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Mulheres representam 52,26% do eleitorado, mas ocupam quatro das 19 cadeiras da Câmara de Joinville

 Mulheres representam 52,26% do eleitorado, mas ocupam quatro das 19 cadeiras da Câmara de Joinville
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Mulheres representam 52,26% do eleitorado, mas ocupam quatro das 19 cadeiras da Câmara de Joinville

by Karolina Galvão 22 de setembro de 2026

O número de vereadoras eleitas em Joinville dobrou entre 2020 e 2024, mas barreiras à participação feminina ainda persistem, mesmo com a legislação eleitoral que estabelece a cota de gênero.

Foram quatro vereadoras eleitas em 2024, contra duas nas eleições de 2020. Liliane Freitas Lovato (Pode), Tânia Larson (União), Vanessa Venzke Falk (Novo) e Vanessa da Rosa (PT) passaram a compor a Câmara Municipal. Apesar do avanço, as mulheres ainda ocupam apenas quatro das 19 cadeiras da Câmara Municipal, em contraste com um eleitorado formado majoritariamente por mulheres.

Em 2024, mulheres correspondiam a 52,26% do eleitorado de Joinville, com 227.258 eleitoras aptas a votar, enquanto os homens somavam 207.563. Naquele ano, 83 mulheres e 164 homens disputaram uma vaga na Câmara Municipal.

Os desafios, porém, continuam depois da eleição. Vanessa Venzke Falk, eleita em 2024, afirma que conciliar a atividade política com as responsabilidades familiares é uma das dificuldades. “A mulher ainda carrega uma cobrança silenciosa sobre seu preparo e capacidade de liderança”, diz.

A atuação no plenário também pode expor mulheres a situações diferentes das enfrentadas por homens. “No início da legislatura, percebi que alguns vereadores homens trouxeram certas provocações para o debate para testar como eu me comportaria, se manteria um posicionamento firme no plenário e como lidaria com embates diretos”, complementa a vereadora.

A falta de experiência política também pode dificultar a entrada na disputa, especialmente na captação de recursos e na construção de confiança entre apoiadores. “Quando você surge na política de forma independente, a principal barreira é provar para o apoiador que seu projeto é viável”, conta.

“Durante a campanha, percebi, sim, algumas dificuldades relacionadas ao fato de ser mulher. Existe uma cobrança muito grande sobre nós, inclusive em coisas que pouco têm a ver com a nossa capacidade: nossa aparência, nossa forma de falar, nosso jeito de nos posicionar e até a maneira como conciliamos a vida pessoal, a família e o trabalho”, explica a vereadora e ativista da causa animal, Liliane Freitas Lovato.

Em seu primeiro mandato e sem experiência anterior na política, Liliane também chegou à disputa sem uma estrutura previamente construída. “Naturalmente, dentro de uma campanha, os partidos fazem suas análises e acabam direcionando mais recursos, apoio e visibilidade para candidaturas que, naquele momento, acreditavam ter maior potencial eleitoral”, afirma.

Dentro dos partidos, a distribuição de recursos e apoio também influencia as chances das candidaturas. “Os dirigentes priorizam perfis que eles consideram mais competitivos ou já testados eleitoralmente e, em geral, esse perfil é masculino”, reforça a cientista política Cíntia Pinheiro Ribeiro de Souza, professora do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Barreiras começam antes das eleições

Mulher de costas, cabelo castanho, branca. Por cima de seu ombro visualizasse um celular ligado na pagina da justiça federal eleitoral do Brasil.
Antes de chegar à urna, há um caminho de informação e participação. Para muitas mulheres, porém, a entrada na política esbarra em falta de incentivo, responsabilidades familiares, rotina profissional e receio da exposição.

As barreiras à participação feminina começam antes da candidatura. A associação das mulheres ao espaço privado pode dificultar a formação de redes de apoio, a participação em espaços de decisão partidária e a conciliação entre a política e as responsabilidades familiares. Para Liliane, esses obstáculos podem levar mulheres que desejam participar da política a desistir da disputa: “O que me preocupa são aquelas que gostariam de participar, têm capacidade e boas ideias, mas acabam desistindo antes mesmo de tentar.” 

O ambiente político é majoritariamente masculino e reproduz uma lógica que pode afastar mulheres desses espaços. “Ainda existe a ideia de que, quando uma mulher assume mais responsabilidades profissionais ou públicas, alguma outra área da vida dela necessariamente ficará prejudicada, principalmente a família e os filhos”, acrescenta Liliane.

A violência política de gênero também compõe esse cenário. Mulheres que ocupam espaços políticos podem enfrentar situações de descrédito, ameaças, assédio moral e sexual, além de ataques nas redes sociais. “Existem relatos muito fortes de todo tipo de violência sofrida por elas, independentemente de ideologia”, destaca Cintia.

Cota de gênero busca ampliar participação

A legislação eleitoral estabelece mecanismos para ampliar a participação feminina nas eleições. Desde 2009, os partidos devem preencher no mínimo 30% das candidaturas com mulheres. Também há regras para a destinação de recursos de campanha, tempo de propaganda e Fundo Partidário à promoção da participação política feminina.

Apesar das regras, ainda há casos de candidaturas fictícias, usadas apenas para cumprir a quota de gênero. Em 2024, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a Súmula 73, que estabelece critérios para identificar possíveis fraudes, como votação muito baixa, ausência de movimentação financeira e falta de atos efetivos de campanha. O Ministério Público Eleitoral fiscaliza o cumprimento da cota e pode pedir a responsabilização dos partidos em caso de fraude. 


Nota de transparência: ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas como apoio na revisão textual, organização da estrutura e adequação do conteúdo para busca. A apuração, seleção das informações, entrevistas, checagem e produção da reportagem foram realizadas pela autora.

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