{"id":891,"date":"2019-06-28T20:18:53","date_gmt":"2019-06-28T23:18:53","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=891"},"modified":"2022-06-22T20:11:36","modified_gmt":"2022-06-22T23:11:36","slug":"a-nova-previdencia-e-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2019\/06\/28\/a-nova-previdencia-e-para-todos\/","title":{"rendered":"A Nova Previd\u00eancia \u00e9 para todos?"},"content":{"rendered":"<p><em>De acordo com especialistas, se aprovada, PEC 06\/2019 ir\u00e1 prejudicar aposentadoria dos setores mais vulner\u00e1veis da sociedade<\/em><\/p>\n<p>Faz tempo que o governo brasileiro realiza ou tenta aprovar mudan\u00e7as no regime previdenci\u00e1rio. Embora mais brandas, FHC, Lula e Dilma tamb\u00e9m propuseram mudan\u00e7as na aposentadoria. Mais recentemente, durante o mandato de Michel Temer, a PEC 287\/2016 foi duramente criticada por diversos setores da sociedade, por isso, a proposta n\u00e3o foi para frente. Agora, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia Paulo Guedes querem endurecer ainda mais as regras para aposentadoria no pa\u00eds, por meio da PEC 06\/2019, enviada ao Congresso no dia 20 de fevereiro. A proposta est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o e poder\u00e1 sofrer mudan\u00e7as conforme for sendo debatida no Legislativo.<\/p>\n<p>A principal mudan\u00e7a nesta edi\u00e7\u00e3o da reforma \u00e9 a extin\u00e7\u00e3o da aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 estava prevista no projeto de lei de Temer. Al\u00e9m de ter que contribuir por pelo menos 20 anos, na proposta do governo o trabalhador dever\u00e1 ter uma idade m\u00ednima: 65 anos para os homens e 62 anos para as mulheres, com aumento progressivo desses n\u00fameros conforme o crescimento da expectativa de vida. As maiores prejudicadas com a mudan\u00e7a de idade s\u00e3o as mulheres, que precisar\u00e3o esperar pelo menos mais dois anos pelo benef\u00edcio.<\/p>\n<p>Caso queira receber o valor integral, al\u00e9m de corresponder ao crit\u00e9rio de idade, o trabalhador dever\u00e1 ter contribu\u00eddo durante 40 anos. Quem cumprir apenas com a cota m\u00ednima de 20 anos ter\u00e1 direito a receber somente 60% do benef\u00edcio. Para os trabalhadores do Regime Geral de Previd\u00eancia Social (RGPS), o valor da aposentadoria n\u00e3o poder\u00e1 ser inferior a um sal\u00e1rio m\u00ednimo (R$ 998) ou ultrapassar o teto do INSS (R$ 5.839,45). De acordo com o pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Economia, atualmente 66,5% dos benefici\u00e1rios do RGPS recebem at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo e 83,4% recebem menos de dois sal\u00e1rios m\u00ednimos.<\/p>\n<p>Na proposta, a regra de c\u00e1lculo do benef\u00edcio tamb\u00e9m foi alterada. Hoje, os valores da aposentadoria no Regime Geral de Previd\u00eancia Social s\u00e3o baseados na m\u00e9dia dos maiores sal\u00e1rios, correspondente a 80% do per\u00edodo contributivo. Com a proposta, a m\u00e9dia ser\u00e1 calculada com base em todos os sal\u00e1rios recebidos. Isso far\u00e1 com que os trabalhadores que se aposentarem conforme as novas regras recebam menos do que pelas regras atuais.<\/p>\n<p>Conforme Eduardo Guerini, economista, mestre em Sociologia Pol\u00edtica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e professor do curso de Direito da Universidade do Vale do Itaja\u00ed (Univali), a reforma da previd\u00eancia \u00e9 um desincentivo ao in\u00edcio do trabalho dos jovens. \u201cTeremos um monte de jovens desempregados por puro desalento com o futuro, que n\u00e3o ter\u00e3o nenhuma vantagem em come\u00e7ar a trabalhar\u201d, analisa. \u201cEstamos falando do que deveria ser um sistema de prote\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o um sistema de prote\u00e7\u00e3o fiscal.\u201d<\/p>\n<p>O economista explica que, de modo geral, os sistemas previdenci\u00e1rios se adaptam \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da expectativa de vida da popula\u00e7\u00e3o. Contudo, o grande problema seria considerar uma \u00fanica expectativa de vida para o pa\u00eds inteiro. \u201cAs condi\u00e7\u00f5es existentes no sul e sudeste s\u00e3o diferentes das existentes no norte e nordeste. Al\u00e9m disso, existem atividades que s\u00e3o mais ou menos estressantes. Tem a quest\u00e3o das mulheres, que possuem jornada dupla. Tudo isso deve ser considerado\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>Outra altera\u00e7\u00e3o prevista na proposta do governo \u00e9 a extin\u00e7\u00e3o da aposentadoria dos segurados especiais (trabalhadores rurais que vivem em regime de economia familiar) por meio da comprova\u00e7\u00e3o de atividade no campo. Atualmente, os segurados especiais s\u00e3o taxados com base em uma al\u00edquota calculada sobre o resultado da comercializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, conforme manda o texto constitucional, a fim de atender \u00e0s especificidades desse tipo de trabalho. Segundo a proposta entregue em 20 de fevereiro, os segurados especiais dever\u00e3o pagar no m\u00ednimo R$ 600 de contribui\u00e7\u00e3o por ano por grupo familiar.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aposentadoria dos professores da rede privada que exerceram fun\u00e7\u00f5es de magist\u00e9rio no ensino infantil, fundamental e m\u00e9dio, ser\u00e1 estabelecida uma idade m\u00ednima de 60 anos para homens e mulheres, somado a um tempo de contribui\u00e7\u00e3o de 30 anos para ambos. Pelas regras atuais, poderiam se aposentar os professores que tivessem 30 anos de contribui\u00e7\u00e3o e as professoras que tivessem 25 anos de contribui\u00e7\u00e3o, sem restri\u00e7\u00e3o de idade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram alteradas as regras para recebimento de pens\u00f5es e fundos assistenciais. O Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC) para idosos, por exemplo, pode passar a ser de R$ 400 a partir dos 60 anos em vez dos atuais R$ 998 a partir dos 65 anos. Segundo a proposta, a implementa\u00e7\u00e3o dessas mudan\u00e7as passar\u00e1 por uma fase de transi\u00e7\u00e3o com validade para 12 anos, nove anos a menos do que foi proposto por Michel Temer em 2016.<\/p>\n<h2><b>Relator sugere mudan\u00e7as na proposta entregue pelo governo<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em comiss\u00e3o especial realizada no dia 13 de junho, o relator da PEC 06\/2019 no Congresso, deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP), sugeriu uma s\u00e9rie de modifica\u00e7\u00f5es na proposta de reforma da previd\u00eancia, desagradando representantes do governo, como o ministro da Economia Paulo Guedes.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em seu parecer, o relator excluiu a implanta\u00e7\u00e3o do regime de capitaliza\u00e7\u00e3o e as mudan\u00e7as na concess\u00e3o do BPC e da aposentadoria rural, al\u00e9m de reduzir o tempo de contribui\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio para a aposentadoria das mulheres do RGPS, que passou de 20 para 15 anos. Outro ponto modificado pelo relator foi diminuir em tr\u00eas anos a idade m\u00ednima exigida para a aposentadoria das professoras da rede privada, que passou de 60 para 57 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Demais mudan\u00e7as incluem a eleva\u00e7\u00e3o da al\u00edquota de Contribui\u00e7\u00e3o Sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL) para institui\u00e7\u00f5es financeiras, que passar\u00e1 dos atuais 15% para 20%, a fim de aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o para a previd\u00eancia e compensar parte das mudan\u00e7as feitas na proposta da reforma. As altera\u00e7\u00f5es sugeridas ainda ser\u00e3o debatidas e votadas na comiss\u00e3o especial para depois seguir para o plen\u00e1rio da C\u00e2mara. As datas de vota\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foram definidas at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/span><\/p>\n<h2><b>Regras de transi\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Caso seja aprovada, na nova previd\u00eancia os trabalhadores do RGPS que estiverem perto de se aposentar poder\u00e3o escolher uma das quatro regras de transi\u00e7\u00e3o que ser\u00e3o criadas. Nada mudar\u00e1 para aqueles que j\u00e1 estiverem aposentados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A primeira regra de transi\u00e7\u00e3o \u00e9 a aposentadoria por pontos, que considera a soma entre a idade e o tempo de contribui\u00e7\u00e3o. Em 2019, as mulheres dever\u00e3o atingir 86 pontos e os homens 96 pontos, com aumento de um ponto a cada ano, podendo chegar a 100 pontos para as mulheres em 2033 e 105 pontos para os homens em 2028. O valor do benef\u00edcio ser\u00e1 computado com base nas novas regras de c\u00e1lculo. Professores que comprovarem ter exercido fun\u00e7\u00f5es de magist\u00e9rio no ensino infantil, fundamental ou m\u00e9dio ter\u00e3o esses n\u00fameros reduzidos em cinco pontos: 81 para as mulheres e 91 para os homens, podendo chegar a 95 pontos para as mulheres e 100 pontos para os homens.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A segunda regra de transi\u00e7\u00e3o \u00e9 a aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o e idade m\u00ednima. Em 2019, poder\u00e3o se aposentar as pessoas que tiverem uma idade m\u00ednima: 56 anos para as mulheres e 61 anos para os homens. Essa idade vai subir meio ano a cada ano, chegando a 62 anos em 2031, no caso das mulheres, e 65 anos em 2027, no caso dos homens. Para ambos \u00e9 exigido um tempo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o: 30 anos para as mulheres e 35 anos para os homens. O valor do benef\u00edcio ser\u00e1 computado com base nas novas regras de c\u00e1lculo. Professores que comprovarem ter exercido fun\u00e7\u00f5es de magist\u00e9rio no ensino infantil, fundamental ou m\u00e9dio ter\u00e3o a idade m\u00ednima reduzida em cinco pontos: em 2019, as mulheres dever\u00e3o ter 51 anos e os homens 56 anos, podendo chegar a 60 anos para ambos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma terceira regra para trabalhadores do regime geral \u00e9 a aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o. Quem est\u00e1 a dois anos de cumprir o tempo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o v\u00e1lido hoje, que \u00e9 de 30 anos para as mulheres e de 35 anos para os homens, ainda poder\u00e1 se aposentar sem a idade m\u00ednima. No entanto, o trabalhador ter\u00e1 que cumprir 50% do tempo que falta de ped\u00e1gio. Por exemplo, quem estiver a dois anos da aposentadoria dever\u00e1 trabalhar mais um ano, o que totalizar\u00e1 tr\u00eas anos restantes de trabalho para conseguir o benef\u00edcio. Al\u00e9m disso, para aqueles que n\u00e3o tiverem alcan\u00e7ado os 65 anos de idade ser\u00e1 aplicado o fator previdenci\u00e1rio, que reduz o valor do benef\u00edcio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 ainda uma quarta forma de se aposentar pelas regras de transi\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da chamada aposentadoria por idade m\u00ednima. As mulheres com pelo menos 60 anos e os homens com pelo menos 65 anos poder\u00e3o se aposentar se tiverem contribu\u00eddo durante 15 anos ou mais. A partir de 2020, a idade necess\u00e1ria para a aposentadoria das mulheres se elevar\u00e1, podendo chegar a 62 anos em 2023. O mesmo ocorre com o tempo de contribui\u00e7\u00e3o, que sofrer\u00e1 aumento de meio ponto a partir de 2020 at\u00e9 atingir 20 anos de contribui\u00e7\u00e3o m\u00ednima em 2029.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na vers\u00e3o do relator Samuel Moreira, \u00e9 criada, ainda, uma quinta regra de transi\u00e7\u00e3o, que permite que homens com 60 anos de idade mais 35 anos de contribui\u00e7\u00e3o e mulheres com 57 anos de idade mais 30 anos de contribui\u00e7\u00e3o se aposentem. Quem n\u00e3o tiver o tempo de contribui\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio quando a reforma entrar em vigor dever\u00e1 pagar um ped\u00e1gio de 100% sobre os anos que faltam para ter acesso ao benef\u00edcio. Ent\u00e3o, uma mulher com 54 anos de idade e 27 anos de contribui\u00e7\u00e3o precisar\u00e1 trabalhar por mais seis anos para receber a aposentadoria integral (os tr\u00eas anos faltantes mais tr\u00eas de ped\u00e1gio). No caso dos professores da rede privada, a idade m\u00ednima exigida ser\u00e1 de 55 anos para as mulheres e 58 anos para os homens.<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-922\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/novo-infografico.jpg\" alt=\"\" width=\"798\" height=\"2407\"><\/p>\n<h2><b>D\u00e9ficit na previd\u00eancia \u00e9 question\u00e1vel<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Constitui\u00e7\u00e3o Federal estabelece que a previd\u00eancia est\u00e1 contida no regime brasileiro de seguridade social que tamb\u00e9m abrange a sa\u00fade e a assist\u00eancia social. O principal objetivo desse regime de seguridade social \u00e9 garantir os direitos dos trabalhadores, como se aposentar com dignidade, acessar servi\u00e7os m\u00e9dicos p\u00fablicos e de qualidade e ter amparo do Estado caso esteja passando por alguma situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Portanto, a previd\u00eancia \u00e9 apenas um dos pilares da seguridade social.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conforme a Constitui\u00e7\u00e3o, os recursos para a manuten\u00e7\u00e3o desse regime de seguridade social v\u00eam de diversas fontes de financiamento. Uma parte do or\u00e7amento da Uni\u00e3o, dos estados, do Distrito Federal e dos munic\u00edpios deve ser destinada \u00e0 seguridade social. Al\u00e9m disso, existem contribui\u00e7\u00f5es sociais que s\u00e3o pagas por empregadores, trabalhadores e demais segurados da previd\u00eancia, importadores de bens ou servi\u00e7os do exterior, entre outros. Um exemplo das contribui\u00e7\u00f5es sociais \u00e9 a Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com um balan\u00e7o apresentado em mar\u00e7o de 2017 pelo Minist\u00e9rio do Planejamento, Desenvolvimento e Gest\u00e3o, em 2017 havia um d\u00e9ficit de R$ 292,4 bilh\u00f5es na seguridade social. No entanto, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), na publica\u00e7\u00e3o \u201cAn\u00e1lise da Seguridade Social em 2017\u201d, demonstra que o or\u00e7amento da seguridade social sempre foi superavit\u00e1rio: entre 2005 e 2016, o super\u00e1vit m\u00e9dio anual foi de R$ 50,1 bilh\u00f5es. Os \u00fanicos resultados negativos foram em 2016 e 2017, devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas do per\u00edodo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNunca houve d\u00e9ficit na previd\u00eancia. Se houve, foi nos \u00faltimos dois anos, por conta, obviamente, do ajuste recessivo que vem arrebentando com o emprego no Brasil\u201d, explica o economista Maur\u00edcio Mulinari, que tamb\u00e9m \u00e9 assessor t\u00e9cnico no Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese). \u201cSe \u00e9 necess\u00e1ria uma reforma da previd\u00eancia \u00e9 para ampliar os recursos pagos, conter o assalto ao Estado por parte da classe dominante e direcionar esses recursos \u00e0 seguridade social, ampliando a verba e a cobertura de aposentadorias e pens\u00f5es.\u201d<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Se \u00e9 necess\u00e1ria uma reforma da previd\u00eancia \u00e9 para ampliar os recursos pagos, conter o assalto ao Estado por parte da classe dominante e direcionar esses recursos \u00e0 seguridade social, ampliando a verba e a cobertura de aposentadorias e pens\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>\u2014 Maur\u00edcio Mulinari, economista<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a Anfip, os n\u00fameros oficiais s\u00e3o diferentes porque o governo n\u00e3o considera nas receitas os recursos provenientes de investimentos dos diversos \u00f3rg\u00e3os da seguridade social, as compensa\u00e7\u00f5es pela desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos e parcela dos recursos do PIS\/PASEP. Al\u00e9m disso, ainda de acordo com a Anfip, o governo inclui o regime previdenci\u00e1rio dos servidores p\u00fablicos e de militares na conta da seguridade social, sendo que essas despesas n\u00e3o est\u00e3o previstas na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conforme o relat\u00f3rio final da CPI da Previd\u00eancia, o governo brasileiro tem historicamente se apropriado dos recursos previdenci\u00e1rios para utiliz\u00e1-los em grandes projetos, como a constru\u00e7\u00e3o da Companhia Sider\u00fargica Nacional (CSN), a F\u00e1brica Nacional de Motores, a Companhia Vale do Rio Doce, a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, da Ponte Rio-Niter\u00f3i, entre outros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A CPI da Previd\u00eancia aponta ainda que a cria\u00e7\u00e3o da DRU (Desvincula\u00e7\u00e3o das Receitas da Uni\u00e3o), mecanismo que permite que o governo federal utilize livremente 30% de todos os impostos e contribui\u00e7\u00f5es sociais federais, retirou R$ 500 bilh\u00f5es da previd\u00eancia social entre 2005 e 2014, quando o limite de recursos que poderiam ser desvinculados ainda estava em 20%. Em 2019, foram desvinculados R$ 91,8 bilh\u00f5es dos cofres da previd\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outra quest\u00e3o problematizada pela CPI da Previd\u00eancia \u00e9 a sucessiva concess\u00e3o de isen\u00e7\u00f5es fiscais para as empresas. Conforme dados do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), em 2017 foram concedidos R$ 354,7 bilh\u00f5es em ren\u00fancias de receitas, R$ 85,9 bilh\u00f5es a mais do que o d\u00e9ficit da previd\u00eancia social apresentado em 2017 no Balan\u00e7o da Seguridade Social pelo Minist\u00e9rio do Planejamento, Desenvolvimento e Gest\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda de acordo com a CPI da Previd\u00eancia, muitas empresas p\u00fablicas, como a Caixa Econ\u00f4mica Federal e o Banco do Brasil, t\u00eam negligenciado suas obriga\u00e7\u00f5es e acumulado enormes d\u00edvidas. No caso das empresas citadas, foram mais de R$ 2 bilh\u00f5es n\u00e3o pagos \u00e0 previd\u00eancia, R$ 1,2 bilh\u00e3o e R$ 1,1 bilh\u00e3o, respectivamente. Entre outras empresas devedoras da previd\u00eancia est\u00e3o: a JBS, com uma d\u00edvida de R$ 2,1 bilh\u00f5es, a Associa\u00e7\u00e3o Educacional Luterana do Brasil, mantenedora da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), com R$ 1,8 bilh\u00e3o, e a Marfrig Global Foods, que deixou de pagar R$ 1,1 bilh\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h2><b>Regime de reparti\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser substitu\u00eddo por sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma mudan\u00e7a bastante expressiva contida na proposta de reforma da previd\u00eancia defendida pelo governo, mas rejeitada pelo relator da proposta, \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o de um sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o, que substituiria o atual regime de reparti\u00e7\u00e3o (ou solid\u00e1rio), em que as gera\u00e7\u00f5es mais jovens trabalham para garantir as receitas que v\u00e3o custear o benef\u00edcio de quem j\u00e1 est\u00e1 aposentado, por meio de um fundo coletivo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o, cada trabalhador contribuir\u00e1 para montar sua pr\u00f3pria \u201cpoupan\u00e7a\u201d individual, sendo que o dinheiro ficar\u00e1 alocado em fundos de investimentos administrados por entidades p\u00fablicas e privadas. O governo n\u00e3o detalhou os par\u00e2metros do regime de capitaliza\u00e7\u00e3o nem explicou como ir\u00e1 lidar com os custos de transi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSe todos os trabalhadores parassem de contribuir para a previd\u00eancia social e passassem para o regime de capitaliza\u00e7\u00e3o, quem arcaria com as aposentadorias dos j\u00e1 ent\u00e3o pensionistas e aposentados? Isso vai ficar a cargo do Estado, por isso, acredito que seria muito dif\u00edcil obter a economia que o Paulo Guedes diz que conseguir\u00e1 fazer\u201d, analisa o economista Jo\u00e3o Bertoli, mestre em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina e professor da Faculdade Ielusc.<\/span><\/p>\n<h2><b>Mesmo aposentado, trabalhador precisa realizar servi\u00e7os informais para complementar a renda<\/b><\/h2>\n<figure id=\"attachment_908\" aria-describedby=\"caption-attachment-908\" style=\"width: 5184px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-908\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2534.jpg\" alt=\"\" width=\"5184\" height=\"3456\"><figcaption id=\"caption-attachment-908\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-weight: 400;\">&nbsp;As marcas nas m\u00e3os de Roberto refletem o esfor\u00e7o empregado em seu trabalho na constru\u00e7\u00e3o civil<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A maioria dos brasileiros tem o sonho de se aposentar e parar de trabalhar, mas a realidade \u00e9 um pouco diferente. Esse \u00e9 o caso de Roberto Honorio Fernandes. Em 2013, ele encaminhou sua aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s esperar um ano, recebeu a not\u00edcia de que estava aposentado. Por\u00e9m, o valor do benef\u00edcio veio muito abaixo do esperado e, para conseguir sobreviver, Roberto teve que continuar no mercado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #444444; font-size: 1rem;\">Atualmente, Roberto tem 55 anos, trabalha na constru\u00e7\u00e3o civil, realizando servi\u00e7os de pedreiro, encanador e marceneiro. Ele faz diversos servi\u00e7os para conseguir uma renda extra. \u201cEu sou um faz tudo, as pessoas me chamam para consertar o telhado, pias entupidas e pintar casas. Para tudo o que precisar eu estou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalho \u00e9 pesado e exige bastante esfor\u00e7o f\u00edsico. Durante a vida toda, Roberto foi funcion\u00e1rio em diversas empresas da cidade, sempre na linha de produ\u00e7\u00e3o. Ele esperava se aposentar e poder descansar, pois todos os seus empregos sempre exigiram muita for\u00e7a f\u00edsica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quanto ao preparo f\u00edsico, Roberto \u00e9 bem forte, mas os anos de esfor\u00e7o \u00e1rduo est\u00e3o vis\u00edveis em sua pele. As rugas n\u00e3o escondem que o pedreiro nunca parou de trabalhar, mas ele teme o momento em que seu corpo n\u00e3o suportar\u00e1 a rotina exaustiva. \u201cSe eu trabalhasse em um escrit\u00f3rio, aguentaria mais uns 25 anos. Mas \u00e9 dif\u00edcil ficar no sol quente, carregando peso. A idade chega e levantar um saco de cimento se torna um grande sacrif\u00edcio\u201d, lamenta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O pedreiro sente que sua carreira na constru\u00e7\u00e3o civil n\u00e3o vai durar muito tempo. As marcas do tempo est\u00e3o chegando e as dores est\u00e3o se tornando cada dia mais frequentes. \u201cEu sinto que meu corpo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo. Antes eu fazia as obras bem mais r\u00e1pido. Hoje em dia, preciso diminuir o ritmo. Mas, entre escolher sentir dor ou a minha fam\u00edlia passar dificuldades, prefiro a dor\u201d, conta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O objetivo de Fernandes era se aposentar e ir morar em um s\u00edtio, infelizmente ele n\u00e3o teve cond<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">i\u00e7\u00f5es de pagar uma previd\u00eancia privada para ajudar no complemento da renda.<\/span><\/p>\n<p>Reportagem: Mar\u00edlia Oliveira e J\u00e9ssica Bett<br \/>\nInfogr\u00e1fico: Mar\u00edlia Oliveira<br \/>\n<strong style=\"font-size: 1rem;\">Conte\u00fado original do Primeira Pauta Impresso, Edi\u00e7\u00e3o 145<\/strong><span style=\"font-size: 1rem;\"> | Disciplina de Jornal Laborat\u00f3rio, 7\u00aa fase\/2019.<\/span><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com especialistas, se aprovada, PEC 06\/2019 ir\u00e1 prejudicar aposentadoria dos setores mais vulner\u00e1veis da sociedade Faz tempo que o governo brasileiro realiza ou tenta aprovar mudan\u00e7as no regime previdenci\u00e1rio. Embora mais brandas, FHC, Lula e Dilma tamb\u00e9m propuseram mudan\u00e7as na aposentadoria. 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