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No Dia do Livro a leitura se torna um compromisso coletivo

 No Dia do Livro a leitura se torna um compromisso coletivo
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No Dia do Livro a leitura se torna um compromisso coletivo

by Gabrielle Vieck 29 de outubro de 2026

Por Ana Fidencio, Andre Felipe Ribeiro, Carol Brito, Gabrielle Vieck, Mateus Siqueira e Millena Wessler

Dia Nacional do Livro celebra o poder de imaginar e transformar.

O Dia Nacional do Livro, celebrado em 29 de outubro, levanta o alerta da importância do incentivo à literatura para a formação cultural e educacional da sociedade. Em Joinville e em outras regiões do país, bibliotecas, instituições de ensino, clubes de leitura e comunidades nas redes sociais promovem iniciativas para aproximar crianças e jovens dos livros, em um cenário marcado pela queda nos índices de leitura no Brasil. 

Video da biblioteca Ielusc.

Sinopse, o silêncio entre as páginas

Celebrar o Dia Nacional do Livro também significa olhar para a relação dos brasileiros com a leitura. Embora os livros continuem presentes nos espaços tradicionais, manter esse hábito ainda é um desafio. Os dados da sexta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2024 pelo Instituto Pró-Livro, revelam que pela primeira vez desde o início do levantamento, em 2007, o número de brasileiros que não leem livros superou o de leitores. Segundo a pesquisa, 53% da população é considerada não leitora. O estudo também identificou uma redução de aproximadamente 6,7 milhões de leitores em comparação com a edição de 2019. 

Os resultados evidenciam um dilema para aproximar a população dos livros e criar condições para que a leitura faça parte da rotina. A falta de tempo, o desinteresse e a concorrência com outras atividades estão entre os fatores que podem contribuir para esse afastamento. 

Nesse cenário, as redes sociais ocupam um espaço importante. Ao mesmo tempo que disputam a atenção dos leitores, também se transformam em ambientes de divulgação literária. Por meio de recomendações, resenhas e comunidades virtuais, plataformas como TikTok e Instagram mostram que os caminhos para chegar aos livros estão mudando.

Capítulo 1, as páginas do feed

O algoritmo te recomenda um livro. Entre um vídeo de humor, uma notícia e uma publicação de um amigo, surge na tela a indicação de uma história capaz de despertar a curiosidade. Esse encontro, que pode parecer casual, faz parte de um movimento que aproxima a literatura das redes sociais.

É nesse espaço que ganha força o BookTok, comunidade literária presente no TikTok, na qual leitores compartilham títulos, resenhas e reações sobre livros. Ali, um livro recomendado em trinta segundos pode atravessar o país e chegar às mãos de quem nunca entrou numa livraria.  

Capítulo 2, O exemplo começa em casa

Apesar da força das iniciativas digitais, o incentivo à leitura também depende de espaços que permitam o contato direto com os livros. As bibliotecas desempenham um papel importante nesse processo, oferecendo acesso a obras e oportunidades para desenvolver o hábito.

Na biblioteca da Faculdade Ielusc, a procura pelos livros pode revelar parte dos interesses dos estudantes e mostrar como a leitura está presente na rotina acadêmica. Além das obras exigidas no ambiente escolar, o espaço também pode aproximar os alunos de títulos escolhidos por vontade própria.

Para Fábio Ricobon, auxiliar de biblioteca da instituição, a procura pelos livros está concentrada principalmente nas leituras obrigatórias. Segundo ele, a falta de incentivo desde a infância contribui para o afastamento dos jovens da literatura.

“Acho que é falta de interesse mesmo, né? Falta de interesse pela leitura. Não tem um incentivo, né? Às vezes um incentivo familiar, às vezes um incentivo de ler dentro de casa, de ganhar livro”, afirma.

Ricobon também relata que a biblioteca promove atividades para estimular o contato com os livros, mas a participação dos estudantes ainda é baixa. Uma das iniciativas convidava os alunos a ler as cinco primeiras páginas de uma obra e resumir o conteúdo em uma linha. 

“Foram três ou quatro que participaram. Era para encher a árvore ali”, conta.

O gosto pela leitura raramente nasce sozinho, ele é herdado, emprestado, contagiado. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2024, entre os leitores, 14% tiveram pais que sempre liam para eles; entre os não leitores, a proporção cai para 7%.

Quando perguntados sobre quem despertou o gosto, 9% apontam mães ou responsáveis do sexo feminino como a influência mais forte. Depois da casa, vêm os outros lugares onde uma história pode começar. Influenciadores e produtores de conteúdo respondem por 22% da origem do interesse pela literatura, atrás de professores, familiares e amigos. 

O desejo, porém, nem sempre acompanha o hábito. Hoje, 29% dizem não gostar de ler, mais do que os 26% que gostam muito, e ainda assim 75% dos leitores gostariam de ter lido mais. Entre o gosto que se perde e a vontade que fica, há um espaço onde o livro espera, paciente, como quem sabe que a leitura não tem hora marcada para recomeçar.  

No ambiente universitário, a leitura vai além da academia. Ela contribui para a construção do repertório cultural e oferece diferentes perspectivas sobre o mundo. A partir dos livros, os estudantes podem desenvolver a capacidade de argumentar, interpretar informações e construir opiniões próprias.

Para Marília Crispi de Moraes, coordenadora do curso de Jornalismo da Faculdade Ielusc, o contato com a leitura deve ser incentivado desde cedo, principalmente pelo exemplo.

“Eu diria que a melhor forma é o exemplo. No caso das crianças, a gente sabe que as crianças tendem a imitar muito o que os pais fazem, o que os professores fazem, o que as pessoas que estão perto delas fazem”, explica.

A professora também destaca que as redes sociais podem contribuir para aproximar jovens e adultos da literatura. Para ela, conteúdos sobre livros publicados por influenciadores podem despertar a curiosidade e incentivar novas leituras. 

“Eu tenho visto algo muito positivo nesse sentido de usar as redes sociais como uma ferramenta pra você falar sobre livros, instigar, contar sobre boas histórias, boas leituras e da mesma forma despertar nas pessoas uma vontade de conhecer essas obras”, afirma.

Capítulo 3, Uma fuga chamada leitura 

Entre os jovens, os mundos fictícios chamam a atenção porque prometem o que a rotina raramente oferece: uma saída. Um livro comum faz do dia a dia reinos, galáxias e ruas que só existem no papel.

Julia Kluck, 20 anos, estudante de Jornalismo, aprendeu cedo o caminho das páginas. Incentivada pelos pais desde a infância, começou a ler aos 12 anos, quando ganhou uma coleção de livros da saga Harry Potter.

“Eu ganhei o box de Harry Potter. É, daí eu gostei bastante, fiquei bem engajada”, lembra.

Hoje, a fantasia é o gênero que mais desperta seu interesse. As redes sociais também fazem parte do contato com novas obras, por meio de indicações de conteúdos literários. Para Julia, o que a prende aos livros é a possibilidade de se afastar um pouco da realidade.

“Eu gosto que no livro a gente consegue meio que fugir da realidade. Ainda mais que eu gosto bastante de livros de fantasia, de ler coisas fantásticas que não acontecem na vida real. Eu gosto bastante”, conta.

Para quem ainda não encontrou a própria rota, a leitora guarda um conselho:

“Comece. Começe com livros mais curtinhos, de suspense, geralmente que chamam a atenção, daí você não quer largar.”

Epílogo, Depois da última página 

O desafio de formar novos leitores também passa por compreender que o acesso aos livros não depende apenas da vontade individual. Bibliotecas públicas, projetos de formação de leitores e plataformas digitais ampliam as possibilidades de acesso à literatura. Um exemplo é o programa MEC Livros, que alcançou a marca de 1 milhão de empréstimos em outubro de 2026, conforme divulgado pelo Ministério da Educação.

O resultado mostra como iniciativas de acesso gratuito podem aproximar a população das obras literárias, seja por meio de um livro emprestado, de uma indicação nas redes sociais ou de uma descoberta na biblioteca, cada experiência pode abrir caminho para novas histórias. Afinal, a leitura não se limita ao que está escrito nas páginas, ela amplia perspectivas e permite conhecer diferentes formas de enxergar o mundo.

“Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê, vive apenas uma”

George R. R. Martin. A Dança dos Dragões (2011)

A ferramenta Chat GPT foi utilizada para auxiliar na correção do texto, enquanto o Cloude foi empregado para pesquisa e revisão de texto e o Google Trends foi utilizado para analisar as tendências de notícias. A apuração, a redação final e a responsabilidade editorial são dos autores.

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Tags: book tok clube de leitura dia do livro 2026 leitores
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