Joinville vira referência em cirurgia robótica no Sul do Brasil
Joinville vive um novo marco na área da saúde. Com dois robôs Da Vinci Xi, um no Hospital Dona Helena e outro no Centro Hospitalar Unimed, a cidade se consolida como um dos principais polos da cirurgia robótica no Sul do país. A tecnologia, antes restrita a grandes capitais, vem transformando a experiência de pacientes e profissionais com procedimentos menos invasivos e de alta precisão.
Segundo dados da Sociedade Joinvilense de Medicina, cerca de 30 médicos já estão certificados para operar com o sistema robótico. O investimento, que inclui equipamentos, treinamento e estrutura hospitalar, ultrapassa R$20 milhões apenas no caso do Hospital Dona Helena, pioneiro na cidade.
Cirurgia robótica: a precisão do futuro no presente
O sistema Da Vinci, criado nos Estados Unidos, é considerado uma das plataformas mais modernas do mundo em cirurgia minimamente invasiva. Ele é controlado por um médico por meio de um console, que movimenta braços robóticos com precisão superior à da mão humana. Isso permite cortes menores, menor perda de sangue, menos dor no pós-operatório e alta hospitalar mais rápida.
No Hospital Dona Helena, o programa de cirurgia robótica foi inaugurado em junho de 2024. Nos primeiros meses, foram realizados mais de 100 procedimentos, incluindo cirurgias urológicas, ginecológicas, gerais e até cardíacas, sendo o primeiro hospital de Santa Catarina a realizar uma cirurgia cardíaca robótica.
O diretor geral do Dona Helena, José Tadeu Chechi, ressalta o interesse do mercado em realizar procedimentos pelo equipamento robótico no hospital. “Recebemos pacientes de diversas cidades e quando analisamos os resultados que essa tecnologia proporciona na recuperação e no tempo de permanência de internação do paciente. Isso tudo nos envaidece, no sentido de saber que tomamos a decisão correta em implantar o sistema de cirurgia robótica aqui no Dona Helena”, ressalta Chechi.
O cirurgião Eduardo Selbach, que integra a equipe do hospital, explica que a adesão ao método foi rápida e os resultados, expressivos. Segundo ele, a tecnologia tem se destacado especialmente nas áreas de urologia, ginecologia e cirurgia geral, por oferecer movimentos mais precisos e visão tridimensional ampliada, o que garante maior segurança nos procedimentos.
Eduardo reforça que o impacto para o paciente é perceptível já nas primeiras 24 horas após a operação.
“A recuperação é mais tranquila, há menos dor e o tempo de internação é reduzido.”
Eduardo Selbach, cirurgião
Pacientes destacam o procedimento
Moradora de Itapoá, cidade localizada a 80 quilômetros de Joinville, a empresária Greice de Melo realizou um procedimento para tratar uma endometriose, doença ginecológica crônica que se multiplicou com o surgimento de nódulos em órgãos do sistema intestinal e urinário. Devido à complexidade, ela foi orientada a fazer a cirurgia por meio robótico. Não se arrependeu da escolha.
“A operação foi tranquila e a minha recuperação foi muito rápida; Eu senti uma grande diferença em comparação a um procedimento convencional que realizei de retirada do útero. Depois que terminou a cirurgia eu brinquei com a equipe porque eu não senti nada. É um procedimento que eu recomendo”, diz Greice.
Humanização e tecnologia lado a lado
Especialistas destacam que a robótica não substitui o cirurgião, mas potencializa sua capacidade. O médico continua controlando cada movimento do robô, garantindo que a tecnologia atue como uma extensão das mãos humanas para colaborar na precisão e diminuir os erros.
Com a expansão das certificações e a boa aceitação entre pacientes, a expectativa é de crescimento nos próximos anos. Os hospitais planejam ampliar o número de especialidades e procedimentos realizados, tornando Joinville uma das principais referências do país em medicina robótica.
Áreas envolvidas indiretamente nas operações cirúrgicas contam com colaboração humana além da robótica, como destaca o Ernesto Reggio
“Envolve treinamento dos médicos, da equipe de enfermagem e esse treinamento não pode ser só para sala de cirurgia mas em relação a esterilização e todo o acolhimento do paciente”, afirma.
O futuro da robótica na medicina joinvilense
Com a expansão das certificações e a boa aceitação entre pacientes, a expectativa é de crescimento nos próximos anos. Os hospitais planejam ampliar o número de especialidades e procedimentos realizados, tornando Joinville uma das principais referências do país em medicina robótica.
Mais do que tecnologia, o avanço representa um novo olhar sobre o cuidado com o paciente, um equilíbrio entre precisão técnica e sensibilidade humana.