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Moda catarinense e a sustentabilidade

 Moda catarinense e a sustentabilidade
Ambiente e Sustentabilidade Comportamento Cultura

Moda catarinense e a sustentabilidade

by Redação 10 de dezembro de 2019

Marca de bolsas utiliza retalhos de uniformes e ganha destaque nacional com produção sustentável.  A empresa participou do evento Brasil Eco Fashion Week 

Por Elisa Scherer

Associar o setor de moda com o alto consumo e desperdício é resultado da abundância de fabricação da indústria têxtil ao longo dos anos. A consequência disso são as 175 mil toneladas de resíduos têxteis descartados anualmente no Brasil, sendo que no cenário atual 20% disso é reutilizado ou reciclado. Ana Carolina de Liz, criadora da marca Funcionárias, uniu consciência ecológica e características culturais de Joinville como parte da matéria-prima para fabricar bolsas. “A moda sustentável não é mais tendência, é o que realmente precisa ser feito e pronto”, avalia. 

No processo da marca está a questão sustentável desde a matéria inicial, que são sobras dos tecidos utilizados para fazer os uniformes dos funcionários das principais fábricas de Joinville. Outras características agregam e dão identidade para os produtos, como o nome das peças e detalhes que remetem a características da cidade, como a coleção “Capivara de todas as cores”. Capivara é um animal comum na região. Na parte de produção, as colaboradoras da marca costuram retalhos do tecido minuciosamente. Os pedaços que chegam são pequenos e as peças produzidas não seguem o lote fechado de número, as peças são fabricadas à medida que as empresas doam as sobras. 

A valorização das costureiras é outra preocupação das novas empresas que pensam em todo o processo de fabricação. Ana ressalta a importância de pensar questões que vão além do gosto pessoal na hora de comprar um produto. “Paguei barato, mas vou usar por quanto tempo? É necessário repensar a cadeia produtiva que está por trás daquela peça”, afirma.

A Funcionárias já vem ganhando destaque no cenário nacional e aos quatro anos de história já foi selecionada para um evento de importância no país. O Brasil Eco Fashion Week  promoveu sua terceira edição nos dias 16, 17 e 18 de novembro. Com espaço para reunir representantes de empresas que estão aderindo a um novo jeito de pensar o consumo, foram três dias de troca de ideias, palestras e oportunidades de negócios. “Todas as marcas que estavam expondo no evento possuem uma preocupação com a cadeia produtiva. Elas sempre pensam em todo o processo de produção, como quem é que está fazendo”, observa.

Retalhos dos uniformes são utilizados para criar bolsas. Foto: Joyce Reinert

A desvalorização das costureiras é algo marcante no mundo da moda. Escândalos envolvendo trabalhos análogos à escravidão remetem a marcas famosas e de luxo e o combate pode ser feito por quem adquire a peça e existem fábricas e marcas que se comprometem a mostrar os personagens responsáveis por trazer forma para cada produto. Ana Carolina levou para o BEFW a história de cada mulher que confecciona as peças da marca.  

Carolina observa que a preocupação com a cadeia sustentável ainda é fraca no Brasil em relação a cultura do consumidor, especialmente em Joinville. Aqui o público ainda exige fortemente um preço barato, mas para esse problema ela já tem seu posicionamento e explica sua estratégia. “Eu senti que depois que eu comecei a explicar o processo, o porquê eu não dou descontos, os clientes começaram a comprar o valor da empresa”, declarou.

O surgimento de empresas com propósito dão ao consumidor o poder de escolha na hora da compra, comprar algo não só por sua funcionalidade e estética mas pela ideia que a marca carrega começou a ser parte dos critérios de algumas pessoas. Maria Elisa Máximo é cliente da Funcionárias e conheceu o trabalho pelo instagram, mandou uma mensagem para o perfil da loja e partir daí se apaixonou pelo produto, tanto pela estética quanto pela ideia que a marca carrega. “A ana me contou todo o processo da marca e aquilo me encantou”, explica. Ela conta que até mesmo a utilização do resíduo que as costureiras não conseguem aproveitar vai para  enchimento de almofadas que são doadas para o abrigo animal, tudo isso fez ela se tornar cliente pois nos últimos anos se tornou uma consumidora interessada na cadeia de produção e na marca local ela encontrou a “cadeia produtiva perfeita”.

Fotos: Joyce Reinert

Escute a entrevista com Ana Carolina:

Empresa catarinense é referência em sustentabilidade 

O grupo Malwee está representando o Brasil na COP 25 – Conferência de clima da ONU em Madri, até o dia 13 de dezembro. No evento, a marca participou de um painel e apresentou sua história ao contar o que fizeram para o grupo ser referência no assunto. Entre os temas abordados está a campanha de zero emissão de Gases de Efeito Estufa até o ano 2050, Our Only Future (Nosso único futuro), que foi assinado no começo de outubro pela Malwee e foi a primeira empresa brasileira, do setor de moda, a assinar o compromisso. A meta desta campanha da ONU é restringir o aumento de temperatura a 1,5 C° a níveis pré-industriais ao contrário do ritmo atual em que se nada for feito essa marca será atingida até 2040.

A cultura sustentável e o acompanhamento das pautas internacionais está presente na filosofia e no crescimento da marca e existe o reconhecimento de que as novas gerações estão ainda mais preocupadas com este tema. “Esse consumidor tem se sentido mais atraído por marcas que carregam a sustentabilidade como bandeira. Não apenas na cadeia de produção das roupas, mas na forma de consumi-las”, informa Taise Beduschi, porta-voz da Malwee.

Taise Beduschi, porta-voz da Malwee, representa o grupo durante a Conferência de clima da ONU. Foto: Divulgação.

 

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Tags: marca de joinville moda catarinense moda sustentável
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