Joinville impulsiona jiu-jítsu e fortalece presença feminina
Crescimento da modalidade em Joinville acompanha tendência nacional e destaca avanço da participação feminina nos tatames
O jiu-jítsu vive um momento de expansão em Joinville. Nos últimos anos, a modalidade ganhou mais visibilidade, aumento no número de praticantes e novas estruturas voltadas ao desenvolvimento do esporte. Um dos marcos recentes foi a inauguração do Centro de Lutas da Arena Joinville, em julho de 2025, oferecendo espaço para treinos e eventos de várias artes marciais, incluindo o jiu-jítsu, o que impulsiona ainda mais a prática na cidade.
Além da estrutura ampliada, competições locais também refletem esse movimento. Em 2023, Joinville sediou os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), que incluíram disputas femininas de jiu-jítsu, demonstrando o fortalecimento da modalidade no cenário competitivo regional e nacional.
Na base esportiva, o município mantém o Programa de Iniciação Desportiva (PID), que oferece aulas gratuitas de diversas modalidades para crianças e adolescentes, entre elas o jiu-jítsu. O projeto tem ampliado a participação de meninas nas artes marciais, o que contribui para mudanças importantes no perfil dos praticantes.
Em Joinville, academias relatam aumento de alunos iniciantes e maior procura por turmas voltadas ao condicionamento físico, competições e defesa pessoal. A expansão do jiu-jítsu também é impulsionada pela diversidade de públicos: crianças, adultos, atletas profissionais e pessoas que buscam saúde e bem-estar encontram no tatame um espaço de desenvolvimento físico e emocional.
No contexto nacional, a modalidade acompanha a mesma tendência. Dados divulgados pela Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu (CBJJ) mostram que a participação feminina em campeonatos cresceu de forma contínua na última década, aumentando o número de categorias e inscritas. Embora ainda existam lacunas, a presença das mulheres nos tatames vem ganhando espaço e reconhecimento.
Presença feminina no tatame
A presença feminina no jiu-jítsu é um dos aspectos mais visíveis desse crescimento. Segundo Genilza Furtado Lima, professora com 10 anos de prática e dois anos dedicada à defesa pessoal feminina, “o número de mulheres nas turmas de defesa pessoal aumentou e também nas turmas de jiu-jítsu com kimono […] muitas buscam uma atividade que as deixe mais ativas e seguras”. Ela explica que ainda há preconceitos, por parte de quem está fora do esporte, sobre força e riscos, mas ressalta que uma escola bem estruturada reduz esses temores.

Ge, como é conhecida, destaca ainda os benefícios que transbordam para além do tatame: “autoconfiança, superação, resiliência nos treinos, diminuição do stress, mente forte e a autodefesa”, afirma, lembrando que há uma turma exclusivamente feminina dedicada à defesa pessoal.
Para a aluna Amabile Camargo, que treina há oito meses, o jiu-jítsu transformou mais do que seu corpo: mudou sua mente e sua forma de viver. “Senti que mudou minha disposição. Tenho depressão grave, e o jiu-jítsu tem me feito sentir melhor, me ajuda no dia a dia, me deixa mais feliz”, conta. Ela treina três vezes por semana e, mesmo sendo a única mulher em seu horário, descreve o ambiente como “uma família muito unida”.

Amabile fala sobre a autoconfiança adquirida: “não tenho mais medo de andar sozinha na rua, sei que se for preciso vou saber sair de situações que me colocariam em risco de vida.” Para ela, o jiu-jítsu trouxe lições de respeito, resiliência e equilíbrio emocional: “O esporte ensina a ter força para levantar e continuar também sobre o respeito pelo próximo. Jiu-jítsu é quase uma religião, ajuda a ter equilíbrio mental, físico, emocional.”
Ela também relata o preconceito que enfrentou: “Já escutei da família que meninas deveriam fazer dança, e não esportes que me deixam ‘masculina’, também ouvi frases como ‘fica se agarrando com os outros’.” Mesmo assim, seu conselho para outras mulheres é claro: “vão conhecer, porque é um esporte para mulheres também, não depende de força. Usamos alavancas e o peso do oponente contra ele mesmo, isso é essencial para uma mulher”.
Um caminho para o futuro
Para Ge, a recomendação final para mulheres que ainda hesitam é enfrentar o medo: “não deixem o medo, o desconhecido e o preconceito serem mais fortes que vocês. As mulheres têm uma força incrível. Pratiquem jiu-jítsu.”
Com dados concretos mostrando crescimento, e histórias reais de transformação, o jiu-jítsu se consolida como um esporte em evolução, cada vez mais plural, inclusivo e poderoso para mulheres que buscam no tatame não apenas um treino, mas um caminho de autoafirmação.