{"id":925,"date":"2019-06-28T20:52:31","date_gmt":"2019-06-28T23:52:31","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/?p=925"},"modified":"2025-07-04T20:38:19","modified_gmt":"2025-07-04T23:38:19","slug":"familia-venezuelana-luta-por-uma-vida-digna-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/index.php\/2019\/06\/28\/familia-venezuelana-luta-por-uma-vida-digna-no-brasil\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia venezuelana luta por uma vida digna no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em>Com parentes passando necessidades no pa\u00eds de origem, mulheres batalham para conseguir dinheiro e ajud\u00e1-los. Milhares continuam a deixar a Venezuela em virtude da crise econ\u00f4mica.&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>No dia 3 de dezembro de 2017, nascia em <strong>S\u00e3o Francisco do Sul<\/strong> a terceira filha de Geveglis Lameda, 35, a menina Katarina Garc\u00eda. Se o destino fosse do jeito que a <strong>venezuelana<\/strong> sonhava, sua filha nasceria em uma cidade 4,5 mil quil\u00f4metros de onde deu \u00e0 luz a Katarina.<\/p>\n<p>Escassez de comida, falta de sa\u00fade b\u00e1sica e o m\u00ednimo de sossego para viver fizeram a zeladora deixar o pa\u00eds natal com suas outras duas filhas, Sarai Garc\u00eda, 17, e Kimberly Garc\u00eda, 8.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a vai demorar para entender os acontecimentos que acarretaram na vinda da fam\u00edlia ao Brasil. Em setembro de 2015, a luta da fam\u00edlia para viver na <strong>Venezuela<\/strong> terminou.<\/p>\n<p>Sem muitas alternativas, Geveglis e as filhas arrumaram as malas com destino a um pa\u00eds que nos \u00faltimos meses expulsou mais de 1,2 milh\u00e3o de venezuelanos s\u00f3 na cidade de <strong>Pacaraima<\/strong>, em <strong>Roraima<\/strong>, fronteira dos dois pa\u00edses. Por\u00e9m, escolher o local perfeito n\u00e3o era uma op\u00e7\u00e3o em um momento t\u00e3o doloroso.<\/p>\n<p>Dos quase 32 milh\u00f5es de habitantes, mais de tr\u00eas milh\u00f5es sa\u00edram da Venezuela desde 2014, de acordo com a Ag\u00eancia da <strong>ONU para Refugiados (ACNUR)<\/strong>, e este n\u00famero tende a aumentar para mais de 5 milh\u00f5es at\u00e9 o final de 2019.<\/p>\n<p>No dia 23 de janeiro, o presidente da Assembleia Nacional, <strong>Juan Guaid\u00f3<\/strong>, lideran\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o, se autoproclamou \u201cpresidente interino\u201d, sendo reconhecido nacionalmente por 50 chefes de Estado, como <strong>Brasil<\/strong> e <strong>Estados Unidos<\/strong>.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/cdn.knightlab.com\/libs\/timeline3\/latest\/embed\/index.html?source=1zPSlrNlWRz9XthOEkMs0Hj3G3-SQeDHIMY5Idlyb-8c&amp;font=Default&amp;lang=en&amp;initial_zoom=2&amp;height=650\" width=\"100%\" height=\"650\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Quatro meses depois, Guaid\u00f3 iniciou a fase final da sua tentativa de p\u00f4r fim ao governo de <strong>N\u00edcolas Maduro<\/strong>. Os protestos do dia 30 de abril estavam marcados para o <strong>Dia dos Trabalhadores<\/strong>, mas ele adiantou a ofensiva.<\/p>\n<p>A iniciativa foi derrotada pois Guaid\u00f3 n\u00e3o tem o apoio da maioria dos militares, o ex\u00e9rcito venezuelano ainda est\u00e1 ao lado de Maduro.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria de Geveglis no Brasil havia apenas come\u00e7ado quando ela conseguiu um emprego como zeladora em uma escola de S\u00e3o Francisco do Sul. Trabalhando duro para trazer sustento \u00e0 sua fam\u00edlia, a venezuelana participou de uma cena que jamais esquecer\u00e1.<\/p>\n<p>A m\u00e3e de um aluno questionava a institui\u00e7\u00e3o buscando entender o motivo de uma imigrante estar empregada com tantos brasileiros sem um carimbo na carteira de trabalho.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00e3o sou imigrante, a minha nacionalidade \u00e9 brasileira, sou casada com um brasileiro. Coloquei meu curr\u00edculo e fui chamada, n\u00e3o tem nada a ver o pensamento daquela m\u00e3e\u201d, relata.<\/p><\/blockquote>\n<p>A irm\u00e3 de Geveglis, Shamary Yaneth Garc\u00eda Lameda, 28 anos, tamb\u00e9m morava em <strong>Maracay<\/strong>, uma cidade de mais de 400 mil habitantes.<\/p>\n<p>Em 2016, com a ascens\u00e3o da crise chavista no pa\u00eds, ela teve uma doen\u00e7a visual que precisava de medica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para tratamento, mas a situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds estava cr\u00edtica ao ponto de que ter duas refei\u00e7\u00f5es em um dia j\u00e1 era motivo de comemora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Shamary precisava de apoio m\u00e9dico, mas o acesso \u00e0 sa\u00fade tamb\u00e9m era problem\u00e1tico. Como sua irm\u00e3 j\u00e1 estava morando no Brasil, ela resolveu tentar a sorte no pa\u00eds em 2017.<\/p>\n<h2>San\u00e7\u00f5es pioram a situa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais na Unisinos, Bruno Lima Rocha, destacou no artigo \u201cVenezuela: a crise gerada pelos sucessivos bloqueios e san\u00e7\u00f5es dos EUA\u201d (06\/04\/2019), que as san\u00e7\u00f5es s\u00e3o relacionadas ao terrorismo, tr\u00e1fico de drogas, tr\u00e1fico de pessoas, a\u00e7\u00f5es supostamente antidemocr\u00e1ticas, a viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e a corrup\u00e7\u00e3o, relacionado a estatal petrol\u00edfera.<\/p>\n<p>A arrecada\u00e7\u00e3o de impostos do governo venezuelano \u00e9 13% do PIB, no Brasil \u00e9 34% do PIB.<br \/>\nA primeira san\u00e7\u00e3o ocorreu em virtude das preocupa\u00e7\u00f5es dos EUA com a falta de coopera\u00e7\u00e3o venezuelana na guerra \u00e0s drogas, em 2005.<\/p>\n<p>Bruno ressaltou \u201cque se h\u00e1 algo realmente elogioso nos governos chavistas, \u00e9 o combate ao narcotr\u00e1fico e a repress\u00e3o aos crimes contra a economia popular\u201d. As san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas tornaram a escassez de alimentos e insumos hospitalares muito mais grave.<\/p>\n<p>Os protestos do dia 30 de abril foram divulgados por parte da imprensa como golpe, mas Juan Guaid\u00f3 fracassou por n\u00e3o ter o apoio dos militares.<\/p>\n<p>No dia 2 de maio, Maduro foi visto com centenas de soldados em uma <strong>base militar de Caracas<\/strong>, elogiou a lealdade do <strong>Ex\u00e9rcito<\/strong> e convocou os militares a se unirem em defesa do seu mandato.<\/p>\n<p>S\u00e3o Francisco do Sul foi o destino escolhido por Geveglis porque seu marido \u00e9 brasileiro, que trabalhava com fibra \u00f3ptica fazendo um conv\u00eanio entre Brasil e Venezuela.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos ap\u00f3s se conhecerem na cidade de Maracay, eles tiveram sua primeira filha, Kimberly, a segunda de Geveglis. O casal se distanciou na Venezuela assim que o trabalho do marido chegou ao fim.<\/p>\n<p>Mas, ao chegar no Brasil, em 16 de setembro de 2015, ela conheceu a sogra e trouxe a filha para conhecer a av\u00f3 paterna.<\/p>\n<p>De acordo com o <strong>artigo 14 da Constitui\u00e7\u00e3o brasileira<\/strong>, somente estrangeiros naturalizados que moram no Brasil h\u00e1 no m\u00ednimo quatro anos podem votar. Geveglis \u00e9 a \u00fanica dentre os familiares que possuem direito ao voto.<\/p>\n<p>Votar em Jair Bolsonaro, um militar, assim como <strong>Hugo Ch\u00e1vez<\/strong>, ou votar no Partido dos Trabalhadores, que apoia o governo de Maduro? A escolha nas elei\u00e7\u00f5es de 2018 n\u00e3o foi nada f\u00e1cil para a zeladora, mas ela acabou votando naquele que enxergava como uma via de escape em uma rodovia sem op\u00e7\u00e3o de seguir em frente: <strong>Jair Bolsonaro<\/strong>.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEra ele ou o PT. N\u00f3s sabemos que o PT defende o Maduro e por isso est\u00e1 de acordo com o que est\u00e1 acontecendo na Venezuela\u201d, destaca.<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhum registro que aponte para apoio de <strong>Fernando Haddad<\/strong> ao governo de Maduro. Por\u00e9m, em maio, o <strong>PT<\/strong> soltou nota oficial dando apoio \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de Maduro no poder.<br \/>\nShamary cursou at\u00e9 o 5\u00ba ano de <strong>Administra\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-987\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Venezuela-1.jpg\" alt=\"\" width=\"2044\" height=\"1626\"><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 1rem;\">No Brasil, n\u00e3o consegue estudar por causa da falta de certid\u00e3o porque perdeu em um inc\u00eandio os documentos que estavam em sua resid\u00eancia. Seus estudos j\u00e1 n\u00e3o valem nada no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p>Apesar das dificuldades, Shamary precisou aprender a super\u00e1-las com ajuda de sua amiga, Elianny Rivera, 28 anos, que formada em psicopedagogia.<\/p>\n<p>Na Venezuela, ela j\u00e1 trabalhava na \u00e1rea, mas no Brasil os baixos sal\u00e1rios colocaram ela longe da profiss\u00e3o que ama. Seu marido chegou a trabalhar com o governo venezuelana.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cCaso n\u00e3o fizesse tudo que o governo ordenava, ele n\u00e3o podia conseguir benef\u00edcios, como uma casa e cesta b\u00e1sica\u201d, disse.<\/p><\/blockquote>\n<p>Com duas filhas e j\u00e1 formada, Elianny n\u00e3o podia permanecer em seu pa\u00eds natal pois passava por muitas dificuldades. No dia 23 de mar\u00e7o de 2019, Elianny decidiu se mudar para o Brasil gra\u00e7as ao apoio da amiga.<\/p>\n<p>A historiadora Valdete Daufemback explica que o militarismo \u00e9 inteiramente a representa\u00e7\u00e3o do poder e \u00e9 no aspecto militar que reinam o dom\u00ednio das armas, do autoritarismo e da viol\u00eancia do Estado. \u201cO Ch\u00e1vez foi um estadista do seu tempo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A assessora de imprensa do <strong>Centro de Direitos Humanos<\/strong> (CDH) Maria da Gra\u00e7a Br\u00e1z, Lizandra Carpes, destaca que os imigrantes contam com a pr\u00f3pria sorte e a ajuda de amigos que vieram antes.<\/p>\n<p>N\u00e3o foram criadas pol\u00edticas de acolhimento a imigrantes, e que por esta raz\u00e3o, fica nas m\u00e3os de <strong>Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais<\/strong> (ONGs) e outros movimentos fazerem os trabalhos.<\/p>\n<p>O CDH tem por princ\u00edpio a organiza\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a de pol\u00edticas p\u00fablicas para imigrantes. Lizandra d\u00e1 apoio e assessoria para que os grupos que trabalham com a quest\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o se organizem e promovam forma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sempre que \u00e9 chamado, o Centro vai \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de ensino trabalhar o tema e cobrar do poder p\u00fablico pol\u00edticas p\u00fablicas, como j\u00e1 fez em audi\u00eancias p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Shamary acredita que muitas pessoas opinam sobre o que est\u00e1 acontecendo na Venezuela sem ter conhecimento do que realmente est\u00e1 havendo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-999\" src=\"http:\/\/primeirapauta.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Pessoas-dando-um-role-de-bike.jpg\" alt=\"\" width=\"1535\" height=\"1053\"><\/p>\n<p>De acordo com ela, a m\u00eddia \u00e9 culpada por n\u00e3o mostrar a verdade sobre o pa\u00eds. \u201cN\u00e3o vivi a hiperinfla\u00e7\u00e3o como ela viveu, a crise como est\u00e1 agora, hoje em dia est\u00e1 muito pior\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Em agosto de 2018, cerca de dois mil brasileiros atacaram venezuelanos, queimando seus barracos e pertences e culminando com a sa\u00edda de 1,2 milh\u00e3o de venezuelanos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Geveglis conta que o ataque era porque tinha muitos imigrantes roubando carnes e rem\u00e9dios, por isso ela n\u00e3o culpa as pessoas, alegando que o ato \u00e9 uma forma de desespero. Por\u00e9m, ela tamb\u00e9m destaca o lado dos venezuelanos.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA gente n\u00e3o est\u00e1 migrando porque queremos, estamos migrando por necessidade. N\u00e3o \u00e9 passeio, e sim necessidade\u201d, enfatiza.<\/p><\/blockquote>\n<p>As duas lamentaram que foram obrigadas a sair do pa\u00eds natal, mas sentem vontade de um dia ainda voltar a pisar em solo venezuelano. \u201cA Venezuela \u00e9 uma terra linda. N\u00f3s viv\u00edamos perto do litoral\u201d, lembra.<\/p>\n<p>A m\u00e3e de Shamary, Flor Marina Ram\u00edrez, de 53, ficou solit\u00e1ria na Venezuela. Em meio a mais um apag\u00e3o no pa\u00eds, um inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es atingiu a casa delas. No momento que as chamas queimavam os pertences da fam\u00edlia, chorar foi a \u00fanica coisa que Flor poderia fazer.<\/p>\n<p>Enquanto ainda limpava as l\u00e1grimas, ela recebeu ajuda das filhas para ir ao Brasil. O inc\u00eandio foi no dia 7 de maio e ela veio para S\u00e3o Francisco do Sul em junho de 2017.<\/p>\n<p>Inc\u00eandios, apag\u00f5es, saques e confus\u00f5es nas ruas venezuelanas foram divulgados na m\u00eddia.Dos 23 estados do pa\u00eds, 20 ficaram sem fornecimento de energia, afetando o fornecimento de \u00e1gua, transporte e servi\u00e7os de telefonia e internet. A alimenta\u00e7\u00e3o refrigerada estragou e pessoas morreram nas camas dos hospitais.<\/p>\n<p>O governo de Maduro disse que o grande apag\u00e3o de mar\u00e7o foi sabotagem. O economista Jo\u00e3o Bertoli n\u00e3o descarta nenhuma hip\u00f3tese. \u201cPode ter sido um acidente ou uma a\u00e7\u00e3o cibern\u00e9tica orquestrada. Os Estados Unidos tem como fazer isso&#8221;, acredita.<\/p>\n<p>Elianny afirma que tem um dom para trabalhar com crian\u00e7as, mas tem raiva de exercer sua profiss\u00e3o com um governo ineficiente como ela acredita ser o poder venezuelano.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00e3o gosto de ir para escola e dar aulas a meninos com tanta decad\u00eancia. N\u00e3o pod\u00edamos sequer ir ao banheiro pois n\u00e3o tinha \u00e1gua. Nessas condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o consigo trabalhar como docente e nem as crian\u00e7as conseguem estudar\u201d, lamenta.<\/p><\/blockquote>\n<p>Elianny diz que, em seu pa\u00eds natal, muitas m\u00e3es n\u00e3o conseguem comprar material escolar para os filhos. A merenda consiste apenas em arroz com feij\u00e3o, sendo que a qualidade do alimento deixa muitas crian\u00e7as doentes. \u201cEu e outras m\u00e3es preferimos n\u00e3o levar os filhos.\u201d<\/p>\n<p>Sarai Garc\u00eda, 17 anos, acredita que no sistema de estudo venezuelano era mais complicado de tirar notas boas do que no Brasil. Ela relata que no seu pa\u00eds natal o governo sempre estava de olho em cada coisa que ela fazia, seja dentro ou fora da escola.<\/p>\n<p>Outro ponto escolar que ela comenta \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o aos uniformes, que s\u00e3o obrigat\u00f3rios na Venezuela e opcionais em algumas institui\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO \u00fanico problema \u00e9 que para eles [professores], os alunos s\u00e3o meio incapazes, deveriam acreditar mais no potencial dos alunos\u201d, salienta.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mesmo vivendo v\u00e1rios anos no Brasil, elas confessam que sempre v\u00e3o ser consideradas estrangeiras. \u201cQuando falam \u2018voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 daqui\u2019 a gente se sente exclu\u00edda\u201d, exemplifica Shamary.<\/p>\n<p>Mesmo com tantas dificuldades que sofriam na Venezuela, elas ainda sonham em voltar para o pa\u00eds natal, mas para isso a situa\u00e7\u00e3o precisa melhorar. Enquanto n\u00e3o acontece, elas tentam ser aceitas pelos brasileiros para n\u00e3o conviver com casos de preconceito.<\/p>\n<h2>Especialistas explicam a crise venezuelana<\/h2>\n<p>\u00c9 o maior \u00eaxodo na hist\u00f3ria recente da Am\u00e9rica Latina, sendo que 2,4 milh\u00f5es est\u00e3o vivendo em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe, segundo a ag\u00eancia ACNUR. Desde 2015, mais de 85 mil venezuelanos procuraram a Pol\u00edcia Federal do Brasil para solicitar ref\u00fagio ou resid\u00eancia.<\/p>\n<p>O professor da faculdade de direito da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Alysson Mascaro, acredita que toda a crise social envolve um complexo de rela\u00e7\u00f5es entre economia, pol\u00edtica, ideologia e movimento de for\u00e7a.<\/p>\n<p>Ele destaca que a economia do petr\u00f3leo na Venezuela realizou uma dimens\u00e3o geopol\u00edtica de repercuss\u00e3o mundial.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cOs EUA comandam uma a\u00e7\u00e3o not\u00f3ria de espolia\u00e7\u00e3o dos recursos petrol\u00edferos, o que se soma ao combate ideol\u00f3gico ferrenho, local e internacional, ao bolivarianismo\u201d, explica.<\/p><\/blockquote>\n<p>A correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as internacionais n\u00e3o indica para uma interven\u00e7\u00e3o militar justamente por causa da cobertura russa e chinesa, exceto se for um plano dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Com a base de Alc\u00e2ntara entregue aos Estados Unidos, pode ser um plano da base ser uma porta de entrada \u00e0 Venezuela. Para Valdete, a invas\u00e3o da Venezuela pode significar uma porta para o dom\u00ednio total dos EUA.<\/p>\n<p>Segundo o Jo\u00e3o Bertoli, a Venezuela n\u00e3o \u00e9 muito diferente do M\u00e9xico, n\u00e3o \u00e9 diferente do Brasil, nem dos outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Explicou que aconteceu um agravo porque, al\u00e9m da crise econ\u00f4mica, a crise pol\u00edtica se traduz num embargo que os EUA fazem a Venezuela.<\/p>\n<p>Para Bertoli, a m\u00eddia guarda caracter\u00edsticas da ind\u00fastria cultural, e a ind\u00fastria cultural tem como uma das caracter\u00edsticas a tentativa de produzir consensos atrav\u00e9s da repeti\u00e7\u00e3o. \u201cTanto \u00e9 que eles repetem exaustivamente que o Maduro \u00e9 um ditador\u201d, explica.<\/p>\n<p>O economista diz que a quest\u00e3o central da Venezuela \u00e9 o petr\u00f3leo, e que o papel da imprensa \u00e9 manipular a opini\u00e3o p\u00fablica, ou seja, falam que Maduro \u00e9 um ditador, omitindo informa\u00e7\u00f5es justamente para a opini\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o ter acesso.<\/p>\n<p>H\u00e1 30 anos, a Venezuela enfrentou sua maior crise quando eclodiram confrontos entre a pol\u00edcia e manifestantes, que marcaram os protestos contra o pacote neoliberal de Carlos Andr\u00e9s Perez e o aumento das passagens de transporte p\u00fablico, em 1989.<\/p>\n<p>O Caracazzo foi o in\u00edcio da queda do regime de Punto Fijo &#8211; um sistema pol\u00edtico que perdurou na Venezuela at\u00e9 meados da vinda de Hugo Ch\u00e1vez, que eram tr\u00eas partidos e um mesmo programa.<\/p>\n<p>Os partidos se revezavam no poder e praticamente administravam o rentismo petroleiro. Inicialmente eram tr\u00eas, mas logo um pulou fora por defender revolu\u00e7\u00e3o cubana, e depois s\u00f3 ficaram dois.<\/p>\n<p>O professor Jo\u00e3o afirmou que esse tempo todo eles insistiram na depend\u00eancia do petr\u00f3leo, e muito dessa depend\u00eancia aconteceu porque a Venezuela foi isolada comercialmente.<\/p>\n<p>Para Jo\u00e3o, o problema \u00e9 que o pa\u00eds manteve durante muito tempo essa alian\u00e7a com os EUA apenas, n\u00e3o se comunicava com outros pa\u00edses, criou uma depend\u00eancia do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Tem aquele ditado que o M\u00e9xico fica muito longe de Deus e muito perto dos EUA. Para Jo\u00e3o, o mesmo vale para toda a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Texto: Gustavo Luzzani e Lucas Borba<br \/>\nFoto: Lucas Borba<br \/>\nIlustra\u00e7\u00e3o: Yan Nero<br \/>\n<strong>Conte\u00fado original do Primeira Pauta, edi\u00e7\u00e3o 145<\/strong> | Conte\u00fado produzido na disciplina de Jornal Laborat\u00f3rio, 7\u00aa fase\/2019<\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com parentes passando necessidades no pa\u00eds de origem, mulheres batalham para conseguir dinheiro e ajud\u00e1-los. Milhares continuam a deixar a Venezuela em virtude da crise econ\u00f4mica.&nbsp; No dia 3 de dezembro de 2017, nascia em S\u00e3o Francisco do Sul a terceira filha de Geveglis Lameda, 35, a menina Katarina Garc\u00eda. 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