
Audiência pública discute privatização do Hospital Municipal São José
Movimentos sociais e sindicatos se reuniram na Câmara dos Vereadores de Joinville para protestar contra privatização de hospital referência em tratamentos neurológicos e de traumatologia
Na noite desta quarta-feira (16), a Câmara dos Vereadores de Joinville realizou uma audiência pública para discutir os estudos sobre a privatização do Hospital Municipal São José, principal hospital de referência da região norte catarinense. A audiência contou com a presença mais de 300 pessoas ligadas aos movimentos sociais da cidade, que se posicionaram contra o projeto apoiado pelo prefeito Adriano Silva.
O Hospital Municipal São José, localizado no centro de Joinville, é referência em tratamentos neurológicos e de traumatologia. Fundado em 1905, o hospital integrou-se ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988 e, desde então, atende milhares de pacientes diariamente.
No entanto, o anúncio da proposta de privatização pela atual gestão gerou divisão de opiniões na cidade. Diversos sindicatos, conselhos e movimentos sociais manifestaram-se contra o projeto, argumentando que a privatização fere o direito humano à saúde, conforme estabelecido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A advogada Cynthia Maria Pinto da Luz, do Centro de Direitos Humanos e membro do Conselho Municipal de Saúde, destacou: “A privatização ou terceirização da gestão do Hospital São José em Joinville é um crime contra a população e contra os princípios fundamentais do direito à saúde.”
Privatização não é a melhor opção
Durante a audiência, Jane Backer, 45 anos, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Joinville e Região (Sinsej), foi uma voz importante contra a privatização. “Quando dizemos que ‘OS [Organizações Sociais] ninguém merece’, é porque a história das organizações sociais no Brasil é marcada por corrupção e problemas com processos trabalhistas,” afirmou Jane, que ressaltou que a privatização não afeta apenas os servidores públicos, mas toda a população.
Um exemplo frequentemente mencionado foi o ocorrido no Rio de Janeiro, onde órgãos transplantados em pacientes apresentaram resultados positivos para HIV, devido à irresponsabilidade de um laboratório privado responsável pelos exames em um hospital público.

Movimentos sociais presentes no combate à privatização da saúde pública
Os movimentos sociais políticos, como o Movimento Negro Maria Laura, a Organização Comunista Internacionalista (OCI), o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a União da Juventude Comunista (UJC), estiveram presentes durante toda a audiência. Além disso, movimentos artísticos, como o Slam Guará, e sindicatos de trabalhadores também participaram, refletindo sobre como o papel dos movimentos sociais é essencial na luta pelos direitos.
Ana Júlia Vieira, 23 anos, membro do movimento social Slam Guará e filiada ao Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Braz, expressou indignação após o fim da audiência, mas concordou que a população é contra a privatização. “A presença dos movimentos sociais, com seus representantes engajados e trazendo essas questões à tona, é fundamental para dar voz à população,” declarou Ana, acrescentando que esses movimentos são cruciais para mostrar aos vereadores que a população não apoia a privatização.