Pai e filha levam 28 dias e gastam R$ 1,1 mil para completar álbum da Copa em Joinville
A última figurinha foi o Paraguai 3. Não um craque consagrado nem uma estrela do futebol mundial. Um jogador pouco conhecido foi quem deu ao comunicador joinvilense Gerson Júnior a sensação de missão cumprida ao completar o álbum da Copa do Mundo de 2026. Do dia 1º de maio, quando comprou o álbum, até 29 de maio, quando colou a última figurinha, foram 28 dias de pacotinhos abertos, trocas pela cidade e momentos compartilhados em família.
A relação de Gerson com as Copas do Mundo começou muito antes dos álbuns. A primeira lembrança que guarda do torneio é de 1986, quando tinha sete anos. Embora não se recorde dos jogos, lembra das figurinhas que vinham nos chicletes e das embalagens temáticas de salgadinhos inspiradas no Mundial do México.
A primeira Copa que acompanhou de fato foi a de 1990, na Itália, quando cursava a quinta série. O interesse pelos jogos chegou a atrapalhar a rotina escolar. Entre provas e trabalhos perdidos por passar horas em frente à televisão, encontrou uma solução proposta pela professora.
— Ela pediu que eu escrevesse um trabalho sobre a Copa para recuperar as notas. Tirei dez, estrelinha, estrelinha, estrelinha — relembra, entre risos.

Uma coleção em família
Décadas depois, o entusiasmo continua o mesmo. Assim que o álbum da Copa de 2026 chegou às bancas, em 1º de maio, Gerson foi um dos primeiros a comprar um exemplar. Escolheu a versão brochura e já saiu com entre 10 e 15 pacotinhos para iniciar a coleção.
A estratégia envolveu toda a família. Enquanto a esposa, Priscila, monitorava pelo aplicativo as figurinhas que ainda faltavam, Gerson compartilhava as listas com amigos e conhecidos que também colecionavam cromos repetidos.
As trocas logo se transformaram em programa familiar. A família passou a frequentar pontos da cidade conhecidos por reunir colecionadores, e cada saída virou uma oportunidade de convivência.
— É um momento de socializar com os filhos, com as crianças — afirma.
Parte da experiência também foi registrada nas redes sociais. Vídeos abrindo pacotinhos, brincadeiras relacionadas à Copa e conteúdos típicos do período pré-torneio passaram a fazer parte da rotina da família. Priscila, que inicialmente apenas organizava o aplicativo, acabou entrando definitivamente na brincadeira.

O impulso de Curitiba
Um dos momentos decisivos da coleção aconteceu durante uma viagem a Curitiba. Em 16 de maio, dia de seu aniversário, Gerson visitou um shopping da capital paranaense que havia montado um espaço temático para troca de figurinhas.
O resultado superou as expectativas. Em apenas uma visita, conseguiu realizar mais de 100 trocas. Com uma única pessoa, obteve 68 figurinhas inéditas. Entre elas estava Lionel Messi, que até então ainda não havia aparecido no álbum.
A data teve um significado especial. Não era a primeira vez que Gerson completava uma coleção da Copa do Mundo. Ele já havia fechado os álbuns de 2010, 2014 e 2022. Neste último, a filha Laila, hoje com nove anos, encontrou a figurinha de Neymar em um dos pacotinhos.
— Ela fez a maior festa. Ficava perguntando: “Pai, essa é rara?” — lembra.
O Paraguai 3
Foi justamente Laila quem protagonizou o capítulo final da história. Pai e filha haviam ido ao supermercado para fazer compras, sem qualquer intenção de procurar figurinhas, quando encontraram um ponto de troca movimentado. Colecionadores organizavam os cromos sobre mesas enquanto negociavam as peças que faltavam.
Gerson decidiu aproveitar a oportunidade. Os dois saíram do mercado, compraram cinco pacotinhos em uma banca próxima e voltaram para conferir o resultado. Entre as 35 figurinhas, encontraram duas das nove que ainda faltavam para completar o álbum.
Com os cromos restantes, retornaram ao ponto de troca e conseguiram obter mais seis das sete figurinhas que ainda procuravam. Ao fim daquela tarde, restava apenas uma: o Paraguai 3.
A figurinha apareceu alguns dias depois, em uma nova troca, encerrando oficialmente os 28 dias de busca.
Mais do que um gasto
A experiência também exigiu investimento. Ao longo do mês, Gerson comprou cerca de 154 pacotinhos, vendidos a R$ 7 cada. O valor total chegou a aproximadamente R$ 1.078, sem contar os R$ 24,90 gastos com o álbum.
Parte do custo foi compensada pela venda de figurinhas repetidas, comercializadas por R$ 1 cada. Ainda assim, Gerson prefere não encarar a coleção sob uma lógica financeira.
— Se você entender que é um gasto, acaba nem comprando. Mas, quando vê como uma experiência com os filhos, o valor é outro — conta.
Para ele, o principal retorno da coleção está na convivência proporcionada durante o processo.
— Quem olha apenas pelo lado financeiro está perdendo uma grande oportunidade de convívio em família — afirma.
França favorita, mas torcida pelo Brasil
Com o álbum completo, resta acompanhar o torneio.
Gerson acredita que o Brasil tem condições de chegar, pelo menos, às quartas de final e, em um cenário mais otimista, alcançar uma semifinal. Ainda assim, considera a França a principal favorita ao título.
— Eles têm um conjunto melhor e uma preparação melhor — reforça.
Há também uma torcida sentimental. Gerson gostaria de ver Portugal conquistar a Copa do Mundo em uma possível despedida de Cristiano Ronaldo dos Mundiais.
— Seria a última dança do CR7 — disse.
Enquanto a bola ainda não rola na Copa de 2026, Gerson já celebra uma conquista particular. O álbum está completo, mas o que realmente ficou da experiência foram os quase 30 dias de memórias construídas ao lado da família.