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Entre o acesso e a permanência: os desafios de quem depende do Universidade Gratuita

 Entre o acesso e a permanência: os desafios de quem depende do Universidade Gratuita
4º Semestre Crítica de Mídia Destaques Educação Joinville e Região Joinville e região Jornalismo Digital I

Entre o acesso e a permanência: os desafios de quem depende do Universidade Gratuita

by Kojikovski Giulia 30 de outubro de 2026

Estudantes do Ielusc relatam dificuldades com documentação, renovação e manutenção do benefício; exigências acadêmicas e socioeconômicas acompanham os beneficiários durante a graduação

Conquistar uma vaga na universidade é, para muitos estudantes, a realização de um objetivo que depende de anos de esforço. Mas, para quem precisa de auxílio financeiro para pagar a graduação, o ingresso representa apenas o começo de uma trajetória que também exige organização, cumprimento de prazos e atenção às regras do programa. Em Santa Catarina, o Universidade Gratuita permite que estudantes tenham acesso ao ensino superior sem o pagamento de mensalidades, desde que atendam aos critérios estabelecidos pelo Governo do Estado.

A oportunidade, entretanto, não elimina as dificuldades enfrentadas ao longo do curso. A atualização de documentos, a comprovação da situação socioeconômica e o cumprimento de exigências acadêmicas fazem parte da rotina dos beneficiários. Para alguns, a preocupação com a renovação chega a colocar em dúvida a possibilidade de continuar estudando.

Na Faculdade Ielusc, em Joinville, as experiências de estudantes mostram diferentes momentos dessa trajetória: desde quem teme perder o benefício até quem já enfrentou o desligamento e conseguiu retornar ao programa. Os relatos também levantam uma discussão sobre as condições necessárias para que a oportunidade de ingressar no ensino superior se transforme, de fato, na conquista de um diploma.

Quando a oportunidade vem acompanhada de insegurança

Aluna Nicolly Machado do curso de jornalismo que ingressou na faculdade pelo programa universidade gratuita (Foto: Arquivo pessoal, adaptada)

Aos 18 anos, Nicolly Machado, estudante de Jornalismo, encontrou no Universidade Gratuita a possibilidade de cursar uma graduação que antes parecia distante. Mesmo com o desejo de ingressar na faculdade logo após concluir o ensino médio, os custos representavam um obstáculo. As alternativas de bolsas que encontrou não eram suficientes para sua realidade financeira, já que algumas cobriam apenas metade da mensalidade.

Foi por meio da mãe que conheceu o programa. Com o benefício, conseguiu iniciar o curso que desejava sem precisar se preocupar com o pagamento das mensalidades. A conquista, porém, veio acompanhada de uma preocupação que permanece durante a graduação: cumprir todas as exigências para continuar recebendo o auxílio.

Entre as principais dificuldades estão os processos de renovação. A estudante precisa reunir documentos, atualizar informações familiares e apresentar justificativas relacionadas à moradia e às despesas. Algumas etapas também dependem da colaboração de outras pessoas, especialmente quando são necessárias assinaturas digitais pela plataforma GOV.BR.

Quando os familiares não conseguem acessar a ferramenta, a obtenção dos documentos pode exigir outras alternativas, como o reconhecimento de assinaturas em cartório. A situação se torna mais complicada diante dos prazos, que Nicolly considera curtos para a quantidade de informações solicitadas.

Além da documentação, as mudanças na renda também geram insegurança. Atualmente trabalhando e recebendo benefícios, ela teme que alterações em sua situação financeira possam interferir na continuidade do auxílio. A necessidade de comprovar informações sobre empregos anteriores também tornou o processo mais cansativo.

A estudante reconhece o suporte oferecido pelo Ielusc, especialmente por meio dos materiais de orientação e do canal de atendimento criado para esclarecer dúvidas. Apesar disso, aponta dificuldades na comunicação com a secretaria. Segundo ela, as orientações podem variar conforme o funcionário responsável pelo atendimento, fazendo com que precise explicar sua situação familiar mais de uma vez.

A burocracia chegou a fazê-la pensar em desistir da graduação. Para Nicolly, a ampliação dos prazos de renovação e a padronização das informações repassadas aos estudantes poderiam tornar o processo menos desgastante.

Permanência também depende do cumprimento das regras

A continuidade no Universidade Gratuita envolve responsabilidades que acompanham o estudante durante toda a graduação. Além de atender aos critérios socioeconômicos, os beneficiários precisam manter a documentação atualizada, respeitar os períodos de renovação e cumprir as exigências acadêmicas previstas na regulamentação.

O Edital nº 1.402/SED/2026 estabelece aproveitamento mínimo de 75% no conjunto das disciplinas cursadas no semestre para a renovação do benefício. O cumprimento dos requisitos também envolve a apresentação de informações e comprovantes que permitam verificar se o estudante continua atendendo às condições exigidas pelo programa.

Entre as situações que podem comprometer a continuidade do auxílio estão documentos incompletos ou inconsistentes, perda de prazos, alterações na condição socioeconômica que afetem os critérios de elegibilidade e descumprimento das obrigações acadêmicas.

Nesse processo, as instituições de ensino possuem responsabilidades que vão além do recebimento dos documentos. Entre suas atribuições estão a análise e validação das informações apresentadas, a orientação dos estudantes, o acompanhamento do desempenho acadêmico e a atualização dos dados dos beneficiários nos sistemas da Secretaria de Estado da Educação.

A regulamentação também prevê mecanismos de fiscalização para verificar o cumprimento das exigências. Em caso de indeferimento, o estudante pode recorrer administrativamente, respeitando os procedimentos e prazos estabelecidos no edital. Dependendo da situação, também pode verificar a possibilidade de regularizar pendências ou participar de um novo processo seletivo.

A recuperação do benefício, entretanto, não é automática. Cada situação depende do motivo do indeferimento, das regras aplicáveis e da análise administrativa.

Quando o benefício é perdido

A experiência de Tammy Abreu, de 20 anos, mostra o que pode acontecer quando as exigências documentais não são cumpridas. Durante um processo de renovação, a estudante perdeu o benefício após a identificação de documentos ausentes e outros entregues de forma incompleta.

A confirmação chegou pelo sistema do Governo do Estado e também por um e-mail enviado pela instituição. Naquele momento, sua principal preocupação foi a possibilidade de precisar trancar a faculdade por não conseguir arcar com os custos da graduação.

Como a perda aconteceu no final do ano, durante o período de renovação, Tammy teve a oportunidade de participar de um novo processo no início do ano seguinte. Dessa vez, conseguiu novamente o benefício.

A segunda tentativa, porém, foi acompanhada pelo receio de enfrentar a mesma situação. Mais atenta aos prazos e às exigências, passou a procurar orientações com frequência no Serviço de Atendimento ao Estudante (SAE).

Ao organizar a documentação, conferir se todos os arquivos estavam corretos e conseguir as assinaturas necessárias foram algumas das dificuldades enfrentadas. Parte das informações também dependia da colaboração dos familiares com quem mora, o que exigia conciliar a disponibilidade de outras pessoas com os prazos estabelecidos.

Tammy destaca o apoio recebido da instituição durante o processo, mas considera que a demora em algumas etapas aumentou a ansiedade e a insegurança. Com a experiência, passou a acompanhar as solicitações com mais atenção e a buscar esclarecimentos sempre que surgiam dúvidas.

A estudante aconselha outros beneficiários a não abandonarem seus planos acadêmicos diante de uma eventual perda do auxílio. Também destaca a importância de procurar apoio da instituição e dos familiares para enfrentar as etapas de regularização.

Sua trajetória demonstra que a perda do benefício pode representar um risco concreto à continuidade dos estudos, mas também que existem situações em que uma nova participação no processo permite ao estudante recuperar o auxílio, desde que atenda às condições estabelecidas.

O acompanhamento dentro da instituição

No Ielusc, o acompanhamento dos beneficiários também envolve estruturas institucionais específicas. A Portaria nº 009/2026, publicada em 4 de maio de 2026, formaliza duas comissões relacionadas ao Universidade Gratuita: a Comissão de Seleção e a Comissão de Fiscalização.

Segundo as informações levantadas no documento, cada comissão é composta por nove integrantes. A primeira reúne profissionais de áreas como assistência social e administração, além de representação estudantil. A segunda também conta com representantes da instituição, da sociedade civil, da Secretaria de Desenvolvimento Regional e de estudantes.

Essas estruturas fazem parte dos mecanismos institucionais relacionados à seleção e à fiscalização dos beneficiários. A existência das comissões evidencia que a manutenção do auxílio envolve procedimentos de acompanhamento e verificação, além das responsabilidades individuais dos estudantes.

Na rotina dos acadêmicos, o Serviço de Atendimento ao Estudante também aparece como um canal de orientação. Tanto Nicolly quanto Tammy mencionam o apoio recebido da instituição durante os processos de renovação e regularização, embora apontem dificuldades relacionadas à comunicação e à demora em algumas etapas.

A experiência das estudantes levanta questões sobre como as orientações são padronizadas, de que maneira as pendências são acompanhadas e quais medidas podem ajudar a evitar que problemas documentais comprometam a continuidade da graduação.

Acesso precisa considerar a realidade dos estudantes

As dificuldades relacionadas ao ensino superior não começam necessariamente depois da concessão de um benefício. Para Maria Isabelly da Cunha Pedroso, 20 anos, que pretende cursar Ciências Econômicas, o principal desafio está em encontrar uma modalidade de ensino compatível com sua rotina profissional.

Como trabalha durante todo o dia, ela considera que frequentar aulas presenciais poderia tornar a conciliação entre trabalho e estudos mais difícil, principalmente por causa dos deslocamentos e dos horários. Por isso, demonstra interesse no ensino a distância (EAD), que considera uma alternativa mais viável para sua realidade.

Maria Isabelly reconhece o Universidade Gratuita como uma oportunidade importante para pessoas que não possuem condições financeiras de pagar uma graduação. No entanto, afirma que sua preferência pelo EAD representa uma dificuldade diante das modalidades que acredita estarem contempladas pelo programa.

Sua situação amplia a discussão sobre o acesso ao ensino superior. Além das condições financeiras, fatores como jornada de trabalho, deslocamento e disponibilidade de horários também influenciam a possibilidade de iniciar uma graduação.

A escolha de uma modalidade compatível com a rotina pode ser determinante para que o estudante consiga não apenas ingressar na universidade, mas também acompanhar as atividades acadêmicas e concluir o curso.

Entre a oportunidade e o diploma

As experiências de Nicolly, Tammy e Maria Isabelly mostram diferentes desafios relacionados ao acesso e à permanência no ensino superior. Enquanto uma convive com a preocupação de cumprir as exigências de renovação, outra já enfrentou a perda do benefício e precisou participar de um novo processo para continuar estudando. A terceira ainda procura uma modalidade de ensino que permita conciliar a formação com o trabalho.

Embora apresentem trajetórias distintas, as histórias apontam para uma questão em comum: a oportunidade de ingressar na universidade precisa ser acompanhada de condições que permitam ao estudante permanecer nela.

Para quem depende do auxílio financeiro, a graduação envolve também prazos, documentos, comprovações e responsabilidades que podem interferir diretamente na continuidade dos estudos.

O acesso representa o primeiro passo, mas a conquista do diploma depende de uma trajetória que se estende por vários semestres. Entre as exigências do programa e as responsabilidades da vida cotidiana, permanecer na universidade também se torna parte do desafio de conquistar uma formação profissional.

Nota de transparência: Este texto contou com o auxílio de inteligência artificial para sua organização e estruturação.

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Tags: capa estudantes faculdade Faculdade Ielusc Politica Primeira Pauta santa catarina universidade gratuita
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