deveria refletir no seu dia a dia, pois n\u00e3o era algo s\u00f3 para elite. Desse modo o Slam se espalhou em diversos pa\u00edses do mundo, tendo um p\u00fablico maior na Europa. A principal<strong> batalha de poesia<\/strong>, que \u00e9 um <strong>campeonato internacional<\/strong>, acontece em Paris, na Fran\u00e7a. H\u00e1 tamb\u00e9m um Campeonato Brasileiro de Slam, que ocorre na capital de S\u00e3o Paulo, onde o ganhador al\u00e9m de ganhar livros representa o pa\u00eds internacionalmente.<\/span><\/p>\n<p><b>&nbsp;Todas Formas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outra vertente do<strong> Slam<\/strong> \u00e9 um que exala o<strong> poder feminino<\/strong> em seus versos: o <strong>Slam das Minas<\/strong>. Formado em 2015, em Bras\u00edlia, e espalhado em 2016 para S\u00e3o Paulo, o movimento veio como um r<strong>ompimento da voz sobreposta do homem<\/strong>, atingindo os timbres e pontos que somente elas para elas podem se encontrar. As competidoras contribuem para a divulga\u00e7\u00e3o de diversas <strong>pautas feministas<\/strong> por meio dos desabafos po\u00e9ticos. As<strong> lutas<\/strong> representadas por elas discutem assuntos pol\u00eamicos na m\u00eddia e em sociedade, como aborto, patriarcado, vertentes, g\u00eanero e muito al\u00e9m do que se pode imaginar. No gr\u00e1fico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e An\u00e1lise de Dados (abaixo), confira quais as palavras mais utilizadas nas poesias faladas das<strong> mulheres poetas<\/strong> do Slam.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_874\" aria-describedby=\"caption-attachment-874\" style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-874\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/4C717CDA-4C06-4AE1-B962-D0E2661F9917.png\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\"><figcaption id=\"caption-attachment-874\" class=\"wp-caption-text\">Imagem da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u201cUma sociedade sem arte \u00e9 uma sociedade morta\u201d<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em fevereiro, Alan Cordeiro, de 20 anos, entrou no movimento e espalhou suas palavras em pleno centro da cidade. Naquele domingo t\u00e3o comum, com seu clima pacato e sua melancolia impl\u00edcita, ele sentiu na pele a experi\u00eancia de compartilhar em voz alta seu pensamento antes escrito somente em pap\u00e9is para um p\u00fablico de carne, osso e opini\u00f5es. Estudante e autodidata, a melodia ritmiza parte da vida de Cordeiro, que trabalha em um projeto musical &#8211; tudo, desde instrumental \u00e0 voz, realizado por conta pr\u00f3pria em casa. Para ele, a import\u00e2ncia do Slam vai al\u00e9m de somente uma competi\u00e7\u00e3o de rima. \u201cO Slam est\u00e1 me ajudando principalmente no feedback das minhas letras. Antes de eu cantar elas, eu as apresento pra ver a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico\u201d, aponta o escritor.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_875\" aria-describedby=\"caption-attachment-875\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-875 size-full\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/52E1A8D1-F36B-4C4E-AE47-E93DFD747F06.jpeg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"422\"><figcaption id=\"caption-attachment-875\" class=\"wp-caption-text\">Alan Cordeiro, 20 anos, estudante &#8211; Foto: Lucas Pacifico<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAprendi que quem falar primeiro tem toda raz\u00e3o, quem ensina n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a escola, cresci querendo ser um jogador, um jogador de letras e n\u00e3o um jogador de bola, quando um louco fala, todos ignora, como bots programados s\u00f3 para inverter a hist\u00f3ria, e para dispensar tudo que os apavora&#8230; nunca tiveram a chance de aprender que o que vale mesmo \u00e9 o que tem dentro de voc\u00ea e n\u00e3o s\u00f3 o que tem fora, \u00e9 foda que agora todos v\u00e3o lembrar, da famosa frase que sempre vai ficar, aquela frase l\u00e1 que fala que um livro pela capa nunca \u00e9 bom julgar. Cada um \u00e9 cada um eu sei mas onde vai acabar? Dividir o mundo pela cor da pele n\u00e3o n\u00e3o d\u00e1, qual \u00e9? E ainda riem achando que tem gra\u00e7a, mas pra eles cor de pele \u00e9 o que difere a ra\u00e7a. Hmmmmm. \u00c9 s\u00f3 olhar no espelho mano, hoje te trago a not\u00edcia talvez pra voc\u00ea seja a maior news do ano \u00fanica e pior ra\u00e7a que existe \u00e9 o ser humano!\u201d &#8211;&nbsp;Alan Cordeiro<\/span><\/i><\/p><\/blockquote>\n<p>A hist\u00f3ria de Alan com a<strong> poesia<\/strong> \u00e9 heredit\u00e1ria. Bisav\u00f4<strong> poeta<\/strong>, os versos seguiram as gera\u00e7\u00f5es e mesmo com mais de cem anos de separa\u00e7\u00e3o entre os dois, eles permanecem unidos pelas palavras. As semelhan\u00e7as que permanecem entre os anos, v\u00e3o al\u00e9m da<strong> \u201cpaix\u00e3o pela poesia\u201d<\/strong>, como Cordeiro descreve&#8230; \u00e9 a necessidade da arte na vida, principalmente em sociedade. \u201cUma sociedade sem arte \u00e9 uma sociedade morta\u201d, reflete o jovem escritor.<\/p>\n<p><b>Conte\u00fado produzido para o Primeira Pauta Digital. | Disciplina Jornalismo Digital II, 5\u00aa fase\/2019<\/b><\/p>\n<p><em>Reportagem: Amanda Cristina. Bruna Schenekemberg e Rafaela Fran\u00e7a<\/em><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No meio da pra\u00e7a central, no misto de barulho incessante do tr\u00e2nsito, vozes se confundem e se misturam, um grito se manifesta alto e claro. Da boca, palavras que soam por vezes bonitas, outras provocativas, muitas que cutucam e algumas que machucam. \u00c9 a poesia em sua mais bela natureza. 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